Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Angola - Lançamento de romance marca estreia de trilogia

O romance “Juras Cor de Sangue”, de co-autoria de Marta Teixeira Lopes e Edgar Ginga Sombra, que acaba de chegar ao mercado literário benguelense, inspirado em factos, marca o início de uma trilogia que aborda temas como amor, lealdade, confiança e as consequências das promessas


A co-autora Marta Teixeira Lopes explicou, ao Jornal de Angola, que o livro tem 143 páginas, distribuídas por oito capítulos, acrescentando que, numa primeira fase, estão disponíveis 100 exemplares para a comercialização em Benguela, estando previstos lançamentos nas províncias de Luanda e do Huambo.

Segundo a mesma, Juras Cor de Sangue nasceu de um convite de Edgar Ginga Sombra, que lhe apresentou uma história inspirada em factos. A partir desse enredo, os dois autores desenvolveram personagens, conflitos e perfis psicológicos, e transformaram a narrativa numa obra de ficção.

“O romance acompanha a história de três jovens bolseiros angolanos que procuravam construir os seus sonhos na África do Sul e retrata um triângulo amoroso, marcado por promessas, lealdade, confiança e traição. O título simboliza a intensidade dos compromissos assumidos pelos protagonistas e as consequências da quebra dessas promessas”, explicou.

A co-autora destacou que a publicação da obra só foi possível após cerca de cinco anos de revisões e aperfeiçoamento até encontrarem uma editora com políticas favoráveis à edição do livro.

Marta Teixeira Lopes revelou que a paixão pela escrita surgiu ainda na infância, motivada pelo gosto pela leitura. Sem acesso a livros literários, começou por ler a Bíblia e obras académicas.

“O primeiro contacto com um romance aconteceu durante o ensino médio por incentivo de um professor de Língua Portuguesa. Foi uma experiência que despertou o meu interesse pelo género literário”, sublinhou.

A autora iniciou o seu percurso na literatura através da poesia, tendo participado em antologias nacionais e internacionais. Foi também curadora da página brasileira Sen-Sasions, na Sual divulgava os seus poemas e conquistou reconhecimento entre leitores e escritores de língua portuguesa. Juceila Dias – Angola in “Jornal de Angola”


quinta-feira, 15 de maio de 2025

Angola – Escritor Hendrick Vaal Neto lança obra em Benguela

O mais recente livro do nacionalista e escritor Pedro Hendrick Vaal Neto intitulado “Não se Esqueçam de Nós”, foi apresentado, segunada-feira, em Benguela



A obra retrata o período da Luta de Libertação Nacional e as memórias do também investigador e antigo ministro da Comunicação Social.

A cerimónia de apresentação do livro está inserida na celebração dos 408 anos da cidade de Benguela, a comemorar-se no próximo sábado.

O acto de venda e sessão de autógrafos decorreu no Jardim 11 de Novembro, adjacente à Administração Municipal de Benguela e contou com a presença do governador provincial, Manuel Nunes Júnior.

O escritor Pedro Hendrick Vaal Neto disse que a obra é um contributo para a história da Luta Armada de Libertação Nacional do país.

“Quis com o livro dar a conhecer aos angolanos, em geral, e a juventude, em particular, o que foi a Luta Armada de Libertação Nacional”, explicou.

O governador provincial de Benguela, Manuel Nunes Júnior, disse que apresenta um relato do sacrifício, coragem e determinação de jovens, que nos anos 60 deixaram o conforto da vida urbana e abraçaram a causa pela libertação e independência do povo angolano. Arão Martins – Angola in “Jornal de Angola”


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Angola - Escritora Júlia Lima lança nova obra infanto-juvenil

A poeta e escritora Júlia Lima acaba de colocar no mercado literário nacional a mais nova obra infanto-juvenil, intitulada “A Menina das Botas Apertadas”, com a chancela da OCIÑI Editora



A obra reúne 39 contos, incluindo uma oração, e foi recebida com grande entusiasmo pelos leitores na província de Benguela, especialmente por pais, educadores e crianças.

