Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Hong Kong - Gonçalo Lobo Pinheiro reúne passado e presente nas paredes do Foreign Correspondents’ Club

O fotógrafo Gonçalo Lobo Pinheiro apresenta a partir de 2 de Julho, no Foreign Correspondents’ Club (FCC), o seu projecto “O que foi não volta a ser…”, desta vez em exposição. Com curadoria do fotógrafo e professor canadiano Ben Marans, a mostra reúne 30 imagens impressas seleccionadas de um conjunto mais vasto de 80 fotografias publicadas em dois volumes, em 2022 e 2025.


A cerimónia oficial de inauguração terá lugar no dia 7 de Julho, às 18h30, na Van Es Wall do FCC, um espaço dedicado à apresentação de trabalhos de fotógrafos e artistas de referência. A exposição estará patente até 31 de Julho.

O trabalho de Gonçalo Lobo Pinheiro, que tem vindo a construir uma obra centrada na memória, na impermanência e na transformação dos territórios, oferece um olhar documental e sensível sobre paisagens culturais e urbanas. O projecto nasceu da recolha de imagens antigas de Macau, captadas entre as décadas de 1930 e 1990, a preto e branco, adquiridas em leilões, na internet, a particulares, em lojas e até em Portugal. Nas palavras do fotógrafo, “cada imagem é uma tentativa de reconstituir o que já pouco ou nada existe, mas que continua a habitar o espaço como fantasma, como sombra que insiste em permanecer”.

Durante pouco mais de um ano, o fotógrafo foi juntando esses registos de épocas passadas, confrontando-os com a paisagem actual da cidade. Se alguns cenários ainda são reconhecíveis, outros simplesmente já não existem. Quando questionado sobre o acto de “fotografar fotografias”, Gonçalo Lobo Pinheiro diz ser “quase performativo”. Ao Ponto Final, descreveu o trabalho como “um diálogo silencioso entre o fotógrafo e a cidade, uma coreografia de paciência e insistência. A fotografia torna-se ponte entre tempos distintos, revelando que o espaço urbano é sempre reescrito e nunca definitivo”, referiu.

O fotógrafo, nascido em 1979 e radicado em Macau há mais de 12 anos, passou por várias publicações portuguesas e estrangeiras, incluindo Público, Expresso, Washington Post, BBC e The Guardian, antes de se fixar em Macau, onde contribui actualmente para a agência Lusa. Vencedor de vários prémios ao longo da carreira, publicou também diversos livros de fotografia, incluindo os da actual exposição. É membro fundador da associação Halftone.

A exposição actual surge após o encerramento do projecto, em finais de 2025, e convida o público a reflectir sobre a inevitabilidade da mudança e a certeza de que o que foi não volta a ser, “mesmo que muito se queira”… Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”




sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Macau - Livraria Portuguesa recebe o fotógrafo brasileiro Ale Ruaro no final do mês

Ale Ruaro está de visita a Macau para uma conversa sobre o seu percurso profissional. Nos dias 24 e 25 deste mês, a Livraria Portuguesa acolhe uma sessão de apresentação do mais recente livro do artista, “Vestígios”, e uma sessão de partilha em que o fotógrafo brasileiro será convidado a falar sobre o seu trabalho e a sua visão artística


A obra do fotógrafo brasileiro Ale Ruaro vai ser homenageada na Livraria Portuguesa no final do mês, nos dias 24 e 25 de Novembro. O evento, organizado conjuntamente pela livraria e pela associação Halftone, será realizado em língua portuguesa e contará com a presença do fotógrafo no último dia, terça-feira.

A primeira sessão tem início pelas 18h do dia 24, uma segunda-feira, com a apresentação do livro Vestígios. Publicada pela editora Selo Vertigem, a obra reúne uma série de imagens “abstractas, desfocadas e, por vezes, estranhamento inquietantes”, como descrito na sinopse, que impelem o espectador a imergir num “mundo que parece escapar à lógica do olho nu”.

Num comunicado de imprensa emitido pela organização do evento, lê-se ainda que “a obra reúne mais de duas décadas de pesquisa visual e desconstrução da linguagem fotográfica, propondo uma reflexão sobre a fotografia expandida” e criando, assim, “uma abordagem que ultrapassa os limites da representação tradicional e convida o público a questionar percepções e significados”.

No dia seguinte, também pelas 18h, a Livraria Portuguesa recebe o fotógrafo brasileiro para uma conversa sobre a arte da fotografia, em geral, e o seu trabalho, em particular. Neste diálogo com o público, Ale Ruaro vai partilhar o seu percurso de três décadas e a visão artística que caracteriza a sua obra, com uma predilecção por retratos e detalhes da figura humana.

