Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Português na Extremadura

Díez Solis reconhece que o ensino do Português é uma "prioridade" na Extremadura

Ao centro o Secretário-Geral de Educação César Díez Solis


O Secretário-Geral de Educação, César Díez Solis abriu, no passado dia 09 de Novembro de 2013, a VII Conferência de Língua e Cultura Lusófonas, organizada pela Associação de Professores de Português da Extremadura (APPEX), reconheceu que, por "razões inquestionáveis", o ensino do português representa uma "prioridade absoluta" na promoção da política de multilinguismo, impulsionada pela Conselharia de Educação e Cultura.

"Estamos dando passos importantes para fortalecer o Português," manifestou Díez Solis, e não só pela sua proximidade com Portugal", mas pela dimensão que está adquirindo o idioma português no âmbito internacional, com a projecção de países emergentes como o Brasil, "temos que ter em consideração", acrescentou.

Fomento do português

De seguida, o Secretário-Geral desenvolveu as principais acções que a Conselharia da Educação e Cultura lançou para incentivar o estudo do português, “não só entre os nossos alunos, mas também entre a população em geral", destacando as Escolas Oficiais de Idiomas e as salas de aula que lhes são inerentes, que ensinam o português entre a sua oferta educativa.

Destacou o ensino do português como segunda língua no primeiro ciclo e terceiro idioma na secundária e centro educativos da região, e a criação de três secções bilingues de português. Além disso, a oferta estende-se com o Programa de Língua e Cultura Portuguesa, o Instituto de Línguas Modernas da Universidade da Extremadura, e com a participação activa dos centros educativos em programas com Portugal como o Projecto REALCE, "que tão bons resultados têm dado" qualificou Díez Solis.

Por outro lado, também felicitou o Presidente da APPEX, Jacques Songy, pelo programa “Falamos Português” emitido semanalmente no Canal Extremadura, um "passo mais" no ensino desta língua através de divertidos e acessíveis programas de TV em língua e cultura portuguesa.

Canto didáctico de português

Além disso, Díez Solis anunciou o lançamento de um novo portal para a aprendizagem do português, chamado de "Canto didáctico de Português", que será o "embrião" de um banco de recursos disponíveis na rede.

Neste sentido, e para que este banco de recursos cresça e se complete, tem solicitado a colaboração dos professores, porque "com a vossa experiência e conhecimento" será um repositório “forte” de conteúdos educacionais digitais, reconhecendo que "nada disto seria possível sem a vossa colaboração".

Na abertura, Díez Solis foi acompanhada pelo alcaide de Almendralejo, José Garcia Lobato, a directora do Centro de Professores e de Recursos de Almendralejo, Rosa Blázquez Matías, a representante do Camões e do Centro de Língua Portuguesa de Cáceres, Raquel Gafanha, e o presidente da APPEX Jacques Songy. In “Gobierno de Extremadura” - Espanha

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Caminho de estrelas

Novo pavimento absorve luz do dia e ilumina a noite

É um 'simples' spray que pode ser aplicado sobre os tradicionais pavimentos e que consegue absorver os raios UV emitidos pela luz do dia para, durante a noite, iluminar a escuridão. Uma solução que poupa dinheiro, energia e também o ambiente.

O produto, batizado de Starpath (Caminho de Estrelas, em português), foi criado pela empresa britânica Pro-Teq e pode ser aplicado, de forma rápida e simples, sobre quase todo o tipo de superfícies sólidas, desde o cimento, à madeira ou gravilha.



O Starpath já foi aplicado com sucesso em vários locais do Reino Unido, nomeadamente numa longa extensão do principal parque da cidade de Cambridge.

Neil Blackmore, um responsável da empresa, explica que esta é uma “excelente solução para as cidades numa altura em que as autarquias querem poupar o máximo de energia”.

A aplicação é efetuada com um equipamento especialmente desenhado para espalhar, primeiro, a base do produto (que é composta por um polímetro poliuretano) e depois uma nova camada com capacidades bioluminescentes. Para finalizar, é aplicada uma cobertura protetora. Meia hora depois de ser aplicado, o Starpath está pronto a ser utilizado. In “Boas Notícias” - Portugal

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Gilvan Müller de Oliveira na Galiza

Diretor executivo do IILP recebido pelo Parlamento da Galiza

A Presidente do Parlamento da Galiza recebeu no passado dia 7 de novembro de 2013, o Diretor Executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, Gilvan Müller de Oliveira, em ato oficial. A este encontro assistiu acompanhado de membros da Academia Galega da Língua Portuguesa, integrantes da Comissão Promotora da Iniciativa Legislativa Popular Paz-Andrade, e do Conselho da Cultura Galega.

