Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Angola - Escritor Boaventura Cardoso vai partilhar experiência em três universidades italianas

A participação do escritor Boaventura Cardoso em conferências em três universidades italianas marca a agenda de actividades culturais do primeiro semestre de 2025 da Associação Cultural Casa de Angola na Itália. Um festival de cinema e uma exposição de artes plásticas são duas outras actividades de maior destaque



A presença do autor está no âmbito do projecto “Etumudietu”, revelou Matias Mesquita, presidente desta associação. A nossa fonte está no país para reforçar e estabelecer parcerias de modo a tornar a programação deste ano a mais atractiva.

A mesma está enquadrada nas comemorações dos 50 anos de Independência Nacional, para proporcionar a comunidade angolana e os italianos eventos à altura. “Um dos primeiros projectos este ano é a presença do escritor e nacionalista, Boaventura Cardoso em três universidades italianas para falar da sua experiência como autor e do último livro que escreveu” informou, Matias Mesquita.

A iniciativa tem como objectivo divulgar a literatura angolana e estabelecer o intercâmbio académico entre Angola e Itália. Segundo Matias Mesquita o projecto Etumudietu reforça a importância da literatura angolana como ferramenta de preservação da memória e identidade nacional.

Os encontros serão realizados em três universidades italianas, com a presença de especialistas em literaturas lusófonas, proporcionando aos estudantes uma oportunidade única de dialogar com um dos maiores expoentes da literatura angolana.

De acordo com o calendário das actividades, a primeira actividade acontece no dia 27 de Fevereiro na Universidade do Estado de Milão, onde Boaventura Cardoso interagirá com Vincenzo Rosso, professor associado de Literaturas Portuguesa, Brasileira e Africana de Língua Portuguesa.

A conferência seguinte confirmada está marcada para o dia 10 de Março nas Universidade de Roma com a moderação Giorgio de Marchis, director da Cátedra Agostinho Neto e professor ordinário de Literatura Portuguesa e Brasileira.

A última prelecção da programação oficial acontecerá a 11 de Março na Universidade do Estado de Roma, com a professora Barbara Gori professora de Literatura Portuguesa, Brasileira e de Expressão Lusófona.

“A presença de Boaventura Cardoso nesses eventos representa não apenas um tributo à sua obra, mas também um estímulo ao diálogo académico sobre a literatura angolana no cenário internacional”, justifica, Matias Mesquita.

A fonte afirma que o projecto “Etumudietu” vem na sequência da parceria com a União dos Escritores Angolanos para levar livros e autores angolanos na Itália. “Nós temos um catálogo escrito pelo José Luís Mendonça a ideia também é todo ano promover a recolha de textos dos escritores de diferentes gerações.

Matias Mesquita adiantou que no seguimento da programação do primeiro semestre, acontece nos dias 13 e 14 de Março, o Kibaka , um festival de cinema angolano e em Abril, em alusão ao Dia da Paz e Reconciliação Nacional, a primeira das três exposições colectivas de artistas plásticas, com a curadoria de Don Sebas Cassule.

O director da Associação Cultural Casa de Cultura na Itália fez um balanço positivo dos encontros e destacou a Fundação Agostinho Neto que ofereceu livros, a União dos Escritores Angolanos, a União Nacional dos Artistas Plásticos e o Atelier Don Sebas pela parceria.

A estrela do Etumudietu

Boaventura Cardoso é um dos nomes mais proeminentes da literatura angolana contemporânea é autor de uma vasta obra e profundamente enraizada na identidade e na história de Angola.

Entre os seus livros de contos, destacam-se Dizanga dya Muenhu (1977), O Fogo da Fala (1980) e A Morte do Velho Kipakaça (1987). Como romancista de ficção publicou O Signo do Fogo (1992), Maio, Mês de Maria (1997), Mãe, Materno Mar (2001). A obra vencedora do Prémio Nacional de Cultura e Artes — Noites de Vigília (2012) e Margens e Travessias (2022), este último agraciado com o Prémio de Literatura Dstangola Camões.

Além de seu impacto literário, Cardoso desempenhou papéis essenciais na promoção da cultura angolana, sendo membro fundador da União dos Escritores Angolanos e o primeiro presidente da Academia Angolana de Letras. Internacionalmente foi reconhecido como título de Comendador da Ordem do Mérito Cultural do Brasil e a inclusão no Novo Aurélio, de Aurélio Buarque de Holanda, e na The Literary Encyclopedia, de Londres. Analtino Santos – Angola in “Jornal de Angola”


sábado, 16 de julho de 2022

Angola - Boaventura Cardoso vence IV Prémio de Literatura Dstangola/Camões com a obra "Margens e Travessias"

Com a obra "Margens e Travessias", Boaventura Cardoso, que já foi vencedor do Prémio Nacional de Cultura e Artes, na edição de 2001, sagrou-se vencedor do prestigiado concurso promovido pelo Dstgroup, em parceria com o Instituto Camões

O escritor angolano Boaventura Cardoso é o grande vencedor do IV Prémio De Literatura Dstangola/Camões, com a obra "Margens e Travessias", publicada em 2021. Ao escriba, o concurso, uma promoção da empresa portuguesa Dstgroup, em parceria com o Instituto Camões, entrega, em Outubro, 15 mil euros, cerca de 6,3 milhões de kwanzas.

De acordo com a organização, as várias obras a concurso foram analisadas por um júri de referência constituído pela professora Irene Guerra Marques (presidente), o professor Manuel Muanza e o jornalista Carlos Ferreira, ao qual coube a análise, escolha e fundamentação da obra premiada.

