Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Cintura de Kuiper. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cintura de Kuiper. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Internacional - Telescópio Espacial James Webb observa objetos na periferia do Sistema Solar para revelar o melhor vislumbre do gelo primordial

Com o auxílio do Telescópio Espacial James Webb, uma equipa internacional, da qual faz parte Nuno Peixinho, um investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), observou duas regiões populadas por objetos gelados: na cintura de Kuiper, os denominados objetos transneptunianos (TNOs2) e entre as órbitas de Júpiter e Neptuno, os Centauros.



Nos dois estudos, publicados hoje na conceituada revista Nature Astronomy, as equipas tentaram identificar a química, dinâmica e lugares de nascimento de alguns desses corpos, bem como a transformações que sofrem ao aproximarem-se do Sol, informações vitais para melhorar os modelos de formação do nosso Sistema Solar e de outros sistemas planetários.

Nuno Peixinho, comenta: «após mais de 30 anos a estudar estes objetos ricos em gelos na Cintura de Kuiper, verdadeiros ‘fósseis vivos’ da formação do nosso sistema solar, conseguimos finalmente identificar a presença de gelos de água, dióxido de carbono e metanol, e de algumas moléculas orgânicas. Na sua formação, a concentração dos diferentes compostos químicos dependeu essencialmente da distância ao Sol, o que nos permite agora começar a compreender como todos estes objetos se foram misturando pelo Sistema Solar».

Os astrónomos conseguiram identificar várias moléculas que compõem estes fósseis gelados, recorrendo a observações com o Telescópio Espacial James Webb (JWST) na banda do infravermelho, radiação que não consegue atravessar a atmosfera terrestre.

A líder da equipa, Noemi Pinilla-Alonso (University of Central Florida e Instituto de Ciencias y Tecnologías Espaciales de Asturias - ICTEA) acrescenta que «a importância desta descoberta reside no facto de podermos agora afirmar que o fator mais determinante na composição atual da superfície destes corpos é o material disponível no disco pré-solar na altura da formação dos planetesimais, objetos sólidos com um diâmetro superior a um quilómetro. Assim, o estado atual destes objetos transneptunianos está intimamente ligado ao inventário de gelos no nascimento do Sistema Solar, como se fosse uma fotografia congelada desse tempo». 

O principal objetivo do projeto era avaliar a proporção relativa de gelo de água, compostos orgânicos complexos, silicatos e gelos muito voláteis (isto é, facilmente evaporáveis) numa grande amostra de TNOs. Esta informação é vital para melhorar os modelos de formação do nosso Sistema Solar e de outros sistemas planetários, sendo igualmente relevante para a nossa compreensão da origem da água e da vida na Terra e, possivelmente, noutros locais do Sistema Solar ou fora dele.

É particularmente importante para estes modelos identificar as linhas de gelo destes gases. Por exemplo, no espaço, a água congela mais perto do Sol do que o dióxido de carbono ou o metanol, que por precisarem de temperaturas ainda mais baixas para congelarem, congelam mais longe da nossa estrela.

Devido à migração dos planetas gigantes, que se moveram bastante ao longo da história do Sistema Solar, todos os pequenos corpos ricos em gelos que estes apanharam pelo caminho acabaram por se dispersar e misturar. Ainda nos dias de hoje, as órbitas de muitos TNOs acabam por ser influenciadas pelo planeta Neptuno, cuja gravidade pode catapultá-los para o interior do Sistema Solar. Os TNOs que passaram a ter órbitas entre Júpiter e Neptuno designam-se por Centauros. 

Nuno Peixinho explica que neste estudo observaram também «os chamados Centauros, que estão temporariamente entre Júpiter e Neptuno». Devido à influência de Júpiter, a maioria destes Centauros acabam por ser empurrados para órbitas ainda mais próximas do Sol, transformando-se em cometas. Mas enquanto não se aproximam do Sol, «conseguimos identificar que estes possuem menos gelos do que quando estavam na Cintura de Kuiper, o que indica que muitos destes gelos se perdem lentamente, antes destes objetos se tornarem cometas ativos», acrescenta o investigador português. 

Nesta investigação a equipa detetou a presença de vários gelos, como água (H2O), dióxido de carbono (CO2), monóxido de carbono (CO), metanol (CH3OH) e outras moléculas ricas em carbono, oxigénio e nitrogénio (azoto), mas em proporções diferentes, levando-os à conclusão de que existem três grupos de TNOs com composições químicas distintas: os “tijela” (bowl), os “cova-dupla” (double-dip) e os “penhasco” (cliff). Os nomes foram atribuídos em função do aspeto que o seu espetro tem numa certa região do infravermelho. 

Os resultados deste estudo sugerem que os TNOs de tipo “tijela”, muito ricos em gelo de água, ter-se-iam formado mais perto do Sol do que os de tipo “cova-dupla”, muito mais ricos em dióxido de carbono e até com algum monóxido de carbono, com os de tipo “penhasco”, com pouco gelo de água, mas bastante gelo de metanol, a formar-se ainda mais longe. «Demonstrámos que se pode estudar, quase em tempo real, a complexa transformação da composição química das superfícies destes objetos, ao longo do seu percurso entre a Cintura de Kuiper e o Sistema Solar interior», afirma Nuno Peixinho.

Nuno Peixinho participou na análise, discussão e interpretação dos dados observacionais de espetroscopia de TNOs e Centauros obtidos com o JWST, com particular ênfase na análise estatística, na comparação entre os novos dados de espetroscopia e os resultados já obtidos com fotometria. «Ainda temos muito mais coisas para analisar e já submetemos mais propostas de observação ao James Webb para conseguirmos mais dados e, esperemos, novas descobertas. Estes resultados ajudarão também na questão do papel que tiveram no surgimento de vida na Terra os muitos cometas que nela caíram no passado, trabalho ao qual se dedicam muitos astrobiólogos e ainda sem resposta», conclui o investigador do IA. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Estados Unidos da América - Sonda New Horizons da NASA vai visitar Ultima Thule

Trata-se do objeto espacial mais distante do Sistema Solar que a humanidade alguma vez conseguiu alcançar



As doze badaladas da passagem do ano para 2019 vão ser comemoradas com um sabor especial na NASA. É que a sonda New Horizons pode chegar finalmente a Ultima Thule (2015 MU69), considerado o objeto espacial mais longínquo que o Homem conseguiu alcançar, localizado para além da órbita de Plutão.

O mais curioso é que a sonda está a realizar uma missão para o qual nem foi concebida, já que foi lançada em 2006 em direção a Plutão, numa altura em que o Ultima Thule ainda não tinha sido descoberto. Apenas em maio de 2009 foi detetado, após os astronautas introduzirem uma câmara melhorada no telescópio espacial Hubble. Mas o corpo celeste foi finalmente fotografado em junho de 2014, descrito como uma “montanha” flutuante que orbita o Sol a mil milhões de milhas para lá de Plutão (e a quatro mil milhões de milhas da Terra).

Será o primeiro encontro da humanidade com este “novo mundo” marcado para o dia 1 de janeiro. Este contacto tem entusiasmado a comunidade científica que não sabe o que esperar: “Se soubéssemos o que esperar não estávamos a ir para Ultima Thule. É um objeto que nunca visitámos antes”, refere o investigador científico Alan Stern ao Business insider.



Segundo é explicado, Ultima Thule encontra-se numa zona chamada Cintura de Kuiper, uma região descrita como tendo uma luz solar tão fraca como a iluminação de uma Lua Cheia. Esta zona longínqua e gelada agrega os vestígios da formação do sistema solar, denominados por objetos da cintura de Kuiper (Kuiper Belt Objetcs - KBOs). Tal como Plutão, o Ultima Thule é um desses corpos que se juga estar em órbita há milhares de milhões de anos e que o seu estudo pode revelar como o Sistema Solar evoluiu para formar planetas como a Terra. É considerado uma espécie de “semente de planeta”.

Os cientistas consideram o corpo celeste como uma espécie de cápsula do tempo com 4,5 mil milhões de anos. É a primeira vez que assistem a um elemento que não é grande o suficiente para ter suporte geológico como um planeta, mas ao mesmo tempo nunca foi posto em perigo pelo Sol. Os cientistas afirmam que a passagem do New Horizons é o equivalente astronómico a uma escavação arqueológica no Egito. “É como abrir pela primeira vez o túmulo de um faraó e ver como era a cultura há mil anos atrás, mas aqui é nos confins do Sistema Solar”, afirma o investigador…

Se tudo correr bem, as primeiras imagens são esperadas no dia 1 de janeiro, cerca de 30 minutos depois da famosa “bola” ser lançada no Times Square, em Nova Iorque. Rui Parreira – Portugal in “Sapo”