Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 19 de novembro de 2023

México - Corredor interoceânico, uma polémica alternativa ao canal do Panamá

O ambicioso projeto, com inauguração prevista em dezembro, irá movimentar passageiros e mercadorias entre dois portos marítimos através de uma linha ferroviária


No Istmo de Tehuantepec, uma estreita faixa do território mexicano na qual 300 quilómetros separam o Oceano Pacífico do Atlântico, está a ser construído um corredor interoceânico como alternativa ao Canal do Panamá, o que gera expectativas económicas, mas também preocupações ambientais.

O projeto, pensado para complementar o Canal do Panamá, ocorre num contexto de popularidade do presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, cujo governo investiu US$ 2,5 mil milhões de euros em comboios de carga e turismo para ligar dois portos que foram recentemente renovados.

De acordo com o Executivo mexicano, o corredor poderia acrescentar entre três e cinco pontos percentuais ao PIB mexicano.

No entanto, o projeto é desenvolvido numa região com numerosos povos indígenas e uma vasta riqueza cultural. As opiniões estão divididas entre os que esperam que a obra atraia investimentos e aumente o consumo e os que acreditam que facilitará as atividades do crime organizado, além de gerar um enorme impacto social e ambiental.

"É um projeto magnífico!", afirma Angélica González, uma artesã de 42 anos de Ciudad Ixtepec (Oaxaca, sul), uma das paragens do comboio que liga os portos de Salina Cruz, no Pacífico, ao de Coatzacoalcos, na costa atlântica (Veracruz, leste).

O negócio

Embora o turismo gere expectativas, o projeto é sobretudo logístico e comercial.

O Corredor Interoceânico do Istmo de Tehuantepec (CIIT, na sigla em Espanhol) espera movimentar 300 mil contentores de carga em 2028, de acordo com dados oficiais, e aumentará para 1,4 milhões — uma média de cerca de 33 milhões de toneladas de carga, segundo estimativas da AFP — quando alcançar a total capacidade operacional em 2033.

Em 2022, o Canal do Panamá, que foi muito afetado por uma seca, registou o trânsito de 63,2 milhões de toneladas de carga em contentores, segundo a sua administração. Estima-se que isto represente quase 3% do comércio mundial, de acordo com a mesma fonte.

Para Adiel Estrada, coordenador de operações do CIIT — que será administrado pela Marinha mexicana —, a "espinha dorsal do corredor" é que "se complementa ao Canal do Panamá".

Com a licitação dos cinco primeiros parques industriais do corredor, o governo espera atrair 6,4 mil milhões de euros em investimentos.

Preocupação

As obras têm caráter monumental, como a de ampliação do porto da cidade de Salina Cruz, cujo novo quebra-mar já ganhou mil metros em direção ao mar e se estenderá até 1600m, necessitando de 5,5 milhões de toneladas de pedra.

Os projetos também funcionarão como novas rotas migratórias, como em Ciudad Hidalgo, na fronteira com a Guatemala, por onde chegam migrantes sem documentos e onde se conectará ao CIIT com o comboio que chegará a Ixtepec. Outro ramal o ligará ao turístico Comboio Maia, também obra de López Obrador.

Mas para Juana Ramírez, ativista da organização indígena UCIZONI, o projeto é problemático. "Como vai ficar o istmo? Contaminado, com poucas espécies animais e vegetais e uma violência crescente", prevê esta indígena da etnia Mixe, do município de San Juan Guichicovi.

A UCIZONI afirma que a rota não cumpriu as normas internacionais sobre a consulta aos indígenas que vivem na região, além de ter apresentado estudos ambientais frágeis e deslocado comunidades nativas.

Em julho, a ONG Centro Mexicano de Direito Ambiental (CEMDA, na sigla em espanhol) relatou 21 casos de intimidação, 11 de violência física e três homicídios contra defensores do território entre outubro de 2022 e julho de 2023, todos ligados à CIIT. A maioria das vítimas eram indígenas. Jean Arce “Associated France Presse”


sábado, 2 de junho de 2018

Portugal – Ainda há gente com senso

Um movimento em defesa do Alentejo considerou este sábado “um imperativo nacional” a utilização do aeroporto de Beja como alternativa à construção do novo aeroporto do Montijo, argumentando que não implica problemas ambientais nem requer um investimento de milhões



Em comunicado divulgado hoje, a comissão dinamizadora do movimento AMAlentejo afirma que o Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território (PNPOT), cuja proposta de revisão está em discussão pública até ao próximo dia 15, prevê a construção do novo aeroporto do Montijo, sem considerar o aeroporto de Beja.

No entanto, segundo o movimento, a utilização do aeroporto de Beja “como alternativa à construção de um novo aeroporto no Montijo é um imperativo nacional”.

“Por essa Europa fora, o que não falta são aeroportos a mais de uma hora de viagem da capital que servem”, pode ler-se no comunicado.

Segundo o AMAlentejo, “os problemas ambientais e a concentração demográfica da grande Área Metropolitana de Lisboa são conhecidos e não podem ser subestimados e muito menos ignorados”.

“O Aeroporto Internacional de Beja constitui a alternativa necessária” e “reúne todas as condições que um novo aeroporto na grande Área Metropolitana de Lisboa não tem, nem nunca terá”, argumenta a comissão dinamizadora.

A infraestrutura localizada em Beja, assinala o movimento, “não tem problemas ambientais, situa-se numa das zonas de mais baixa densidade demográfica do país” e “não precisa de milhões de investimentos para funcionar”.

A sua utilização, vinca o movimento, “irá criar oportunidades de emprego e contribuir para o desenvolvimento de uma zona do interior até ao presente esquecida pelo centralismo cego e asfixiante de S. Bento”.

“Os milhões que se pretendem gastar na construção de um novo aeroporto no Montijo”, para o AMAlentejo, devem antes ser “canalizados para eletrificar a linha ferroviária” entre Portalegre, Évora, Beja e Funcheira, com ligação a Faro, sendo dada “prioridade imediata para o troço Beja-Casa Branca”.

O movimento considera que “ainda é possível mobilizar verbas do Portugal 2020” de forma que sirvam “para o futuro coletivo” do Alentejo.

O AMAlentejo, que conta com adesões de mais de 80 instituições e cerca de 300 personalidades, foi criado em abril de 2015 com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento económico e social do Alentejo, desenvolver ações conducentes à regionalização e apoiar, valorizar e defender o poder local.

Para Castelo de Vide, no distrito de Portalegre, está agendado o próximo congresso do movimento, nos dias 30 de junho e 01 de julho. In “Sapo 24” – Portugal

Sobre o tema “Aeroporto de Beja” poderá ler o artigo: Aeroportos