Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 19 de fevereiro de 2023

Moçambique - Homenageadas duas “embaixadoras” da raça e culturas negras no mundo


Graça Machel diz que está na hora de os negros afirmarem-se pelo seu contributo para o desenvolvimento da humanidade, fazendo soar e ouvir a sua voz. A activista falava num evento alusivo à sua homenagem, junto a Paulina Chiziane.

Foi perante antigos governantes, membros dos órgãos de justiça e soberania que Graça Machel e Paulina Chiziane foram, pela primeira vez, homenageadas na terra que as viu nascer.

A homenagem organizada pela Folha Verde e parceiros tinha a razão de ser, afinal, estas duas mulheres são um orgulho afro-moçambicano.

“É sobejamente conhecido por toda a sociedade moçambicana que Paulina Chiziane e Graça Machel são as nossas referências. As melhores conservadoras da nossa integridade como mulheres. Achamos que era oportuno, apesar de todas as vicissitudes que estamos a passar, agora, homenageá-las e agradecer-lhes por tudo que elas têm sido para nós, os moçambicanos”, indicou Esperança Mangaze, promotora da iniciativa.

Aliás, Graça e Paulina já foram laureadas internacionalmente, por isso, para Esperança Mangaze, “nada melhor que fazermos isso cá, em casa, para que elas sintam que o esforço que têm estado a fazer e as lutas que têm estado a travar não são em vão”.

E uma das lutas que Graça Machel e Paulina Chiziane têm travado estão ligadas à afirmação da raça e cultura negras pelo mundo, em particular no Brasil.

Chamada ao pódio, a antiga Primeira-Dama de Moçambique e da África do Sul começou por trazer uma abordagem sobre como os negros são vistos pelo mundo.

“Em que instituições que os negros, sejam eles em África, nas Américas e em todo o mundo, são representados pelo que são. Nós somos representados pelo que sofremos. A nossa visibilidade é por aquilo que sofremos”, afirmou a activista social, Graça Machel, citando alguns exemplos: “Somos refugiados, os pobres que estamos sempre a receber a caridade de toda a gente, somos aqueles que são analfabetos e morrem mais quando houver uma calamidade”.

Uma situação que, segundo Graça Machel, devem ser os próprios negros a colocar o basta!

“Sermos nós a pintar com as nossas próprias cores, a definir com o timbre da nossa voz sobre o que é ser cidadão do mundo, mas que coincide ser de raça negra”, exortou Graça Machel.

E foi por causa desta defesa pelos seus que fez com que a activista social fosse homenageada pelo Troféu Raça Negra, no Brasil, em Novembro do ano passado. Graça Machel só precisou de fazer perguntas para merecer o prémio.

“Apenas no futebol e na cultura é que os negros têm visibilidade. Só visibilidade. Não estou a dizer que têm reconhecimento e eu fiz perguntas porque me incomodava, claramente. E porque violentam a minha mente. Porquê?”, questionou, retoricamente, a activista social.

Pauliana Chiziane esteve ausente no evento, mas foi representada pelo ensaísta Dionísio Bahule, que não poupou elogios a estas duas vozes da raça e cultura negras.

“Graça e Paulina, dois rostos com uma eucaristia do povo, isto é, dois rostos que se dão pelo povo. De um lado Graça, que luta para que a dignidade humana seja respeitada e tenha o básico. Doutro lado, temos a Paulina, que, independentemente das críticas, nos desperta a reflectir sobre quem somos nós a nível cultural”, descreveu Dionísio Bahule, ensaísta e crítico literário.

O antigo presidente do Conselho Constitucional enalteceu, também, o papel dessas duas mulheres na valorização da africanidade.

“Graça Machel é um farol que brilha e ilumina a todos nós. Eu diria, em suma, tem luz própria e só os astros têm luz própria e a Dra. tem luz própria e é, de facto, um orgulho para todos nós, moçambicanos, e temo-la como guia. O prémio Camões [a Paulina Chiziane] é a consagração, reconhecimento e afirmação da cultura africana e da mulher no mundo”, elogiou Hermenegildo Gamito, antigo presidente do Conselho Constitucional.

De resto, foram a dança e a música moçambicanas que marcaram o dia de homenagem a Graça Machel e a Paulina Chiziane, embaixadoras da raça e cultura negras no mundo. Dario Cossa – Moçambique in “O País”


 

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Moçambique - Graça Machel critica resistência em reconhecer causas internas do conflito

A ativista social moçambicana Graça Machel considera que há “resistência em reconhecer as causas internas” da guerra na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, propondo um estudo sobre a dimensão endógena do conflito

“É preciso lutarmos para estudarmos e conhecer melhor as causas internas. Eu sei que há muita resistência em reconhecer que há causas internas que facilitam a penetração dos terroristas nas comunidades, há resistência em reconhecer isso, mas é um facto”, enfatizou Graça Machel.

