Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Arquivos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Arquivos. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Jessé Souza e Epstein

A revelação de três milhões de documentos extraídos dos arquivos de Jeffrey Epstein relança a teoria de complôs e já atingiu duas personalidades importantes. O ex-ministro francês Jack Lang, por uma questão de evasão de divisas e criação de uma empresa off-shore, já se demitiu da presidência do Instituto do Mundo Árabe, enquanto, na Inglaterra, quem pode cair é o primeiro-ministro Keir Starmer, por ter nomeado Peter Mandelson, amigo próximo de Epstein, predador sexual, como embaixador nos Estados Unidos.

Em entrevista para Radio France, a jornalista Perla Msika, do Conspiray Watch, dirigido pelo Observatório do Conspiracionismo, desmente a existência de uma conspiração mundial pedo-satanista, da qual Jeffrey Epstein seria o instigador "porque ele era judeu, rico e culpado de crimes sexuais", como propagam redes sociais alternativas e mídias complotistas. Ao contrário, a divulgação dos arquivos Epstein assinala a entrada "numa época de transparência, que permitirá aos jornalistas fazer seu trabalho e saber exatamente do que se trata, mesmo porque existem diversos casos Epstein".

Entretanto, as teorias antissemitas de complôs já se espalharam e de acordo com The Times of Israel envolvem o mundo judaico, por ter havido associações judaicas interessadas em obter doações de Epstein, ligações financeiras com yeshivas ortodoxas e com o ex-primeiro ministro Ehud Barak. No mais, tem havido um retorno às velhas teorias contra judeus, bem antes mesmo do nazismo.

Foi nesse clima de antissemitismo que o caso Epstein chegou ao Brasil, provocando numerosas reações na mídia convencional e nas redes sociais, depois da publicação de um vídeo na rede Instagram pelo sociólogo, escritor e professor Jessé Souza. Diante das primeiras reações negativas, o vídeo foi modificado, mas ficaram as reações ao vídeo original, segundo a Folha de SP, da qual transcrevemos os textos reproduzidos.

Na Folha de SP, a jornalista Laura Intrieri, definiu o vídeo como "ataque antissemita ao dizer que Epstein "é produto do sionismo judaico". Sem provas e sem se basear no que tenha sido publicado sobre o caso, Jessé ajunta "a rede industrial de pedofilia só existia para servir depois para a chantagem de Israel em relação aos políticos bilionários, especialmente americanos, para ter o apoio às práticas assassinas de Israel no Oriente Médio e na Palestina".

Na sequência, Jessé Souza deixou de ser um cientista social para ser um panfletário complotista: "o holocausto judeu foi cafetinado pelo sionismo, com a ajuda de Hollywood e de toda mídia mundial, dominada pelo lobby judaico para acusar de antissemitismo qualquer crítica a Israel." E afirma seu antissemitismo: "Como Israel, Epstein matava e violava meninas e meninos, americanos e de outros lugares, por uma autorização tácita e às vezes explicita do poder do lobby judaico no mundo". Rui Martins – Suíça

__________

Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Portugal - Milhares de peças de arte das ex-colónias continuam por listar travando uma possível devolução

Os museus e os arquivos de Portugal não têm listagens das obras de arte que deram entrada no país provenientes das antigas colónias, alertou o investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, António Pinto Ribeiro, lembrando que sem essa enumeração as peças não podem ser reclamadas



"Podem ser 10 mil, 50 mil ou 80 mil. Os próprios directores dos museus não sabem", diz António Pinto Ribeiro, ex-curador da Fundação Gulbenkian, num exercício para calcular o número de obras de arte existentes em Portugal oriundas das ex-colónias.

"Muitos destes objectos estão nas reservas, nem sequer estão expostos", acrescenta, defendendo que a ausência de listagens dessas peças é um "problema gravíssimo", cuja resolução deve ser vista como "tarefa prioritária" dos próximos governos.

A posição do especialista foi apresentada em Paris, na delegação da Fundação Calouste Gulbenkian, onde, nesta quinta-feira, 22, abordou a problemática da descolonização dos museus, trazida a lume no mesmo dia em que foram parcialmente conhecidas as conclusões do relatório pedido pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, sobre a restituição de colecções de arte africana existentes em França.

O documento, solicitado à historiadora de arte francesa Bénédicte Savoy, do Collège de France, e ao economista senegalês Felwine Sarr, autor do livro "Afrotopia", defende a devolução não apenas das obras trazidas, mas também das que entraram por via de missões científicas ou doações de administrações coloniais, refere a agência Lusa, que cita o jornal Le Figaro.

Apesar de ser apologista da devolução urgente das obras, o investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, lembra que é preciso observar algumas cautelas.

"As peças devem ser reclamadas pelos Estados, não pessoas particulares. Há que ver os critérios da legitimidade de como as obras chegaram à Europa. É preciso analisar se uma determinada peça faz parte do património essencial de um país ou de uma tribo. E há ainda a questão dos arquivos coloniais. Devem ser dados os originais ou cópias digitalizadas?", questionou o investigador português, citado pela Lusa. In “Novo Jornal” - Angola