Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Guiné-Bissau – Eleições presidenciais comprometidas


O Supremo Tribunal de Justiça deveria ter começado a analisar as candidaturas para as eleições presidenciais, mas a greve dos magistrados da Guiné-Bissau impediu o processo e pode vir a comprometer o calendário eleitoral



O Supremo Tribunal de Justiça tem 21 dias, a partir desta quinta-feira, para apreciar as candidaturas às eleições presidenciais de 24 de Novembro. O problema é que o prazo corre riscos de ser perturbado devido à uma greve dos magistrados judiciais e os do Ministério Público.

A greve dos magistrados, que começou esta quinta-feira, decorre até o próximo dia 4 de Outubro. Os magistrados exigem do governo a aplicação do novo estatuto remuneratório e a melhoria de condições de trabalho nos tribunais.

Um porta-voz dos sindicatos dos magistrados judiciais e os do Ministério Público admitiu que a greve poderá comprometer o cumprimento do calendário eleitoral e desta forma colocar em risco a data de 24 de Novembro.

Com a greve, o Supremo Tribunal de Justiça fica sem possibilidade de atestar a validade das 19 candidaturas, 11 suportadas por partidos e oito independentes, conforme manda a lei guineense.

Sem a apreciação o Supremo não poderá dar luz verde aos órgãos eleitorais para o arranque efectivo do processo que vai conduzir a votação no dia 24 de Novembro. In “Rádio França Internacional” - França

Macau - Na semana cultural da China e Países lusófonos o Brasil é o “convidado de honra”

A edição deste ano da Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa integra o festival de cinema brasileiro na China, que passa pela primeira vez por Macau. Além disso, a mostra de teatro realizar-se-á após a semana de 12 a 18 de Outubro: uma estratégia da organização de forma a atrair mais visitantes



A 11ª edição da Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa decorrerá entre 12 e 18 de Outubro, tendo, este ano o Brasil como “convidado de honra”, indicou ontem o secretário-geral adjunto do Secretariado Permanente do Fórum de Macau, Rodrigo Brum, durante a conferência de imprensa de apresentação do evento, acrescentando que nas próximas edições se seguirão outros países.

O festival de cinema brasileiro, que decorrerá simultaneamente noutros pontos da China, integra, desta feita, Macau na sua rota e irá prolongar-se até 9 de Novembro.

A par disso – e à semelhança do ano passado – os focos artísticos são os mesmos: música, dança, artes plásticas, teatro, artesanato e gastronomia. A iniciativa tem um orçamento de cerca de nove milhões de patacas, avançou a coordenadora do Gabinete de Apoio, Teresa Mok, sendo que cobre os custos com os artistas, logística, locais e divulgação do evento.

Destaque para os artistas que viajam de Portugal – a banda “Anaquim”, originária de Coimbra, que em 2018 lançou o seu quarto álbum de originais, a artesã Andreia Marques que trabalha com técnicas ancestrais de tecelagem, bem como o colectivo artístico Primeira Pedra, fundado em 2018.

O campo da música e dança faz-se ainda de nomes vindos de Angola (Lino Cerqueira Fialho), Brasil (DJ Dolores), Cabo Verde (DJODJE), China (Circo de Acrobacias da Província de Hebei), Guiné-Bissau (Josó Manuel, Karina Gomes, Miss Bity e Eric Daro), Moçambique (Grupo RM), São Tomé e Príncipe (LEGUELÁ) e Timor-Leste (Voz of Crocodile).

No que respeita ao teatro, destaque também para o grupo local independente Associação de Representação Teatral Hiu Kok, fundada em 1975. A mostra de teatro será deslocada para a semana seguinte ao evento, ou seja, decorrerá entre 22 e 27 de Outubro no edifício do antigo tribunal. Trata-se de uma estratégia da organização, pois nos anos anteriores a adesão não foi a desejável “tanto pela falta de divulgação como também por ocorrer simultaneamente a outros eventos”, explicou Rodrigo Brum.

“Horizontes deslizantes” e “Outros olhares” são as mostras do brasileiro Rodrigo Braga e do guineense António Ferreira Seguy, mais conhecido por CHIPI, que completam a exposição de artes plásticas na Doca dos Pescadores. Simultaneamente, vinte jovens artistas locais recordam os 20 anos da RAEM “na poesia e amor únicos de pinturas inscritas na pluralidade dos temas, das formas, dos próprios artistas” numa exposição que estará patente na residência Consular de Portugal em Macau.

