Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 2 de agosto de 2026

Alemanha - Livro sobre Lisboa na Segunda Guerra apresentado na cidade de Berlim

A embaixada de Portugal em Berlim recebe, no próximo dia 22 de setembro, às 18h00 (hora local), o lançamento do livro “Lissabon 1941 – Stadt der Spione, Hafen der Hoffnung”, de Alexander Smoltczyk, numa sessão que contará com a presença do autor


A obra conduz os leitores à Lisboa da década de 40 do século XX, reconstruindo o ambiente vivido na capital portuguesa durante a Segunda Guerra Mundial, quando a cidade acolhia milhares de refugiados, diplomatas e agentes secretos.

Partindo das histórias de figuras como Hannah Arendt, Heinrich Mann, Marc Chagall, Josephine Baker e Ian Fleming, Alexander Smoltczyk retrata Lisboa como um dos mais improváveis palcos da Europa naquele período.

A entrada na sessão é livre, sendo, no entanto, necessária pré-inscrição através do endereço de correio eletrónico camoes.berlim@mne.pt.

Recorde-se que a embaixada de Portugal fica na Kurfürstenstr. 57, em Berlim, com entrada pela Derfflingerstr. 12. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 30 de setembro de 2025

Guiné Equatorial - Iniciativa Africana inaugura exposição de fotografia da Segunda Guerra Mundial na cidade de Malabo

A exposição, localizada na Casa Mayo, comemora o 80.º aniversário da vitória soviética sobre o nazismo e permanecerá aberta ao público por um mês


A agência African Initiative inaugurou uma exposição de fotografia dedicada à Segunda Guerra Mundial em 27 de setembro, em homenagem ao 80.º aniversário da vitória sobre a Alemanha nazi.

A exposição, localizada no segundo andar da Casa de Maio em Malabo, capital da Guiné Equatorial, reúne uma seleção de imagens históricas que retratam momentos decisivos do conflito e do seu impacto na humanidade. Por meio dessas fotografias, a exposição procura preservar a memória histórica e oferecer ao público a oportunidade de refletir sobre um dos episódios mais decisivos do século XX.

A exposição ficará aberta ao público por um mês e é destinada à comunidade, investigadores, estudantes e mídia, com o objetivo de fomentar a memória coletiva e manter vivo o legado da história. Sinforosa Esodja – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”




terça-feira, 23 de setembro de 2025

Hong Kong – Bomba da Segunda Guerra Mundial obriga a evacuação de seis mil pessoas

As autoridades de Hong Kong ordenaram sábado a retirada de seis mil pessoas de 18 edifícios na zona de Quarry Bay, após terem descoberto uma bomba da Segunda Guerra Mundial, “totalmente operacional”


O objecto, descoberto a dez metros de profundidade na tarde de sexta-feira, foi considerado operacional e de alto risco pelos especialistas em desmantelamento da polícia.

A bomba de 1,5 metros de comprimento, contendo 227 quilos de explosivos e possivelmente lançada por uma aeronave dos Estados Unidos durante a guerra, foi descoberta durante obras de construção.

Os polícias e os grupos de apoio comunitário da área notificaram rapidamente os residentes dos edifícios próximos, incentivando-os a abandonar os apartamentos e a procurar abrigo em áreas protegidas.

A operação, liderada pela Unidade de Desativação de Artilharia da Polícia, começou às 02:00, para tentar desmontar o dispositivo e provocar uma explosão controlada num prazo de 12 horas.

Após a conclusão da operação, as estradas adjacentes, que foram bloqueadas por precaução, foram reabertas e permitir o regresso dos deslocados, desde que não haja imprevistos.

Para proteger o público e agilizar a evacuação, os bombeiros mobilizaram dois veículos de emergência, duas unidades médicas e um centro móvel de assistência a vítimas.

O chefe interino da polícia de Hong Kong para o sector leste, Lo Shui-sang, disse que os agentes têm também equipamento de combate a incêndios e tecnologia robótica prontos para apoiar a operação.

Henry Lai, representante do Departamento de Assuntos Internos, confirmou que 35 grupos de assistência locais estão a colaborar na operação, com apoio adicional do distrito de Wan Chai, e que foi providenciado transporte para transportar os afetados para espaços comunitários e alojamento temporário.