Após a receção pola presidente, Pilar Rojo, uniram-se os representantes dos grupos parlamentares (PP, PSOE, AGE e BNG). No encontro, Gilvan Oliveira mostrou a disponibilidade do IILP para apoiar as iniciativas relacionadas com a promoção da língua portuguesa, explicando diversas hipóteses de colaboração, entre as quais a criação de roteiros específicos para o aprendizado de português na Galiza, no quadro do Portal do Professor de Português Língua Estrangeira (http://www.ppple.org/).

A presidente do Parlamento e os representantes dos grupos parlamentares agradeceram a visita do Diretor Executivo do IILP, e louvaram o esforço da Comissão Promotora da Iniciativa Legislativa Popular Paz-Andrade na procura de consensos.

A seguir, Gilvan Oliveira manteve um encontro com o Diretor Geral de Política Linguística do Governo Autónomo Galego, Valentín García, em que conversaram sobre possíveis vias de colaboração.

Esta visita reveste uma especial importância, por ser a primeira vez que é recebido oficialmente na Galiza um diretivo de um organismo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, e por produzir-se no contexto tramitação parlamentar da «Lei Paz-Andrade para o aproveitamento da língua portuguesa e vínculos com a lusofonia», cuja aprovação se prevê unânime, no decurso dos próximos 2 meses. Observatório da Língua Portuguesa – Portugal



Na fotografia, da esquerda para a direita: Henrique Monteagudo e Ramón Villares, representantes do Conselho da Cultura Galega; a presidente do Parlamento Autónomo, Pilar Rojo; o Diretor Executivo do IILP, Gilvan Müller de Oliveira; o secretário da Academia Galega da Língua Portuguesa, Ângelo Cristóvão; o membro da Comissão Promotora da ILP Paz-Andrade, José Morell e Joám Evans Pim, da AGLP e da Comissão Promotora.

domingo, 10 de novembro de 2013

Contas


Ontem, numa auto-estrada portuguesa, numa estação de serviço, cada vez mais vazia de clientes, pediu-se um café (1 euro) e uma fatia de bolo (2 euros).

No momento da empregada contabilizar a despesa, a máquina registadora encravou-se e aconteceu o impensável, a jovem empregada não conseguiu fazer a conta.
 
 

A jovem para ter um emprego de balcão deve ter algumas habilitações literárias, mas para somar, um mais dois euros, necessitou de pedir desculpa, a rapariga tinha educação, ir buscar uma caneta e um papel e efectuar a respectiva conta de somar, que no final deu três euros.

É preocupante a dificuldade que a maioria dos jovens portugueses têm para a matemática, mesmo quando a operação é básica, elementar, do primeiro ano do ensino, encontramos como foi este caso, pessoas que não conseguem de imediato realizar uma conta de somar de cabeça.

A mim como cidadão, o que mais me preocupa é o comportamento destes meus concidadãos num momento tão responsável como votar, como decidir do futuro de todos nós, pois se têm dificuldade no raciocínio lógico, como serão capazes de discernir, o trigo do joio, das campanhas eleitorais, bombardeadas através da comunicação social, principalmente da televisão? Baía da Lusofonia

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Efeitos de estufa

Concentração de gases do efeito estufa regista novo recorde

A presença do CO2 na atmosfera chegou a 393,1 partes por milhão em 2012, 41% a mais do que antes da era industrial.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) acaba de divulgar o Boletim Anual sobre Gases do Efeito Estufa e alerta que a quantidade desses elementos na atmosfera segue subindo, “estimulando a mudança climática que transformará o futuro do planeta por milhares de anos”.

Segundo a OMM, entre 1990 e 2012 houve um aumento de 32% na chamada força radioativa – o efeito do aquecimento sobre o clima – devido às concentrações crescentes de dióxido de carbono (CO2), do metano (CH4) e do óxido nitroso (N2O) na atmosfera.

Desde o começo da era industrial, em 1750, a concentração média de CO2 teria aumentado 41%, a de CH4, 160%, e a do N2O, 20%.



“Nossas observações mostram, mais uma vez, como as atividades humanas estão desequilibrando a natureza de nossa atmosfera e são um importante contribuinte para as mudanças climáticas”, afirmou Michel Jarraud, secretário-geral da OMM.

