A série televisiva documental sobre ópera contemporânea Opera. Now, escrita e realizada pelo compositor Vasco Mendonça, estreia-se no próximo dia 05 de janeiro, na RTP2, que a coproduziu com o canal francês Mezzo e a plataforma de ‘streaming’ Medici.tv.
Em declarações à Lusa, o compositor Vasco Mendonça disse
que esta série “é apresentada num tom confessional, de partilha pessoal, uma
espécie de carta de amor à ópera”, género ao qual se refere como “maior” ao
cruzar diferentes artes, da literatura às artes plásticas, passando pela dança
e a música.
“A ópera mudou literalmente a minha vida como compositor.
Esta série nasce do desejo de devolver essa experiência: abrir um espaço de
escuta, abrandar o tempo e convidar novos públicos a entrar numa forma de arte
que fala dos momentos mais extremos da condição humana”, disse.
A série estreia-se em janeiro na RTP2 e será exibida “até
ao final do primeiro trimestre de 2026”, na Medici.tv e no Mezzo.
A série conta com a participação de compositores como
Gyorgy Kurtag e Kajia Saariaho, que morreu em 2023, dos escritores Sofi Oksanen
e Martin Crimp, dos encenadores Simon Stone, que tem marcado os principais
palcos mundiais de ópera, de Salzburgo ao Met, em Nova Iorque, e Pierre Audi,
que morreu no passado mês de maio, tendo dirigido a Ópera Nacional Neerlandesa
durante mais de 30 anos, e das sopranos Barbara Hannigan e Julia Bullock, que
se contam entre as principais cantoras da atualidade.
O compositor disse à Lusa que, para esta série, teve “o
prazer de falar” com amigos e colegas criadores que admira. A série, afirmou
Vasco Mendonça, demonstra “como a ópera está sintonizada com o nosso tempo”.
“Nestes tempos de voragem, de profunda crise social, a
ópera, que se move mais lentamente, permite-nos abrandar, dar um passo atrás, e
ajuda-nos a refletir com outra profundidade sobre o presente”.
Foram escolhidas oito óperas, uma por cada episódio, e o
sexto aborda três óperas, todas selecionadas com base num critério que implicou
o gosto pessoal, ter sido estreada no século XXI, tendo também em conta “o
impacto e a aclamação que tiveram junto do público e da crítica internacional”.
As óperas selecionadas nos episódios um a cinco são:
“Into the Little Hill”, de George Benjamin, “Innocence”, de Kaija Saariaho,
“Fin de Partie”, de György Kurtág, “Alice in Wonderland”, de Unsuk Chin, e “The
Snow Queen”, de Hans Abrahamsen.
No sexto episódio são abordadas as óperas “Ophelia”,
“Upload” e “Denis & Katya”, respetivamente de Sarah Nemtsov, Michel van der
Aa e Philip Venables.
A série propõe “um olhar de dentro” para os bastidores e
o processo criativo, “observando de perto os dilemas, decisões e tensões que
moldam cada obra”, num “tom descontraído e acessível”, apresentando a ópera
como “um espaço vibrante de criação, debate e imaginação”, disse o autor e
realizador de Opera. Now.
Vasco Mendonça adiantou que nesta produção, também
apresentada por si, procura, “com humor e clareza”, aproximar o universo
operático do público em geral, ou seja, “desmistificar o conceito da ópera como
elitista e exclusiva”.
Para Vasco Mendonça, a ópera é a manifestação de uma
pulsão primordial da natureza humana, que é “contar histórias através do canto,
no momento em que a fala deixa de ser suficiente”.
O canto, disse o compositor, liga-se a “situações
extremas” como a morte – os lamentos -, o êxtase, a luta, a guerra, o trabalho.
Na atualidade contemporânea, a ópera pode abordar temas
do quotidiano como a identidade, a crise climática, os conflitos políticos, a
intimidade, a própria tecnologia.
Vasco Mendonça, como compositor, tem feito parte dos
programas de grupos como Asko|Schoenberg Ensemble, Nieuw Ensemble, Axiom
Ensemble, Remix Ensemble, International Contemporary Ensemble, Sinfónica de São
Paulo, orquestras Gulbenkian, Sinfónica Casa da Música e Drumming Grupo de
Percussão.
O compositor tem recebido encomendas, para obras
inéditas, de festivais como o d’Aix-en-Provence, Aldeburgh Music, Verbier
Festival, Musica Nova Helsinki, Musica Strasbourg, November Music, Gaudeamus
Music Week e Morelia Music Festival, e de instituições como Mousonturm
Frankfurt, Casa da Música e Fundação Gulbenkian.
Vasco Mendonça foi aluno de George Benjamin, foi
distinguido com o Prémio de Composição Lopes-Graça e a bolsa Mentor &
Protégé (com Kaija Saariaho), entre outros, e foi compositor em residência da
Casa da Música, em 2024.
Os seus próximos projetos incluem encomendas para a Dutch
National Opera, a Bergen Symphony Orchestra, o Asko|Schoenberg Ensemble e a
Queen Elizabeth Music Competition.
Opera. Now tem
argumento e realização de Vasco Mendonça, produção de Catarina Mourão e
Catarina Alves Costa, direção de fotografia de João Pedro Plácido e Marc
Rovira, direção de som de Armanda Carvalho e Michael O’Donoghue, montagem de
Pedro Mateus Duarte e Vasco Mendonça, efeitos especiais e animação de Beatriz
Bagulho.
Com apoio financeiro do Instituto do
Cinema e do Audiovisual, Opera. Now é uma coprodução RTP, Mezzo e
medici.TV, tendo a britânica Proudfoot, como produtora associada. In “LusoJornal”
– França com “Lusa”
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