Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Angola – Foi apresentada a obra de Natália Umbelina “Trabalho forçado em São Tomé e Príncipe – Os serviçais”

A sede da União dos Escritores Angolanos foi o palco para o lançamento do trabalho de investigação histórica realizado pela historiadora Natália Umbelina.


Angola que foi a principal fonte que o colonialismo português utilizou para tráfico de mão de obra escrava, e mais tarde contratada, para trabalhar nas roças em São Tomé e Príncipe acolheu com curiosidade, o lançamento da obra que investigou o trabalho forçado colonial de 1853 a 1903.

A intelectualidade angolana convergiu-se para a sede da União dos Escritores Angolanos para absorver a história do Trabalho forçado no arquipélago de São Tomé e Príncipe: Os serviçais.

Aki Neto, Cornélio Calei, Kanguimbu Ananaz, Hélder Simbad, são nomes de escritores angolanos que participaram no lançamento do livro.

Professores universitários, estudantes, jornalistas e cidadãos comuns de Angola também foram conhecer a história da escravatura colonial, que uniu para sempre angolanos e são-tomenses. Abel Veiga – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”


quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Lusofonia - Ana Paula Tavares vence Prémio Camões

A poeta e historiadora angolana Ana Paula Tavares é a vencedora da 37.ª edição do Prémio Camões, o mais prestigiado galardão literário de língua portuguesa, no valor de 100 mil euros

O prémio distingue a sua trajetória fecunda e coerente na criação estética, sublinhando o resgate da dignidade da poesia e a relevância antropológica e histórica da sua obra, que inclui poesia, crónica e ficção narrativa.

Nascida em 1952, no Lubango, Huíla, Ana Paula Tavares é licenciada em História e Mestre em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa pela Universidade de Lisboa. Entre 1983 e 1985, coordenou o Gabinete de Investigação do Centro Nacional de Documentação Histórica em Luanda, e foi membro do júri do Prémio Nacional de Literatura de Angola entre 1988 e 1990.

Em declarações à agência Lusa, Ana Paula Tavares afirmou que "espero que haja a possibilidade de continuar a provar que a poesia tem um lugar nas nossas vidas, nos nossos compromissos, nas nossas lutas diárias”.

Ana Paula Tavares afirmou que, desde o momento em que soube da notícia, a primeira coisa que lhe ocorreu foram as mulheres do seu país, Angola: “Aquelas que continuam em silêncio, a lutar pela vida todos os dias, a inventar a vida, a reconstruir essa mesma vida”.

“Não tenho pretensões de falar em nome das mulheres do meu país. Sou uma mulher angolana e essa é a minha função, mas se a minha palavra de alguma maneira puder tocá-las e tocar as instâncias que podem — ou que devem — mudar as coisas é um objetivo que gostava” de alcançar, afirmou a escritora.

A autora integra a “geração de 80”, preocupando-se especialmente com a condição da mulher na sociedade angolana. A sua poesia utiliza um “sujeito poético” feminino como veículo de denúncia e libertação, explorando símbolos como cores, frutos e ornamentos, mesclando religiosidade cristã e realidade africana. Entre os seus livros de poesia destacam-se: Ritos de Passagem (1985), O Lago da Lua (1999) e Dizes-me Coisas Amargas Como os Frutos (2001), tendo também publicado crónicas e ensaios sobre a história de Angola.

Em comunicado, a Editorial Caminho afirmou Ana Paula Tavares é "uma Referência incontornável no espaço da língua portuguesa" e "foi com imensa alegria que recebemos a notícia que a poeta e historiadora foi distinguida com o Prémio Camões 2025".

O júri do Prémio Camões 2025 foi composto por representantes de Portugal, Brasil e países africanos de língua portuguesa, reunindo-se virtualmente para deliberar. Pelo lado português participaram os académicos Ana Mafalda Leite (Universidade de Lisboa) e José Carlos Seabra Pereira (Universidade de Coimbra). Pelo Brasil, integraram o júri os académicos Maria Lucia Santaella Braga e Arno Wehling. Pelos países africanos de língua portuguesa, participaram o académico Francisco Noa (Moçambique, Universidade Eduardo Mondlane) e o poeta, escritor e crítico literário Lopito Feijó (Angola).

Ana Paula Tavares vive atualmente em Lisboa, onde é docente na Universidade Católica, e mantém uma colaboração regular com a RDP África, apresentando uma crónica semanal sobre história, literatura e cultura. In “Sapo” – Portugal com “Lusa”


domingo, 6 de agosto de 2023

França - Morreu a historiadora francesa Hélène Carrère d'Encausse

Foi primeira mulher à frente da Academia Francesa

Morreu a historiadora francesa Hélène Carrère d'Encausse, este sábado, aos 94 anos.

A historiadora foi a primeira mulher à frente da Academia Francesa. Desde 1999 que era "secretária perpétua" desta instituição, tendo sido a primeira mulher a ocupar o cargo.

Hélène Carrère nasceu em Paris em julho de 1929, sendo o pai o economista e filósofo georgiano Georges Zourabichvili (assassinado em 1944), que emigrou para França após a revolução russa, e a mãe Nathalie von Pelken, uma aristocrata russo-alemã. Adquiriu a nacionalidade francesa em 1950.

Os seus estudos centraram-se na antiga União Soviética e na Rússia, com monografias, grandes ensaios e biografias de personalidades como Lenine ou Estaline.