Como não podia deixar de ser, a gastronomia também faz parte da iniciativa com vários chefes dos países de língua portuguesa e Macau a integrarem a actividade “Sabores do Mundo”. Serão ainda criados grupos de workshop de culinária no Instituto de Formação Turística e na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

Angola - Promove Programa de Privatizações em fórum internacional na África do Sul


A Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola (AIPEX) e a Câmara de Comércio e indústria Angola-África do Sul (CACIAAS) promovem na Cidade de Cabo, um fórum de agro-negócios e ecoturismo Angola - África do Sul. A apresentação do Programa de Privatizações do Governo é um dos pontos altos do programa



O fórum junta empresários dos dois países e acontece no Centro de Convenções internacional da Cidade do Cabo com o objectivo de promover o comércio e o investimento na região da África Austral.

De acordo com uma nota de imprensa da AIPEX, o evento pretende ser uma plataforma de interacção que facilite a promoção de investimentos nas áreas do agro-negócio e do eco-turismo. O encontro será desdobrado em três painéis, designadamente "Produção Agrícola e Pecuária", "Ecoturismo" e "Apoio Financeiro ao Sector Privado".

A apresentação do Programa de Privatizações (PROPRIV) será feito por Ana Paulo Zango, do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE). O encerramento do evento estará a cargo da administradora da AIPEX, Sandra Dias dos Santos. In “Novo Jornal” - Angola

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Fundação Calouste Gulbenkian - PROCULTURA apoio à mobilidade internacional de artistas dos PALOP e Timor-Leste

Atribuição de subsídios de viagem para participação em residências artísticas internacionais nas áreas da música e artes cénicas



Este concurso pretende apoiar a participação de artistas dos PALOP e Timor-Leste em programas de residências artísticas internacionais, na Europa, Brasil ou países vizinhos dos PALOP e Timor Leste, através da atribuição de subsídios de viagem, incentivando a sua circulação internacional.

Financiamento

O montante máximo de subsídio de viagem a atribuir será de 1.500€, por artista.

Elegibilidade

São elegíveis candidaturas de cidadãos nacionais e residentes de um país dos PALOP (Angola, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe) ou de Timor-Leste, para residências artísticas nas áreas da música (criação ou interpretação de música vocal, instrumental ou eletrónica) e artes cénicas (criação ou apresentação em teatro, dança, artes circenses, ópera e performance).

Os candidatos devem, previamente, apresentar candidaturas a instituições de acolhimento de residências artísticas, na Europa, no Brasil, na Austrália ou em países que partilhem fronteiras com os PALOP e Timor-Leste.

O pagamento efetivo da bolsa de viagem ao candidato dependerá de prova de admissão à residência artística.

As residências artísticas devem realizar-se no período máximo de seis meses a partir da data da atribuição da bolsa de viagem.

Após este período, a bolsa caducará caso o candidato não apresente justificação suficiente. Neste caso, a aceitação da justificação será da responsabilidade da Fundação Calouste Gulbenkian, não sendo passível de recurso.

Candidaturas

As candidaturas só podem ser apresentadas em formulário próprio, disponível nesta página (área: Candidatar), bem como o envio de documentação suplementar (currículo do artista, carta de motivação, programa detalhado da residência artística a que se candidata e carta de recomendação);
Faça login para criar uma conta;
Clique no formulário próprio. Será criado o seu processo.

Leia atentamente o regulamento antes de submeter a candidatura.
Mais informações através do e-mail pgpd@gulbenkian.pt.
As candidaturas só são aceites até às 23h59 do dia 31 de outubro de 2019.
Aconselhamos a que não deixe a sua candidatura para os últimos dias do prazo.
Os resultados serão divulgados até final de novembro de 2019.

Moçambique - Pedro Mourana: “A arte não pode ser algemada”



Está patente desde a passada sexta-feira, 20 de Setembro, no Espaço Cultural Moçambique Telecom (Tmcel), localizado no recinto do IFT - Instituto de Formação das Telecomunicações, a exposição intitulada “Eterno Recomeço”, alusiva aos 40 anos de carreira do artista plástico moçambicano Pedro Mourana, ou simplesmente PMourana.

A exposição, que está patente até o próximo dia 20 de Outubro, representa os 40 anos de percurso do PMourana, que diz ter sido de muito aprendizado. Nas obras, os amantes das artes podem encontrar uma diversidade de temas abordados pelo artista, particularmente a mulher e as suas ramificações.