A autora, com mais de 30 anos de “estrada” literária, demonstra na obra uma profunda sensibilidade para escrever para o público infanto-juvenil, abordando temas e questões que tocam a alma das crianças, com uma escrita envolvente e rica em sentimentos.

Júlia Lima partilhou um pouco da sua jornada de escrita, revelando que a inspiração vem de momentos marcantes da infância e lembranças dos professores que a incentivaram a escrever desde jovem.

Para a autora, escrever para as crianças exige uma conexão profunda com o universo infantil e a natureza ao redor. “Escrever para crianças é voar como uma borboleta, é caminhar entre campos de girassóis e jasmim, é olhar para o mundo com os olhos puros e cheios de imaginação”, afirmou Júlia Lima, que destacou que a literatura infantil tem o poder de moldar o carácter e o futuro das crianças.

A escritora destacou, igualmente, os desafios enfrentados pelos autores locais, especialmente na busca por apoio financeiro e institucional para a publicação e divulgação das suas obras. “Escrever é uma missão e precisamos de mais apoios, principalmente do Governo e de entidades privadas para que a literatura da província de Benguela tenha mais visibilidade e alcance”, afirmou.

A cerimónia de lançamento do livro realizado sábado, no Museu de Arqueologia de Benguela, atraiu a atenção de várias personalidades da Cultura e Educação na província, entre os quais o director provincial da Cultura, Pascoal Luís, que elogiou a coragem da autora em escrever para as crianças, um segmento que há algum tempo não era suficientemente explorado na literatura da província.

O secretário do Conselho Provincial de Juventude em Benguela, Lucas Katimba, reforçou a importância da literatura infanto-juvenil na formação dos cidadãos.

“A literatura infantil é uma mais-valia para a nossa província. Estamos a lançar uma obra que vai alicerçar ainda mais a nossa tradição literária e criar uma conexão com as novas gerações de escritores”, disse Lucas Katimba, ressaltando o papel da escrita criativa como um elemento essencial para o desenvolvimento cultural. Juceila Dias – Angola in “Jornal de Angola”


domingo, 9 de fevereiro de 2025

Angola – Escritor Pepetela é leitura obrigatória no ensino superior no Brasil

O romance intitulado “O quase fim do mundo”, de autoria do escritor angolano Pepetela, foi recentemente indicado para integrar o currículo do ensino no Brasil, sendo leitura obrigatória para a prova de língua portuguesa do exame discursivo do vestibular daquele país, para o acesso à universidade



Trata-se de uma distinção digna de realce, visto que somente quatro autores integram a selectiva lista do currículo obrigatório, nomeadamente os brasileiros Clarice Lipesctor, com o conto “Amor”, e José de Alencar, com o romance “Senhora”. A estes junta-se o célebre William Shakespeare com a aclamada peça de teatro “Hamlet”.

De acordo com o crítico literário brasileiro Marcelo Miranda, citado numa nota endereçada pela Academia Angolana de Letras, o romance futurista “O quase fim do mundo”, do escritor angolano Pepetela, membro fundador da referida agremiação, editado no Brasil pela Kapulana, é uma “ficção pós-apocalíptica, com muitas discussões sociais sobre vários grupos presentes no continente africano.

Em comunicado de imprensa, a Academia Angolana de Letras felicita o detentor da sua Cadeira nº 2 por esta distinção, augurando ainda maiores sucessos na sua carreira literária.

Este reconhecimento da qualidade literária de Pepetela foi acolhido com grande satisfação junto da comunidade literária do país, que viu como um inequívoco exemplo da internacionalização da cultura angolana através da literatura.

