Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 3 de novembro de 2018

Portugal – Aeroporto de Beja, a infraestrutura que os políticos de Lisboa não enxergam

Autarcas e empresários do Baixo Alentejo criticam os “milhões de euros” previstos para o possível aeroporto no Montijo e insistem no potencial da infraestrutura de Beja como complementar a Lisboa e Faro, recusando o “rótulo” de “elefante branco”



Se avançar a construção do novo aeroporto no Montijo (Setúbal), o valor do investimento previsto “é completamente despropositado, é descabido até”, disse à agência Lusa o socialista Jorge Rosa, presidente da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL).

Também o presidente da Associação Empresarial do Baixo Alentejo e Litoral (NERBE/AEBAL), Filipe Pombeiro, questionou se Portugal terá “disponibilidade” para “fazer um investimento de largos milhares de milhões de euros noutro mega-aeroporto”.

“Será que não existem soluções? Acho que existem, nomeadamente o aeroporto de Beja”, defendeu à Lusa.

Os empresários alentejanos, salientou Filipe Pombeiro, nada têm “contra o Montijo”, estão é “a favor” do equipamento que “está feito em Beja” e que “tem todas as condições para servir o país”.

O aeroporto de Beja, que resulta do aproveitamento civil da Base Aérea n.º 11 e custou 33 milhões de euros, começou a operar a 13 de abril de 2011, quando se realizou o voo inaugural.

Desde então, apesar de aberto, tem estado praticamente vazio e sem voos e passageiros na maioria dos dias e quase só tem servido para estacionamento e manutenção de linha de aviões de algumas companhias aéreas.

Este verão, o tráfego de passageiros aumentou, graças a operações de voos “charter” associadas a pacotes de operadores turísticos.

Em julho, a infraestrutura aeroportuária alentejana foi escolhida pela empresa aérea europeia Hi Fly, que já aí detém uma base para estacionamento e manutenção de aeronaves, como “palco” da 1.ª aterragem em Portugal de um Airbus A380, o maior avião comercial do mundo, por ser o único aeroporto nacional com capacidade para o receber (este “gigante dos céus” continua a parar em Beja entre operações).

A construção de uma unidade de manutenção e desmantelamento de aviões da empresa Aeroneo e de um hangar da empresa portuguesa MESA para manutenção de aviões, sobretudo da Hi Fly, são alguns dos projetos que estão previstos para o aeroporto de Beja.

Autarcas e empresários da região têm reivindicado que esta infraestrutura tem de ser mais aproveitada, nomeadamente em termos de voos de passageiros, como complementar aos aeroportos de Lisboa e de Faro, que dizem estar “esgotados”.

Para o presidente da Câmara de Beja, Paulo Arsénio (PS), o aeroporto da cidade “reúne boas condições para servir de retaguarda a Lisboa” e “a qualquer aeroporto nessa zona, tal como o demonstrou este verão, através de ações promovidas por operadores turísticos”.

E ainda no que respeita a voos de passageiros, acrescentou o autarca, “a superlotação” que “já existe” no aeroporto de Faro “também pode e deve ser explorada” para rentabilizar Beja: “Pode ser um extraordinário aeroporto complementar para toda a região algarvia”.

Por isso, sublinhou, ainda que avance “um aeroporto complementar na zona de Lisboa”, como o que está previsto no Montijo, “não é por aí que Beja sairá grandemente prejudicada”, porque o equipamento da cidade "é de excelência" e, "sempre que haja superlotação a norte ou a sul, está muitíssimo bem situado para servir de complemento”.

Convicto de que o aeroporto de Beja “não será, de certeza, um elefante branco”, o autarca lembrou que a infraestrutura tem “uma potencialidade de aproveitamento e de criação de mais-valias e de emprego” que ultrapassa “o simples tráfego de passageiros”.

“O que é preciso são duas ou três empresas âncora que, depois, possam atrair outras para a região”, sustentou.

No “caminho” que o aeroporto de Beja precisa de percorrer para se afirmar, realçou o presidente do NERBE/AEBAL, subsistem ainda dois problemas.