“O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) em seu quinto relatório esclareceu que as concentrações atmosféricas do dióxido de carbono, metano e óxido nitroso estão acima dos níveis vistos nos últimos 800 mil anos. Como resultado disto, nosso clima está se transformando, ficando mais extremo, e as geleiras estão derretendo, elevando o nível dos oceanos”, completou.

De acordo com o Boletim, a concentração de CO2, que responde por 80% do aumento da força radioativa, sendo assim o principal gás do efeito estufa, chegou a 393,1 partes por milhão (ppm) em 2012.

A quantidade de CO2 subiu 2,2 ppm entre 2011 e 2012, acima da média de 2,02 ppm da última década.

Em alguns meses do ano passado, a concentração do CO2 chegou a ficar acima das simbólicas 400 ppm. Se continuar na atual tendência, já em 2015 ou 2016 a média anual será acima dessa marca.

“Limitar as mudanças climáticas exigirá uma grande redução das emissões. Precisamos agir agora para não colocarmos em risco o futuro de nossos filhos, netos e das futuras gerações. O tempo não está do nosso lado” concluiu Jarraud.


A OMM destaca ainda que a atmosfera é apenas uma parte do problema. Cerca de metade do CO2 emitido pelo homem acaba sendo absorvido pela biosfera e pelos oceanos, não aparecendo assim nas medições da entidade. Instituto Carbono Brasil - Brasil 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Educação e Darcy Ribeiro

Pepe Mujica: "Nós, socialistas, temos que formar nossa gente"

"A formação universitária contemporânea está embebida de capitalismo por toda parte. Nós, socialistas, temos que formar nossa gente".



Carta Maior: Como o senhor conheceu Darcy Ribeiro e como se tornaram amigos? Tinham ideias políticas parecidas?

 Mujica: Eram tempos já distantes, do golpe militar no Brasil. No Uruguai se refugiaram alguns notórios perseguidos políticos e lutadores sociais brasileiros e nós compúnhamos um grupo de rapazes jovens que, solidariamente, trabalhávamos de correio, para trâmites de imigração, e viajávamos continuamente para Porto Alegre, São Paulo e Rio.

Numa dessas idas, em algum apartamento, conheci Darcy. Eu o observava, na visão de homem jovem que eu era, como uma espécie de maestro, daqueles que nos iluminava o caminho. Havia uma distância intelectual muito marcada entre nós e Darcy. Afinal, não éramos mais que um pequeno punhado de jovens carteiros. De qualquer modo, penso que não foi em vão. Conheci muita gente do pensamento brasileiro e, com o passar do tempo, encontrei alguns por aqui, outros por lá, outros que já não estão.

A América Latina está imersa em um processo de mudanças importantes em muitos de seus países. O que pensaria Darcy Ribeiro da América Latina que temos atualmente?

Eu penso que, por um lado, ele teria uma espécie de grata surpresa e seguramente estaria comprometido, ajudando. Mas seguramente estaria criticando também. Ineludivelmente, pela forma libertária e aberta de sua maneira de pensar, pelo fervoroso idealismo carregava. E eu acho que ele reforçou isso em seus trabalhos de Antropologia, conhecendo os povos primitivos. Mas não tenho dúvida de que estaria apoiando; mas não apoiando incondicionalmente, sim numa atitude crítica.

Você fala de apoio e de crítica. O que teria a América Latina atual que aprender do pensamento, da luta e da obra de Darcy Ribeiro?

Eu acho que existem coisas que são permanentes: sua devoção aos povos primitivos, sua devoção aos costumes, a busca nos povos primitivos das mais profundas chaves da conduta humana. Acho que isso é uma parte moderna, que será incorporada.

Existem muitos antropólogos que estudam a ciência do homem e estão muito atrasados com respeito a outros. E nesta América, acho que Darci nos deixou um capital, deste ponto de vista, que é pelo menos um ponto de partida. Não é o fundamentalismo de defesa dos povos aborígenes como quem defende uma coisa que deve ser conservada, como quem conserva animais raros, mas eu entendo que os esforços de Darcy têm que ver com encontrar as chaves da conduta humana fora da civilização: é o que temos no disco rígido da espécie. Por momentos, pelo menos, me dá essa impressão.

A experiência boliviana, com um presidente indígena à frente e com todas as contradições que está tendo esse processo, teria lhe interessado, sem dúvida, muitíssimo.

