Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 27 de junho de 2025

Moçambique - Sector editorial: uma leitura ao relatório da UNESCO sobre a indústria editorial africana

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO – divulgou na quarta-feira, 18 de Junho, uma publicação intitulada “A indústria editorial africana: tendências, desafios e oportunidades de crescimento”.


Um documento que se mostra importante para percebermos como vai a vida literária nos 54 países do continente. Uma leitura genérica ao documento e a olhar para Moçambique, faz soar o alerta sobre o que está por ser feito e sobre o estranho” rumo que a produção de livros que o meu país tomou”.

A começar, o relatório fala da indústria editorial no seu todo, do livro escolar à ficção, leis e políticas culturais para a área do livro, iniciativas de promoção e estímulo ao mercado editorial. A informação foi obtida a partir de fontes governamentais do sector, organizações e através de entrevistas aos que estão envolvidos na indústria. Em Moçambique, não podemos deixar de assinalar a busca de informação que se fez na plataforma cultural independente Catalogus, que tem se dedicado a divulgação de conteúdos sobre eventos e iniciativas literárias em Moçambique.

Segundo os dados recolhidos pela UNESCO em 2023 Moçambique contava com 61 editoras registadas, com 300 títulos publicados, 14 livrarias em funcionamento, 37 bibliotecas públicas e 1600 empregos gerados pelo sector editorial. Segundo a publicação, há uma livraria por cerca de 900 mil habitantes, numa população total de cerca de 33 milhões.

O relatório alerta para a ausência de políticas públicas que estimulem o crescimento da indústria editorial. No caso de Moçambique, menciona a Política Cultural e a sua Estratégia de Implementação aprovada em 1997, que estabelece os procedimentos básicos para a produção e comercialização de livros em Moçambique. Este instrumento apela à comercialização de livros a preços reduzidos, a fim de permitir um leque mais alargado de leitores e estimular o interesse pela leitura e pela literatura.

Refere-se igualmente à Lei do Mecenato, de 1999 que estabelece os princípios básicos que permitem às pessoas singulares ou coletivas, públicas ou privadas, desenvolver atividades ou apoiar financeira e materialmente atividades no domínio das artes, da literatura, da ciência, da cultura e da ação social.

Importa referir que estes instrumentos, a Política Cultural, a Lei do Mecenato e ainda a Política Nacional do Livro, esta última aprovada em 2011, não surtem o devido efeito para contribuir para mudança do cenário cultural moçambicano, pois, pese embora a idade da sua aprovação, não estão regulamentos, por forma que o seu peso se consubstancie na prática.

Adicionalmente, os dois primeiros instrumentos genéricos, referem-se ao sector cultural no seu todo, ignorando as especificidades que o sector do livro tem. O mais próximo que se tem de específico para o livro é a Lei n.º 32/2007 (de 2007) que isenta o pagamento de imposto sobre o valor acrescentado (IVA) à importação e exportação de livros. Na verdade, tem sido muito devido a essa lei que se tem observado a uma dinâmica acelerada de edição e publicação de livros em Moçambique, incluindo o surgimento e sobrevivência de pequenas editoras, que têm sido responsáveis por trazer ao mercado grande parte de obras que hoje circulam no país. É que os custos de impressão de livros em Moçambique são demasiado elevados e levaria a que o “apelo” feito pelo governo através da política cultural de 1997, não fosse tido em conta. Outra verdade é que sequer ocorre às editoras essa lei, já que ela não é seguida de acções concretas que influenciem maior produtividade e baixo custo, seja na produção e também na venda.

Resumindo, sai mais barato imprimir fora do que dentro e é ainda possível imprimir pequenas quantidades, com qualidade gráfica e rapidez. E os dados não enganam.

A pesquisa da UNESCO que provoca esta reflexão indica que em 2023, o valor total das importações no sector editorial, abrangendo livros impressos, brochuras, folhetos e materiais impressos semelhantes, atingiu aproximadamente US$ 31 milhões, dinheiro canalizado para as gráficas de África do Sul, Índia, Portugal, seguidos pela China e Hong Kong.

