Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Timor-Leste - Brasil pode apoiar o país a tornar-se autossuficiente na agricultura, afirma Ramos Horta


Nesta terça-feira, o Presidente de Timor-Leste afirmou que o Brasil pode apoiar o país a tornar-se autossuficiente na agricultura e na luta contra a extrema pobreza e subnutrição.

“Apoiar através da Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] na área de agricultura. Timor finalmente vir a ser autossuficiente em toda a gama de agricultura para garantir segurança alimentar” disse José Ramos-Horta, em entrevista à Lusa, em Brasília, um dia depois de ter participado nas celebrações da tomada de posse do novo Presidente brasileiro, Lula da Silva.

“Futuramente virá uma delegação do Governo” frisou o chefe de Estado timorense, acrescentando: “Não vim para pedir ajuda financeira, felizmente Timor-Leste está muito folgado nessa área”.

O Brasil, um dos principais ‘celeiros’ do mundo, tem evoluído ao longo dos anos na sua tecnologia agrícola, muito por ‘culpa’ da Embrapa. Este setor, que emprega 19 milhões de pessoas do gigante sul-americano, só no mês de novembro conseguiu exportar produtos no valor de 11,94 mil milhões de euros, superou pela primeira vez a barreira dos 10 mil milhões de euros no mês.

José Ramos-Horta, que participou numa reunião bilateral com o novo Presidente do Brasil, disse ainda que outra das áreas em que poderá haver interesse mútuo de cooperação é a indústria farmacêutica.

“Uma indústria farmacêutica brasileira, uma indústria de equipamento médico brasileiro em Timor-Leste tem um mercado enorme”, sublinhou o responsável timorense, recordando que o Brasil é uma das potências mundiais neste setor.

José Ramos-Horta recordou ainda que com a possível entrada de Timor-Leste na Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) o país passa a ser uma porta de entrada para uma área com um mercado de 700 milhões de pessoas, sendo que a este número juntam-se Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Japão e China, cujos países têm um tratado de comércio com a ASEAN.

E quer incrementar a área da educação. “Não temos nenhum bolseiro timorense no Brasil, gostaríamos de ver bolsas de estudo brasileiras para timorenses”, disse, acrescentando ainda que gostaria de ver apoio do Brasil ao centro de formação de professores que está a ser criado em Timor-Leste.

À Lusa, José Ramos-Horta deixou ainda rasgados elogios à cerimónia daquele que considerou ser um “homem de Estado”, desde o desfile no Rolls-Royce – que serve a Presidência da República desde 1952 rumo ao Congresso e ainda os dois discursos feitos por Lula já oficialmente Presidente brasileiro

“Discursos extraordinários. Na profundidade do seu humanismo, da sua devoção à situação dos mais pobres, dos negros, dos povos indígenas”, disse, afirmando ter sido uma “grande cerimónia da entrega da faixa”.

Na opinião de José Ramos-Horta, Lula da Silva vai agora receber o país com uma “sociedade profundamente fragmentada, as instituições violadas e por isso muito fragilizadas”. Ainda assim, dando o exemplo dos Estados, considerou que as instituições prevaleceram. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


 

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Projeto Diálogos União Europeia-Brasil seleciona cinco cidades e estuda sistemas alimentares

Compartilhar experiências, trocar informações e estar em contato com diversas realidades é fundamental para fortalecer a agenda de políticas públicas municipais, e engajar cidades na implementação de sistemas alimentares circulares que abordam a mitigação do desperdício de alimentos para alcançar benefícios ambientais e econômicos.

Esse é o objetivo do Projeto Diálogos União Europeia – Brasil: “Cidades e Alimentação: Governança e Boas Práticas para alavancar os Sistemas Alimentares Urbanos Circulares”, uma iniciativa desenvolvida pela Delegação da União Europeia no Brasil em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, e com apoio do Instituto Comida do Amanhã, do ICLEI América do Sul e do WWF-Brasil.

Neste dia 19, a iniciativa anunciou as 5 cidades LUPPA selecionadas para participar deste projeto. São elas: Curitiba, Maricá, Recife, Rio Branco, Santarém.

A seleção foi realizada levando em consideração a maior diversidade territorial possível.​

Todas essas cidades serão objeto do estudo de caso sobre sistemas alimentares urbanos sustentáveis que será realizado no âmbito do projeto, elas também vão participar de atividades de intercâmbio com cidades europeias.

Uma análise da composição gravimétrica de resíduos​​ em feiras livres de três cidades, dentre as cinco selecionadas, complementará a geração de dados para apoiar as políticas alimentares.

De acordo com organização, avançar na temática de sistemas alimentares circulares, nas cidades brasileiras, é uma alternativa para ampliar a oferta de alimentos saudáveis aos cidadãos, gerando impactos positivos para a segurança alimentar e nutricional, e reduzindo os impactos ambientais dos processos de produção e consumo de alimentos.

As cidades selecionadas após participar do projeto poderão avaliar o cumprimento de Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS 12.3) e ser parte de um projeto internacional para transformar sistemas alimentares urbanos circulares.

Os municípios precisam ter no mínimo 150 mil habitantes, para fazer parte do Projeto Diálogos União Europeia – Brasil. In “Mundo Lusíada” - Brasil

 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Brasil - Projeto estuda alternativas para agregar valor à farinha de mandioca

Trabalho de pesquisa faz parte do projeto “Agregação de valor e qualidade aos produtos derivados da mandioca”

Entre os dias 10 e 14 de fevereiro, pesquisadores da Embrapa Acre realizaram atividades em casas de farinha de Cruzeiro do Sul, para elevar o valor nutricional da farinha de mandioca, a partir do uso de misturas alimentícias, e o seu potencial de mercado. Iniciado em 2019, o trabalho de pesquisa faz parte do projeto “Agregação de valor e qualidade aos produtos derivados da mandioca”, integrante do projeto MANDIOTec, desenvolvido no âmbito do Fundo Amazônia, com foco no fortalecimento da cadeia produtiva da mandioca.

Entre outros objetivos, o projeto visa desenvolver e validar tecnologias para agregar valor a produtos derivados da mandioca, principalmente as farinhas temperadas com matérias-primas regionais como gengibre e buriti. Essas misturas contribuem para tornar a farinha de mandioca mais nutritiva, sem alterar o sabor e qualidade do alimento, e podem melhorar a competitividade comercial do produto, além de representar uma nova alternativa de geração de renda para as famílias rurais.

Farinha com gengibre

A farinha de mandioca temperada com gengibre foi desenvolvida durante o Projeto Farinhavaj, executado pela Embrapa com recursos da Financiadora de Projetos (Finep) e parceria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/AC), já finalizado. O produto teve boa aceitação nos testes sensoriais realizados com consumidores, entretanto, carece de avaliações econômicas em unidade agroindustrial para determinação dos custos de produção.

Com o novo projeto, a continuidade desse trabalho tem a parceria de uma agroindústria familiar rural do município de Cruzeiro do Sul. “É importante a participação direta de quem vai produzir o alimento e colocar no mercado, para garantir eficiência no processo produtivo, o cumprimento dos critérios de qualidade e segurança alimentar para o consumidor”, diz a pesquisadora Joana Souza, uma das responsáveis pelos estudos.

Farinha com polpa de buriti

Abundante na Amazônia, o buriti é rico em betacaroteno, uma fonte natural de vitamina A, considerada essencial para a saúde humana, especialmente para os olhos. A fruta também é fonte de minerais como ferro e cálcio, entretanto, ainda é pouco explorada como produto extrativista. Segundo Joana Souza, a adição da polpa de buriti à farinha de mandioca representa uma excelente alternativa para agregar valor nutricional a esse alimento e poderá contribuir para melhorar a qualidade da dieta da população. “Além disso, visa fortalecer a farinha de Cruzeiro do Sul como produto comercial, atribuindo o status de farinha enriquecida com beta caroteno”, ressalta.

Segundo o pesquisador Marcus Arthur Vasconcelos, são utilizados diferentes percentuais de polpa de buriti e as farinhas temperadas são analisadas quanto à composição adequada para a mistura e características físico-químicas, para identificação de teores de fibra e betacaroteno, cor e sabor do alimento. A validação do produto também inclui a realização de estudos socioeconômicas para definição do custo de produção”, afirma.

Outras iniciativas de apoio à produção no Juruá

Também é prioridade do projeto investir na melhoria do processo de produção em casas de farinha do Juruá, por meio de ações de transferência de tecnologias. Entre as capacitações realizadas em 2019 estão quatro cursos para multiplicadores em Boas Práticas de Fabricação de farinha de mandioca, oferecidos nos municípios de Porto Walter, Marechal Thaumaturgo, Mâncio Lima e Cruzeiro do Sul. Além disso, auxilia o processo de adequação das estruturas de processamento, tanto em relação ao espaço físico como aos equipamentos utilizados nas casas de farinha. As atividades buscam fortalecer a produção no Juruá e contribuir para consolidar a Indicação Geográfica (IG) da farinha da região, conhecida no mercado com a denominação farinha de Cruzeiro do Sul.

O selo de IG, conquistado em 2017, na modalidade Indicação de Procedência, foi concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPE) em função da comprovada notoriedade e modo artesanal de fabricação do produto. O processo durou mais de dez anos e teve o protagonismo de produtores rurais da região e apoio de instituições de pesquisa e fomento à produção, entre elas a Embrapa e Sebrae.

Para assegurar as características particulares da farinha de Cruzeiro do Sul e a segurança alimentar do consumidor, o projeto apoia a execução de pesquisas de rastreamento e controle da produção, que auxiliam os agricultores no cumprimento de critérios necessários para garantir a origem e qualidade do alimento comercializado, requisitos para a manutenção da Indicação Geográfica.  O trabalho, realizado nos laboratórios de Tecnologia de Alimentos e de Bromatologia da Embrapa Acre, a partir de 2019, envolve a análise de amostras de farinha coletadas nos mercados locais para verificação de teores de fibra bruta, umidade e cinzas entre outros fatores que podem comprometer a qualidade do produto.

Os estudos permitem, ainda, identificar possíveis falhas no processo de produção e orientar os produtores rurais para adequação. Os resultados, compartilhados com as comunidades rurais, mostram que nas primeiras análises apenas 13% das amostras foram classificadas como farinha do tipo 1, status considerado pela legislação vigente como de elevado padrão de qualidade. Com adoção de pequenos ajustes recomendados pela pesquisa, atualmente 70% das amostras analisadas já se enquadram nessa classificação.

Mandiotec

O projeto “Agregação de valor e qualidade aos produtos derivados da mandioca” é um dos cinco Projetos Componentes do Projeto “Tecnologias para agregação de valor e produção sustentável de mandioca por produtores familiares na Amazônia – MANDIOTec em Rede”, liderado pela Embrapa Acre e executado em todos os estados da Amazônia Legal, exceto o Tocantins.

O MANDIOTec faz parte do Projeto Integrado da Amazônia, financiado pelo Fundo Amazônia e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em cooperação com o Ministério do Meio Ambiente, e tem como desafio promover o fortalecimento da cadeia produtiva da mandioca na região para aumento da renda e promoção da qualidade de vida das famílias rurais. Diva Gonçalves – Brasil in Embrapa”

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Brasil - Cientistas juntam-se ao Boticário para criar corantes cosméticos a partir de microrganismos

Um grupo de cientistas brasileiros vai utilizar fungos, bactérias e microalgas no processo de produção de corantes naturais para a indústria cosmética. Para isso, foi firmada uma parceria entre a Embrapa Agroenergia (DF) a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e o Grupo Boticário.

A pesquisa vai desenvolver-se no âmbito do projecto “Produção de corantes por via biotecnológica” com duração de dois anos e irá produzir as cores a partir da fermentação de microrganismos e microalgas.

“A gente acredita na capacidade de inovação brasileira e nas sinergias entre instituições de pesquisa tecnológica e empresas industriais”, afirma Paulo Roseiro, director de P&D do Grupo Boticário.

Consumo consciente

“O projecto de corantes naturais para cosméticos atende o desejo do consumo consciente. O consumidor está cada vez mais atento à origem e aos métodos de produção. A produção de novos conhecimentos facilita esse encontro”, afirma o director-presidente da Embrapii, Jorge Guimarães.

Por sua vez, Patrícia Abrão, pesquisadora da Embrapa que coordena o projecto conta que o trabalho usará a colecção de microrganismos e microalgas do centro de pesquisa que conta com mais de dez mil espécies da biodiversidade brasileira.



Desse banco, serão seleccionados os mais promissores para a produção de corantes por fermentação, e no fim do projecto, será identificado pelo menos um microrganismo produtor de corante com base nas características químicas.

Selecção de microrganismos

“Para desenvolver esse trabalho, iremos caracterizar quimicamente os corantes produzidos pelos candidatos seleccionados”. Além disso, será optimizado o cultivo de um microrganismo seleccionado para a produção de corante em meio de cultura. Esses corantes poderão ser empregados como pigmentos em cosméticos coloridos e também conferindo cor em outros tipos de formulações cosméticas.

A pesquisadora explica que a produção de corantes por bactérias fungos e microalgas é altamente influenciada pela fonte de carbono e nitrogénio utilizados, além de outros factores relacionados às condições de cultivo. Para isso, destaca Abrão, é necessário um estudo prospectivo com o objectivo de optimizar a produção dessas substâncias.

Embrapii financia um terço do projecto

Toda essa acção só foi possível pela parceria com a Embrapii, que financia um terço do projecto incentivando empresas privadas a investir em inovação.



A Embrapa participa com um terço do recurso total do projecto referente à contrapartida económica (estrutura e pessoal qualificado), e a empresa parceira também apoia o outro terço restante recurso financeiro.

“O investimento em inovação permite às empresas responderem às demandas por produtos mais sustentáveis apoiadas pelas Unidades Embrapii, que contam com toda estruturam, pesquisadores e profissionais capacitados para encontrar soluções às necessidades da indústria”, destaca Jorge Guimarães.

As pesquisas já começaram nos laboratórios da Embrapa Agroenergia com o suporte técnico de uma equipa de pesquisadores e analistas das áreas farmacêutica, biológica e engenharia química. In “Agricultura e Mar Actual” - Portugal