Para o escritor Lucas Cassule, que se assume como “um discípulo de Pepetela”, o destaque deste “mestre da escrita angolana” é motivo de grande felicidade. Para si, é importante perceber que a grandeza deste vulto da cultura angolana tem eco muito aquém das fronteiras país, o que constitui claramente um ganho para a literatura angolana, significando que mais leitores a nível do mundo vão poder olhar para ela com maior interesse.

“É preciso destacar a importância que o Brasil tem no mundo a nível da produção literária, o que significa que este marco de Pepetela vem ainda mais solidificar o caminho que ele já tem feito há mais de 50 anos de dedicação à literatura. Sobre Pepetela eu acho que sou muito suspeito a falar, basta ler romances como “Yaka”, “Mayombe”, “A Geração da Utopia” e outros mais recentes para perceber a grandeza deste escritor”, sugeriu.  

Lucas Cassule foi mais longe e considerou real a possibilidade de ser um dia indicado para o Prémio Nobel, vai ser por puro merecimento. “Bem-haja ao Pepetela e por tudo que ele tem feito para o engrandecimento da literatura angolana”,   

Para o escritor Moniz Mário, vencedor da edição de 2011 do prémio de literatura infantil Quem Me Dera Ser Onda, é um indicador da qualidade cultural e literária do país e da relevância de Pepetela na lusofonia. O escritor, actualmente a frequentar o mestrado em Portugal, disse que esse facto acrescenta valor e destaca a universalidade da literatura do país, mas também sinaliza a grande diversidade de vozes do cânone literário, que ainda é bastante dominado por autores de língua inglesa, concretamente americanos e europeus.

“A indicação desta obra sugere mais do que a escolha de uma estética, mas sim a consciência crítica e inclusiva de autores africanos. É um gesto que amplia o diálogo junto dos leitores, assumindo o carácter da literatura em transcender de forma rica e crítica fronteiras espaciais”, observou.

Já o poeta e crítico literário Hélder Simbad considera que Pepetela é indubitavelmente o maior escritor angolano vivo e uma das vozes que mais ecoa pela lusofonia e mundo afora. Na sua opinião, as traduções das suas obras para outras línguas revelam por si só a sua grandeza.

“Por consequência disso, acho normal que o Brasil, um país que respira letra e muito faz pela língua portuguesa, coloque mais uma vez no vestibular um dos maiores cultores da palavra em prosa escrita em língua portuguesa. O reconhecimento de Pepetela é o reconhecimento de Angola como uma nação literária forte”, defendeu. Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos “Pepetela” nasceu em Benguela, em 1941. Actualmente com 83 anos, é autor de mais de 25 livros e conquistou diversos prémios literários, com destaque para o Prémio Camões, em 1997, o maior reconhecimento literário da língua portuguesa. Katiana Silva – Angola in “Jornal de Angola”


quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Angola - Acervo e histórico do Museu Nacional de Arqueologia encantam turistas em Benguela

Os turistas de diferentes nacionalidades a bordo do Navio de Cruzeiro de Espanha, que escalou as terras das Acácias Rubras, domingo, manifestaram-se encantados com o acervo e o historial do Museu Nacional de Arqueologia de Benguela



A delegação de visitantes, depois de ter passado pelo município do Lobito, com o mesmo propósito, chegou à cidade de Benguela, quando eram 15h25.

Durante a visita guiada no interior do museu, os turistas mostraram-se admirados por tudo quanto lhes foi apresentado, fundamentalmente o projecto arquitectónico do edifício, instalado num perímetro de 8 mil metros quadrados, feito de blocos de pedra bruta calcária, muitas dessas pedras provenientes do Brasil.

O facto relevante e inédito para os turistas foi a satisfação de tomarem contacto com as imagens do primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto, afixada numa das extremidades do edifício histórico.

As imagens que ilustram a presença do líder fundador da Nação angolana, em companhia dos seus altos dirigentes, atraíram de forma expressiva o grupo de estrangeiros, sobretudo os que, pela primeira vez, acabaram de pisar o solo angolano.