"A atribuição do prémio ao autor Boaventura Cardoso, fundamenta-se essencialmente no facto de se tratar de uma obra que reflete, melhor do que nunca, um escritor que nos habituou, ao longo dos anos, a um trabalho exaustivo que balança constantemente entre uma criatividade muito rica, mas também muito disciplinada", destacou o júri do prémio.

Na avaliação de Irene Guerra Marques, Manuel Muanza e Carlos Ferreira, entre o imaginário, o realista, o religioso, o musical (o refrão que percorre uma das principais figuras do seu romance, da sua vida!), "Boaventura Cardoso recorre aos mesmos métodos que fizeram dele um dos melhores prosadores da História da Literatura Angolana: uma disciplina férrea, um profundo conhecimento da realidade, uma observação lúcida e inteligente de tudo quanto se vai passando à sua (à nossa...) volta e constrói um romance que se constitui fundamental para quem queira conhecer a Angola do último meio-século".

O Prémio de Literatura Dstangola/Camões, que distingue livros editados em poesia e prosa, de artistas nascidos em Angola, já distinguiu autores como Zetho Cunha Gonçalves, em 2019, Pepetela, em 2020 e Benjamim M"Bakassy, no ano passado.

Boaventura Cardoso, licenciado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade de São Tomaz de Aquino - "Angelicum", de Roma, é membro fundador da União dos Escritores Angolanos e autor dos livros de contos "Dizanga dya Muenhu (1977), "O Fogo da Fala" (1980) e "A Morte do Velho Kipacaça" (1987), dos romances "O Signo do Fogo" (1992), "Maio, Mês de Maria" (1997), "Mãe, Materno Mar" a que foi atribuído o Prémio Nacional de Cultura e Artes (2001), na disciplina de Literatura, e dos romances "Noites de Vigília" (2012) e "Margens e Travessias" (2021). É membro honorário da Academia Palmense de Letras (Estado brasileiro de Tocatins) e ostenta a Ordem do Mérito Cultural na classe Comendador, concedido pelo Presidente da República Federativa do Brasil, em 2006. Está dicionarizado no "Novo Aurélio", de Aurélio Buarque de Holanda.

Foi, de 2016 a 2020, o primeiro presidente da Academia Angolana de Letras de que é membro-fundador. Actualmente, é deputado à Assembleia Nacional pelo partido MPLA. Hélder Caculo – Angola in “Novo Jornal”

 


terça-feira, 19 de outubro de 2021

UCCLA - Vai acolher lançamento do livro “Margens e Travessias” de Boaventura Cardoso

O romance histórico, cujas inúmeras travessias penetram nas margens da história de Angola, intitulado “Margens e Travessias” do escritor Boaventura Cardoso, será apresentado no dia 28 de outubro, às 18h30, no auditório da UCCLA.

Com a chancela da Guerra e Paz Editores, a obra será apresentada por Inocência Mata.


Sinopse:

Marco Lucchesi, escritor e presidente da Academia Brasileira de Letras:

«Boaventura Cardoso produziu um alto romance. Indelével o sentido poético difuso que o atravessa. Ouve-se a música do pensamento, a expressão de uma língua serena e vibrátil.»

Mensagem de Rita da Silva Cardoso, mãe do autor:

«Nas bordas deste romance inscrevi parte do que fui escrevendo em pagelas. A história da minha amargura é longa; não posso contá-la toda, nem convém, para além de que não tenho já vida para guardar tantas memórias. Pronto, fica assim. Que um dia se escreva a história das mães sofredoras como eu fui. De qualquer modo, meu filho, a ti que és escritor, confio estes papéis. Publica-os no momento oportuno; talvez seja melhor esperares que um dia acabe este caduco regime de ditadura democrática revolucionária…; faz tento nisso, Boaventura. De qualquer modo, levo comigo a dor das mães sofredoras, embora a dor delas seja maior; Fátima trouxe-me de volta o meu filho. Elas não tiveram essa sorte; elas choram até hoje a morte prematura de seus filhos. Levo comigo a dor delas − escreve isso, meu filho, na minha lápide onde repousar para sempre. Agora, para não atrapalhar a vossa leitura, caro leitor, migro e transvoo para outras margens.»

Cármen Lúcia Tindó Secco, autora e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro:

«É um romance histórico em que a geografia também protagoniza a construção romanesca, cujas inúmeras travessias penetram margens submersas da história de Angola, ao mesmo tempo que, pela linguagem da poesia, tecem uma “terceira margem” da estória.»


Biografia:

Boaventura Cardoso, licenciado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino (Angelicum), é escritor e diplomata de carreira, tendo sido Secretário de Estado da Cultura, Ministro da Cultura, Ministro da Informação, Governador de Província e Embaixador em França, Itália, Malta e junto aos organismos das Nações Unidas.

Membro-fundador da União dos Escritores Angolanos e da Academia Angolana de Letras, de que foi o 1.º presidente, é autor dos livros de contos Dizanga dya Muenhu (1977), O Fogo da Fala (1980) e A Morte do Velho Kipacaça (1987) e dos romances O Signo do Fogo (1992), Maio, Mês de Maria (1997), Mãe, Materno Mar (2001), agraciado com o Prémio Nacional de Cultura e Artes – Literatura, e Noites de Vigília (2012).

É membro honorário da Academia Palmense de Letras e Comendador da Ordem do Mérito Cultural desde 2006.

Atualmente é Deputado à Assembleia Nacional do Parlamento angolano, sendo presidente da Comissão para a Cultura, Assuntos Religiosos, Comunicação Social, Juventude e Desportos.

Morada:

Casa das Galeotas

Avenida da Índia, n.º 110 (entre a Cordoaria Nacional e o Museu Nacional dos Coches), em Lisboa

Autocarros: 714, 727 e 751 - Altinho, e 728 e 729 – Belém

Comboio: Estação de Belém