Se aos escritores, poetas e editores a preocupação centra-se nas questões relativos à publicação e venda de livros, aos leitores o custo e a qualidade, há actores que podem ver nisto outro um sinal de alerta, como fazer com que tanto dinheiro que provém da produção de livros seja canalizado à indústria gráfica nacional?

Outro dado que não deixa de ser intrigante é o facto de o financiamento para a edição de livros, segundo o relatório, vir apenas do Fundo Nacional de Investigação (FNI), com um orçamento estimado em dois milhões de meticais. Ou seja, esses recursos vão para obras científicas. A ficção essa muitas vezes fica por ser patrocinada por empresas, sendo de destacar, a banca. Do Estado, distante está o tempo do Fundo para o Desenvolvimento Artístico e Cultural a quem se deve a publicação de vários autores que são referência na literatura moçambicana. Mas hoje pouco se sabe sobre o papel desta instituição, se tem dinheiro e a quem se destina esse dinheiro. Aliás, o relatório sequer menciona o FUNDAC quando se refere ao dinheiro que financia a actividade editorial.

Podemos ir mais longe, a partir do momento que foi extinto o Instituto Nacional do Livro e do Disco (INLD) deixou de haver uma instituição pública dedicada exclusivamente ao livro, pois as atribuições do Instituto Nacional das Indústrias Culturais (INICC) são generalistas. Por um lado, a tutela ao livro escolar está com o Ministério da Educação (que tem de lidar sempre com as indefinições identitárias, de Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano à altura do relatório, 2023, para Ministério da Educação e Cultura, em 2025), os livros doutras categorias, nomeadamente a ficção, estão incluídos num pacote que se resume só ao registo pela instituição tutelada pelo Ministério da Cultura (outra instituição que varia de tempos em tempos, de Ministério da Cultura e Turismo, em 2023, para Ministério da Educação e Cultura em 2025), através do INICC. Esta instituição pelas suas atribuições e competências, devia ser o braço público que atribui recursos para impulsionar o sector editorial, incluindo o financiamento, como aliás faz com o cinema. O INICC devia ser mais actuante nas propostas de leis de incentivo, bem como captação de recursos para iniciativas de promoção e divulgação da literatura nacional, que neste momento, a acontecer, é de visibilidade nula, até para os que actuam activamente no sector.

Seguindo ainda a linha de instituições que poderiam ser relevantes no sector editorial, está uma AEMO (Associação dos Escritores Moçambicanos) que embora seja mencionada como promotora de eventos (debates, prémios, etc), quanto à advocacia ou mesmo iniciativas para a melhoria do campo de produção literária não se faz sentir. Mais concretamente, a “pressão” junto do Governo para que a Política Nacional do Livro e outras leis, sejam implementados, a busca de recursos e meios para financiar a actividade literária, seja na componente de escrita ou na publicação, são alguns exemplos. Tudo isto é sobre o trabalho do escritor, que pela sua natureza seria membro da AEMO.

No meio disto tudo, é de notar o trabalho que grupos e instituições independentes tem desenvolvido e que dinamizam a indústria editorial no país. O relatório, no capítulo dedicado as instituições, menciona a Fundação Fernando Leite Couto, a Associação Moçambicana de Autores (SOMAS), a Federação Moçambicana das Indústrias Culturais e Criativas e a Associação Moçambicana de Médicos, Escritores e Artistas, como organizações que promovem o livro e protegem os direitos do autor.