O artista nascido no Rio de Janeiro dedica-se à fotografia desde 1995, tendo começado por fotografar teatro, publicidade e arquitectura. A nota biográfica publicada na sua página oficial revela que, depois de 14 anos de dessatisfação com a fotografia comercial, acabou por queimar todas as imagens produzidas até então e dar início ao seu trabalho como artista.

Desde então, já publicou dez foto-livros, participou em feiras e concursos brasileiros e internacionais e viu a sua obra exposta em mostras individuais e colectivas, tanto em galerias privadas como em conceituados espaços culturais como o Museu de Arte Contemporânea de Niterói ou o Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli.

As suas imagens são invariavelmente captadas a preto e branco, fazendo uso de uma iluminação contrastada e densa que, segundo a organização, evoca “os contornos e a atmosfera de pintores holandeses como Vermeer e Rembrandt”. O seu olhar artístico é “suave, amoroso e solidário”, procurando questionar preconceitos e desconstruir a concepção de “normal” ou “convencional”.

Para além da associação Halftone e da Livraria Portuguesa, a visita de Ale Ruaro a Macau conta ainda com o apoio da Fundação Oriente, da agência COM Viagens, do Consulado Geral do Brasil em Hong Kong e Macau, da Universidade de São José e do Leitorado do Instituto Guimarães Rosa – USJ Macau. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


terça-feira, 4 de junho de 2024

Macau - Exposição da Halftone vai mostrar as marcas portuguesas presentes em Macau

A Galeria da Residência Consular vai receber, a partir deste sábado, a exposição “A Presença da Matriz Portuguesa em Macau, nas Imagens Entre Tempos”, organizada pela associação Halftone. Nesta mostra, estarão patentes registos fotográficos de 12 fotógrafos locais que propõem diferentes visões sobre as marcas da presença portuguesa na região


“A Presença da Matriz Portuguesa em Macau, nas Imagens Entre Tempos” é o título da exposição da Halftone que vai ser inaugurada no sábado, pelas 17h, na Galeria da Residência Consular. A exposição estará patente até ao dia 30 de Junho. Nesta mostra, 12 fotógrafos membros da associação de fotografia vão expor as suas obras sob o prisma da marca lusa no território.

André Ritchie, presidente da Halftone, explicou ao Ponto Final que a associação lançou um ‘open call’ aos seus membros, deixando em aberto a forma como interpretar o tema. Isto resultou num “leque bastante rico de obras, que vão desde o mais material e evidente, até situações em que se trata de uma presença portuguesa de forma imaterial”. Salientando que é nessa variedade de interpretações que está a grande mais-valia desta exposição, afirmou: “É interessante fazer uma comparação entre diversos trabalhos, para vermos como é que cada autor abordou e interpretou esse tema, para depois reflectir a sua ideia através da fotografia”.

Os membros da Halftone que vão expor na Residência Consular são: André Ritchie, Catarina Cortesão Terra, Eloi Scarva, Francisco Ricarte, Gonçalo Lobo Pinheiro, Joana Freitas, João Palla, Mide Plácido, Ricardo Meireles, Rusty Fox, Sara Augusto e Wu Haozheng.

André Ritchie descreveu as suas fotografias como sendo uma “celebração da vulgaridade”. O presidente da associação apresenta três imagens de dentro de uma casa em Macau onde está patente uma “componente religiosa, uma forma de estar num espaço que é muito atípica, mas que também pode ser vista como uma coisa normalíssima em Macau”. João Palla, por exemplo, apresenta retratos de lusodescendentes, que “é uma forma muito interessante de mostrar o ADN português”, comentou Ritchie. Por outro lado, Francisco Ricarte mostra fotografias mais conceptuais de pormenores de um edifício de Macau.

No texto introdutório sobre esta exposição, a Halftone questiona: “Sob o prisma do olhar da fotografia enquanto prática de arquivo diacrítico, subordinado ao tema da memória e identidade, faz sentido olhar a cidade hoje e reflectir sobre os seus traços identitários de Matriz Portuguesa? Quais os marcos históricos e patrimoniais, os registos culturais e persistências humanas nela existentes? Como têm as diversas comunidades olhado para a presença do ‘outro’ neste território em constante transição e transformação? Como são essas marcas, físicas ou imagéticas, entendidas por outras comunidades? São essas marcas também parte integrante da sua memória colectiva e individual, ou apresentam-se como extemporâneas?”.

“Macau é, historicamente, um território em transição. Na sua cartografia constrói lugares novos, desdobra-se, aprofunda, concentra novas camadas de memórias colectivas no mapa da cidade”, pode ler-se na nota de apresentação da exposição, que assinala ainda que as imagens a serem expostas revelam-se “na afirmação da identidade do exercício da memória individual de cada um de nós – afinal memória colectiva, através do que vivenciamos ou experienciamos ou, de forma subjectiva, através do exercício da ‘pós-memória’, as memórias e registos visuais que outros nos convocam”.

Esta exposição tem o patrocínio do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal – Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas. A associação Halftone, actualmente com perto de 50 membros, tem como objectivo promover e divulgar a fotografia contemporânea nos seus mais diversos aspectos. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”


quarta-feira, 29 de maio de 2024

Macau - Francisco Ricarte apresenta exposição de fotografia seguida de workshop para jovens iniciantes na arte

Um fim-de-semana cheio de actividades para todos os amantes da fotografia. O arquitecto e fotógrafo Francisco Ricarte apresentará dois dias de imersão na arte da imagem, através de uma exposição que pretende incentivar os jovens a ganhar mais interesse pela fotografia e um workshop que demonstrará o ofício na prática. Uma organização da Casa de Portugal em Macau (CPM) e com patrocínio da Fundação Macau, estes dois eventos fazem parte do programa “Junho, Mês de Portugal na RAEM”. A exposição inaugura este sábado, dia 1 de Junho, às 17h. No dia seguinte, a primeira sessão do workshop dará início às 10h30. Ambos eventos serão realizados na Casa Garden


O mês de Junho arranca com uma série de novas actividades culturais que marcam as celebrações do Dia de Portugal, anualmente comemorado no dia 10 de Junho. Para inaugurar a entrada no primeiro dia do mês com uma pertinente contribuição para o âmbito artístico de Macau e em celebração ao Dia Mundial da Criança, Francisco Ricarte, arquitecto e fotógrafo, apresenta dois eventos inteiramente ligados à arte da fotografia, uma exposição e um workshop, dividido em duas sessões.

A exposição leva o nome “Para os olhos dos jovens (de espírito)” e reúne 23 registos fotográficos, que pretendem instigar um interesse mais aprofundado pela fotografia aos jovens iniciantes na arte. Com imagens a apresentar intrigantes momentos corriqueiros e situações inesperadas do dia-a-dia, carregam em si algum humor e ironia, que dessa forma poderão captar a atenção da camada mais jovem da população e surpreender os espectadores mais velhos – jovens de espírito – através da curiosidade e da brincadeira.

Por entre as fotografias de rua, o fotógrafo também incluiu registos de performances de grande intensidade coreográfica e visual, para não só apresentar o lado mais sensível da fotografia, como introduzir os espectadores ao poder pictórico da produção de imagens.

“A fotografia, pela sua imensa abrangência e possibilidades criativas, tem sido um instrumento fundamental no desenvolvimento das artes visuais”, diz Ricarte. Ultimamente, tem sido figura central na divulgação da fotografia como arte independente e influente no âmbito das artes visuais existentes em Macau. Membro fundador da associação Halftone, tem vindo a realizar várias exposições e eventos que contribuem para a expansão desta prática como forma de expressão entre o público da região.

“Sob variadas abordagens estéticas e tecnológicas, esta forma de expressão artística (a fotografia) tem-nos dado a conhecer facetas tão fascinantes e diversificadas, como o meio natural e construído que nos rodeiam, bem como das nossas aspirações e manifestações culturais, entre muitas outras facetas da condição humana”, esclareceu.

Foi através deste deslumbre, por uma prática aparentemente banal nos tempos de hoje, que o artista pretende demonstrar o universo de possibilidades e a influência que uma boa fotografia pode ter na sociedade.

Para complementar este primeiro dia de imersão na arte de Francisco Ricarte, a Casa de Portugal em Macau, que está activamente envolvida na organização e divulgação de actividades artísticas durante este próximo “Mês de Portugal”, em conjunto com o apoio financeiro da Fundação Macau, decidiu organizar, para além da exposição, duas sessões de aprendizagem da prática da fotografia, que instigará os jovens participantes a aplicarem os conhecimentos adquiridos com as obras observadas no dia anterior.

Com Francisco Ricarte como monitor, os workshops de domingo, dia 2 de Junho, são divididos em duas sessões de duas horas cada uma, com a primeira direccionada para jovens entre 8 e 11 anos, a dar início às 10h30 da manhã. A segunda sessão dá início às 15h e é aberta a jovens a partir dos 12 anos de idade. Máquinas fotográficas Polaroid serão disponibilizadas aos participantes pela organização. As sessões são limitadas a 10 vagas cada uma, e a CPM sugere reservar com antecedência a inscrição, através dos contactos que podem ser encontrados no programa “Junho, Mês de Portugal na RAEM”.

Para além da CPM, estes dois eventos recebem o apoio institucional do Consulado Geral de Portugal em Macau, AICEP, Fundação Oriente e IPOR. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”