Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 11 de maio de 2022

Brasil - Universidade Federal do Paraná vai integrar celebrações internacionais dos 100 anos de Saramago após a instalação da Cátedra José Saramago

A Cátedra Saramago na UFPR é a 8.ª cátedra Camões no Brasil

A Cátedra Camões José Saramago foi instalada na Universidade Federal do Paraná (UFPR), na última sexta-feira (6), com as presenças de diversas autoridades da universidade e do governo português.

Na ocasião, foi anunciado que vai acontecer na UFPR o colóquio “Se podes ver, repara: olhares sobre Saramago” entre 13 e 15 de setembro de 2022, em parceria com a Fundação José Saramago.

Segundo a UFPR, a instituição será uma das poucas universidades no Brasil a sediar eventos integrados às celebrações internacionais dos 100 anos do escritor com a chancela do Comissariado para o Centenário de José Saramago.

Em aula inaugural da Cátedra, intitulada “Na oficina de Saramago: o escritor sem inspiração”, o professor sênior da Universidade de Coimbra e Comissário para o Centenário de Saramago, Carlos Reis, destacou a tradição da UFPR nos estudos portugueses e a cátedra como lugar de reflexão, de debate, de pesquisa em torno da literatura portuguesa.

Ao aprofundar a obra de José Saramago, Reis explanou sobre a posição do autor em desmistificar a noção de inspiração ao debater e problematizar as relações entre inspiração e trabalho. Nesse sentido, ele resgatou as etapas de produção das obras do escritor desde a sua gênese à finalização e o uso de materiais diversos como documentos históricos, registros de imprensa, citações, descrições, pesquisas aprofundadas de modo a salientar o árduo labor envolvido em cada uma delas. “Na oficina de Saramago, tem um lugar de destaque a pesquisa. A escrita não vem do nada, nela, encontramos muitos materiais”, concluiu.

A Cátedra

A solenidade do lançamento da cátedra de ensino contou com o Reitor da UFPR, Professor Ricardo Marcelo Fonseca, a Vice-reitora, Graciela Inês Bolzón de Muniz, o Presidente da Assembleia da República Portuguesa, Augusto Santos Silva, o Embaixador de Portugal no Brasil, Luís Faro Ramos, além do Professor jubilado de Coimbra e Comissário para o Centenário, Carlos Reis, dentre outras autoridades.

O Reitor da UFPR, Professor Ricardo Marcelo Fonseca, ressaltou a importância do Programa de Pós-graduação em Letras da UFPR, um dos mais bem avaliados pela Capes dentro da Universidade e o mérito de sediar a primeira Cátedra Camões do sul do Brasil. Ele destacou os laços institucionais e elos entre Brasil e Portugal ao lembrar das comemorações em torno do bicentenário da independência brasileira. “Enquanto historiador do Direito, em minha atividade acadêmica, acentuo uma linha de continuidade dentro das trocas culturais e institucionais entre Brasil e Portugal”, afirmou.

O Presidente da Assembleia da República Portuguesa, Augusto Santos Silva, resgatou a trajetória de José Saramago, destacando sua defesa da igualdade social e da dignidade humana. “A obra de Saramago sempre nos diz que os seres humanos são iguais em dignidade, sejam eles o rei dom João V ou o trabalhador rural do Alentejo, e o que mais nos une como seres humanos é a capacidade de sonhar, de falar, de imaginar. É uma honra para mim poder participar deste momento”, salientou.

Em seu pronunciamento, o professor do Programa de Pós-graduação em Letras da UFPR e integrante da Cátedra, Antonio Nery, destacou que ela é resultado de um esforço coletivo e agradeceu, especialmente, à Coordenadora da Cátedra, a Professora do PPG Letras, Patrícia Cardoso, ao Professor Marcelo Sandmann, também integrante da Cátedra, à Vice-cônsul de Portugal em Curitiba, Susana Pereira, à Diretora do Centro Cultural Camões de Brasília, Alexandra Pinho, ao Professor Carlos Reis, ao Professor André de Macedo Duarte, Diretor de Relações Internacionais da UFPR, ao Pró-Reitor de Planejamento, Orçamento e Finanças da UFPR, Professor Fernando Mezzadri, ao Reitor da UFPR, professor Ricardo Marcelo, à Vice-reitora, Professora Graciela Inês Bolzón de Muniz, ao departamento de Literatura e Linguística da UFPR em nome das Professoras Lígia Negri, Sandra Stroparo e Renata Telles e ao programa de Pós-graduação em Letras, representado na cerimônia, pela Vice-coordenadora, Professora Gesualda dos Santos Rasia e ao Setor de Ciências Humanas, representado por seu Diretor, Professor João Rickli.

