Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Brasil - Mulheres de esquerda nos canais Youtube

Este texto não é exatamente um comentário, mas nasceu de uma curiosidade: depois de ter acompanhado alguns canais do Youtube dirigidos por mulheres politicamente de esquerda, eu quis saber se esses vídeos tinham muitas visualizações e inscritos. Fiquei sabendo e houve também muitas surpresas.

Assim, lancei na Internet o tema - vídeos feitos por mulheres de esquerda no Youtube - e logo surgiram diversas informações, entre as quais a mais precisa vinha pelo Instagram do canal "mídialivreoficial", me exibindo uma lista atualizada dos maiores canais de esquerda do Youtube. Bastava ir separando os canais de direção feminina.

Minha surpresa foi a de constatar ser da jornalista, Ana Lesnovski, doutora em Comunicação, o canal com maior número de inscritos, num total de 1,78 milhão. Meteoro Brasil foi criado em abril de 2017 com o objetivo de divulgar cultura pop, política, ciência e jornalismo. Nessa época e até 2024, o canal pertencia ao casal Ana Lesnovski e Álvaro Borba. Com a separação do casal, comentada aqui no OI, Ana herdou o canal Meteoro e passou a contar com a participação da jornalista Sophia La Banca, passando a se dedicar apenas aos comentários políticos e entrevistas.

Na sétima posição dos maiores e mais vistos vem o canal de Rita von Hunty, com o título de Tempero Drag, que eu ainda não conhecia e me apressei a visitar e me inscrever. Na verdade, Rita não existe, é uma "persona" criada e vivida por Guilherme Terreri Lima Pereira, drag queen, formado em arte cênica, ator, Youtuber. O sucesso de Rita von Hunty é espetacular porque a soma de seus seguidores, nos canais em diversas redes, ultrapassa 3 milhões. O canal Tempero Drag tinha por objetivo tratar de veganismo, mas hoje Rita discorre com bastante verve, na sua excelente e rápida expressão oral, sobre marxismo, política, ecologia, LGBTQIA, feminismo, sociologia e literatura.

Na oitava posição, vem a influenciadora Andréa Gonçalves, cujo crescimento no Youtube acompanhei, logo nos seus primeiros posts. Ela comenta três vezes ao dia, ao vivo, as principais atualidades políticas. Advogada, teve um crescimento rápido no Youtube, ultrapassando em pouco tempo os canais Ninja, o Portal do José e o portal do Clayson e reunindo mais de 1,30 milhão de inscritos. Não tem papas na língua.

Reunindo política e humorismo vem a pernambucana Damares de Oliveira com seu canal com nome bem sugestivo -  Igreja Biscateriana, no qual ela se identifica como Bispa Damares sem Goiabeira. Numa entrevista para o canal Forum, no qual fala do seu estilo escrachado, da sua linguagem chula, na qual distorce e debocha, (deboche santo, diz ela) dos nomes e dos políticos da extrema-direita bolsonarista.

Ela conta ter recebido um telefonema da senadora Damares, no qual ela pedia para não usar seu nome e nem a referência à goiabeira (a senadora dizia ter tido um encontro com Jesus, quando tinha subido numa goiabeira). Mas a Youtuber explicou ter também o nome de Damares, só poderia mesmo tirar a goiabeira. Agora seus vídeos têm a assinatura Damares sem Goiabeira. Ex-empregada de supermercado, sem ter completado seu curso de jornalismo, Damares diz viver hoje do seu canal e das contribuições por Pix dos inscritos.

Enfim, ainda não colocada entre os canais mais vistos, vem a influenciadora Aline Câmara, a primeira especialista brasileira na Síndrome do Trauma Religioso, como ela mesmo define, uma epidemia nacional vivida pelos evangélicos.

