Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Moçambique – Pretende empresários chineses a investirem na industrialização

O Presidente moçambicano convidou, na China, os empresários daquele país asiático a investirem em Moçambique para ajudar no desenvolvimento e industrialização através da transformação local das matérias-primas, afirmando que é preciso investir agora porque “o comboio não espera”


“Quero convidar os meus irmãos a investir em Moçambique, porque quanto mais cedo possível melhor, porque o comboio já está a andar e geralmente o comboio não espera, pode passar e chegar tarde, enquanto os outros já apanharam o comboio”, disse o chefe do Estado moçambicano, Daniel Chapo.

O Presidente moçambicano falava na província de Hunan, na China, durante um encontro com cerca de 350 empresários no quadro da visita de Estado que efetua àquele país asiático, em que lembrou que Moçambique está agora a atravessar uma fase de desenvolvimento de vários projetos, sobretudo os ligados à exploração de gás, indicando que é preciso aproveitar o momento para investir.

Além do sector de gás, Chapo quer os empresários chineses a investirem em tecnologia, agricultura, indústria, infraestruturas, inovação, corredores logísticos que causam maior impacto económico e social.

Perante os empresários, o Presidente de Moçambique esclareceu que o país está a construir as bases para a sua independência económica “com foco, resiliência e determinação”, através de uma transformação estrutural da economia que pretende alcançar a industrialização e o desenvolvimento da cadeia de valor, pedindo investimentos dos empresários de Hunan, província considerada “capital das máquinas agrícolas, máquinas industriais, camiões, máquinas para a indústria mineira”. “Queremos convidar aos empresários do Hunan para juntos aos empresários virem investir em Moçambique na industrialização (…) A nossa visão como Governo é que os nossos recursos minerais sejam transformados em Moçambique e já começamos esse trabalho (…) essa é a nossa visão, gerar rendimento em Moçambique, pagar-se impostos e desenvolvermos o nosso país”, disse Chapo.

Ao apresentar as potencialidades de Moçambique, Chapo referiu-se aos projetos de desenvolvimento dos corredores logísticos e dos portos, incluindo a construção de fronteiras de paragem única juntos dos países vizinhos, indicando que estas decisões colocam o país numa posição estratégica para receber investidores.

Neste sentido, o chefe do Estado moçambicano mostrou também abertura do país para concessões de diversas infraestruturas como estradas, em períodos de 20 a 30 anos, indicando que é para as empresas chinesas recuperarem os investimentos que eventualmente poderão fazer. “Estamos dispostos a receber irmãos empresários da China da província de Hunan e de outras províncias para podermos desenvolver juntos Moçambique”, disse Chapo.

O Presidente moçambicano pediu ainda a estes empresários aposta na formação do capital humano, indicando que a China é um parceiro estratégico de “primeira linha” não apenas para financiamento, mas para a troca de conhecimentos. “Queremos evoluir de uma parceria baseada no volume, para uma baseada no valor acrescentado, transferência de tecnologia, criação de emprego qualificado e desenvolvimento de cadeias produtivas. A nossa localização geográfica confere-nos uma vantagem estratégica única”, explicou Chapo, referindo-se aos acessos ao mar com ligações através dos corredores desenvolvidos e também às potencialidades agrícolas.

Chapo quer também estes empresários a investirem no setor de energia para exportar para os países da região austral de África que “enfrentam desafios”, indicando que o país também tem agora potencial para a construção de centrais elétricas, além das potencialidades que surgem com a exploração do gás.

Chapo chegou a Pequim na quinta-feira para uma visita de Estado que decorre até esta semana, num contexto em que os dois países assinalam meio século de relações diplomáticas e procuram aprofundar a parceria estratégica. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


segunda-feira, 31 de julho de 2023

Portugal - Faculdade de Ciências da Universidade do Porto em projeto inovador para transformar o sistema agroalimentar português

Da maionese e dos fiambres veganos aos sumos com mais fibra e ao chocolate com mais nutrientes. Entre o doce e o salgado, uma coisa é certa: é imperativo que sejam mais saudáveis, sem perderem o sabor que conquista o palato dos consumidores. São desafios que levam a indústria a procurar o know-how de instituições de Investigação e Desenvolvimento, como a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP). É, nesse contexto, que a FCUP integra o consórcio do projeto VIIAFOOD (Plataforma de valorização, industrialização e inovação comercial para o setor agroalimentar).