“A cátedra se constitui em torno do que nosso patrono em sua obra sempre difundiu, um posicionamento crítico, pensando e debatendo as mazelas e as mais diversas desigualdades da nossa realidade sem deixar, obviamente, de ser propositivo”, afirmou Nery. Ele reiterou a pluralidade de temas e assuntos que podem ser investigados a partir da cátedra com o envolvimento dos docentes e discentes como um todo, além das possibilidades de parcerias entre o Instituto da Cooperação e da Língua (Camões I.P.), universidades brasileiras e portuguesas e seus representantes diplomáticos.

Na oportunidade, também foi anunciado a abertura de um canal da Cátedra José Saramago no YouTube, vinculado ao canal do PPG Letras. In “Mundo Lusíada” - Brasil


quinta-feira, 5 de maio de 2022

Lusofonia - Mais de cem ações em 50 países assinalam Dia Mundial da Língua Portuguesa


A terceira edição do Dia Mundial da Língua Portuguesa, esta quinta-feira, será assinalada através de 135 ações em 50 países, com Angola e o Brasil a assumirem os principais destaques, segundo o presidente do instituto Camões.

“Neste momento, temos 135 ações registadas em 50 países em todo o mundo para assinalar o Dia Mundial da Língua Portuguesa, uma boa parte delas em cooperação com os países da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa]”, disse João Ribeiro de Almeida, presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, à Lusa.

Este dia, proclamado pela 40.ª Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), em novembro de 2019, comemora-se este ano, pela primeira vez, de forma “mais ou menos normalizada”, assinalou o diplomata.

As edições anteriores do Dia Mundial da Língua Portuguesa “estiveram muito limitadas pela emergência sanitária decorrente [da pandemia] da covid-19, portanto, à base de muita coisa virtual, de conteúdos digitais”, recordou.

“Esta terceira edição é [assinalada] já com alguma normalidade”, ainda que “não absoluta”, explicou Ribeiro de Almeida, notando que a China voltou a impor recentemente algumas restrições em termos de mobilidade.

Do ponto de vista do Camões, a quem cabe por Portugal coordenar as comemorações, “esse é um desígnio da CPLP”, afirmou.

“Aliás, a CPLP existe porque temos uma língua em comum e, portanto, temos que cooperar cada vez mais, também para o Dia Mundial da Língua Portuguesa”, frisou o presidente do organismo, remetendo para o evento que está a ser preparado por Luanda, que assume atualmente a presidência rotativa da comunidade de países lusófonos.

“As comemorações que a CPLP está a fazer em Angola, com a presença do nosso ministro da Cultura [Pedro Adão e Silva], vão ser muito importantes e contribuir bastante para o Dia Mundial da Língua Portuguesa esta quinta-feira, dia 05”, sublinhou o embaixador.

Além do evento em Angola, João Ribeiro de Almeida fez questão de distinguir a cerimónia de lançamento de uma cátedra de português, a 61.ª em todo o mundo, na Universidade do Paraná, no Brasil, que dá expressão a uma das prioridades do instituto.

“Tenho pugnado muito no Camões pela criação de cátedras a nível do ensino superior. Porque isso é que faz com que a língua portuguesa se diferencie como língua de conhecimento, de investigação, de inovação”, salientou.

“Vai ser um momento bonito, porque estaremos a assinalar o Dia Mundial da Língua Portuguesa e as celebrações do centenário [do nascimento] de José Saramago. Assinalava esse como um ponto alto [das comemorações]. Aliás, o senhor presidente da Assembleia da República, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, estará no Paraná, na inauguração da cátedra”, que receberá o nome do Nobel da Literatura português, avançou.

A criação de cátedras, “numa altura em que as comunicações científicas estão completamente dominadas pelo inglês”, é uma das vias privilegiadas pelo Camões para a afirmação do português como língua de ciência, e esse é “um trabalho” que o presidente do instituto reconheceu que está “por fazer”, ao mesmo tempo que assinala o desempenho do Brasil nesse esforço.

“Neste momento o Brasil está realmente numa conjuntura muito interessante quanto às comunicações científicas porque praticamente as impõe em português. Isso é ótimo! Isso ajuda muito o trabalho da promoção e divulgação da língua portuguesa enquanto língua de ciência”, considerou.

O diplomata sublinhou que este caminho tem que ser percorrido com as universidades, mas apontou “outro problema” em relação a este desafio: “Temos muitas universidades no universo da CPLP, não vou nomeá-las, que obrigam os seus estudantes a fazer comunicações em inglês. Tem que haver aqui maneira de nos organizarmos, porque isto não faz sentido nenhum”.

“Andamos a pugnar pelo português e depois são os próprios centros universitários que obrigam os seus graduados, doutorandos, estudantes, a fazer comunicações em língua inglesa, porque, realmente, é uma língua franca em todo o mundo. Não temos nada contra isso, temos é que pugnar… Não é puxar as outras línguas para baixo, é puxar a nossa para cima”, defendeu.

No Brasil, o Dia da Língua ainda será marcado em Brasília com programação que conta com participação da presidente da Fundação José Saramago, Pilar Del Rio, além da programação do Fórum das Letras que conta com Mia Couto, e do programa Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”