Relíquia deixa marcas indeléveis

A viatura de marca “Land Rover” ofertada pelo primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, ao Museu Nacional de Arqueologia, foi um dos aspectos que chamou maior a atenção dos visitantes.

Para os turistas, o facto de estar presente no interior do Museu, um símbolo de desenvolvimento e exploração arqueológica, demonstrou para os visitantes, estarem perante uma nação cuja liderança sempre soube primar pela valorização das artes museológicas.

Face a tal realidade, os turistas não guardaram o seu estado emocional, ao constatarem o estado de conservação da viatura, que, nos dias de hoje, se transformou em grande relíquia histórica, sendo neste local, onde mais de 35 minutos, os visitantes fixaram-se para tirar vários retratos fotográficos junto da viatura, para a posteridade.

A admiração por parte dos turistas foi ainda elevada, depois de ouvirem dos técnicos do museu, ser o referido meio de transporte na época, “Land Rover”, que impulsionou positivamente, a dinâmica dos trabalhos de pesquisa nos campos arqueológicos.

Vinícius Mendes, proveniente de São Paulo, Brasil, agente de vendas de produtos diversos em algumas lojas a bordo do navio que transporta os visitantes, disse ter conhecido Angola, pela primeira vez.

Segundo o interlocutor, no seu país fala-se muito de Angola por haver uma ligação cultural bastante antiga e muito forte, ao ponto de tornar um clima harmonioso entre os povos dos dois Estados.

O turista brasileiro referiu que as condições existentes no Museu Nacional de Arqueologia de Benguela e a forma de conservação dos instrumentos tradicionais, que mostram a realidade de cada uma das regiões de Angola, deve ser matéria de consulta, estudo e pesquisas, para o engrandecimento da História Mundial. Maximiano Filipe – Angola in “Jornal de Angola”


quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Angola - Cidade de Benguela vai ter Biblioteca Pública Provincial

A construção de uma biblioteca provincial em Benguela, com padrões arquitectónicos modernos, é uma das principais apostas das autoridades governamentais locais, para os próximos anos, segundo o director provincial da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos



Em declarações ao Jornal de Angola, Pascoal Luís explicou que o Governo local está a trabalhar para fazer surgir uma biblioteca provincial, brevemente. Realçou que o surgimento da instituição vai representar um ganho significativo para o acesso ao conhecimento.

Pascoal Luís realçou que uma biblioteca vai ajudar na preservação da história local e fomentar hábitos de leitura e do livro. Ao falar num encontro com os agentes culturais, frisou que a iniciativa vai fomentar a leitura, proporcionar espaços para a pesquisa, além de promover atividades culturais que integrem a comunidade.

Pascoal Luís garantiu que o projecto terá um acervo que inclui livros físicos e digitais e documentos históricos, como forma de valorizar o património cultural da província. “A criação da biblioteca vai beneficiar estudantes, pesquisadores e o público em geral.”

Projectos do género, acrescentou, permitem dinamizar a vida cultural da região e preservar a memória colectiva das comunidades de Benguela. “Precisamos de ter uma biblioteca provincial, capaz de dar respostas às principais inquietações da juventude”.

Outras prioridades

Pascoal Luís disse que além da biblioteca provincial, a direcção traçou, também, algumas prioridades que passam, sobretudo, pela criação de uma agenda cultural local mais dinâmica. “O que nós gostaríamos de pedir aos fazedores de cultura é a elaboração dos programas e calendários das atividades”.

Com a agenda cultural, destaque que, também, é possível coordenar as atividades, fundamentalmente, no setor da Cultura, Turismo e Desportos. “Com a agenda cultural, vamos disponibilizar as unidades hoteleiras para quem viaja em Benguela, por exemplo, poder ter acesso aos locais, em que existem atividades artísticas e culturais com a realização de espetáculos de danças tradicionais, música acústica e teatro”.