Sem dúvida. Ele estaria em uma espécie de oficina permanente, revisando algumas de suas teses, gerando outras. Seguramente ele estaria cultivando um pensamento fermental. E eu diria, procurando iluminar-nos, no caminho da teoria, neste mundo de esquerdas potentes como as que se movem na América do Sul, mas que têm uma dívida muito profunda em matéria de teoria.

Ribeiro estava firmemente convencido das possibilidades emancipadoras da educação. No Brasil, tentou construir uma universidade modelo para uma nova sociedade mais justa e democrática. Você acha que a educação ainda tem esse poder de mudar o mundo, apesar de que ele está cada vez mais regido pelo dinheiro sem pátria?

Acho que Darcy era um prisioneiro de sua própria fé, de seu próprio entusiasmo. Não tenho dúvida de que a educação é um componente imprescindível para uma sociedade melhor, mas com isso não chega. A formação universitária de caráter contemporâneo sofre e, em grande medida, está embebida de capitalismo por todos os lados, e tende a reproduzir quadros intelectuais, acadêmicos, que afinal acabam sendo funcionais para o próprio capitalismo. Não gera necessariamente quadros para uma sociedade diferente ou para que lutem por uma sociedade diferente. Isto acho que não se podia ver na época de Darcy.

Mas vou resumir: nós, socialistas, temos que fundar nossas próprias universidades e formar nossa gente e não mandá-las para que o capitalismo as forme e pretender depois criar socialismo com essa intelectualidade. Sei que é muito forte, mas acho que é um de nossos deveres. Mas isto eu digo depois de ler o jornal de segunda-feira, digo depois de ter vivido, antes não pensava assim.

Porque você considera que a cultura tem um papel relevante nas mudanças sociais…

Tremendo!

…as mudanças das forças produtivas em nível político não são suficientes se não há uma mudança cultural na sociedade.

Conhecimento e cultura, as duas coisas. Mas embebidos de outros valores. E uma universidade que trata de capacitar profissionais que estão apressados por formar-se para incorporar-se ao grande mercado de trabalho, o que não parece o mais adequado, em termo genérico sempre vai existir... mas bem, em todo caso isto é após o tempo de Darcy. Provavelmente se ele estivesse vivo estaríamos discutindo isto.

Seria muito bom… Como Darcy, que era um antropólogo, você mostra também inquietude pela crise ambiental. Fez referências importantes ao tema na abertura da Assembleia da ONU este ano. Como o tema ambiental muda a concepção de luta socialista no mundo atual em relação com a visão, talvez mais romântica, que se tinha quando você e Darcy eram jovens militantes.

A tese central que sustento é que, no fundo, a crise ambiental é uma consequência, não uma causa. Que, na verdade, os problemas que temos no mundo atual são de caráter político. E isso se manifesta nessa tendência de destroçar a natureza.

E por que político? É político e é sociológico porque remontamos a uma cultura que está baseada na acumulação permanente e em uma civilização que propende ao “usa e descarta”, porque o eixo fundamental dessa civilização é apropriar-se do tempo da vida das pessoas para transformá-lo em uma acumulação. Então, é um problema político. O problema do meio ambiente é consequência do outro. Quando dizemos que “para viver como um americano médio, são necessários três planetas” é porque partimos de que esse americano médio desperdiça, joga fora e está submetido a um abuso de consumo de coisas da natureza que não são imprescindíveis para viver.

Portanto, quando digo político, me refiro à luta por uma cultura nova. Isso significa cultivar a sobriedade no viver, cultivar a durabilidade das cosas, a utilidade, a conservação, a recuperação, a reciclagem, mas fundamentalmente viver aliviado de bagagens. Não sujeitar a vida a um consumo desenfreado, permanente. E não é uma apologia à pobreza, é uma apologia à liberdade, ter tempo para viver e não perder o tempo em acumular coisas inúteis. O problema é que não se pode conceber uma sociedade melhor se ela não se supera culturalmente.

Por último, uma lembrança, a lembrança mais forte que você conserva da relação que teve com Darcy Ribeiro.

O que mais me impressionou é a fé cega que esse bom homem tinha na educação como alavanca principal para ordenar o mundo. Ele era um apaixonado pela educação. Era uma espécie de professor predicador, não apenas do conhecimento, mas da necessidade de semear conhecimento.

Nos faz falta?