Machel falava, segunda-feira (11), durante um evento da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), uma organização não-governamental (ONG) da qual é presidente.

A ativista manifestou uma preocupação particular com a situação das crianças recrutadas pelos grupos armados que protagonizam ataques em Cabo Delgado, alertando que esta camada social está a ser intoxicada com ideologias extremistas.

Graça Machel defendeu um tratamento específico para as crianças que tenham sido “instrumentalizadas pelos terroristas”.

“Nós todos sabemos que as crianças, muitas delas, estão a ser doutrinadas, estão a ser radicalizadas, as suas mentes estão a ser trabalhadas para crescerem com ódio pelas instituições do Estado”, frisou Graça Machel.

Chamou a atenção para o perigo de o drama humanitário naquela província ser traduzido apenas em números despidos da sua faceta humana.

Vários estudos e relatórios internos e internacionais têm apontado a pobreza, desemprego, marginalização social e económica como parte das causas que tornam os jovens vulneráveis ao recrutamento por grupos armados em Cabo Delgado.

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, já afastou várias vezes a ligação entre “o terrorismo” e a pobreza, observando que há vários focos de miséria em diversos pontos do país, mas não se verificam episódios de insurgência armada.

Apesar dessa narrativa, o facto é que o Governo criou a Agência de Desenvolvimento do Norte (ADIN) para a operacionalização de projetos de desenvolvimento social e económica nas três províncias da região norte de Moçambique, incluindo Cabo Delgado.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

Há 784 mil deslocados internos devido ao conflito, de acordo com a Organização Internacional das Migrações (OIM), e cerca de 4000 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED.

Desde julho de 2021, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu recuperar zonas onde havia presença de rebeldes, mas a fuga destes tem provocado novos ataques noutros distritos usados como passagem ou refúgio temporário. In “Milénio Stadium” – Canadá com “África 21”


sexta-feira, 22 de março de 2019

Moçambique – “Precisamos simplesmente de tudo”

Graça Machel lança o apelo: “precisamos simplesmente de tudo” naquela que é uma tragédia “bem pior daquela que aconteceu em 2000”



A viúva do ex-presidente de Moçambique Samora Machel e do ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela falou à BBC e revelou que “as comunicações estão completamente sem funcionar”.  “Ainda não há informações fidedignas de onde estão as pessoas, sobre quantas estão presas em aldeias, a morrer ou a precisar de assistência médica” sublinhou a ativista.

“Precisamos simplesmente de tudo! Comida, medicamentos, roupa” apelou.

Graça Machel confirmou também ter falado com a secretária-geral adjunta da ONU, Amina Mohammed, “Pedi à ONU que enviasse uma equipa especializada para fazerem uma avaliação. Precisamos de saber a magnitude, a profundidade, a extensão e a complexidade desta tragédia.” In “Mundo Português” - Portugal

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Brasil – Moçambicanos Mia Couto e Graça Machel em debate sobre contemporaneidade

O escritor moçambicano, Mia Couto, vai abrir o ciclo de conferências da 11ª edição do projecto Fronteiras Braskem do Pensamento, no dia 3 de Julho próximo, em Salvador, no Estado da Bahia, Brasil, a decorrer sob o tema “Civilização – A sociedade e seus valores”.


Para além de Mia Couto, o projecto que propõe uma análise profunda da contemporaneidade, leva, este ano, a Salvador, para integrar o ciclo de conferências, mais dois intelectuais de renome internacional, nomeadamente a activista moçambicana dos direitos humanos, Graça Machel, e a crítica cultural norte-americana, Camille Paglia.

Patrocinada pela Braskem, braço petroquímico do Grupo Odebrecht, e pelo governo da Bahia, através do Fazcultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, a 11ª edição do projecto Fronteiras Braskem do Pensamento acontece em tempo de instabilidade social generalizada, no Brasil, agravamento da intolerância, polaridade de discursos de ódio, falta de certezas diante do futuro e a crise identitária.

Após Mia Couto, considerado um dos principais escritores do continente africano e um dos mais traduzidos no mundo, abrir o ciclo de conferências, no próximo dia 3 de Julho, será a vez da ensaísta e crítica cultural Camille Paglia apresentar-se no evento a 15 de Agosto. Ela é uma das pós-feministas da actualidade.

Já a activista e defensora internacional dos direitos das mulheres e crianças, a moçambicana Graça Machel, vai encerrar o ciclo no dia 5 de Setembro. A luta pelo empoderamento feminino em Moçambique constitui o mérito da Graça Machel, que foi esposa do primeiro presidente de Moçambique, Samora Machel, e do presidente sul-africano Nelson Mandela. In “Olá Moçambique” - Moçambique

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