Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 21 de abril de 2020

Macau - Reabertura da Universidade de Macau contou com cerca de 600 finalistas

Quase três meses depois do encerramento dos estabelecimentos de ensino no território, devido ao surto epidémico, os alunos finalistas da Universidade de Macau estão a regressar gradualmente às aulas. À volta de 600 dos cerca de 1500 alunos em final de curso optaram ontem por regressar ao campus para se prepararem para os exames finais, agendados para o final de Maio e princípio de Junho. Apenas 10% dos alunos finalistas do interior da China regressaram a Macau.

A Universidade de Macau (UMAC) retomou ontem parcialmente as aulas, apenas para os alunos finalistas do presente ano lectivo, tendo em conta o “actual desenvolvimento da epidemia”, sendo que os exames finais foram adiados para o período de 20 de Maio a 1 de Junho, pode ler-se em comunicado. “Os alunos que se formarem este ano serão os primeiros a retornar à sala de aula”, refere a UMAC, acrescentando que “as defesas orais de doutoramento e mestrado serão retomadas em 4 de Maio”, e que os restantes alunos vão continuar a ter aulas on-line “até o final do semestre”.

Um porta-voz da UMAC garantiu ao Ponto final que “cerca de 600 alunos optaram por regressar ao campus para as aulas” no primeiro dia, sendo que é esperado “que cerca de 200 estudantes regressem ao campus todos os dias, representando menos de 20% do número total de estudantes que se formam este ano”.

Para os estudantes que regressaram ao campus, a UMAC tem várias actividades agendadas, nomeadamente “experiências, discussões de grupo e aulas de revisão de matéria desde semestre”. “Os alunos que não regressaram ao campus vão continuar a ter aulas on-line. Os exames finais serão adiados para o período de 20 de Maio a 1 de Junho”, indica a nota da UMAC.

Em declarações ao Ponto Final, Rui Martins, vice-reitor da UMAC, assinalou que muitos dos alunos do interior da China ainda não regressaram a Macau. “Tendo em conta esta situação, começamos com os alunos finalistas das licenciaturas hoje [ontem]. Os alunos que quisessem regressar a Macau, os da China, nomeadamente, teriam de ter regressado duas semanas antes, para fazerem quarentena nos colégios residenciais. Eles regressaram há cerca de duas semanas. Se quisessem ir às aulas agora já não podiam vir hoje, teriam de vir antes. Os números que eu tenho é que até hoje [ontem], desses alunos que vieram da China devem ter regressado cerca de 10%. São mais ou menos 300 alunos da China como finalistas, 30 devem ter regressado. Mas as aulas continuam, nem que seja online”, disse Rui Martins.

As defesas orais para estudantes de doutoramento e mestrado serão retomadas em 4 de Maio enquanto que os estudantes de doutoramento, mestrado e programas de certificado/diploma de pós-graduação em fase de curso “vão continuar a ter aulas online até o final do semestre”.

Para facilitar o recomeço das aulas, a UMAC aprimorou as medidas de prevenção e controlo da epidemia de acordo com as directrizes divulgadas pelos Serviços de Saúde, nomeadamente o aumento da frequência de limpeza e o número de equipamentos de desinfecção no campus. “A Universidade instruiu os professores a ministrar aulas em turmas pequenas, com não mais de dez alunos por cada turma e pelo menos um metro de distância entre os alunos, conforme especificado nas directrizes do Governo”, indica a reitoria da UMAC, em comunicado.

Neste reinício das aulas, os alunos são obrigados a usar máscara na sala, sendo que “devem cooperar com a medição da temperatura”, “desinfectar as mãos” e apresentar as respectivas “declarações de saúde”. Após a aula, as salas e os equipamentos relevantes serão completamente desinfectados de forma a garantir a saúde e a segurança dos professores, funcionários e alunos. Além disso, a UMAC vai abrir parcialmente algumas instalações no Campus, como a Biblioteca e o Complexo Desportivo, a partir do primeiro dia do retomar das aulas. Eduardo Santiago – Macau in “Ponto Final”

eduardosantiago.pontofinal@gmail.com

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Macau – Universidade de Macau desenvolveu “caçador de vírus” que pode detectar coronavírus em meia hora