“Ainda não houve um governo que olhasse para o aeroporto e o quisesse viabilizar” e “há o problema das acessibilidades”, assinalou Filipe Pombeiro, frisando: “Se tivermos uma boa ferrovia e uma boa rodovia, numa hora e pouco conseguimos estar em Lisboa”.

Jorge Rosa, da CIMBAL, sugeriu até que os “milhões” previstos para o Montijo deveriam ser aplicados “na melhoria das acessibilidades rodoviárias e ferroviárias” à região, que “estão muito más”, o que “permitiria encurtar o tempo de distância até Lisboa”, acabando com "o argumento que é utilizado, o da distância, para não se considerar o aeroporto de Beja como complementar” ao da capital.

“Já o Alqueva não o era, como se provou, e isto também não é nenhum elefante branco. Se tivermos condições de acessibilidades, tenho a certeza de que este investimento ainda vai dar um retorno muito grande ao país”, argumentou Filipe Pombeiro. In “Sapo24” – Portugal com “Lusa”

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Portugal - Medway pede mais e mais depressa para a ferrovia

O presidente da Medway defende que o Governo avance “mais depressa” com as intervenções previstas na rede ferroviária para tornar Sines “num porto ibérico” e mais competitivo



“O Governo anunciou um conjunto de intervenções na ferrovia e os operadores portuários, marítimos e ferroviários gostariam que fosse feito mais do que está projectado e mais depressa e lamentamos que os projectos em curso não sejam mais ambiciosos”, referiu Carlos Vasconcelos.

O líder da Medway falava durante um debate promovido, em Sines, pela Plataforma Alentejo – Estratégia Integrada de Acessibilidade Sustentável do Alentejo nas ligações Nacionais e Internacionais para discutir a importância estratégica da ferrovia da região no sistema portuário nacional.

“Gostaríamos que os projectos acelerassem, porque só assim estaremos em condições de Sines se afirmar como um porto ibérico”, acrescentou o também presidente da MSC, o principal cliente do Terminal XXI de Sines.

No entender de Carlos Vasconcelos, a aposta na ferrovia deve passar igualmente por “concretizar alguns projectos” ou encontrar “soluções logísticas” que façam chegar todos os comboios até Espanha e, com isso, “aumentar o movimento de mercadorias”.

No encontro, em que participaram também Jorge d’Almeida, presidente da Comunidade Portuária de Sines, e Manuel Tão, professor e investigador da Universidade do Algarve, Carlos Vasconcelos, defendeu ainda que é preciso investir “em traçados mais curtos, eliminar as pendentes e uma maior capacidade de cruzamento de comboios de forma a aumentar a circulação” na Linha do Sul.

Manuel Tão aposta na Linha do Alentejo

Durante o debate, Manuel Tão defendeu a aposta em linhas ferroviárias alternativas e na modernização da Linha do Alentejo para valorizar duas grandes infra-estruturas na região: o porto de Sines e o Aeroporto de Beja.

“Necessitamos de uma redundância, porque Sines, na sua condição de porto global e de águas profundas, não pode ficar dependente de um só itinerário de ligação a Espanha e a Linha do Alentejo, com um traçado muito bom em termos de geometria e poucas pendentes, vai resolver vários problemas”, afirmou.

De acordo com o especialista em planeamento de transportes, o país deve “injectar mais capacidade” na ferrovia, tendo em conta o crescimento dos comboios de mercadorias e do transporte de passageiros e, para que isso aconteça, disse, “não é necessário construir de raiz” novas linhas.

“A Linha do Alentejo completamente modernizada vai absorver comboios que sejam necessários de e para Sines, venham eles de Madrid ou de qualquer outra região, mas vai resolver o problema dos Intercidades do Algarve”, adiantou.

Segundo Manuel Tão, a modernização da Linha do Alentejo poderá passar por uma candidatura ao Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), que permitiria “a electrificação integral do troço Casa Branca/Beja, com a renovação integral de via e a instalação de comando de tráfego centralizado”, concluiu. In “Transportes & Negócios” - Portugal

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Portugal – Aeroporto de Beja pode complementar Lisboa e Faro

O aeroporto de Beja pode ser complementar aos de Lisboa e Faro e servir a capital, Setúbal, o Algarve e a Extremadura espanhola, desde que complementado com o transporte ferroviário, defende Manuel Tão



O aeroporto de Lisboa, sublinhou o investigador da Universidade do Algarve, está “esgotado” e o de Beja tem “uma vantagem muito grande: está pronto a usar” em relação a outras soluções apontadas, como Montijo, que “não se sabe se têm viabilidade técnica, longevidade e retorno socioeconómico aceitável”.