Mas maior mérito do cenário dinâmico, ainda que pouco sustentável, que o país vive, está para as pequenas editoras que não sendo capaz de mencionar todas, facilmente se destacam, Fundza, Ethale Publishing, Trinta Zero Nove, Gala-Gala Edições, Kulera, a editora da Fundação Fernando Leite Couto (que promove um prémio literário para novos autores), a Associação Kulemba (que promove feiras de livros e dois prémios literários importantes, um para livros infanto-juvenis e outro para os melhores livros do ano), a Xitende (que promove festivais literários), a Fundação Carlos Morgado (que através de um prémio literário publica novos autores) e a Catalogus, que além de plataforma de informação, também edita.

Escusado será afirmar o papel importante da Alcance Editores que publica grandes nomes da literatura moçambicana e outras entidades que, não sendo moçambicanas têm contribuído para a literatura nacional, a Escola Portuguesa (com vários títulos de infanto-juvenis) e o Camões – Centro Cultural Português em Maputo (com residências literárias para escritores moçambicanos).

Após a leitura deste relatório fica patente o desafio que os actores do sector livreiros estão sujeitos em Moçambique, o mesmo país que nos anos 80 publicava livros com tiragens acima de 3000 exemplares (actualmente a média é de 500) e, passados mais de 40 anos, num contexto aparentemente favorável, o Estado demitiu-se das suas funções, citando o escritor Rogério Manjate, qual “Coelho que fugiu da história”. Eduardo Quive – Moçambique in “O País”


Japão - Pavilhão de Moçambique na Expo Osaka atinge um milhão de visitas

O Pavilhão de Moçambique na Expo Osaka 2025 na cidade de Osaka, no Japão, atingiu o marco de um milhão de visitantes desde a sua abertura a 13 de Abril.


Quando Yoshimi Shibayama, natural de Quioto, Japão, foi visitar a exposição moçambicana, tal como as mais de 2 mil pessoas diárias, não esperava sair com o título de visitante número um milhão.

“Quando decidi vir à Expo hoje, não sabia que iria visitar o Pavilhão de Moçambique mas fiquei curiosa e decidi entrar. Estou satisfeita por ser uma visitante especial. Estou surpreendida”, disse Yoshimi Shibayama, uma das visitantes.

Yoshimi recebeu um prémio simbólico pelo marco. Para os organizadores, receber um milhão de visitas em dois meses mostra que o Pavilhão eleva a responsabilidade de toda a sua equipa na promoção da imagem do País.

Moçambique expõe iniciativas tecnológicas e espera atingir até ao fim da Expo, 3 milhões de visitantes. In “O País” - Moçambique


quinta-feira, 26 de junho de 2025

Macau - Fundação Rui Cunha apresenta romance histórico “Demónios Portugueses”

O autor Vítor Carmona regressou a Macau para a apresentação do segundo volume da saga “A Guerra dos Pirenéus”, focada num tema frequentemente descurado pelos historiadores: a participação portuguesa na Campanha do Rossilhão, em conjunto com as forças espanholas, na França do século XVIII. É ancorado neste contexto histórico que surge “Demónios Portugueses – Catalunha 1794”, romance que combina elementos factuais e ficcionais para criar uma história sobre paixão, vingança e a tenacidade dos portugueses


A Fundação Rui Cunha recebeu a apresentação do livro “Demónios Portugueses – Catalunha 1794”, que teve a presença do autor Vítor Carmona. Este é o segundo volume da saga “A Guerra dos Pirenéus”, que sucede assim ao romance histórico “A Campanha – Rossilhão 1793”. A sessão teve entrada livre e foi realizada em língua portuguesa.

Diz a Fundação Rui Cunha, em comunicado, que a trilogia incide sobre “o tema inédito da ficção nacional, pouco estudado pelos historiadores, da participação dos portugueses nas campanhas militares europeias da França revolucionária de finais do século XVIII”. A terceira (e última) contribuição para a história ainda não tem nome ou data de lançamento.

Se o primeiro livro abordava a participação de soldados portugueses e espanhóis na Campanha do Rossilhão, conflito em que os países ibéricos se uniram ao Reino Unido na oposição à França, a segunda obra aprofunda a exploração das fracturas internas no alto comando português e do Inverno desolador nos Pirenéus Orientais.