Uma equipa da Universidade de Macau desenvolveu um sistema de detecção de coronavírus para combater surtos epidémicos. A tecnologia, com chips microfluídicos digitais, foi patenteada pela universidade e está em fase de testes na província de Cantão. Após validação governamental, o sistema de detecção poderá ser utilizado por médicos e enfermeiros para aumentar a eficiência na detecção e reduzir o risco de transmissão de vírus



A fim de acelerar a detecção de novos coronavírus, a Universidade de Macau (UMAC) intensificou o desenvolvimento de um sistema baseado num “chip microfluídico digital” para ajudar a combater o surto epidémico. Com a ajuda do “Virus Hunter”, um kit de teste rápido desenvolvido com tecnologia patenteada pela UMAC, todo o processo de detecção de vírus pode ser concluído em 30 minutos. O estudo foi conduzido por uma equipa formada por investigadores do Laboratório de Referência do Estado em Circuitos Analógico e Mistos em Muito Larga Escala e doutorados. “[Foram] cerca de uma dúzia [de investigadores] desde 2012, quando iniciámos a investigação nesta área, e onde foram já doutorados quatro alunos (um deles o CEO da Digifluidic) e outros quatro que estão a fazer agora o doutoramento”, afirmou Rui Martins, vice-reitor da Universidade de Macau para os Assuntos Globais.

“A equipa de pesquisa tem estado em contacto com várias unidades médicas relevantes e o sistema estará pronto para uso após a verificação”, pode ler-se no comunicado da Universidade de Macau divulgado no sábado. De acordo com Rui Martins, o “Virus Hunter” é um sistema portátil que “substitui um laboratório biológico convencional, assim como o iphone substituiu o computador antigo que ocupava uma sala há 60 anos”.

“Os chips são feitos por nós numa sala limpa e substituem uma sala de laboratório bio normal, são uma espécie de CSI-lab portátil. O teste pode ser reduzido de várias horas para 30 minutos. Este chip é fixo (circuito electrónico em vidro, produzido por nós numa sala de fabricação limpa de impurezas) e lá dentro tem 10 câmaras que permitem fazer 10 reacções químicas simultâneas. Podemos adicionar um reagente do vírus e num teste podemos ter mais resultados, para além de reduzirmos a possibilidade de contaminação”, explicou Rui Martins, em declarações ao Ponto Final, sobre o funcionamento do sistema de chip microfluídico digital desenvolvido na UMAC.

Ao contrário da maioria dos kits de teste de reagentes de ácido nucleico para o novo coronavírus, que só podem ser usados dentro de laboratórios, o kit de teste “Virus Hunter” inclui um cotonete nasofaríngeo, chips de detecção com reagentes e equipamento para detecção rápida, o que permite a realização de testes rápidos em qualquer local com pacientes suspeitos de infecção.

Questionado sobre quando está prevista a implementação desta tecnologia nos centros hospitalares e noutros locais de controlo de doenças, Rui Martins revelou que só falta a validação governamental e que há potencial para exportação. “Já utilizámos o sistema em animais e em DNA humano sintetizado para já, e iremos fazer testes com o coronavírus na próxima semana num centro para controlo de doenças na China. Só depois desses testes e da validação governamental pode ser utilizado por pessoal hospitalar como médicos e enfermeiros”, referiu o docente, acrescentando que o teste já foi oficialmente autorizado e que já está a ser testado na província de Cantão.

Sobre a exportação desta tecnologia, Rui Martins assumiu que é um objectivo. “Evidentemente que sim, este equipamento é muito avançado e quase único em termos mundiais baseado em várias patentes americanas do nosso Laboratório de Referência do Estado em Circuitos Analógico e Mistos em Muito Larga Escala (State Key Laboratory of Analog and Mixed-Signal VLSI)”. Eduardo Santiago – Macau in “Ponto Final”

eduardosantiago.pontofinal@gmail.com

terça-feira, 17 de julho de 2018

Macau - Mais de 450 alunos no curso de português da Universidade de Macau

Mais de 450 alunos vão procurar “melhorar a competência linguística e cultural” no 32.º curso de Verão de Língua Portuguesa da Universidade de Macau (UMAC), anunciou a instituição.