Em 2018, foram descobertos três artefactos semelhantes em Wan Chai, onde um projétil de peso idêntico exigiu 20 horas de trabalho e a retirada de 1250 pessoas.

Estes incidentes, embora esporádicos, evidenciam as dificuldades de uma cidade como a antiga colónia britânica, onde a incessante urbanização regularmente traz de volta à superfície relíquias de conflitos passados.

Documentos históricos registam intensos bombardeamentos aliados desde 1942 – após o Japão ter conquistado Hong Kong no Natal de 1941 – com um ataque devastador em 1945 que deixou centenas de vítimas e inúmeras munições não detonadas.

Os especialistas alertam que o ‘boom’ imobiliário pode revelar mais vestígios nesta região, marcada pelo passado colonial e pelos conflitos do século XX. In “Ponto Final” - Macau


terça-feira, 27 de junho de 2023

França - Exposição sobre trabalhadores portugueses e espanhóis no Terceiro Reich, em Paris

O Consulado Geral de Portugal em Paris vai inaugurar no dia 29 de junho, quinta-feira, por volta das 18h30, nos Salões Eça de Queirós, a exposição “Trabalhadores portugueses e espanhóis no Terceiro Reich (1940-1945)”. Cristina Clímaco e Cláudia Ninhos vão estar ao comando da apresentação


“A exposição baseia-se nas histórias de vida de trabalhadores portugueses e espanhóis, imigrantes e exilados em França ou recrutados em Espanha”, lê-se em comunicado enviado ao Bom Dia.

“Traça os caminhos que levaram estes estrangeiros a trabalhar no Reich, os constrangimentos da sua estadia, o quotidiano em território inimigo, o repatriamento… e testemunha a impotência perante a arbitrariedade de Vichy e a violência do regime nazi”, segundo a mesma fonte.

Sobre as apresentadoras, sabe-se que “Cláudia Ninhos é investigadora do Instituto de História Contemporânea (IHC) da Universidade Nova de Lisboa. O seu trabalho incide sobre o Holocausto, o acolhimento de refugiados em Portugal durante a Segunda Guerra Mundial e as relações luso-alemãs”.

Quanto a Cristina Clímaco, trata-se de “uma investigadora no Laboratoire d’Études Romanes (LER) da Université Paris 8 Vincennes-Saint-Denis. O seu trabalho centra-se no exílio e na emigração portuguesa em França e em Espanha no período do entre guerras. Encontra-se atualmente a desenvolver um projeto de investigação sobre os resistentes portugueses e de origem portuguesa”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

domingo, 4 de junho de 2023

O drama de Anne Frank reconstituído

Obra recupera a trágica história vivida pela jovem judia durante a Segunda Guerra Mundial


                                                                    I

Nascido em Monte Alegre, hoje Telêmaco Borba, no Paraná, mas tendo vivido até a juventude em Itararé, Silas Corrêa Leite (1952) descende, por parte de pai, de judeus da Ilha da Madeira, convertidos como cristãos novos, e, por parte de mãe, de índios guaranis e de negros de Angola. Por isso, ao acumular, com todas essas ascendências, as cotas de dores de tantas gerações que viveram as angústias e vicissitudes da diáspora, do genocídio e da escravatura, sentiu-se no dever de tentar reconstituir a história da adolescente alemã de origem judia Annelies Marie  Frank (1929-1945), Anne Frank, nascida em Frankfurt, que, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), escondida num abrigo em Amsterdã para fugir das atrocidades que eram cometidas por soldados nazistas, escreveu um diário que, mais tarde, tornaria o seu drama conhecido em todo o mundo.

Como se sabe, o famoso “Diário de Anne Frank” registra a história dessa jovem que viveu o medo de ser levada com sua família para um campo de concentração em meio ao caos da Segunda Guerra Mundial e ser consumida pelas atrocidades que eram cometidas por soldados nazistas. Antes disso, a uma época que lembra um pouco o ambiente vivido no Brasil de 2019 a 2022, a família de Anne Frank, diante da ascensão de Adolf Hitler (1889-1945) com sua pregação de ódio aos judeus e em razão da má situação econômica do país, decide mudar para Amsterdã, onde Otto Frank (1889-1980), o patriarca, fundaria uma empresa que comercializava pectina, agente gelificante para a preparação de geleias.

A 1º de setembro de 1939, quando Anne estava com dez anos, a Alemanha nazista acabaria por invadir a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial. Passados uns meses, em maio de 1940, os nazistas também invadiriam a Holanda, sem encontrar muita resistência. Logo, os judeus começaram a ser segregados, com as crianças sendo isoladas numa escola e os adultos proibidos de continuar a gerir negócios. Com isso, o pai de Anne ficaria na iminência de perder a fábrica. E, diante da perseguição, na primavera de 1942, ajudado por amigos, ele começaria a instalar um esconderijo no anexo secreto da sua empresa, no nº 263 da rua Prinsengracht.

Perante a ameaça iminente, Otto Frank e a família, ao lado de mais quatro pessoas, acabariam por se instalar precariamente no chamado Anexo Secreto, local muito apertado e onde era difícil até respirar. Agarrada à família, Anne, vivendo aquele clima de medo, procuraria permanecer silenciosa e acabaria por encontrar na possibilidade de escrever um diário a única saída para continuar vivendo.

 

                                                                   II

A partir desse diário que Anne escreveu e que, bem mais tarde, viria a se tornar famoso, por iniciativa de seu pai, o único do clã que sobreviveu aos horrores da Segunda Guerra Mundial, Silas Corrêa Leite se propôs a escrever o que, em sua imaginação, poderia vir a ser um segundo diário da jovem judia e, ao mesmo tempo, uma homenagem à escritora experimental que sonhava virar jornalista.

Nesta obra, mesmo que seja uma história contada com certo distanciamento, o autor procurou compreendê-la com as mesmas lágrimas e esperanças, com as mesmas cinzas da personagem. “Assim, e muito além da longa estrada das fogueiras cor de laranja; muito além do farol do fim do mundo; muito além do vale da sombra da morte; muito além da estrada de tijolos amarelos que um poeta roqueiro cantou décadas depois, é este romance”, define o autor, para quem a sua obra deve ser vista como um testemunho de que a esperança é a inteligência da vida. “Criar a partir da dor é humano, demasiado humano”, reconhece. “Mas é até mesmo por isso como um inventado leitmotiv de registro histórico também desses tempos tenebrosos”, acrescenta.

 

                                                        III

É de se lembrar que Anne, com 13 anos, passa a viver no esconderijo e, durante os dois anos em que teve de ficar escondida, escreve o que vê e o que se vai passando no Anexo Secreto, registrando o que também sente em sua alma, seus sentimentos, aspirações e vontade de sobreviver. Escreve histórias curtas, inicia um romance e anota passagens que lia no Livro de Belas Frases. Mais tarde, ela tem a ideia de reescrever seus diários e transformá-los numa única história, com o título Her Achterhuis, que quer dizer O Anexo Secreto.       

Assumindo-se como alter ego do espírito de Anne Frank, Silas Corrêa Leite produz um texto com uma linguagem fluida, intercalando-o com reproduções de textos clássicos, alguns extraídos do Velho Testamento bíblico, citações de filósofos, poetas e escritores como Hannah Arendt (1906-1975), Rainer Maria Rilke (1875-1926), Fernando Pessoa (1888-1935), Franz Kafka (1883-1924) e outros, e até a reprodução de um poema anônimo encontrado na parede de um dos quartos de crianças judias do campo de extermínio nazista de Auschwitz.

Mais adiante, escreve, como se fosse Anne Frank: “Sou uma passageira clandestina numa Estação Tempestade qualquer, mas, escrevendo desesperadamente e sem parar às vezes sinto que enlouqueço e assim de mim vou deixando rastros. Escrever me faz um monstro; escrever para mim é uma doença? Muitas coisas morrem em nós, antes de definitivamente também por fim morarmos em nós”.

