Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 4 de abril de 2019

Galiza - Encontro entre as dramaturxias galega e portuguesa

O Consello da Cultura Galega, o Camões, Centro Cultural Portugués en Vigo e a Escola Superior de Arte Dramática de Galicia poñen en marcha o programa Dramaturxias itinerantes / Dramaturgias itinerantes, que ten por obxectivo servir de ponte entre as escrituras teatrais galega e portuguesa para fomentar, a través do diálogo escénico, un mellor coñecemento mutuo que poida agromar en futuros traballos colectivos.

Nesta primavera de 2019 inaugúrase o ciclo en Galicia o ciclo, primeiro en Compostela e despois en Vigo, coas dramaturgas Patrícia Portela e Lina Pérez. Poderán escoitarse os seus textos orixinais nas voces de alumnado da ESAD e de parte do Grupo de Teatro Amador do Centro Cultural Português do Camões de Vigo “Eu.Experimento” ao tempo que haberá ocasión de departir coas dúas escritoras nun debate moderado por Afonso Becerra. Por volta do verán, a actividade terá continuidade en terras portuguesas.

As obras serán Escudos Humanos. Uma peça de acção con muitas palabras (2008) de Patrícia Portela, interpretada polo Grupo de Teatro Amador do Centro Cultural Português do Camões en Vigo, Eu.Experimento, dirixido por Vanesa Sotelo; e Os cans non comprenden a Kandinsky (2017) de Avelina Pérez –obra orixinalmente editada pola erregueté | Revista Galega de Teatro no seu número 91–, interpretada polo alumnado da ESAD de Vigo, dirixido por Nuria Montero, profesora e actriz.

Coma en anteriores encontros literarios –organizados en colaboración co Instituto Ramon Llull e o Instituto Etxepare-, o Consello da Cultura Galega publicará na súa web os textos dramatizados na xornada coa finalidade de seguir a estreitar os vencellos entre a cultura galega e a portuguesa, co teatro como aliado na construción dun espazo común e diverso no que existirmos e dende o que falar coas nosas propias voces.

A primeira sesión de Dramaturxias itinerantes / Dramaturgias itinerantes terá lugar o vindeiro luns, 8 de abril de 2019, ás 18:30, no Consello da Cultura Galega. O martes, 9 de abril, ás 16:30, esta sesión de lecturas dramatizadas repetirase na sede da Escola Superior de Arte Dramática de Galicia (ESAD), en Vigo. In “erregueté” - Galiza

quinta-feira, 10 de maio de 2018

“O sono é o último reduto de contestação”

Patrícia Portela estreou-se no Festival de Artes de Macau com “Parasomnia”, instalação visual e sonora, com uma dimensão performativa, que incita o espectador a desacelerar, a render-se a um estado que oscila entre a vigilância e a dormência. Um modo de questionar o lugar do sono num quotidiano rendido à imposição insone da produtividade, concebido por uma artista e escritora habituada a contornar as fronteiras da evidência



No tempo lentíssimo da metamorfose, pontuado pela “Elegia” de Stravinsky, transfigura-se o corpo dormente de mulher, na transição de Vénus para Ophelia. Atirado para a penumbra da sala, sacode o espectador a trepidação que percorre, ainda, o corpo acelerado. Trava-se o movimento e a respiração até um estado de torpor, que oscila entre a vigília e a sonolência. Esperar, desacelerar, estar. O desígnio de uma instalação visual e sonora que potencia no público a libertação de um quotidiano cronometrado. Com “Parasomnia”, Patrícia Portela converteu a Casa do Mandarim num lugar onírico, rendido ao sono, ao sonho, e à evidência de uma existência espartilhada e entregue ao desperdício. No percurso da cenógrafa, encenadora, actriz e escritora – vencedora, em 2005, do Prémio Acarte/Madalena Azeredo Perdigão, da Fundação Calouste Gulbenkian – é quase sempre o texto a desencadear a realização performativa, que se traduziria depois numa sucessão de títulos. Com o último livro, “Dias Úteis”, lançado em 2017, inaugura a autora um percurso votado quase em exclusivo à literatura. Com o novo livro, cuja escrita será finalizada até ao final do ano, Patrícia Portela recua a 1998, ano que diz ter encerrado uma promessa de futuro ainda por cumprir, enquanto escancarava a uma geração que se acercava da maturidade as possibilidades infinitas da tecnologia. Com uma vivência hoje repartida entre Lisboa e Antuérpia, foi também em Macau que a condição de estrangeira se instalou na criadora. Num tempo em que se cristalizaram as únicas memórias que sobram da infância, impôs-se a errância como caminho, perante um mundo que era, afinal, um lugar infinito.

O jornal Ponto Final entrevistou Patrícia Portela que poderá ler aqui. Texto de Sílvia Gonçalves e fotografia de Eduardo Martins - Macau