“Falo da mulher mas o homem está lá incluído porque é a mulher que nos traz ao mundo. É uma exposição que fala de temas sociais. Fala da valorização do trabalho do homem, do trabalho que é ignorado e de pessoas que tiveram bons feitos”, explica o artista.

Relativamente ao seu percurso, PMourana diz ter sido feito por períodos difíceis, principalmente na década de 1980, no que diz respeito aos aspectos materiais, bem como à percepção do público e da crítica.

“A arte não pode ser algemada. O público tem que perceber que o artista tem que ter espaço, não pode estar confinado. Ele precisa de estar livre de se expressar da maneira que preferir e que melhor conhece. Foram períodos difíceis, mas fomos crescendo, o País também cresceu. Enfim, cá estamos”, sublinha PMourana, cuja exposição conta com o apoio da Tmcel.



Na cerimónia de inauguração da exposição, o presidente do Conselho de Administração da Tmcel, Mahomed Rafique Jusob, referiu que, ao prestar este apoio, a empresa está a contribuir para a elevação e valorização da cultura, em particular as artes plásticas, na sociedade.

“Não podemos falar da cultura sem falar de uma sociedade, de um povo e da identidade moçambicana. São valores que estão reflectidos na imagem corporativa da Tmcel pois acreditamos no legado que os seus feitos deixam para as gerações vindouras”, considerou Mahomed Rafique Jusob, para quem o sector da cultura constitui uma ferramenta fundamental no processo de desenvolvimento socioeconómico do País.

Por seu turno, o representante do Ministério da Cultura e Turismo, Fernando Fanheiro, afirmou que o Estado está a trabalhar com as associações e núcleos com vista à valorização dos artistas e da cultura.

“Não se sintam abandonados pelo Estado e pelo Governo, há coisas que estão a ser feitas, e muito brevemente colheremos os frutos”, assegurou Fernando Fanheiro, que aproveitou a ocasião para felicitar PMourana pelos 40 anos de carreira e pela exposição. In “Olá Moçambique” - Moçambique

Portugal - Antológica de Miguel Palma revela obra do artista "em sobressalto" no Museu Berardo

Uma exposição antológica da obra de Miguel Palma, com 54 peças que refletem o trabalho de um artista que vive "em sobressalto" com a modernidade, está em exposição no Museu Coleção Berardo, em Lisboa



A mostra intitula-se "Miguel Palma. (Ainda) O Desconforto Moderno", tem curadoria de Miguel von Hafe Pérez, e apresenta uma panorâmica dos últimos trinta anos do trabalho de um artista fascinado pelo mundo das tecnologias, e pelo seu impacto na vida quotidiana e na natureza.

Durante uma visita guiada aos jornalistas, na presença do curador e da diretora artística do museu, Rita Lougares, questionado pela agência Lusa sobre o título da exposição, Miguel Palma justificou: "Eu muitas vezes sinto-me desconfortável, até como artista, e não tem a ver com não gostar, mas com uma inquietação e sobressalto".

"Esse sobressalto é o resultado de uma urgência que eu sempre senti no trabalho, que não é o de fazer por fazer. Tem a ver com uma vigilância. Eu sinto-me sempre não obrigado, mas orientado para essa vontade de construir algo porque é importante, porque tem de ser feito, e muitos dos meus trabalhos passam por essa posição do tudo ou nada", explicou.

Com séculos e séculos de avanço das tecnologias, que continuam a surgir, Miguel Palma continua também a sentir-se "desconfortável", e a criar: "Se o mundo fosse confortável, eu não faria arte", justificou.

A obra de Miguel Palma respira movimento, engenharia, mecânica, e existe através de engenhos, maquetes, aparelhos nascidos do mundo automóvel, da aeronáutica ou navegação.

Para o espaço desta exposição criou especificamente uma nova obra - "A Montanha" (2019) - que teve apoio à produção do Museu Coleção Berardo.

Rita Lougares disse, na visita, que o Museu Berardo pretende investir mais no apoio à produção de obras de arte contemporânea portuguesa, porque "a Coleção Berardo é bastante internacional, e não tem muitos artistas portugueses".

Miguel Palma, nascido em 1964, em Lisboa, foi descrito pelo curador Miguel von Hafe Pérez como "um artista que se apropria das narrativas de uma modernidade em permanente questionamento para melhor refletir sobre o presente".

A arquitetura, a natureza, e a tecnologia em geral estão presentes em obras icónicas como "Engenho" (1993), um veículo que criou e que levou de Lisboa para Serralves escoltado pela polícia, como recordou o curador.