A sinopse começa por referir que os portugueses do Exército Auxiliar à Coroa Espanhola têm “por companhia a fome, o frio e a doença”, não podendo sequer recorrer aos hospitais “sobrelotados com centenas de soldados doentes e malnutridos”. Entre as condições deploráveis e as tensões crescentes no seio dos regimentos, “as ordens são para aguentar, a todo o custo, a frágil e permeável linha de defesa, no flanco esquerdo do exército aliado, contra as incursões constantes dos temíveis ‘miquelets’, as tropas irregulares francesas”.

O enredo esbate as linhas entre ficção e realidade, amparando-se em factos históricos para, à margem do campo de batalha, montar uma trama de rivalidades, paixão e vingança entre personagens bem delineadas e multidimensionais, como os capitães Diogo Saraiva e António de Monte Cruz ou a baronesa Isabel Borges. Enquanto os protagonistas superam as suas próprias guerras pessoais, “os franceses procuram aniquilar o exército luso-espanhol”, em que “apenas os demónios portugueses (como lhes chamam os franceses) parecem ter a coragem e a determinação para os enfrentar”.

Vítor Carmona nasceu em 1973, em Lisboa, onde se licenciou em Relações Internacionais. A sua paixão por História – especificamente, pelo período que vai da Revolução Francesa à epopeia napoleónica – motivou-o a fundar a Sociedade Napoleónica Portuguesa há dez anos, um espaço de divulgação e discussão da carreia militar e das batalhas travadas por Napoleão Bonaparte, uma das personagens mais relevantes da história mundial.

“Demónios Portugueses – Catalunha 1794” foi lançado em Outubro de 2024 pela editora Saída de Emergência, no mesmo ano em que o autor apresentou o primeiro volume da saga – originalmente publicado em 2023 – na Galeria da Fundação Rui Cunha. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


Portugal - Universidade de Coimbra promove seminário sobre eficiência energética nas PMEs

O Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) vai realizar, no próximo dia 1 de julho, o seminário “Eficiência Energética nas PMEs – E se contarmos os benefícios não energéticos?”. A iniciativa decorre entre as 14h00 e as 18h00, na sede da Ordem dos Engenheiros da Região Centro.


Num contexto de transição energética acelerada e crescente pressão para a descarbonização, a indústria enfrenta enormes desafios (pressão para reduzir emissões, custos energéticos elevados, requisitos regulamentares, etc.), mas também está perante oportunidades ímpares que lhe permitem conciliar competitividade e sustentabilidade.

Este encontro pretende promover o intercâmbio de conhecimento, partilha de ferramentas e auscultação das partes interessadas em prol da integração de tecnologias energeticamente eficientes e inteligentes na indústria. Pretende, também, apresentar a ferramenta desenvolvida pelo projeto KNOWnNEBs, que permite a integração da avaliação dos benefícios não energéticos na análise dos investimentos em eficiência energética, respeitando as normas existentes.

No seminário serão abordadas temáticas como “Regulamentação e desafios na implementação de projetos de eficiência energética”, “Estudo de caso e modelos de financiamento” e “Mesa Redonda: Modelos de financiamento e outros incentivos para reforçar as políticas energéticas em Portugal”.

O KNOWnNEBs é um projeto Life, cofinanciado pela União Europeia, que visa acelerar a adoção de medidas de eficiência energética (EE), aumentando assim os investimentos em EE e ações sustentáveis, centrando-se na principal ferramenta de identificação e avaliação de barreiras à eficiência energética, a auditoria energética. Nesse contexto, o consórcio pretende melhorar as práticas atuais, quantificando o valor dos Benefícios não Energéticos (NEBs) e integrando-o nos cálculos da avaliação de medidas de eficiência energética.

