Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 2 de abril de 2024

Moçambique - Mau tempo volta a deixar autoridades em alerta

As autoridades do setor de Meteorologia monitorizam possível impacto de um sistema de baixa pressão formado em Madagáscar conhecido como Gamane. A comunidade humanitária aponta falta de meios de auxílio de entidades atuando no sul e centro


As autoridades de Moçambique dizem acompanhar o sistema de baixa pressão Gamane pelo potencial de ter impacto no Canal de Moçambique e no continente. A comunidade humanitária fala de necessidades críticas para a prestação de auxílio.

Nas próximas semanas, a expectativa é que chuvas significativas caiam na região norte que compreende as províncias de Cabo Delgado, Niassa  e Zambézia.

Crise climática no sul e centro

A mais recente atualização do Escritório da ONU para Assistência Humanitária, Ocha, alerta que a crise climática no sul e centro do país gerou necessidades muito acima da capacidade das organizações humanitárias no terreno. Os suprimentos e capacidades são limitados e uma expansão requer recursos adicionais.

O Gamane tem potencial para evoluir para uma tempestade tropical moderada, mas ainda “não representa perigo para a costa moçambicana após ter sido formado em Madagáscar, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia.

As agências humanitárias apontam grandes necessidades cobrindo setores como agricultura, educação, abrigo, artigos não alimentares e de água, saneamento e higiene. Foram também identificadas necessidades de reconstrução e reabilitação de infraestruturas.

Desde o início da época chuvosa e ciclónica 2023/2024, Moçambique teve um total de 131 915 afetados, incluindo 135 mortos e 195 feridos.

Danos às infraestruturas

A cidade e província de Maputo foram atingidas por fortes chuvas que afetaram um total de 93 240 pessoas provocando cinco mortos e três feridos entre 23 e 24 de março.

Os danos atingiram infraestruturas públicas e privadas e afetaram o acesso rodoviário às províncias da Matola e Maputo. Cerca de 174 casas foram parcialmente danificadas, 99 totalmente perdidas e 11 133 inundadas.

Nesta semana retomam aulas após terem sido paralisadas devido ao mau tempo que afetou pelo menos 19 escolas. Cerca de 932 hectares de culturas também foram perdidos, bem como 275 km de estradas danificadas.

Dias antes, a tempestade tropical Filipo provocou a morte de duas pessoas e dezenas de feridos nas províncias de Gaza, Inhambane, Maputo e Sofala.

O mau tempo causou danos às infraestruturas que incluem 1674 casas de forma parcial e outras 456 totalmente destruídas. ONU News – Nações Unidas

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Moçambique – Cooperação na área da segurança marítima com a França

Na sexta-feira, a França comprometeu-se a tratar de assuntos de segurança marítima com Moçambique “numa lógica de vizinhos”, segundo o ministro francês para a Europa e Negócios Estrangeiros, Jean-Yves Le Drian.

A vizinhança diz respeito à jurisdição francesa sobre diversas ilhas do canal de Moçambique, no oceano Índico, que fazem da segurança um dos “desafios comuns”, como referiu o governante.

Os ataques armados em Cabo Delgado, Norte do país, onde a petrolífera francesa Total constrói um megaprojeto de exploração de gás natural, também foram abordados no encontro que manteve esta tarde com o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi.

Mas Jean-Yves Le Drian não entrou em detalhes e os jornalistas não tiveram direito a perguntas no final de uma declaração conjunta com a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação moçambicana, Verónica Macamo – logo após o encontro com Nyusi.

Segundo Macamo, na reunião, o ministro francês ficou a saber que “o povo vive dias maus” em Cabo Delgado, para onde são necessárias “outras soluções” que não passem pelo recurso às armas para devolver a paz à província.

Em causa, os ataques de grupos armados – reivindicados pelo Estado Islâmico, mas cuja origem permanece obscura – que desde 2017 já provocaram, pelo menos, 350 mortos e afetaram 156 400 pessoas.

Seja como for, Jean-Yves Le Drian frisou que a França está empenhada em “apoiar o processo de paz” sustentado pelo acordo de paz assinado entre o Governo e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, em agosto de 2019.

A par da paz, há um compromisso com o desenvolvimento económico, assinalou.

Neste último dossiê, o país já soma 60 empresas e 12 mil postos de trabalho criados em Moçambique, sobretudo nos setores agroalimentar, das pescas e energias renováveis, referiu, números aos quais se poderão juntar 14 mil empregos no complexo industrial de exploração de gás natural de Afungi.

Ou seja, é um megaprojeto em que os dois países saem a ganhar, destacou.

O ministro francês disse que os temas abordados voltarão a estar em cima da mesa em junho, quando o Presidente moçambicano participar na cimeira África-França sobre o tema dos territórios e cidades sustentáveis, na cidade francesa de Bordéus.

Filipe Nyusi já foi convidado pelo seu homólogo a estender a visita a França para lá do programa da cimeira e retribuiu fazendo o convite para Emmanuel Macron se deslocar a Moçambique no final do ano ou início de 2021.

Jean-Yves Le Drian aterrou dia 20 em Maputo depois de um périplo pelas ilhas Maurícias e Madagáscar, seguindo de Moçambique com destino a França.

O programa de sábado na capital lusófona incluiu uma visita ao navio militar francês Champlain, que fez uma escala no porto de Maputo e onde Le Drian manteve conversações com o ministro da Defesa, Jaime Bessa Neto.

Parte das águas do canal de Moçambique pertencem a ilhas habitadas e ilhéus desertos que fazem parte dos territórios ultramarinos franceses, tornando frequente a presença da Marinha de França. In “Mundo Lusíada” - Brasil