Também é possível ver o "Googleplane", um avião em escala natural pertencente à Coleção Berardo, que volta a estar suspenso no espaço expositivo, e também diversas maquetes e uma série de pintura criadas com a poluição de um dos seus engenhos.

"A criatividade do artista desdobra-se numa pulsão construtiva que convoca e problematiza conceitos como o progresso, a degenerescência, a velocidade e o fracasso", apontou Hafe Pérez.



A exposição apresenta uma seleção antológica do trabalho de Miguel Palma que cobre um arco cronológico de trinta anos, e transita entre a escultura, o vídeo, a instalação, o desenho e a performance.

Além de obras de escala monumental nunca antes apresentadas em Portugal, como é o caso de "Cinq temps" (2016), produzida para o MuCEM, em Marselha, o artista criou a "Montanha" (2019), em ferro, que expele neve, e será agora apresentada pela primeira vez, no Museu Berardo, no Centro Cultural de Belém.

Aquilo que Miguel Palma propõe em forma de obras de arte "são considerações de uma espessura existencial absolutamente única".

"A sua curiosidade e o modo como articula diferentes horizontes do saber sublinham a capacidade de nos reinventarmos, dissimulando a inexorável lei maior, que é a da vitória do tempo sobre a finitude humana", sublinha o curador sobre um artista que tem a sua obra representada nas instituições de referência.

O Centro Galego de Arte Contemporânea (CGAC), com sede em Santiago de Compostela, Galiza, Espanha, recebeu, em 2015, uma antológica do artista.

A exposição ficará patente até 19 de janeiro de 2020. In “RTP” – Portugal com “Lusa”

Macau - Países lusófonos focados na medicina tradicional chinesa



Representantes dos governos de Cabo Verde, Angola e São Tomé e Príncipe querem dar mais destaque à medicina tradicional chinesa. Vários membros de países lusófonos encontram-se em Macau por ocasião do Fórum de Cooperação Internacional de Medicina Tradicional Chinesa, que arrancou ontem e que reúne mais de 700 participantes do território.

O ministro da Saúde e da Segurança Social de Cabo Verde, Arlindo do Nascimento do Rosário, afirmou que a criação de um centro africano de medicina tradicional chinesa seria “uma mais-valia para o país, não apenas no sector da saúde, mas também (…) em relação ao turismo”. As declarações do governante foram realizadas à margem do Fórum de Cooperação Internacional de Medicina Tradicional Chinesa que começou ontem em Macau e que reúne mais de 700 participantes do território, do interior da China, da Ásia, Europa e de países lusófonos.

“Será, de facto, uma mais-valia, não só para Cabo Verde, mas também para a própria China e para Macau, ter um ponto em África, num país que é estável, um país que oferece condições para que seja (…) uma plataforma de entrada para o continente africano e para a costa ocidental africana”, sublinhou, lembrando que está em causa um mercado de pelo menos 200 milhões de pessoas. “Tal como em Portugal que se construiu também um centro de Medicina Tradicional Chinesa, em Lisboa, para a Europa, porque não em Cabo verde, para África?”, argumentou o ministro.

Arlindo do Nascimento Rosário frisou que em Cabo Verde a indústria farmacêutica já produz cerca de 40% dos medicamentos da medicina convencional consumidos no país. “É uma indústria em expansão, que está a desenvolver-se, também virada para a região africana, para os países africanos de língua oficial portuguesa”, salientou. “Razão pela qual a aposta nesta área é também “uma oportunidade que se oferece a Cabo Verde para o seu sector farmacêutico, não só a nível da medicina convencional, mas tradicional também”, concluiu.

A criação de legislação para regulamentar a actividade, em 2020, é uma das prioridades, declarou à Lusa a assessora para a implementação da medicina tradicional em Cabo Verde, Leila Rocha. Outro dos objectivos imediatos passa por “começar a trabalhar num estudo sobre plantas medicinais autóctones, de forma a introduzi-las no mercado”, acrescentou.

A intenção é, por um lado, “recuperar a medicina tradicional cabo-verdiana” e, por outro, “introduzir a Medicina Tradicional Chinesa”, explicou. A 19 de Maio, Cabo Verde assinou um acordo com o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa Guangdong-Macau, com o objectivo de aprofundar a cooperação com a China. A parte chinesa é responsável pela consultoria técnica e política, formação profissional e apoio no controlo da qualidade. Já Cabo Verde está encarregue de ajudar o Parque na promoção do registo, comércio, formação e cooperação sobre os projectos da indústria dos medicamentos tradicionais e suplementos alimentares.