De origem pobre, lutadora e boa debatedora, Aline, ex-evangélica, tendo sofrido as repressões próprias da religião, faz no Youtube o inverso dos pastores - prega com inteligência e bons argumentos o ateísmo.  Seu sucesso chamou a atenção do influenciador Breno Altman, que a entrevistou no canal Opera Mundi. Rui Martins - Suíça

 

quinta-feira, 27 de junho de 2024

Brasil - Youtuber texano filma Polícia Militar paulista em ação e vídeo viraliza

A frase é antológica "bandido bom é bandido morto", mas quem é pobre ou negro numa favela se torna automaticamente suspeito, podendo ser agredido, ameaçado e exposto à humilhação pública até no Youtube, mesmo sendo inocente.

Será esse o credo e o modo de funcionamento da PM de São Paulo, autorizados pelo secretário da segurança Guilherme Derrite, que vem ganhando ao mesmo tempo popularidade e rejeição, com a banalização da violência e morte no combate ao banditismo, desde os massacres nas favelas do Guarujá?

É com esse estilo de repressão policial que o governador Tarcísio de Freitas pretende ganhar apoio e popularidade para disputar a presidência em 2026?

Essas perguntas afloram diante do vídeo gravado por um youtuber norte-americano, o texano Gen Kimura, dentro de uma viatura da Polícia Militar e nas favelas paulistanas, mostrando os policiais em ação. Não se tratava de um jornalista norte-americano em reportagem.

É um absurdo terem sido dados ao youtuber um colete à prova de balas e até um revólver para documentar, como um visitante curioso, o combate "mesmo num domingo sangrento" dos valentes policiais.

O vídeo de uns 40 minutos já foi visto por mais de 1,7 milhão nos EUA, no canal de Gen Kimura com 385 mil inscritos. O vídeo foi filmado durante ações da PM em três favelas e o youtuber Gen Kimura teve acesso ao depósito de armamentos da PM, chegando a ser filmado com um revólver na mão. No Brasil, trechos do vídeo viralizaram nos noticiários e nas redes sociais.

Outro aspecto escandaloso da filmagem permitida e protegida por policiais foi o de colocar pessoas pobres inocentes ou suspeitas numa espécie de pelourinho num parque de diversões, mesmo porque para o youtuber Gen Kimura, sempre sorrindo, tudo parecia muito divertido. Um dos policiais contou a Kimura que "as mortes dos bandidos são comemoradas com charutos e cerveja".

Entretanto, embora a Secretaria de Segurança afirme não permitir esse tipo de filmagem ainda mais com estrangeiro, devendo punir os responsáveis, o vídeo tem um aspecto positivo: documenta e deixa evidente ser o método violento o cotidiano na PM.

O comentarista Reinaldo Azevedo do Uol, depois de mostrar revoltado um trecho do vídeo, vai mais longe: para ele os responsáveis pela filmagem e exposição da banalização da violência da polícia paulista, num Canal do Youtube destinado a visualizações nos EUA, acreditavam agradar ao chefe capitão Guilherme Derrite e ao governador Tarcísio, já conhecido por um "dane-se" e por dizer "pode ir na ONU, no raio que o parta, não tô nem aí" sobre denúncias de abuso da PM no litoral.

A Rádio Jovem Pan, que se tornou a rádio de referência para os seguidores do ex-presidente, é bem informada sobre os líderes da extrema-direita, e, agora menos bolsonarista e aparentemente sem fake-news, tem uma resposta para o populismo da violência próprio do Secretário da Segurança (Derrite, linha dura, até se licenciou do cargo no governo Tarcísio para ir votar na Câmara Federal contra as "saidinhas") - quando Tarcísio deixar o cargo para se candidatar à sucessão de Lula, será Guilherme Derrite o candidato à sua sucessão.

Para o veterano da Jovem Pan, José Maria Trindade, fiel aos anos bolsonaristas, "ações como essa (mostrada no vídeo) aproximam os policiais da população e mostram como a polícia trabalha no dia a dia, e é importante fazer esse tipo de aproximação".

Para completar o quadro da violência e truculência, o programa É da Coisa, da Band, mostrou um vídeo da polícia de Goiás, no qual numa ordem unida da polícia militar os soldados repetem comandos de morte inclusive do assassinato da testemunha do crime. A polícia de Goiás era chefiada pelo tenente-coronel Edson de Melo, atualmente segurança do coach Pablo Marçal, pré-candidato à prefeitura de São Paulo. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.