Quem vier a ler a obra de Silas Corrêa Leite terá também a oportunidade de conhecer com minúcias a história de Anne Frank, inclusive o que se deu com a família depois que o esconderijo foi descoberto, quando todos foram detidos ao lado de outras duas pessoas que os ajudavam, sem que se saiba até hoje o verdadeiro motivo que levou a polícia nazista a praticar a ação. Isso deu-se a 4 de agosto de 1944, dois anos depois. Apesar da busca, uma parte dos escritos de Anne seria preservada, bem como outros documentos que escaparam à sanha nazista.

Após passar pelo serviço de inteligência da polícia de segurança alemã, as pessoas escondidas foram enviadas para o campo de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau, numa viagem de três dias, em más condições de higiene, com mais de mil pessoas apertadas em vagões que geralmente levavam gado. Mais de 350 pessoas que viajaram com Anne foram imediatamente mortas nas câmaras de gás. E Anne enviada para o campo de trabalho para mulheres, com a sua irmã e a sua mãe, enquanto Otto Frank acabou num campo para homens, tendo sobrevivido a toda a barbárie nazista.

No início de novembro de 1944, Anne é transportada novamente. Juntamente com a sua irmã, foi deportada para o campo de concentração de Bergen-Belsen. Os seus pais ficaram em Auschwitz. As condições em Bergen-Belsen eram também miseráveis: quase não havia comida e o frio era horrível. Em consequência disso, Anne, como a sua irmã, ficou com febre tifoide. Em fevereiro de 1945, ambas morreram das consequências dessa doença, primeiro Margot e, pouco depois, Anne, em Bergen-Belsen.

Em 1947, encerrada a guerra, Otto Frank publicou o diário da filha, que seria traduzido para mais de 70 idiomas, venderia milhões de exemplares e seria adaptado para o teatro.


                                                                  IV

Além de contista e romancista, Silas Corrêa Leite é poeta, letrista, professor, bibliotecário, desenhista, jornalista, ensaísta, blogueiro e membro da União Brasileira de Escritores (UBE). Nos últimos tempos, lançou Campo de trigo com corvos (Jaraguá do Sul-SC, Design Editora, 2007); Gute-Gute, barriga experimental de repertório (Rio de Janeiro, Editora Autografia, 2015); Goto, a lenda do reino encantado do barqueiro noturno do rio Itararé (Florianópolis, Clube de Autores Editora, 2013); Tibete, de quando você não quiser ser gente (Rio de Janeiro, Editora Jaguatirica, 2017); Ele está no meio de nós (Curitiba, Kotter Editorial, 2018); O lixeiro e o presidente (Curitiba, Kotter Editorial, 2019); Transpenumbra do Armagedon (São Paulo, Desconcertos Editora, 2021); Cavalos Selvagens, romance imaginativo (Curitiba/Taubaté: Kotter Editorial  e Letra Selvagem, 2021); A Coisa: muito além do coração selvagem da vida (Cotia-SP, Editora Cajuína, 2021); e Lampejos (Belo Horizonte, Sangre Editorial, 2019).

É autor ainda de Porta-lapsos, poemas (São Paulo, Editora All-Print, 2005); O Homem que virou cerveja, crônicas (São Paulo, Giz Editorial, 2009); e Favela stories, contos (Cotia-SP, Editora Cajuína, 2022). Seus trabalhos constam de mais de cem antologias, inclusive no exterior, como na Antologia Multilingue de Letteratura Contemporanea, de Treton, Itália, e Christmas Anthology, de Ohio/EUA. É autor do primeiro livro interativo da Internet, o e-book O rinoceronte de Clarice, que virou tema de tese de mestrado na Universidade de Brasília (UnB) e de doutoramento na Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Adelto Gonçalves – Brasil

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Leitmotiv: a longa estrada de fogueiras da cor de laranja: Diário da Paixão Secreta de Anne Frank, de Silas Corrêa Leite. Curitiba-PR: Kotter Editorial, 208 págs., R$ 48,79, 2023. Site: www.kotter.com.br E-mail: contato@kotter.com.br  E-mail do autor: poesilas@terra.com.br Site do autor: www.poetasilascorrealeite.com.br

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Adelto Gonçalves é doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Fernando Pessoa: a Voz de Deus (Santos, Editora da Unisanta, 1997); Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003, São Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015), O Reino a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo – 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br




sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

França - Parlamento autoriza devolução 'histórica' de arte de Klimt e Chagall a famílias judias

Quinze obras, incluindo pinturas de Gustav Klimt e Marc Chagall, poderão ser devolvidas aos herdeiros de famílias judias saqueadas pelos nazis depois que o parlamento francês autorizou unanimemente a devolução na noite de terça-feira.

Após a votação unânime da Assembleia Nacional no dia 25 de janeiro pelo Senado, - dominado pela direita - a decisão foi validada com aplausos dos herdeiros ou dos seus representantes presentes na tribuna.

"Este é um primeiro passo" porque "obras de arte e livros saqueados ainda são mantidos em coleções públicas. Objetos que... nunca deveriam estar lá", disse a ministra da Cultura Roselyne Bachelot, enquanto a pesquisa sobre a proveniência das coleções tem acelerado.

Congratula-se com uma lei "histórica" ​​pela qual, pela primeira vez em setenta anos, "um governo está a tomar medidas para permitir a restituição de obras de coleções públicas saqueadas durante a Segunda Guerra Mundial ou adquiridas em condições conturbadas durante a ocupação, por causa de perseguições anti-semitas".

Era necessário um projeto de lei parlamentar para anular o princípio da inalienabilidade das coleções públicas.

Senadores de todos os lados saudaram as restituições que vão "na direção do apaziguamento" e do "fim de um processo muito longo".


A senadora Esther Benbassa, historiadora especializada no povo judeu, destacou a importância desta votação "no momento em que alguns tentam reabilitar o regime de Vichy no debate público", em referência a Eric Zemmour, candidato de extrema-direita no Eliseu.

Segundo a relatora Béatrice Gosselin (LR), as espoliações foram "um dos aspectos da política de aniquilação dos judeus da Europa liderada pelo regime nazi" e "sem ser o instigador, o regime de Vichy também colaborou ativamente nesses crimes".

Entre as 15 obras está "Rosiers under the trees" de Gustav Klimt, mantida no Museu d'Orsay, a única obra do pintor austríaco pertencente às coleções nacionais francesas. Foi adquirido em 1980 pelo Estado a um comerciante.

Uma extensa pesquisa estabeleceu que pertencia à austríaca Eléonore Stiasny, que o vendeu durante uma venda forçada em Viena em 1938, durante o Anschluss, antes de ser deportada e assassinada.

Quais as obras de arte estão a ser devolvidas?

Onze desenhos e uma cera conservados no Museu do Louvre, o Musée d'Orsay e o Musée du Château de Compiègne, bem como uma pintura de Utrillo conservada no Musée Utrillo-Valadon ("Carrefour à Sannois"), também fazem parte dos reembolsos esperados.

Uma pintura de Chagall, intitulada "Le Père", mantida no Centre Pompidou e que entrou para as coleções nacionais em 1988, foi adicionada. Foi reconhecida como propriedade de David Cender, um músico e violeiro judeu polaco, que imigrou para a França em 1958.

Para 13 das 15 obras, os beneficiários foram identificados pela Comissão de Indemnização às Vítimas de Espoliação (CIVS), criada em 1999.

A França há muito é acusada de ficar atrás de vários vizinhos europeus quando se trata de reparações.

Uma missão de pesquisa e restituição de bens culturais saqueados entre 1933 e 1945 foi criada no Ministério da Cultura há dois anos.

100 mil obras de arte foram apreendidas na França durante a guerra de 1939-1945, de acordo com o Ministério da Cultura. 60000 mercadorias foram encontradas na Alemanha na Libertação e devolvidas à França. Entre elas, 45000 foram rapidamente devolvidas aos seus donos.

Cerca de 2200 foram selecionadas e confiadas à guarda dos museus nacionais (obras "MNR" que podem ser devolvidas por simples decisão administrativa) e os restantes (cerca de 13000 objetos) foram vendidos pela administração de Propriedades no início da década de 1950. Muitas obras saqueadas voltaram assim ao mercado de arte.

Uma "lei-quadro" poderia facilitar as restituições nos próximos anos. Segundo Bachelot, "chegaremos lá". Euronews com “AFP”