Sim, claro que nos faz falta, muitíssima falta. Um apaixonado pela educação!
In “Carta Maior” – Brasil

"Sou um homem de causas. Vivi sempre pregando, lutando, como um cruzado, pelas causas que comovem. Elas são muitas, demais: a salvação dos índios, a escolarização das crianças, a reforma agrária..." Darcy Ribeiro

Darcy Ribeiro


Darcy Ribeiro – perfil no sítio oficial da Academia Brasileira de Letras

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Prémio José Saramago 2013

O escritor angolano Ondjaki, pseudónimo de Ndalu de Almeida, natural de Luanda onde nasceu em 1977, venceu a edição deste ano do Prémio José Saramago, pelo romance “Os Transparentes”, publicado pela Editorial Caminho em 2012, anunciou ontem, dia 05 de Novembro de 2013, a Directora Editorial da Fundação Círculo de Leitores, Guilhermina Gomes na Casa dos Bicos em Lisboa. A poetisa e historiadora angolana Ana Paula Tavares apresentou o elogio da obra, tendo sido entregue de seguida ao autor, o Prémio que visa distinguir obras literárias no domínio da ficção, romance ou novela, escritas em língua portuguesa, por escritores com idade não superior a 35 anos, cuja primeira edição tenha sido publicada em qualquer país da lusofonia.

Ondjaki


Esta é a 8.ª edição do Prémio atribuído de dois em dois anos, desde 1999, pela Fundação Círculo de Leitores. Nas edições anteriores foram distinguidos os escritores Paulo José Miranda, “Natureza Morta” (1999), José Luís Peixoto, “Nenhum Olhar” (2001), Adriana Lisboa, “Sinfonia em Branco” (2003), Gonçalo M. Tavares, “Jerusalém” (2005), Valter Hugo Mãe, “O Remorso de Baltazar Serapião” (2007), João Tordo, “As Três Vidas” (2009) e Andrea del Fuego, “Os Malaquías” (2011). O júri foi constituído por Guilhermina Gomes (presidente), Nélida Piñon, Ana Paula Tavares, Pilar del Río, Vasco Graça Moura, Manuel Frias Martins, Maria de Santa Cruz e Nazaré Gomes dos Santos.

Ondjaki é o seu nome de escrita, guerreiro em Umbundu. Poeta, prosador, visita também a escrita para crianças, o teatro, a pintura, o documentário. Formado em Sociologia, completou o doutoramento em Estudos Africanos em Itália. Distinguido em 2000 com a Menção Honrosa do Prémio António Jacinto pelo seu primeiro livro de poesia (actu sanguíneu), em 2005 obtém o Prémio António Paulouro pelo livro de contos “E se amanhã o medo”, e o Grande Prémio APE em 2007 por “Os da minha rua”. Em 2010 recebe o Prémio Jabuti (categoria juvenil) com “Avó Dezanove e o segredo do soviético”. Ainda no âmbito juvenil, publica “A bicicleta que tinha bigodes” distinguido com o Prémio Bissaya Barreto 2012 e com o Prémio Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (IBBY do Brasil) 2013. O romance “Os transparentes” é agora distinguido com o Prémio Literário José Saramago 2013, conforme se lê na nota à imprensa da Fundação Círculo de Leitores .

Recordemos as palavras de José Saramago: “A Fundação Círculo de Leitores, ao criar este prémio, criou – espero eu que assim seja – um instrumento mais para a defesa da língua. É que, quando nós falamos na língua, estamos sempre a pensar na nossa língua lá fora. Quer dizer, a difusão, a promoção, os leitorados, os cursos, tudo isso lá fora. Mas há que levar em conta que a língua começa por defender-se cá dentro.”

Pilar del Río, Presidente da Fundação José Saramago e membro do júri, escreveu: “Ao lermos Os transparentes temos a sensação de estar a ler uma literatura inaugural. Sabemos que não é assim, que Angola tem grandes escritores e que muitos fazem do português em África um idioma sólido, versátil e belo, e que também Ondjaki faz parte de uma poderosa constelação que irá, sem dúvida, iluminar noites e dias. Os transparentes surge como o primeiro dia da criação, tal é a sua força e lucidez. Este romance, mágico e misteriosa, é cruzado por uma aparente ingenuidade, talvez a única maneira de descrever o país que se ama e contar um certo estado de coisas que não se pode deixar de notar, por causa desse mesmo amor. Os transparentes é um livro de Angola, sobre esta Angola e a sua forma de estar no mundo. E é, por certo, literatura.” Baía da Lusofonia