Por seu turno, segundo Manuel Tão, o aeroporto de Faro vai “esgotar rapidamente e não pode ser expandido e o Algarve precisará de um novo aeroporto até 2030”.

“Há sempre a possibilidade de construir um segundo aeroporto no Algarve, desde que haja 2 500/3 000 milhões de euros, o que não é muito exequível numa região que já não tem direito à maior parte dos fundos comunitários”, disse.

De acordo com o mesmo especialista em planeamento de transportes, a área de influência do aeroporto de Beja “pode estender-se” à Grande Lisboa, à Península de Setúbal e ao Algarve desde que seja servido por um “transporte terrestre rápido, capaz de colocar os clientes em 90 minutos ou menos” naquelas zonas.

Segundo o investigador, “tal só é alcançável” com a modernização dos troços ferroviários da Linha do Alentejo Casa Branca/Beja, que liga Beja e Lisboa, e Beja/Funcheira, que ligava Beja e Algarve, mas está desactivado.

No caso do aeroporto de Beja, que tem linha ferroviária “bastante próxima”, “há condições para projectar o potencial” enquanto aerogare e a área de influência para regiões que “ficam até 150 quilómetros de distância”.

A Extremadura espanhola, que “carece de acessibilidade aérea”, é “um bónus” para a área de influência do aeroporto de Beja e como “consequência” da ligação ferroviária Évora/Elvas.

Beja-Entrecampos em 85 minutos

A modernização dos troços permitirá a circulação de comboios entre 200 e 220 quilómetros/hora e, assim, será possível viajar de comboio entre Beja e as estações de Entrecampos, em Lisboa, em 85 minutos, de Albufeira, no Algarve, em 80 minutos, de Évora, em 35 minutos, e de Badajoz, na Extremadura espanhola, em 70 minutos.

“Não é possível viabilizar o aeroporto de Beja sem recurso ao transporte ferroviário”, porque, pelas distâncias-tempo que oferece, “é o único susceptível de lhe conferir maior área de influência”, disse.

Em termos de comparação, Manuel Tão apontou durações de viagens entre vários aeroportos “low-cost” e grandes cidades na Europa.

De comboio, o aeroporto de Londres-Stansted fica a 47 minutos do centro de Londres e, de autocarro, os aeroportos de Paris Beauvais Tillé e de Girona ficam a 90 minutos dos centros de Paris e Barcelona, respetivamente, e o aeroporto de Frankfurt-Hahn fica a duas horas de Frankfurt.

Manuel Tão falava à “Lusa” `à margem de uma sessão sobre acessibilidades e transportes promovida em Beja pela Plataforma Alentejo Estratégia Integrada de Acessibilidade Sustentável do Alentejo nas ligações Nacional e Internacional. Manuel Tão – Portugal in “Transportes & Negócios”

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Portugal – Promoção vai chegar ao aeroporto de Beja

Governo e ANA vão promover aeroporto de Beja junto dos operadores turísticos visando atrair operadores turísticos que organizam viagens ponto a ponto para Beja, oferecendo a competitividade da infra-estrutura já a partir do próximo Verão IATA



O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, adiantou esta quarta-feira no Parlamento que o Governo e a ANA – Aeroportos de Portugal vão avançar com uma campanha para promover o aeroporto de Beja junto de operadores turísticos já a partir do próximo Verão IATA.

"O Governo articulou com a ANA, em face deste esgotamento que se verifica no aeroporto de Lisboa, que se procure promover aquela infra-estrutura, nomeadamente na altura mais crítica que é no Verão IATA", afirmou Pedro Marques, à margem da audição na comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, acrescentando que "a intenção é desenvolver uma campanha junto dos operadores turísticos que organizam viagens ponto a ponto".

De acordo com o governante, "a ideia é que, em vez de trabalhar só com as companhias aéreas e oferecer a competitividade das taxas, se ofereça a competitividade da infra-estrutura aos operadores turísticos que organizam ofertas integradas e que têm um determinado tipo de procura no Verão".