O director indicou que existe, num dos municípios, uma artesã idosa que faz panelas de barro e vende ao longo da estrada, no valor de 200 e 350 kwanzas, respectivamente.

Para o responsável, aquelas panelas de barro têm um valor cultural elevado e rescenderam que quando se partilharam as fotografias, pessoas de outras paragens deslocaram-se ao local para adquirir o objecto e fazer o processo de produção.

Escritora Paula Russa defende registo de criadores na província

A escritora Paula Russa defendeu o registo de todos os fazedores de cultura das diferentes áreas, na província de Benguela.

Paula Russa, que conversou no encontro entre o diretor provincial da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos de Benguela, Pascoal Luís, e os fazedores de cultura, disse que as prioridades são comuns para todos os artistas e devem ser canalizadas e se possíveis realizadas.

Com o registo, afirmou, vai ser possível saber “quantos somos”, o que se vai fazer, de onde surgiram e para onde vão.

Ao enaltecer o encontro, a escritora lembrou as palavras do Presidente António Agostinho Neto, isto é “nós somos e vamos fazer”.

Segundo a escritora, aquelas palavras diziam tudo, tendo exortado o actual responsável da Cultura local que conseguisse atingir os objectivos que os artistas pretendem.

Paula Russa lamentou o fato de alguns criadores, em certas graças, desligarem-se um pouco do setor, “porque a cultura em determinada ocasião deixou de ser cultura e passou, simplesmente, a cultura política”.

A escritora avançou que, como primeiro passo, o que a direcção da Cultura deve fazer é o registo de todos os artistas locais, para se saber quantos somos e para onde vamos fazer, pois só com dados estatísticos possíveis poderá-se equacionar os problemas da classe artística.

Paula Russa disse que é preciso fazer o levantamento das pessoas que fazem o trabalho com barro, cestaria, trabalho com cabedal e outras pessoas com boas iniciativas.

Ao desejar sucessos ao actual director provincial da Cultura, Paula Russa prometeu ao responsável que pode contar com a sua contribuição, salientando que está na província há 60 anos e conhece Benguela como a palma da sua mão.

A par de ser escritora, Paula Russa disse que está ligada à cultura desde 1976, e confessou conhecer “muito” bem o que é a cultura em Benguela, porque fez parte deste processo com várias figuras que dirigiram o sector da Cultura na província. Arão Martins – Angola in “Jornal de Angola”


terça-feira, 19 de novembro de 2024

Angola - Pepetela lamenta a desvalorização das línguas nacionais angolanas

O escritor Artur Pestana “Pepetela” lamentou, sexta-feira, em Lisboa, a desvalorização das línguas nacionais, que têm cada vez menos falantes


O escritor reflectiu, entre outros assuntos, sobre a questão da necessidade de políticas de promoção das línguas nacionais durante a sua intervenção na rubrica literária “Autor do Mês”, promovida pela Livraria Lello, sediada em Lisboa, Portugal.

“Estamos a perder as nossas línguas. A maioria das crianças angolanas só brinca, lê e fala em português”, lamentou.

Figura incontornável da literatura lusófona da atualidade, Pepetela foi o autor escolhido no mês de Novembro pela emblemática livraria portuguesa.

Moderada pelo jornalista português Sérgio Almeida, a sessão de conversa com o autor aconteceu na tarde de sexta-feira e contou com a presença de vários amantes da literatura deste autor que tem nas transformações da sociedade angolana a sua maior fonte de inspiração, que se expressa tanto em romances sarcásticos ou hilariantes. Em mais de uma hora de conversa, leitores e admiradores da obra do escritor angolano tiveram a oportunidade de ouvir e conhecer mais sobre a história e a contribuição de Pepetela para a literatura e cultura de língua portuguesa.