Hélène Carrère d'Encausse foi ainda deputada no Parlamento Europeu, entre 1994 e 1995, eleita pelo partido francês de direita Rassemblement pour la République (RPR). In “Contacto” – Luxemburgo com “Lusa”


sábado, 27 de março de 2021

Galiza – Entrevista à historiadora Encarna Otero

Neste ano 2021 há 40 anos desde que o galego passou a ser considerada língua co-oficial na Galiza, passando a ter um status legal que lhe permitiria sair dos espaços informais e íntimos aos que fora relegada pola ditadura franquista. Para analisar este período, iremos realizar ao longo de todo o ano, umha série de entrevistas a diferentes agentes sociais para darem a sua avaliaçom a respeito do processo, e também abrir possíveis novas vias de intervençom para o futuro.

Desta volta entrevistamos a historiadora, mestra e política nacionalista Encarna Otero.

Qual foi a melhor iniciativa nestes quarenta anos para melhorar o status do galego?

Cuido que houvo muitas, mas destacam principalmente as que partirom da base social. Sobretudo no mundo do ensino, com iniciativas do próprio professorado para fazer do galego língua veicular e criar ferramentas, como livros, materiais de apoio, etc. Forom respostas ante as próprias necessidades.

E depois todas as campanhas de valorizaçom, como as de Queremos Galego. Também no mundo da justiça e da empresa houvo iniciativas de valorizaçom, com gente detrás como Joaquim Monteagudo ou Pepinho de Teis, que tenhem construído desde diferentes âmbitos. Também no cinema ou na cultura.

A nível institucional, figerom-se cousas durante o governo bipartito da Xunta, e a nível local com os serviços de Normalizaçom Linguística Municipais, nos Concelhos onde existem.

Quem fijo mui pouco ou quase nada forom as universidades: aí nom se normalizou o galego como idioma de investigaçom e de criaçom de conhecimento, estám todas elas mui por debaixo do que se tem feito a nível social, é umha vergonha.

Se pudesses recuar no tempo, que mudarias para que a situaçom na atualidade fosse melhor?

Eu focaria em três pilares: O primeiro, retomar a iniciativa de Carvalho Calero, e devolver o galego ao seu tronco comum, que é o português. Frente o triunfo do ILN de tornar a fala em norma, cumpre retomar propostas que contribuam e fortaleçam um idioma tam danado como o galego, e reintegrá-lo no mundo da lusofonia. Eu levo três anos estudando português na Escola de Idiomas, e o que descubro é que estudando português melhoro muitíssimo o meu galego.

Em segundo lugar, penso que cumpre aplicar a legislaçom e o reconhecimento legal do galego, tanto na Constituiçom Espanhola como no Estatuto de Autonomia e garantir o direito ao uso, tanto numha vertente interior, dentro do País, como exterior, dimensionando-o como língua que permite a comunicaçom com quatro continentes.

Cousa que nunca se fijo, através das instituiçons que teriam competências para isto, que som o governo galego e o parlamento da Galiza.

E terceiro, já que Galiza tem um problema de auto-ódio, cumprem campanhas positivas de seduçom e de valorizaçom. Propostas de carinho, de ternura, de autoestima, e de posicionamento no mundo. Fazendo finca-pé em que temos a sorte de que se fala em quatro continentes.

Que haveria que mudar a partir de agora para tentar minimizar e reverter a perda de falantes?

Cumpre normalizar o galego em todas as esferas da vida. E para isto cumprem campanhas de seduçom: olha que bem namoramos em galego, olha que bem compramos em galego, que bem se trabalha em galego, etc. Tenhem que ser campanhas sempre em positivo, e desbotar a ideia de que o idioma é um assunto do nacionalismo: O galego é o idioma do país, penses como pensares politicamente.

Há cousas que som pilares transversais, e o idioma é um deles. Se nós nom o defendemos quem o vai fazer?

Além disso, é necessário cumprir a lei Paz Andrade, que foi aprovada por unanimidade: E em todos os centros de educaçom secundária deveria ser obrigatório ter a opçom de estudar português, isto iria mudar muito a visom do idioma.

Achas que seria possível que a nossa língua tivesse duas normas oficiais, uma similar à atual e outra ligada com as suas variedades internacionais?

Eu aí tenho as minhas dúvidas, acho que o galego devera ter umha norma oficial que nom fosse o da ILG-RAG, mas umha ortografia que estivesse mais próxima da lusofonia. Também Moçambique ou Brasil tenhem as suas normas, mas dentro do tronco comum. Por umha questom de eficácia, seguiria de novo com Carvalho, a normativa do galego tem que estar vinculada ao seu tronco comum, que nom é o espanhol, é o mundo lusófono, as diferentes variantes do português.

Seria mui eficaz, até a nível económico, a nível cultural… relacionar-se com todo esse mundo falando no mesmo idioma. Entendo que o galego teria as suas próprias variantes, de vocabulário e traços que sempre há, mas a norma nom é o mesmo que a fala, seria melhor mudar a norma que atualmente temos.

Era preferível a norma dos 80, que permitia terminaçons em -zom, e que agora nom se está a usar. Isso seria recuperar inclusive o galego das Irmandades da Fala. O ILG fijo um trabalho enorme de recolher as variantes da fala, mas figerom um dano mui grande ao assumir que a fala era o que definiria a norma. Dizer isto nom é negar as variedades dialectais, já sabemos que em Ourense falam diferente que nas Rias Baixas, mas isto som variedades, umha riqueza por ser um idioma vivo.

Em aquela altura o que se fijo foi impor esta posiçom, e ademais dumha forma mui violenta e houvo muita confrontaçom. Hoje estamos noutra situaçom. Com o PP nom há nada que fazer, que até apoia a falácia de que o espanhol está em perigo em algum lugar da Galiza. Mas entre outros setores, as novas geraçons podem encontrar consensos e abrir um novo caminho, que permita que o idioma se reincorpore no seu tronco natural. E seduzir à gente sabendo que com o galego se vai a qualquer parte, de que o galego é útil, que se calhar umhas décadas atrás nom era possível. In “Portal Galego da Língua” - Galiza