A intenção, acrescentou, é que que possa induzir procura naquela infra-estrutura nos próximos anos, a começar já no Verão de 2019. É que "não é realista pensar que ainda vai influenciar operações neste Verão, mas pode influenciar muito a organização de operações nos próximos verões", acrescentou.

Pedro Marques disse desconhecer quantos aviões poderiam ser retirados do aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, mas salientou que "qualquer operação desta natureza que consigamos colocar no aeroporto de Beja é importante porque a região vê aí um factor de esperança, mas também porque é como que um chamariz, é um primeiro momento de algo que pode crescer no futuro".

O responsável lembrou que o aeroporto de Lisboa é "uma infra-estrutura esgotada, com dificuldades de atribuição de slots", razão pela qual a promoção de Beja "não é só uma questão de taxas, mas sim de slots nas horas que se querem, mesmo nas que são mais críticas para determinada operação turística".

Sobre os acontecimentos que têm sido relatados no aeroporto de Lisboa, nomeadamente de agressões a trabalhadores, Pedro Marques considerou a situação "indesejável" e salientou que "devem ser criadas condições para que isso não aconteça".

Considerou, no entanto, que "a questão mais global: é uma infra-estrutura que está esgotada".

"O aeroporto de Lisboa tem problemas de atrasos e de operação que vem de antes da privatização. Não há nenhuma verdade que isto seja um problema deste Verão", afirmou Pedro Marques, acrescentando que neste "princípio de Verão confluíram problemas ainda do ponto de vista climatérico, greves importantes noutros aeroportos e problemas de natureza laboral nalgumas companhias". Mª João Babo – Portugal in “Jornal de Negócios”

Sobre o aeroporto de Beja pode ler:






sábado, 2 de junho de 2018

Portugal – Ainda há gente com senso

Um movimento em defesa do Alentejo considerou este sábado “um imperativo nacional” a utilização do aeroporto de Beja como alternativa à construção do novo aeroporto do Montijo, argumentando que não implica problemas ambientais nem requer um investimento de milhões



Em comunicado divulgado hoje, a comissão dinamizadora do movimento AMAlentejo afirma que o Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território (PNPOT), cuja proposta de revisão está em discussão pública até ao próximo dia 15, prevê a construção do novo aeroporto do Montijo, sem considerar o aeroporto de Beja.

No entanto, segundo o movimento, a utilização do aeroporto de Beja “como alternativa à construção de um novo aeroporto no Montijo é um imperativo nacional”.

“Por essa Europa fora, o que não falta são aeroportos a mais de uma hora de viagem da capital que servem”, pode ler-se no comunicado.

Segundo o AMAlentejo, “os problemas ambientais e a concentração demográfica da grande Área Metropolitana de Lisboa são conhecidos e não podem ser subestimados e muito menos ignorados”.

“O Aeroporto Internacional de Beja constitui a alternativa necessária” e “reúne todas as condições que um novo aeroporto na grande Área Metropolitana de Lisboa não tem, nem nunca terá”, argumenta a comissão dinamizadora.

A infraestrutura localizada em Beja, assinala o movimento, “não tem problemas ambientais, situa-se numa das zonas de mais baixa densidade demográfica do país” e “não precisa de milhões de investimentos para funcionar”.

A sua utilização, vinca o movimento, “irá criar oportunidades de emprego e contribuir para o desenvolvimento de uma zona do interior até ao presente esquecida pelo centralismo cego e asfixiante de S. Bento”.

“Os milhões que se pretendem gastar na construção de um novo aeroporto no Montijo”, para o AMAlentejo, devem antes ser “canalizados para eletrificar a linha ferroviária” entre Portalegre, Évora, Beja e Funcheira, com ligação a Faro, sendo dada “prioridade imediata para o troço Beja-Casa Branca”.

O movimento considera que “ainda é possível mobilizar verbas do Portugal 2020” de forma que sirvam “para o futuro coletivo” do Alentejo.

O AMAlentejo, que conta com adesões de mais de 80 instituições e cerca de 300 personalidades, foi criado em abril de 2015 com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento económico e social do Alentejo, desenvolver ações conducentes à regionalização e apoiar, valorizar e defender o poder local.