Um dos maiores escritores da língua portuguesa, Pepetela disse que escreve porque a escrita o ajuda a pensar melhor aquilo que vê, tendo argumentado que nunca quis ser professor, mas que acabou por ser na maior parte da sua vida, tendo leccionado no ensino universitário. O autor explicou que há mais de dez anos que já não dá aulas, uma profissão que decidiu por acreditar que lhe permitiria continuar a escrever.

“Ser escritor profissional tem as suas vantagens e desvantagens, como a falta do convívio com a classe de jovens com os quais cruzava quando dava aulas na faculdade. Comecei a escrever histórias com os 8 ou 9 anos de idade, ainda nas redacções escolares. Os professores entenderam-me apoiar, ao invés de me castigarem”, recordou.

Pepetela revelou que ao longo de décadas de carreira continua a escrever por prazer, sem permitir que isso seja um esforço, razão pela qual disse não “se sentir pressionado” em atender aos pedidos de admiradores e editores sobre novas sequências das obras já publicadas.  

Questionado sobre o espaço dominante que a música assume no panorama cultural em relação à literatura, Pepetela percebeu que este cenário é antigo. O escritor fez saber que a música sempre foi a expressão principal de manifestação, sublinhando que mesmo quando a escrita se desenvolve, a música já era um meio de grande relevância no país nos séculos passados.

Novo livro a caminho

Figura obrigatória da literatura angolana actual, Pepetela completou, no dia 29 de Outubro, 83 anos de vida, dos quais mais de metade dedicada a narrar em livros a história recente da vida do país. Na semana de comemoração de aniversário comunicou a notícia do lançamento do seu novo romance, intitulado “Tudo-Está-Ligado”, sob chancela da editora Dom Quixote, uma das mais prestigiadas da lusofonia. Segundo a sinopse, o novo romance Pepetela leva os leitores numa viagem que vai desde a formação dos reinos no Planalto Central à atualidade, explorando episódios pouco conhecidos da história do país. Ainda sem data de lançamento a história do novo livro inicia em Benguela, sua terra natal. O muito aguardado novo romance de Pepetela já está à venda nas livrarias portuguesas e marca o regresso do conceituado autor, seis anos após o seu último livro, “Sua Excelência, de Corpo Presente”.

Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos “Pepetela” nasceu em Benguela, em 1941. Licenciado em Sociologia, em Argel (Argélia), durante o exílio, foi guerrilheiro do MPLA, político e governante. Fez o ensino primário na sua cidade natal, partindo depois para o Lubango (Huíla), onde prosseguiu os estudos. Em 1958 foi para Lisboa ingressando no Instituto Superior Técnico onde frequentou o curso de Engenharia até 1960. Pepetela tornou-se militante do MPLA em 1963 e quando abandonou a vida política optou pela carreira docente na Faculdade de Arquitectura de Luanda onde deu aulas de sociologia. Traduzido em diversas línguas, em 1997 foi reconhecido com o Prémio Camões, a maior distinção literária da língua portuguesa. Tem publicado entre outros, os livros “As Aventuras de Ngunga” (1973), “Muana Puô” (1978), “Mayombe” (1980), “O Cão e os Caluandas” (1985), “Yaka” (1985), “Lueji” (1989), “Geração da Utopia” (1992), “O Desejo de Kianda” (1995), “Parábola do Cágado Velho” (1997), “A Gloriosa Família” (1997), “A Montanha da Água Lilás” (2000) e “Jaime Bunda, Agente Secreto” (2001) e “Sua Excelência de Corpo Presente” (2018). Na sua galeria constam ainda os prémios Correntes de Escrita, em 2020, Rosalia de Castro, do Centro PEN Galiza, em 2014, Nacional de Literatura (1981), Nacional de Cultura e Artes (2002), Especial dos Críticos Literários de São Paulo (1993), Internacional da Associação de Escritores Galegos (2007), Príncipe Claus da Holanda (1993) e Grau de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Algarve, conferido em 28 de Abril de 2010. Pepetela foi, igualmente, distinguido com o título de Doutor Honoris Causa, pelo Conselho da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil, em 2022. Katiana Silva – Angola in “Jornal de Angola”


terça-feira, 4 de junho de 2024

Angola - Paula Russa apresenta novo livro em Benguela

“Poemário no feminino”, numa composição de 98 páginas, é a mais recente obra literária da escritora Ana Paula de Jesus Gomes, “Paula Russa”, lançada na sexta-feira, em Benguela