“O curso tem como apanágio melhorar a competência linguística e cultural dos alunos, familiarizando-os com um espaço de intercâmbio cultural e multilingue de Macau”, de acordo com uma nota divulgada pela UMAC. O curso, organizado pelo Departamento de Português da Faculdade de Letras da Universidade de Macau, vai contar nesta 32.ª edição com 460 alunos provenientes da China continental, dos Estados Unidos, França, Inglaterra, Coreia do Sul, Vietname, Japão, Austrália, Singapura, Índia, Hong Kong e Macau. In “Ponto Final” - Macau

sábado, 28 de setembro de 2013

Nova Macau

A nova cidade de Macau

O campus da Universidade de Macau na Ilha da Montanha já recebeu os primeiros alunos e em Novembro deve estar pronto para abrir as portas a todos os visitantes. O novo espaço é uma verdadeira cidade universitária, com salas de aula e laboratórios, mas também com piscinas, campos de futebol, um auditório para espectáculos, uma biblioteca, um quartel de bombeiros, lojas, serviços e muito mais. Tudo capaz de suportar dez mil alunos.

Em Macau o perto torna-se longe. A distância é psicológica e a escala do território convida a achar que uma viagem a Coloane é coisa para tirar um dia inteiro de fim-de-semana. Pensar numa visita ao novo campus da Universidade de Macau (UMAC), na Ilha da Montanha, parece ainda um cenário distante, um exotismo para momentos desocupados. Isso, no entanto, pode ter os dias contados.

A UMAC convidou a imprensa a visitar o novo campus, agora sob jurisdição de Macau, depois de ter sido entregue à RAEM a 20 de Julho pelas autoridades do Continente.

A viagem, feita na passada quinta-feira, começa no antigo campus da Taipa, do qual a universidade conservará no futuro apenas o edifício da biblioteca, ainda que não funcionando como tal. Menos de 15 minutos depois, o autocarro fretado para o efeito já deixou o Galaxy para trás e prepara-se para entrar no túnel subaquático que liga o Cotai à Montanha. Para já, apenas carros autorizados e o autocarro público U37 podem entrar no túnel e percorrer as quatro faixas de rodagem repartidas pelos dois sentidos. Futuramente, a via estará aberta a todos os veículos do território, sem check-points ou outros constrangimentos. Haverá também, espera-se que a partir de Novembro, uma segunda ligação pedonal e para bicicletas.



O lado de lá

O novo campus da UMAC é 20 vezes maior que o actual. Tem sensivelmente um quilómetro quadrado e a dimensão da cidade universitária percebe-se mal o autocarro deixa o túnel para entrar na Avenida da Universidade. Por agora, é esta a única paragem para transportes públicos em funcionamento e qualquer pessoa pode viajar até aqui. Dentro de alguns meses haverá outras. À saída do autocarro, o reitor da UMAC, Wei Zhao, e o vice-reitor, Rui Martins, cumprimentam todos os presentes com a nova biblioteca – o ex-líbris do novo campus – atrás de si.

O campus da UMAC foi desenhado por He Jingtang, arquitecto que nos últimos anos tem sido responsável pelos projectos da maioria das instalações universitárias no Continente e que foi também o autor do Pavilhão da China na Exposição Mundial de 2010, em Xangai. Em 2009, o arquitecto esteve em Macau a apresentar as grandes linhas do plano para o novo campus de Hengqin, assegurando que a conservação ambiental seria uma das principais preocupações do projecto. E o que agora salta à vista é o cuidado em criar zonas verdes, com muitas árvores a acompanharem o betão e com um grande lago rodeado de relva a funcionar como pulmão da cidade universitária.

Da Avenida da Universidade avista-se o Cotai e Coloane, para um lado, e a biblioteca, para o outro. A biblioteca, que tem capacidade para um milhão de publicações, é o centro de todo o complexo. Dali partem as diferentes artérias que conduzem à zona mais a norte, onde está situado o quartel dos bombeiros – o maior de Macau –, o grande auditório da UMAC, uma guesthouse com 110 quartos e a zona de centros de investigação e laboratórios. Para sul, ficam as residências dos estudantes de licenciatura, as casas dos alunos de pós-graduação e também os edifícios destinados a albergar os funcionários da universidade.

A biblioteca receberá todos os 600 mil exemplares agora guardados no antigo campus da UMAC, mais uma quantidade significativa de obras que a universidade está a adquirir. Haverá, pela primeira vez, uma área em funcionamento 24 horas, para que os alunos possam estudar durante a noite, à semelhança do que acontece em várias instituições de ensino europeias.

A Europa é, aliás, uma inspiração assumida do campus, também em termos arquitectónicos. Os muitos arcos e colunas dos edifícios, a juntar às cores quentes que se encontram em algumas fachadas e à calçada portuguesa que preenche o chão da grande praça diante da biblioteca, dão ao campus um toque europeu e sulista, várias vezes frisado durante esta visita.

O ano lectivo arrancou na passada segunda-feira e até agora há três edifícios completamente operacionais no campus que conta mais de 60 estruturas, depois de já terem passado nas inspecções públicas. Já há cerca de 2000 estudantes a viver no campus e este ano a UMAC deve receber cerca de oito mil alunos, com 80 por cento a residirem no novo complexo.

O principal edifício dedicado a aulas, onde se concentrarão disciplinas transversais à maior parte dos cursos, vários deles novos, tem capacidade para 3000 estudantes. A UMAC divide-se agora em oito faculdades, das Ciências da Saúde às Ciências Sociais.


Aberta à sociedade civil


O reitor Wei Zhao faz questão de reiterar o facto de várias das instalações do novo campus irem não apenas servir os alunos mas também toda a cidade. Boa parte da nova zona sob jurisdição de Macau estará aberta aos residentes, apesar de a circulação de carros ser circunscrita à área mais próxima do túnel, ficando o campus reservados a veículos autorizados, a bicicletas e a pedestres.

A nova UMAC tem 2500 lugares de estacionamento repartidos por várias áreas. Estarão disponíveis para todos quantos desejem usufruir da zona que, entre outras infra-estruturas, terá no seu centro cultural e no grande auditório, com capacidade para cerca de mil espectadores, uma das principais atracções. Wei Zhao explica que o objectivo é oferecer o espaço à Orquestra de Macau para que ali se torne residente, ensaiando com regularidade e também dando concertos. O auditório deve ainda receber outros eventos programados em parceria com o Instituto Cultural.

As instalações desportivas, com uma piscina olímpica, um campo de futebol e uma pista de atletismo com medidas oficiais para receberem qualquer tipo de competição, estarão também articuladas no futuro com a gestão do Instituto do Desporto.

Nada disto seria possível sem o crescimento do número de funcionários da universidade, que de acordo com o site da instituição está situado nos 750 e que quase triplicará; e do corpo docente, que duplicará para perto de 800 professores. Para este novo ano lectivo, a UMAC a recebeu mais 1520 alunos do que no ano anterior e o objectivo é ir gradualmente crescendo até aos dez milhares de estudantes.

Os edifícios de investigação, situados junto ao quartel dos bombeiros, somam mais de 300 laboratórios e 20 centros de investigação. O autocarro que transporta a imprensa dá a volta ao campus, passa junto do estádio e do complexo desportivo com um pavilhão com capacidade para 3000 pessoas e vários campos para badminton e outras modalidades, e entra na Avenida dos Alunos, que dá acesso às residências de estudantes de licenciatura, de acordo com a UMAC as maiores da Ásia. Ao longe vê-se o muro que separa o campus do restante território da Montanha, esse sob jurisdição das autoridades do Continente. Recorde-se que recentemente soube-se que os cidadãos do Continente que entrarem no novo campus da Universidade de Macau saltando a vedação do complexo serão punidos por travessia ilegal de fronteira. A revelação foi feita por um funcionário da fronteira do Continente ao diário Global Times.

É num dos edifícios destinados à residência de alunos de licenciatura – que terão também à sua disposição vários serviços, como supermercados, cafés, farmácias e clínicas – que Wei Zhao fala à imprensa, fazendo uma apresentação das principais novidades que a UMAC introduz neste ano lectivo. O reitor apresenta os novos cursos e o modo como o campus da Montanha funcionará. Diz desconhecer a alegada investigação do Comissariado Contra a Corrupção ao processo de atribuição de casas no novo campus (ver texto nestas páginas) e garante que o processo está a decorrer com normalidade.

De volta ao autocarro, a viagem de volta à Taipa faz-se em poucos minutos. O campus e o novo túnel parecem agora mais perto. A nova cidade de Macau continua a crescer ali ao lado, maior que todos os casinos do território. Hélder Beja – Macau in “Ponto Final”