Para Castelo de Vide, no distrito de Portalegre, está agendado o próximo congresso do movimento, nos dias 30 de junho e 01 de julho. In “Sapo 24” – Portugal

Sobre o tema “Aeroporto de Beja” poderá ler o artigo: Aeroportos

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Portugal – O aeroporto internacional de Beja faz hoje quatro anos

O antigo presidente da Câmara Municipal de Serpa e actual líder da autarquia de Beja, João Rocha, referindo-se ao aeroporto internacional de Beja afirmou: "O processo de desenvolvimento do aeroporto está aquém das expectativas, não só da autarquia, mas também das instituições representativas da comunidade local".

Foto: Hugo Rainho
Entre os constrangimentos que considera estarem a afetar o desenvolvimento do aeroporto, o presidente da autarquia capital do Baixo Alentejo, salienta “a falta de interesse efetivo manifestado pela entidade gestora” a ANA - Aeroportos de Portugal. Refira-se que já foi chamada a atenção por passageiros estrangeiros utilizadores da aviação executiva, para o elevado custo da utilização do aeroporto de Beja, não tornando viável qualquer uso pelas companhias aéreas de voos regulares.

A ANA – Aeroportos de Portugal, uma antiga empresa pública, na altura da privatização foi adquirida pela Vinci, uma empresa francesa, em Dezembro de 2012, que investiu para ganhar dinheiro, aliás muito dinheiro, com os aumentos sucessivos das taxas aeroportuárias que tem praticado nos principais aeroportos portugueses. Enquanto os aumentos no aeroporto de Lisboa são motivados pelo aumento do tráfego aéreo, em Beja acontece o contrário.

Na realidade a Vinci não está apenas para ganhar dinheiro, aliás muito dinheiro, está também para defender os interesses franceses na Europa e para tal é necessário “matar pela raiz” o aeroporto internacional de Beja que começou a operar há precisamente quatro anos, a 13 de abril de 2011.

Para a França, o aeroporto internacional de Beja representa dois factores concorrenciais, o primeiro no sector do transporte de passageiros, pois o aeroporto tem a capacidade para se tornar numa nova centralidade turística, para uma área que abrange cerca de 1/3 do território continental português, desviando para Portugal turistas que apreciem a paisagem, a história, a gastronomia, a caça, o artesanato, a cultura, as actividades radicais, a praia, o desporto. Recorde-se que esta região, a do Alentejo, gere apenas 3% das receitas nacionais de turismo. O segundo, no sector de transportes de mercadorias, com a sua proximidade ao porto de águas profundas de Sines, uma porta de entrada e saída para os portos dos continentes americano, africano, asiático, permitindo um ganho substancial de tempo, para as mercadorias que passam pelo canal do Panamá e que passarão no futuro canal da Nicarágua.

Perante a gestão inútil da ANA – Aeroportos de Portugal, caberá ao futuro governo de Portugal saído da próxima eleição a realizar neste ano de 2015, reverter para o Estado português esta infraestrutura e colocá-la ao serviço de Portugal e dos portugueses.

Já no passado fizemos referência ao aeroporto internacional de Beja, para ler o que então escrevemos, aceda ao texto Aeroportos. Baía da Lusofonia

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Mercadorias


            Ter a oportunidade de escrever artigos de opinião num jornal nacional só é privilégio de alguns, sejam eles jornalistas, comentadores, técnicos. Escreve-se por determinadas razões, sempre com um fim de cumprir um objectivo e quando o jornal é mais regional que nacional, encontramos artigos de opinião, que aparentam querer elucidar os leitores, mas no fundo estão apenas a defender algumas “capelinhas”.

            Esta minha introdução tem por base um artigo de opinião ontem publicado num jornal de grande tiragem que após uma prosa com um fim determinado, acaba dizendo e eu passo a citar: “Por fim: esta solução do Governo de fazer o Poceirão-Caia (com ligação a Sines) é mistificadora. Estamos a criar um eixo de transporte de mercadorias para supostos grandes barcos, carregados de mercadorias do Oriente, que vêm descarregar a Sines. Há nisto um grande valor acrescentado para Portugal? Estamos a apostar tudo na hipótese Sines, sem confirmação garantida, enquanto já existe, hoje, esta realidade: a indústria portuguesa não está no Alentejo. Está entre Setúbal e Viana dos Castelo. Porquê mercadorias a atravessar o Alentejo? Nada disso: o Governo mantém a construção de parte da linha Lisboa-Madrid. Para já, supostas mercadorias. Depois de construída, um dia, alguém a usará também para passageiros. O 'TGV'.”