Paula Russa retrata no livro os lugares que marcaram e continuam a marcar a sua vida e de figuras proeminentes da província, com as quais partilhou e partilhou vivências, convivências, conselhos e experiências.

Na obra, a escritora procura eternizar as figuras, através dos seus feitos nos mais variados domínios. O amor, desejo, incertezas e fantasias, respeito, tolerância, são entre outros assuntos, que a escritora fez também constar na obra, por representar as temáticas da contemporaneidade.

A obra foi apresentada pelo escritor Pedro Sendo, membro da Brigada Jovem de Literatura de Angola (BJLA), que, sublinhou que, Poemário no Feminino, assume a conotação de uma marca cultural, social e religiosa, na medida em que, a mulher, na visão de muitos poetas, simboliza a terra, a esperança e a vida.

Pedro Sendo disse que, a poesia de Paula Russa, passeia pelos paradoxos da própria existência, visto que nela se verifica a exaltação que a autora faz a favor da vida. "É uma obra que, a todos os níveis, restaura a positividade humana, a crença da beleza da terra, saudades, aspirações, nutrindo desta forma o verdadeiro amor para com a sua pátria".

Pedro Sendo caracterizou em suma, o "Poemário no Feminino", um espírito criativo que a autora manifestou, que demonstra uma elevada qualidade literária, a exemplo do grande precursor da literatura angolana, no século XIX, José da Silva Maia Ferreira, que escreveu, Espontaneidade da Minha Alma, às senhoras africanas.

Natural de Caconda, província da Huíla, Paula Russa é membro da União dos Escritores Angolanos (UEA). Reside em Benguela, desde o ano de 1965.

A escritora é autora de várias obras, designadamente: "Despertar no amanhã” (1997); "Presença” (2003); "O primeiro Natal de Joaninha” (2005); e "Narrativas populares - mitos e tradições” (2007). Maximiano Filipe – Angola in “Jornal de Angola”


terça-feira, 9 de abril de 2024

Angola - Livro “Janelas da vida” lançado em Benguela

“Janelas da vida” é a mais recente obra literária de Mauro Campos “Kiese”, da província de Malanje, apresentada, sábado, na Biblioteca Comunitária de Benguela “Onjango Literário”, no Museu Nacional de Arqueologia


Trata-se de uma narrativa de 84 páginas, com temas sociais sobre a violência doméstica, abuso sexual a menores e depressão. Mauro Campos "Kiese”, que reside em Luanda, enalteceu a forma como a obra foi recebida pelos benguelenses.

A apresentação do livro contou com a presença da classe literária local, representantes da União dos Artistas e Compositores de Angola (UNACA), académicos, docentes e população em geral.

A obra, explicou o autor, é do género narrativa e subgénero conto, que procuramos abordar vários assuntos da sociedade, entre os quais o paradigma de fazer o bem sem olhar a quem e promover um debate respeitoso sobre a ciência e a religião, suicídio e outros temas de grande relevância para a sociedade.

Segundo Mauro Campos "Kiese”, a intenção da obra é provocar ao leitor perguntas pertinentes que consigam mover os seus sentimentos mais profundos.

O autor reforçou que a obra traz vivências sociais e a intenção é fazer com que o leitor consiga reflectir sobre diversos assuntos dentro da esfera social, principalmente os voltados para uma reflexão interior dos problemas que levem à construção de uma sociedade mais solidária.

Para Mauro Campos "Kiese”, é possível, actualmente, transformar a consciência das pessoas por meio de um livro. Este é o segundo livro do autor.

"Através deste livro procuramos não trazer todas as respostas a determinadas perguntas, mas, sim, proporcionar novas maneiras dos jovens encontrar por si mesmas respostas às indagações e reflectir acerca da sua própria existência e daquilo que o rodeia.

"O livro tem um pouco das nossas vivências e daquilo que apreciamos ou deixamos de apreciar”, explicou, tendo negado ser uma obra autobiográfica, na medida em que relata diversas narrativas não só do autor, como também do próprio leitor, que pode encontrar um pouco de si na obra.

O autor mostrou-se satisfeito com a forma como decorreu a cerimónia de lançamento e venda da obra em Benguela, que contou com a apresentação da escritora Marta Lopes.

"Atingimos as expectativas, conseguimos cumprir com a missão que nos trouxe a Benguela e saímos daqui com grande satisfação pelos resultados obtidos com o lançamento da obra literária. Vendemos e autografámos a obra para muitos jovens na província de Benguela”, destacou.

A cerimónia de lançamento e apresentação da obra decorreu no pátio do Museu Nacional de Arqueologia, junto à Praia Morena, na cidade das Acácias Rubras.

"A obra foi lançada pela primeira vez na província de Benguela e a nossa maior expectativa, entre todas outras, era de o livro ser bem-recebido em Benguela, do mesmo jeito que aconteceu nas províncias de Luanda e Malanje. E foi o que aqui aconteceu”, enalteceu.

Kiese reafirmou que o principal objectivo da obra é o de transmitir a mudança de mentalidades voltadas para o bem-estar de todos e propor um momento de reflexão em torno daquilo que são os fenómenos que ocorrem na sociedade.

Enaltecido lançamento

O delegado provincial da Brigada Jovem de Literatura em Benguela, Elias Ukuahamba, enalteceu o lançamento da obra, que é mais uma oportunidade de se poder deliciar ao pormenor e viajar nas entrelinhas dos escritos do autor.

"O autor convida-nos para uma reflexão fenomenal à volta da violência e outras ‘pandemias’ sociais”, afirmou, acrescentando que o evolucionismo literário de anónimos escritores deve ser acompanhado pelo crivo nacional de literatura, promovendo sessões formativas na área da escrita criativa e disponibilizar acervos literários para que os jovens se potencializem e sigam com segurança "as pedaladas dos cânones em literatura”.

Elias Ukuahamba mostrou-se satisfeito com o evolucionismo literário, pois Benguela tem estado a receber diversos e bons escritores da nova vaga que fazem a apresentação das suas obras voltadas, sobretudo, aos fenómenos sociais.

O delegado provincial da Brigada Jovem de Literatura Angolana em Benguela, Elias Ukuahamba, referiu, também, a pertinência que os autores das obras fazem na valorização da cultura e da língua. In “Jornal de Angola” - Angola


quinta-feira, 2 de março de 2023

UCCLA - Música ao vivo com o grupo “Da Banda”

O auditório da UCCLA vai receber, no dia 10 de março, música africana ao vivo com o grupo “Da Banda”, a partir das 20 horas.

Os bilhetes têm o valor de 7,50 euros e poderão ser pagos no local ou por MB WAY, com indicação do nome, para o número 934519217. As reservas deverão ser indicadas para o email anabela.simao@uccla.pt.

Composta por 4 elementos, todos de Angola - 2 de Benguela e 2 de Luanda -, os “Da Banda” residem, atualmente, em Portugal. É uma banda virada essencialmente para a kizomba e semba, mas que explora diversos estilos musicais angolanos, africanos e antilhanos. Alguns dos elementos já tocavam juntos em Benguela e foi mais fácil a integração no mercado musical de Portugal. Tocam em restaurantes e bares.