Com um orçamento que se aproxima dos dois milhões de euros, a equipa do Foodphenolab, liderada pelo docente e investigador Victor Freitas, já está a avançar neste projeto. “Fomos convidados por várias empresas com as quais já trabalhamos para integrar este consórcio”, descreve.

Liderado pela SONAE MC, o VIIAFOOD integra cerca de 50 entidades, entre empresas, instituições de ensino e investigação, laboratórios e associações do setor. O objetivo é chegar a mais de 130 novos produtos saudáveis e sustentáveis e, para isso, há uma série de subprojetos a decorrer em simultâneo até 2025.

Victor Freitas salienta que há, neste tipo de consórcios, um grande trabalho de equipa, com reuniões a acontecerem todas as semanas. “As empresas disponibilizam as receitas e arranjam-nos ingredientes alternativos. O que fazemos é ver como é que eles se podem conjugar com a receita padrão daquele alimento”, detalha. O objetivo é mudar o menos possível o processo de produção, melhorando a qualidade.

“Não podemos dizer que fomos responsáveis por um produto, mas contribuímos para diversos já no mercado”, continua. Um exemplo são os fiambres vegetarianos. Agora, os fiambres veganos, sem nenhum produto de origem animal, são o próximo desafio da Primor e um dos alimentos a desenvolver.

E é aqui que há um cruzamento entre projetos, empresas e investigação. “A Proenol produz leveduras para a fermentação alcoólica e desenvolveram, em conjunto com a nossa equipa, uma tecnologia de purificação de proteínas de levedura, uma fonte alternativa à proteína”, descreve. Esta poderá ser uma solução a integrar neste novo produto 100% vegetal.

Outro desafio que se irá apresentar nos próximos anos é a redução do sal, do açúcar e gordura nos molhos da Mendes Gonçalves e caberá também ao consórcio responder a esse repto.

Neste projeto, coordenado pela PortugalFoods, estão também empresas do setor das bebidas, como a Sumol + Compal. A equipa do Foodphenolab irá participar num subprojeto relacionado com o “pulpómetro” que vemos nos rótulos dos sumos da Compal. “O objetivo é aumentar a densidade da polpa com enriquecimento de fibras e temos de ver se, em termos nutricionais, a qualidade do sumo está ou não a aumentar”, conta Victor Freitas. E, por falar em qualidade, trabalharão também no enriquecimento de chocolates em minerais e vitaminas, com a Imperial.

Mais um exemplo de um dos muitos contributos da FCUP para o VIAAFOOD será o apoio à SONAE MC, com a expertise do Foodphenolab na substituição de corantes artificiais por corantes naturais.

E será que todos estes produtos serão do agrado do consumidor? Para dar resposta a esta questão participa no projeto a empresa SenseTest, especialista na Análise Sensorial e do Consumidor, que nasceu na FCUP, e que fará uma primeira análise sensorial aos protótipos laboratoriais mais promissores.

Em paralelo, a equipa da FCUP irá também dedicar-se à procura de novos ingredientes e novos produtos, uma característica do trabalho em Investigação e Desenvolvimento.

Sobre o VIIAFOOD

Integram o consórcio 29 empresas, de diferentes áreas de atividade do sector alimentar, e 20 entidades do sistema científico nacional, associações do sector e laboratórios colaborativos com competências nas áreas de I&D aplicadas à área alimentar.

