Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 8 de março de 2022

Península Ibérica - TGV Porto-Vigo vai custar mais de mil milhões

A fase 1 da ligação ferroviária de alta velocidade entre o Porto e Vigo poderá vir a custar mais 350 milhões de euros que o previsto inicialmente, segundo um documento apresentado por um diretor da Infraestruturas de Portugal (IP)


De acordo com a apresentação “A ferrovia no contexto ibérico”, feita no dia 21 de fevereiro por José Carlos Clemente, diretor de Empreendimentos da IP, em Sines (distrito de Setúbal), a estimativa da empresa pública aponta agora para cerca de 1250 milhões de euros, quando a apresentação inicial do Programa Nacional de Investimentos (PNI) 2030, divulgada em outubro de 2020, apontava para 900 milhões de euros.

Em causa está a ligação entre Braga (Tadim) e Valença, no distrito de Viana do Castelo, fase 1 da linha Porto – Vigo, cuja conclusão está prevista, segundo o documento da IP, para 2029/2030.

Fonte oficial da IP esclareceu à Lusa que se trata de estimativas baseadas nos projetos que estão a ser desenhados pela empresa e que não devem ser tomados como finais.

Aos 1250 milhões de euros juntam-se 60 milhões da quadruplicação da Linha do Minho entre Contumil (Porto) e Ermesinde (Valongo), pode ainda ler-se no documento.

Quanto às outras fases, a segunda, prevista para depois de 2030, compreende a ligação do Aeroporto Francisco Sá Carneiro (Maia) para o Minho e a Galiza, e está estimada em 350 milhões de euros pela IP.

Já o troço entre o aeroporto e a estação de Porto – Campanhã está integrado no projeto da nova linha Porto – Lisboa, segundo a apresentação de José Carlos Clemente, e está estimada em 450 milhões de euros.

Quanto à continuidade da ligação em Espanha, a nova linha entre a fronteira e Vigo permite “viabilizar serviços de continuidade Porto – Vigo – Corunha” e “reduzir tempos de percurso até 27 minutos”.

Em estudo, segundo o documento do diretor da IP, está também a ligação entre a linha de alta velocidade e a atual Linha do Minho em Valença, mas a IP adverte que “possui remota viabilidade ambiental”.

Ainda assim, o documento refere que esta conexão “permitiria contornar eventual desfasamento da nova linha fronteira – Vigo” e “ponderar eventual serviço a Valença através da estação atual”.

O documento realça que os “investimentos em Portugal e Espanha são mutuamente dependentes”. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”



quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Aeroportos


Antes de desenvolver este texto tenho que declarar que sou a favor do aeroporto de Beja, não sou alentejano e a minha família já tem mais de dois séculos de Lisboa, tanto quanto a independência dos Estados Unidos da América, por isso já me posso considerar lisboeta.


Quando era jovem, início da década sessenta do século passado, costumava nos meus passeios por Lisboa na companhia da minha tia-avó, pessoa muito culta que gostava de passear com os sobrinhos, visitar o aeroporto da Portela. Pagávamos vinte e cinco tostões e sentávamos na esplanada da varanda do aeroporto, onde mais tarde lanchávamos e o dinheiro pago era descontado na despesa. Chegámos, em alguns dias, estar lá três, quatro horas, para ver aterrar ou levantar um avião e nada, não havia naquele dia movimento de aviões. Ao que me consta, felizmente, a ninguém passou pela cabeça, encerrar o aeroporto por falta de tráfego.

Os alemães, no pós segunda guerra, pediram autorização para construir um aeroporto na retaguarda para treino dos seus elementos da força aérea e construíram o aeroporto em Beja para preparação militar. Com as alterações na Europa no início da década noventa, consideraram não ser necessário esta infraestrura e entregaram ao Estado português as instalações.


Os decisores políticos perante esta realidade, decidiram transformar o aeroporto militar em civil e o Primeiro-ministro Durão Barroso numa deslocação ao Alentejo a acompanhar o Presidente da República Jorge Sampaio, afirmava que o custo da obra era de aproximadamente um milhão de contos, cinco milhões de euros e o aeroporto estaria a funcionar num prazo de um ano.

O tempo passou, o custo aumentou, os números oficiais apontaram para os trinta e três milhões de euros, valor que a comparar com o que contabilizou em 2007, o coordenador da equipa responsável da CIP, José Manuel Viegas, pelo estudo do aeroporto de Alcochete, que indicou um total de dois mil milhões de euros, sem acessibilidades e três mil milhões de euros para o aeroporto da Ota, também sem acessos, diríamos que o aeroporto de Beja custou o equivalente a um cêntimo por um almoço no restaurante mais caro de Lisboa.


O problema do aeroporto de Beja não está nele em si, mas nos políticos desta terra, Portugal, dos interesses instalados, que passam pela compra e venda de propriedades nos locais onde se pensam instalar aeroportos de raiz, na construção civil, na intoxicação da comunicação social, enfim, em tudo aquilo que não ajuda a fortalecer um país como o nosso.


As vozes que são contra o aeroporto de Beja são as mesmas que noutros tempos afirmavam que a barragem do Alqueva nunca teria água (ler artigo “Alqueva” do passado dia 19 de Janeiro) e que o porto de Sines não tinha futuro (ler artigo “Sines”, subtítulo “O Brasil e o Porto de Sines” com data de 28 de Setembro de autoria do brasileiro Milton Lourenço)
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Esperemos que a confusão instalada nos últimos dias com a linha férrea, pois não há TGV com mercadorias, seja ultrapassada e quem planeia se lembre que qualquer linha férrea que se construa de Sines para a Europa, passe obrigatoriamente pelo aeroporto de Beja. Baía da Lusofonia
Ligação aos textos:
Alqueva