Medicina tradicional a potenciar turismo de saúde em São Tomé e Príncipe

São Tomé e Príncipe quer reforçar o desenvolvimento da medicina tradicional para potenciar o turismo de saúde, algo que será reflectido no Orçamento Geral de 2020, disse o ministro da Saúde, Edgar Neves, à margem do fórum. O governante valorizou a relação entre a medicina tradicional e a economia, nomeadamente o turismo, “uma das fontes futuras do desenvolvimento” do país, que pode ser potenciada através da cooperação chinesa.

Esta aposta vai estar reflectida na preparação do Orçamento Geral do Estado para 2020 e “será uma rubrica importante para (…) alavancar definitivamente a medicina tradicional em São Tomé e Príncipe”, afirmou. “As oportunidades não se deixam escapar”, destacou, explicando por que razão é também um desafio para o país: “porque encaramos este processo como muito importante para o serviço nacional de saúde”.

O mercado regional de 200 milhões de pessoas, sustentou, justifica o desenvolvimento do turismo de saúde em São Tomé e Príncipe, potenciado pela medicina tradicional, “que pode e deve jogar um papel de plataforma de ‘venda de serviços’ para essa região”. “A nossa agenda deve aproveitar a nossa posição estratégica. E [justifica] que nos comportemos como um mercado de turismo de saúde”, considerou Edgar Neves.

Contudo, apesar das “boas condições” que o país oferece, “importa agora é ter as infra-estruturas e ter a funcionalidade e assistência necessária para garantir serviços de qualidade”, ressalvou o ministro.

Angola, por sua vez, mostrou vontade em juntar médicos e farmacêuticos para apostar na medicina tradicional africana. O secretário para a Saúde Pública de Angola, José Manuel Vieira Dias da Cunha, disse que pretende juntar médicos e farmacêuticos para se definir um plano de acção que promova o desenvolvimento da medicina tradicional africana no país.

O governante afirmou que, depois do que viu em Macau, nomeadamente o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa, está a pensar em juntar “a Ordem dos Médicos com a associação dos médicos tradicionais (…), e mesmo a Ordem dos Farmacêuticos”. “Poderíamos tentar elaborar um plano de acção, com um cronograma bem definido, das acções que vamos de ter de realizar no sentido de desenvolvermos a medicina tradicional angolana e ver que tipo de cooperação podemos vir a ter com a medicina tradicional chinesa”, explicou o secretário de Estado.

O secretário de Estado sublinhou a importância de se apostar num maior aproveitamento das plantas autóctones para se desenvolver a medicina tradicional africana e para se produzir medicamentos de forma industrializada. “Se formos bem sucedidos a esse nível e se se provar a eficácia dos medicamentos, isso abre obviamente uma porta muito grande para a exportação”, argumentou. “Está elaborado o plano estratégico de medicina tradicional e, provavelmente ainda antes deste ano acabar, será aprovado. (…) A partir daí vamos dar o pontapé de saída e todo o salto para o desenvolvimento da medicina tradicional no nosso país”, concluiu.

Moçambique precisa de regular urgentemente medicina tradicional para controlar privados

Uma dirigente do Ministério da Saúde de Moçambique disse ontem que o país precisa urgentemente de regulamentar as actividades da medicina tradicional para responder e controlar a crescente oferta privada. As declarações da directora nacional da Medicina Tradicional e Alternativa do Ministério da Saúde, Felisbela Gaspar, foram também à margem do Fórum de Cooperação Internacional de Medicina Tradicional Chinesa, que arrancou ontem na RAEM. “Para o sector privado, precisamos de regulamentação urgente para o podermos controlar melhor, para fazer um registo nacional desta actividade”, afirmou a dirigente.

“Temos muitos pedidos de entidades privadas que querem desenvolver esta área da medicina tradicional, alternativa e complementar e nós não estamos a dar resposta. (…) Precisamos de regulamentação que controle esta actividade no país”, reforçou.

Moçambique é o país africano lusófono com o qual a China, através de Macau, tem garantido um maior desenvolvimento da cooperação na área da Medicina Tradicional Chinesa. Até ao momento, 300 técnicos moçambicanos já receberam formação na área, mas muita da atenção chinesa prende-se com a obtenção de licenças de comercialização de medicamentos. In “Ponto Final” - Macau