Os interessados em participar no seminário devem inscrever-se aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


Guerra Israel, EUA, Irão: Informação e Contra-Informação

Afinal quem ganhou a Guerra dos 12 Dias, desencadeada por Israel contra o Irão? Não são todas as mídias que se arriscam a fazer o balanço e proclamar o vencedor, mesmo porque o suposto perdedor, o Irão, comemorou com manifestação popular o cessar-fogo entre os dois países como uma vitória. Por sua vez, o Líder Supremo iraniano Ali Khamenei, numa declaração televisiva, se vangloriou dessa vitória, negando ter havido destruição no Irão, que deu um tapa na cara dos EUA. O comentarista do Uol Josias de Souza considerou essa declaração uma mostra da senilidade do chefe religioso iraniano.Entretanto, essa versão de um Irão vitorioso é também defendida pelo professor da Fundação Getúlio Vargas, Salem Nasser, no seu canal Youtube, e pelo analista político do Canal Ópera Mundi, Breno Altman, contraditada por comentaristas de jornais e televisões de diversos países ocidentais. 

Onde estão a Informação e a Contra-Informação, sabendo-se que, em tempos de guerra, a verdade é a primeira vítima?

Vamos começar pela Rádio Canadá, órgão estatal de comunicação, vizinha dos Estados Unidos, cuja participação nos bombardeios dos centros nucleares iranianos permitiu a suspensão da guerra.

A Rádio canadense cita o discurso do dirigente israelense, no qual Benjamin Netanyahou proclamou a vitória de Israel contra o Irão por ter "destruído a indústria de fabricação de mísseis", afirmando recomeçar a guerra se ocorrer qualquer "tentativa do Irão retomar suas ambições nucleares", comemorando terem sido liquidadas as capacidades nucleares iranianas.

Disse também "ter dado um golpe decisivo contra o regime iraniano", o mais severo desde sua implantação no Irão. Esse ataque incluiu a eliminação de diversos dirigentes dos Guardiães da Revolução e de uma dezena dos principais cientistas do programa nuclear iraniano, mais a destruição de instalações militares e a danificação de centrais nucleares. Netanyahu também citou os ataques aos radares e à defesa aérea iraniana.

Israel contou também com o apoio de agentes secretos recrutados dentro do Irão, facilitando a eliminação de importantes dirigentes do governo iraniano.

A razão da intervenção israelense no Irão, qualificada de preventiva, seria uma próxima ameaça nuclear iraniana com o objetivo de destruir Israel.

Os objetivos de Israel eram três: derrubar o governo do aiatolá e molás iranianos, destruir o programa nuclear e liquidar o arsenal balístico.

Embora tenha havido uma eliminação de generais dirigentes do regime, ela não foi suficiente para derrubar o regime. Não houve também uma revolta popular derrubando o regime, pois os ataques reavivaram sentimentos nacionalistas na população e os apelos do filho do Xá Reza Pahlevi não tiveram eco. E existem dúvidas quanto ao sucesso dos ataques às centrais nucleares de Natanz, Ispahan, Arak e Fordo.

Embora o presidente Trump tenha assegurado, no encontro da OTAN em Haia, ter liquidado o programa nuclear iraniano, existem as informações de terem sido transferidos 400 quilos de urânio enriquecido e centrífugas para outros subterrâneos mais seguros, antes dos bombardeios israelenses e norte-americanos.

Por sua vez, a CNN informou, com base em informações militares, refutadas por Trump, não terem sido totalmente destruídas as instalações nucleares iranianas mas apenas danificadas, podendo ser reparadas em um máximo de seis meses.

De acordo com o responsável pela Organização da Energia Nuclear Iraniana, existe uma outra central de enriquecimento de urânio num lugar secreto, possibilitando continuar com o programa nuclear.

Restam os mísseis iranianos de diferentes tipos, disparados numa média de 40 por dia contra Israel, num total de 500, durante os 12 dias de guerra, causadores de sérios danos em Haifa e Tel Aviv. Ironia da guerra - o último míssil disparado pelo Irão matou a quase totalidade de uma família palestina vivendo em Haifa.