            O interessante é que no mesmo dia em que o articulista escreveu o artigo a Administração do Porto de Sines vem anunciar: “Em Janeiro de 2013 o Porto de Sines estabeleceu um novo máximo histórico mensal na movimentação de carga contentorizada, com um total de 66.359 TEU, representando um crescimento de 38% face ao mês homólogo de 2012. Comparativamente, a movimentação de contentores nas cargas cresceu 40% e nas descargas cresceu 35%, o que representa um aumento mais significativo nas exportações.”

            Antes de continuar este meu texto, deixo ficar uma pergunta: De que vivem os holandeses, sem ser a produção de flores?

            Vasco da Gama nasceu em Sines e daí percorreu um longo caminho que começou a 08 de Julho de 1497 através do Atlântico, Índico, até alcançar as portas do Pacífico. Tudo isto foi possível porque Sines ficava no centro do mundo e não havia na época o canal do Panamá. Sines vai ser a porta da Europa para a África, América e a Ásia, com a vantagem deste último mercado passar a ter um trajecto limpo de pirataria.

            É evidente que o Alentejo não tem indústrias, mas tem uma planície que permite escoar rapidamente mercadorias de e para a Europa, ganhando dois dias num produto, por exemplo, com destino a Madrid e muito mais, se conseguir chegar por exemplo a Lyon ou Berlim. Para tal necessita de uma linha ferroviária de Velocidade Alta, a única que permite o transporte de mercadorias e de passageiros e que haja a inteligência “quanto baste” para fazer passar a linha ferroviária de maneira a poder servir o aeroporto de Beja, para que este eixo Sines – Beja, seja também um núcleo de transporte de produtos perecíveis entre a América e a Europa.

            O autor do artigo de opinião, conforme citei em cima pergunta: “Há nisto um grande valor acrescentado para Portugal?”. E eu respondo-lhe: não faz a ideia de quanto! É pena que entretanto já tenham passado tantos anos e não se tenham feito investimentos em áreas que dão retorno financeiro. Baía da Lusofonia

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Aeroportos


Antes de desenvolver este texto tenho que declarar que sou a favor do aeroporto de Beja, não sou alentejano e a minha família já tem mais de dois séculos de Lisboa, tanto quanto a independência dos Estados Unidos da América, por isso já me posso considerar lisboeta.


Quando era jovem, início da década sessenta do século passado, costumava nos meus passeios por Lisboa na companhia da minha tia-avó, pessoa muito culta que gostava de passear com os sobrinhos, visitar o aeroporto da Portela. Pagávamos vinte e cinco tostões e sentávamos na esplanada da varanda do aeroporto, onde mais tarde lanchávamos e o dinheiro pago era descontado na despesa. Chegámos, em alguns dias, estar lá três, quatro horas, para ver aterrar ou levantar um avião e nada, não havia naquele dia movimento de aviões. Ao que me consta, felizmente, a ninguém passou pela cabeça, encerrar o aeroporto por falta de tráfego.

Os alemães, no pós segunda guerra, pediram autorização para construir um aeroporto na retaguarda para treino dos seus elementos da força aérea e construíram o aeroporto em Beja para preparação militar. Com as alterações na Europa no início da década noventa, consideraram não ser necessário esta infraestrura e entregaram ao Estado português as instalações.


Os decisores políticos perante esta realidade, decidiram transformar o aeroporto militar em civil e o Primeiro-ministro Durão Barroso numa deslocação ao Alentejo a acompanhar o Presidente da República Jorge Sampaio, afirmava que o custo da obra era de aproximadamente um milhão de contos, cinco milhões de euros e o aeroporto estaria a funcionar num prazo de um ano.

O tempo passou, o custo aumentou, os números oficiais apontaram para os trinta e três milhões de euros, valor que a comparar com o que contabilizou em 2007, o coordenador da equipa responsável da CIP, José Manuel Viegas, pelo estudo do aeroporto de Alcochete, que indicou um total de dois mil milhões de euros, sem acessibilidades e três mil milhões de euros para o aeroporto da Ota, também sem acessos, diríamos que o aeroporto de Beja custou o equivalente a um cêntimo por um almoço no restaurante mais caro de Lisboa.


O problema do aeroporto de Beja não está nele em si, mas nos políticos desta terra, Portugal, dos interesses instalados, que passam pela compra e venda de propriedades nos locais onde se pensam instalar aeroportos de raiz, na construção civil, na intoxicação da comunicação social, enfim, em tudo aquilo que não ajuda a fortalecer um país como o nosso.


As vozes que são contra o aeroporto de Beja são as mesmas que noutros tempos afirmavam que a barragem do Alqueva nunca teria água (ler artigo “Alqueva” do passado dia 19 de Janeiro) e que o porto de Sines não tinha futuro (ler artigo “Sines”, subtítulo “O Brasil e o Porto de Sines” com data de 28 de Setembro de autoria do brasileiro Milton Lourenço)
.

Esperemos que a confusão instalada nos últimos dias com a linha férrea, pois não há TGV com mercadorias, seja ultrapassada e quem planeia se lembre que qualquer linha férrea que se construa de Sines para a Europa, passe obrigatoriamente pelo aeroporto de Beja. Baía da Lusofonia
Ligação aos textos:
Alqueva              

sábado, 19 de janeiro de 2013

Alqueva




           Nos últimos meses, ao contrário do ano passado, tem chovido com alguma intensidade o que leva a população mais interessada pelos temas da água a acompanhar a informação fornecida pelo SNIRH, Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos.

           Dos valores apresentados para o país, realça a albufeira do Alqueva no rio Guadiana, que no passado mês de Dezembro de 2012 apresentava uma capacidade de armazenamento de 86,5%, o equivalente a 3590,6 hectómetros cúbicos de água, estando o nível na cota 149,26 muito próximo da cota máxima de 152 metros.

         A albufeira do Alqueva é o maior lago artificial da Europa, com uma capacidade total de armazenamento de 4150 hectómetros cúbicos de água, numa área inundável de 250 km2 e que perfaz uma linha de margem de cerca de 1100 km. A sua construção teve como objectivo criar uma reserva estratégica de água, que suprisse as necessidades nas valências de regadio, abastecimento público e industrial e produção de energia para um período de seca de pelo menos três anos.

       A construção da barragem não foi pacífica e a sua concretização, por interesses políticos, levou algumas décadas até à data de 08 de Fevereiro de 2002, quando começou o enchimento da barragem. Os motivos para o atraso da obra eram sempre os mesmos, que o caudal do Guadiana, devido às barragens existentes no país vizinho a Espanha, não era suficiente para uma barragem daquela envergadura. Esqueciam-se os inteligentes políticos da nossa praça, que continuam a vaguear por aí, que quando chovesse, a água que caísse em Portugal, era mais que suficiente para aquela barragem.

          Felizmente que nem tudo correu mal e o projecto inicial que não previa a produção de energia foi substituído por um outro em que esta possibilidade já estava contemplada. Não foi com surpresa que no dia 12 de Janeiro de 2010, pela primeira vez, a barragem do Alqueva chegou à capacidade máxima de armazenamento.

          O interessante é que algumas pessoas defensoras da não construção da barragem do Alqueva, hoje são adeptos desta excelente albufeira para aproveitamento turístico, principalmente com a construção de campos de golfe (no plural), uma actividade que começa a estar saturada de infra-estruturas em Portugal e também por outras regiões do globo.

         Mas efectivamente a albufeira do Alqueva e toda a região envolvente, tem condições óptimas para a prática do turismo, seja ele histórico, cultural, ambiental, gastronómico, recreativo ou desportivo, para isso é necessário haver ideias, que aproveitem todas as capacidades do território, ainda com a vantagem do aeroporto de Beja ali tão perto. E o provérbio diz: “Dá Deus nozes a quem não tem dentes”…Baía da Lusofonia