 

sábado, 19 de novembro de 2022

França - Realizador francês dá a conhecer música contemporânea portuguesa

Yoann Le Gruiec é fundador do projeto Soundscape filmando artistas contemporâneos portugueses e lusófonos em diferentes cidades lusas de forma a dar a conhecer ao Mundo a música “genial” que se faz em Portugal, mas sem divulgação no estrangeiro.

“Estava muito longe de conhecer este tipo de música portuguesa e fiquei chocado porque achei incrível que esta música com tanta qualidade exista, do kuduro ao folk, ao fado de nova geração, à música eletro e tecno, mas que não seja conhecida”, disse Yoann Le Gruiec, fundador do projeto Soundscape, em declarações à agência Lusa.

Este produtor e realizador francês já conhecia Portugal, mas no final de 2020 acabou por estender uma estadia no país quando estava a filmar um documentário e um novo confinamento foi anunciado em França. Tendo trabalhado no meio do audiovisual em França, tentou fazer a mesma coisa em Portugal, mas viu que havia uma falta de meios para a divulgação dos artistas.

“Tentei perceber porque é que não conhecíamos todos estes artistas portugueses em França, porque achei a música contemporânea em Portugal genial. Perguntei à minha volta e disseram-me que não há indústria musical em Portugal e é por isso que estes artistas não são conhecidos cá fora. Não há estrutura, não há editoras, não há uma força por detrás destes artistas para os promover”, indicou.

Assim, decidiu em janeiro de 2021 criar o canal de Youtube “Soundscape”, onde coloca as atuações de artistas contemporâneos portugueses, dos mais diferentes estilos, associando-os a diferentes cidades portuguesas, e uma entrevista sobre o seu trabalho. O objetivo é levar estes vídeos o mais longe possível e promover estes artistas. “A ideia é chegar ao maior número de pessoas possível. O nosso canal difunde a cada mês um novo episódio, com um artista diferente, com uma performance filmada e uma entrevista, que também é acompanhada por promoção nas redes sociais”, detalhou o realizador.

Até agora há já vários episódios publicados no Youtube, com atuações de Surma, Shaka Lion, Scúru Fitchádu, DJ Danifox, 2JACK4U e Fado Bicha. O próximo é com o grupo Criatura, tendo como pano de fundo o Fundão. Cada episódio passa-se numa cidade diferente, já que os territórios de onde estes músicos vêm transformam-se em inspiração para as suas obras. “Para mim, a música pertence a um determinado território no sentido em que pode ser contado por essa música. Portanto artistas que vêm do Barreiro, de Leiria ou da Nazaré não contam as mesmas coisas nas suas músicas e eu achava que era importante que cada vídeo acontecesse num local diferente por isso mesmo”, detalhou Yoann Le Gruiec.

Desde o final de 2021 que o projeto Soundscape foi apoiado pelo Instituto Francês, no âmbito da Temporada Cruzada França-Portugal, tendo recebido depois o apoio do Turismo de Portugal e estando agora à procura de parcerias com diferentes autarquias em Portugal, mantendo uma linha editorial independente quanto à escolha dos artistas.

“Comecei a procurar os artistas, as diferentes editoras e depois constituí uma equipa que conhece mesmo a música portuguesa, mas temos uma linha editorial. Este canal chama-se Soundscape, por isso alia a música à paisagem não só territorial, o que significa que queremos mostrar todos os géneros musicais. Os nossos critérios é que sejam artistas ativos, contemporâneos e que nos tragam um sentido de descoberta”, explicou.

A equipa tem vindo a crescer, contando com cerca de nove pessoas em Portugal e cinco em França apoiados pela produtora Why So Serious, também cofundada por Yoann Le Gruiec, com um episódio já marcado com Ana Moura para os próximos meses.

Aceda aqui. Catarina Falcão – França in “LusoJornal” com “Lusa”