Patrick Sauce, chefe do Serviço Internacional de BFMTV, em Paris, diz ter sido Netanyahu o vencedor dessa guerra, mesmo se não conseguiu derrubar o regime. Entretanto, o regime saiu enfraquecido e começou uma grande repressão no Irão, onde o enforcamento de três suspeitos de espionagem foi o ponto de partida.

Gaidz Minassian, jornalista do Le Monde, se indaga o que se pode saber de credível numa situação de guerra, mas afirma terem sido afetados o programa nuclear e a situação política no Irão, embora não se possa falar em vitória israelense, mesmo porque um cessar-fogo não significa o fim da guerra que pode recomeçar a qualquer momento.

Prefere falar em resultados positivos e operação bem sucedida. Em síntese, mudou agora a maneira de como se tratará a questão: o Irão não poderá mais fingir obedecer o controle nuclear e continuar a fabricar suas bombas nucleares.

A visão do prof. Salem Nasser é totalmente contrária a essas análises, afirmando mesmo no seu vídeo no Youtube, que o cessar fogo teria sido uma iniciativa de Israel "que não aguentava mais os ataques iranianos por estarem causando muito prejuízo aos israelenses, com muita gente querendo sair e a economia muito afetada... com os riscos de uma guerra prolongada que seria muito mais prejudicial a Israel que ao Irão".

Verdade ou isso é contestável? Nessa mesma linha, o Irão teria mostrado uma força e resistência não esperada pelos EUA e Israel, enquanto as informações da Agência Internacional de Energia Atômica foram colocadas em dúvida com um recuo do seu diretor-geral sobre o programa iraniano. Por isso, afirma o professor, se houver novas tentativas de negociações sobre o programa nuclear, o Irão terá uma posição mais firme com a Agência Internacional e com os EUA.

O que não será fácil, pois segundo a imprensa internacional não simpatizante com o chamado regime teocrático repressivo dos molás e do aiatolá Khamenei, o Irão saiu fragilizado dessa Guerra dos 12 Dias.

Por uma feliz coincidência, durante a guerra contra o Irão, havia em Paris o 12.º Festival do Cinema Iraniano com 18 filmes. O cinema iraniano tem revelado, nos festivais internacionais, a repressão do regime iraniano aos seus cineastas, ganhadores de prêmios em Berlim, Cannes, Veneza e Locarno. Por isso, ao divulgar o festival, a Rádio Franc fala em "grito de resistência" representado pelo cinema iraniano.

De acordo com a iraniana Nahal Khaknegar, programadora do festival, o jovem cinema iraniano confirma seu papel de resistência, depois do movimento Mulheres, Vida e Liberdade. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro Sujo da Corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A Rebelião Romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

Timor-Leste acolhe 4.ª Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas em Díli

De 27 a 29 de junho de 2025, Timor-Leste vai acolher a 4.ª edição da Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas (APCC), no Centro Convenções de Díli, na capital, Díli. Este importante evento cultural regional celebra o legado duradouro da herança portuguesa em toda a Ásia.



A conferência bienal, com duração de três dias, é organizada pelo IX Governo Constitucional de Timor-Leste, em parceria com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O tema da 4.ª Conferência da APCC em 2025 é “Unidos na Diversidade: Desafios e Oportunidades de um Legado Secular”.

O Primeiro-Ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, dará as boas-vindas a Timor-Leste aos grupos que representam a Comunidade Portuguesa de Malaca (Malásia), os Burghers Portugueses de Batticaloa (Sri Lanka), os Bayingyis do Vale Mu (Mianmar), as Paróquias de Conceição, Sta. Cruz e Nossa Senhora do Rosário (Tailândia), Macau (China), Goa (Índia), os Tugu Mardijkers de Jacarta e os Larantuqueiros/Topasses da ilha das Flores (Indonésia). Esta conferência reunirá também académicos, investigadores, líderes culturais, artistas e dignitários do mundo lusófono para partilhar os resultados dos seus estudos e diversas experiências.