O VIIAFOOD, coordenado pela Portugalfoods, representa um investimento global de cerca de 110 milhões de euros, sendo cerca de 50% financiado no âmbito das Agendas Mobilizadoras para a Inovação Empresarial do PRR e os restantes 50% pelas empresas envolvidas. O projeto foi oficialmente divulgado em agosto de 2022, altura em que viu o seu financiamento ser aprovado.

Através da investigação e desenvolvimento de novos produtos e da melhoria de processos produtivos por via de novas tecnologias, os desenvolvimentos obtidos contribuirão para a promoção de uma alimentação mais saudável e sustentável, em linha com tendências de nutrição e sustentabilidade globais, bem como para a capacitação deste setor da economia portuguesa, aumentando a sua competitividade internacional. Universidade do Porto - Portugal


domingo, 21 de março de 2021

Brasil - Por uma nova política de comércio exterior

O comércio exterior aumenta cada vez mais a sua importância no contexto da economia global à medida em que cada nação especializa a sua produção em bens com competitividade, qualidade, especialidade e preço, fatores decisivos para se entrar no mercado internacional. Nesse sentido, o Brasil, nos últimos anos, tem sustentado cada vez mais as suas exportações em commodities agrícolas e no minério de ferro, garantindo saldo bastante significativo na balança comercial.

Essa situação, aparentemente um tanto confortável, apresenta, porém, alguns aspectos relevantes que devem ser considerados para a sustentação de uma política voltada para o comércio exterior a longo prazo.  O primeiro aspecto refere-se à utilização de áreas para a agricultura em escala cada vez mais extensa a fim de se fazer frente à necessidade de uma produção massiva, o que equivale a dizer que, por mais mecanizado e tecnológico que seja o segmento hoje, é cada vez mais premente a expansão de áreas para o cultivo.

Isso torna, praticamente, inevitável a “invasão” de florestas e a consequente ameaça de genocídio das etnias indígenas, apesar dos protestos por parte da comunidade internacional. Segundo o último censo demográfico feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010 existiam no Brasil 896,9 mil indígenas e 305 etnias, que agora estão sob ameaça de extinção não só pelo avanço do agronegócio em suas terras como por uma política governamental pouco zelosa na prevenção de doenças transmissíveis, agravada nos últimos meses com a explosão nos números de infectados pela covid-19.

Trata-se, portanto, de uma questão que requer muito estudo e discussão para se chegar a uma condição de equilíbrio e sustentabilidade, tarefa que parece hercúlea para um governo que todos os dias dá mostras de desorganização, insensibilidade e incompetência. Há também a questão dos preços das commodities, que estão sujeitos a variações nas bolsas de valores. Como se sabe, quando há uma grande oferta de determinado produto, os preços caem, às vezes de forma significativa, como recentemente aconteceu com o petróleo, a soja e o minério de ferro. Dessa maneira, a sustentação do superávit com base exclusivamente na exportação de commodities agrícolas e de minério de ferro torna-se uma situação extremamente frágil.

Por tudo isso, parece irrefutável que a pauta de produtos destinados à exportação precisa ser ampliada, o que significa que se torna fundamental que o País volte a ter condições de ofertar produtos industrializados em condições de competir à altura da concorrência. Alguns setores, notadamente aqueles que já apresentaram vendas expressivas ao exterior, num primeiro momento, deveriam receber mais atenção por parte dos responsáveis pela formulação de nossa política externa. Entre esses segmentos, estão os de máquinas para transporte e movimentação de terra, guindastes, aeronaves, material bélico, calçados, moda e alimentos industrializados.

Ao mesmo tempo, o governo precisa oferecer mais apoio à internacionalização das empresas nacionais, convertendo micros, pequenos e médios negócios em exportadores, além de ajudar os que já exportam a buscar novos mercados. Só assim a economia haverá de crescer num ritmo condizente com as necessidades do País, com benefício para toda a população. Adelto Gonçalves – Brasil

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Adelto Gonçalves, jornalista, é assessor de imprensa do Grupo Fiorde (Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns e Barter Comércio Exterior). E-mail: fiorde@fiorde.com.br Site: www.fiorde.com.br