A APCC foi originalmente fundada em Malaca, na Malásia, em 2016, com o objetivo de reunir comunidades que mantêm a sua herança portuguesa e laços culturais em toda a região asiática. Timor-Leste foi representado pelo então Ministro do Planeamento e Investimento Estratégico, Xanana Gusmão, que participou como convidado de honra e aproveitou a oportunidade para desafiar os organizadores a considerarem a possibilidade de acolher uma futura edição do APCC em Díli.

O programa de três dias da 4.ª Conferência APCC inclui palestras, mesas redondas, exposições culturais, apresentações académicas e apresentações culinárias e culturais.

Um marco importante da conferência será a assinatura da Declaração de Dili, que formaliza a criação da Associação das Comunidades Portuguesas da Ásia (APCA), uma nova plataforma regional dedicada à cooperação cultural, preservação do património e partilha de conhecimento.

Este importante encontro de diversos grupos com uma história comum reafirma o compromisso de Timor-Leste, enquanto único país de língua portuguesa na Ásia, em preservar as ligações a um património cultural que pode fortalecer os laços entre as nações asiáticas e as nações de língua portuguesa.

A primeira Conferência da APCC, realizada em Malaca em 2016, teve como objetivo estreitar laços, promover a língua e a cultura portuguesas e incentivar a colaboração duradoura entre as comunidades de ascendência portuguesa na Ásia. Este evento marcante reuniu delegados de países como a Austrália, a China e Timor-Leste.

O programa completo da 4.ª Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas (APCC) pode ser consultado aqui. Governo de Timor-Leste


quarta-feira, 25 de junho de 2025

Macau - Colóquio da Universidade Politécnica de Macau abordou educação sino-lusófona

A Universidade Politécnica de Macau organizou a palestra “Conversas com Personalidades Sino-Lusófonas”, na qual participou o professor Carlos Ascenso André como orador principal. O docente realçou “o grande potencial de Macau como plataforma de intercâmbio”


A Faculdade de Línguas e Tradução e o Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa da Universidade Politécnica de Macau (UPM) co-organizaram a 5ª palestra das “Conversas com Personalidades Sino-Lusófonas”, no âmbito do tema “Universidade e Cultura em Contexto Multicultural: China e Lusofonia, Mas Não Só”. O colóquio abordou “as interacções e referências entre a China e Portugal” e proporcionou “novas ideias” à promoção da cooperação académica sino-lusófona, de acordo com um comunicado.

O professor coordenador honorário da UPM Carlos Ascenso André foi convidado como orador principal, para falar acerca da “importância do intercâmbio e da integração” entre civilizações, para “o desenvolvimento do ensino superior numa perspectiva global”. Recorrendo a vários exemplos, o também presidente do Conselho Científico da Academia das Ciências de Lisboa apresentou “os valores únicos e caminhos práticos da aprendizagem mútua entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP)”. O docente analisou ainda “as semelhanças culturais entre a China e os PLP” bem como “o grande potencial de Macau como plataforma de intercâmbio multicultural”.

Vários docentes e alunos participaram no evento, discutindo com o convidado sobre temas como “aprendizagem mútua das culturas e o ensino de línguas”. Segundo a UPM, “o ambiente académico acolhedor” contribuiu para alargar a visão internacional dos estudantes e professores da universidade, bem como aprofundar a “compreensão das culturas chinesa e portuguesa”.

Com este evento, a UPM pretendeu “promover a integração profunda entre a cultura e a educação sino-lusófona”, apoiando a construção da “Plataforma Sino-Lusófona” e da “Base de Formação de Quadros Qualificados Bilingues em Chinês e Português” na RAEM. As palestras “Conversas com Personalidades Sino-Lusófonas” visam convidar especialistas e académicos de renome para partilharem “conhecimentos de vanguarda”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau