Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Lusofonia - Programa "Laç(z)os Artísticos" disponibiliza três bolsas para jovens lusófonos

A 2.ª edição do programa de mobilidade artística "Laç(z)os Artísticos" vai disponibilizar três bolsas para jovens dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e Timor-Leste, com idades entre os 18 e os 30 anos. A submissão de candidaturas decorre de 01 de Agosto a 15 de Setembro de 2026


A iniciativa resulta de um protocolo de cooperação internacional assinado em 2026 entre a Direcção-Geral das Artes (DGARTES), o Camões I.P., a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) e o El Corte Inglés.

O programa pretende apoiar a internacionalização de projectos artísticos nos espaços da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da Ibero-América, incluindo América Latina, Espanha e Andorra.

Segundo a informação disponibilizada na página de Facebook do Instituto Camões, "podem candidatar-se pessoas singulares maiores de 18 anos, residentes ou com nacionalidade de um país membro da OEI e/ou da CPLP".

Os candidatos devem igualmente "exercer actividade profissional nas áreas das artes visuais, artes performativas, artes de rua ou cruzamento disciplinar e estar associados a entidades artísticas de cariz profissional" e não serão aceites candidaturas para "projectos no mesmo país de residência do candidato".

O programa tem também um valor total anual de €45.000,00 com a atribuição de 20 bolsas no valor de €2250 cada, das quais três são exclusivas para jovens lusófonos.

A apreciação das candidaturas decorre de 16 de Setembro a 13 de Novembro de 2026 e os resultados serão divulgados entre 16 e 20 de Novembro de 2026. Os projectos seleccionados deverão ser desenvolvidos em 2027.

As candidaturas elegíveis serão avaliadas por uma comissão com representantes da DGARTES, Camões I.P. e OEI, e pontuadas de 1 a 5 com base na relevância da proposta, competências do candidato, aplicabilidade do projeto à mobilidade e carácter inovador. A pontuação mínima para aprovação é 3.

As candidaturas terão ainda de ser submetidas eletronicamente através de um formulário que ficará disponível em tempo oportuno nos sítios da DGARTES, Camões I.P. e OEI.

Para mais informações, os candidatos deverão aceder à ligação: Laç(z)os Artísticos. Omar Prata – Angola in “Novo Jornal”


segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Moçambique - Universidade Licungo lança programa de doutoramento

A Universidade Licungo lançou oficialmente, na passada sexta-feira, 07 de Agosto, o Programa de Doutoramento em Ciências de Desenvolvimento, uma iniciativa da Faculdade de Economia e Gestão que pretende reforçar a produção de conhecimento científico, a investigação e a formação de quadros altamente qualificados para responder aos desafios do desenvolvimento sustentável.


Para a Universidade Licungo, o lançamento do programa de doutoramento representa um passo estratégico na afirmação da instituição como espaço de investigação, inovação e produção de conhecimento ao serviço do desenvolvimento de Moçambique.

A cerimónia contou com a participação de Rogério Uthui, antigo Reitor da Universidade Pedagógica como orador principal.

Sob o lema “Transformação Global: O Papel da Ciência, da Inovação e da Formação Doutoral na Construção de Sociedades Resilientes”, o evento juntou académicos nacionais e internacionais para reflectir sobre o papel da ciência e da inovação na construção de soluções para os desafios actuais. In “O País” - Moçambique


Cabo Verde – Associação “Nós Zona Ma Nós” lança campanha de recolha de materiais escolares para ajudar crianças desfavorecidas

Porto Novo – A Associação “Nós Zona Ma Nós”, em Chá de Alecrim, na Ribeira das Patas, tem em marcha uma campanha de angariação de materiais escolares para apoiar duas dezenas de crianças de famílias desfavorecidas.


A informação foi avançada pelo presidente da associação, Hernany Neves, que avançou que esta iniciativa, que decorrerá até ao início do ano lectivo, consiste na recolha de cadernos, canetas, lápis, mochilas e outros materiais para doar às crianças desfavorecidas em Chã de Alecrim.

Esta campanha surge a partir da constatação de que as famílias que residem em Chã de Alecrim “são todas desfavorecidas” e enfrentam, por isso, dificuldades para adquirir os materiais escolares para os seus educandos, explicou ainda este responsável.

“Decidimos desencadear esta campanha de recolha de materiais escolares para tentar suprir as necessidades básicas de 19 crianças de famílias de fracos recursos residente em Chã de Alecrim”, sublinhou o líder comunitário, que apela à adesão das "pessoas e instituições de boa vontade".

A associação criou, recentemente, em parceria com a Câmara Municipal do Porto Novo, uma biblioteca em Chã de Alecrim que tem dado o suporte às crianças, que, neste ano lectivo, precisam de materiais escolares, avançou a mesma fonte.

A associação, segundo Hernany Neves, tem como propósito ajudar na resolução dos problemas que esta comunidade enfrenta, designadamente a nível da habitação, saúde e da educação. In “Inforpress” – Cabo Verde 

Cabo Verde - Associação satisfeita com campanha de recolha de livros para biblioteca em Chã de Alecrim no município de Porto Novo




Singapura - Usa a arte para embelezar as estações de Metro

Não é novidade a nível mundial, mas Singapura elevou a fasquia. Se já passou pela plataforma, talvez tenha reparado no extenso mural a preto e branco de 11,4 metros de altura localizado mesmo ao lado das escadas rolantes.


Ou talvez não. Afinal, as estações de Metro são o epítome dos espaços liminares. Nunca são um destino em si, mas um espaço transitório por onde as pessoas passam, muitas vezes apressadas.

Obras de arte, porém, como o mural intitulado Newton – criado pela artista visual local Tan Zi Xi – tornaram-se parte integrante da estrutura da rede de Metro da cidade-estado.

A Autoridade de Transportes Terrestres (LTA) descreve as obras de arte, encomendadas através de um programa chamado Arte em Trânsito (AIT), como a maior exposição de arte pública de Singapura.

O AIT teve início em 1997, com a Linha do Nordeste. Todas as novas estações do MRT inauguradas desde então foram decoradas com obras de arte exclusivas, que muitas vezes reflectem a localização e a história da estação.

A partir de 2026, a LTA alargou o programa AIT às estações existentes ao longo das linhas Norte-Sul e Este-Oeste.

Se as estações do MRT são apenas espaços de passagem, qual o sentido de uma curadoria tão cuidada? Um dos motivos, segundo a LTA, é “criar momentos significativos e memoráveis na rotina das viagens diárias”.

Mas, além de tornar as estações visualmente mais interessantes, também podem contribuir para a identidade urbana geral da cidade, afirma o criador de conteúdos e educador patrimonial Ho Yong Min.

“Estas obras de arte dão às estações a sua própria personalidade, ajudando-as a tornarem-se lugares reconhecíveis, em vez de simplesmente pontos de passagem ao longo da rede do MRT”, disse Ho, responsável pelas contas de Instagram e TikTok do The Urbanist Singapore.

E embora as estações de Metro sejam espaços inerentemente transitórios, são construídas para durar gerações.

Assim, ao inserir obras de arte nestes espaços, “estamos também a incorporar histórias, memórias e ideias no tecido físico da cidade”, acrescenta Ho.

“Colectivamente, estas obras tornam-se também um registo da sua época. Reflectem o momento em que Singapura se encontrava como sociedade quando foram encomendadas, as histórias que queríamos contar e como víamos a relação entre a arte e o espaço público”, observa.

“Isto é algo que as gerações futuras herdarão juntamente com a própria infra-estrutura.”

Além da atractividade visual, estas obras de arte podem também ter um papel funcional, facilitando a circulação nas estações do ano.

Veja-se, por exemplo, a obra Old Chinatown In New Maxwell Life, de Justin Lee, na estação de Maxwell da linha Thomson-East Coast. Não se trata de uma obra isolada, mas sim de uma instalação espalhada por toda a estação.

Numa das entradas, lâmpadas de vendedores ambulantes e uma criança a comer indicam o caminho para o Maxwell Food Centre. Noutra entrada, nuvens apontam para o Templo e Museu da Relíquia do Dente de Buda.

O porta-voz da LTA afirma: “Na plataforma, a obra de arte apresenta o nome da estação em inglês e chinês, reforçando o sentido de identidade e auxiliando os passageiros na localização.”

Criar e seleccionar obras de arte para estações de MRT é um desafio único, observa Ho. “Tem a atenção de alguém por apenas alguns segundos. A obra de arte precisa de ser visualmente apelativa o suficiente para chamar a atenção, ao mesmo tempo que recompensa aqueles que optam por olhar mais de perto”.

“Como alguém que gosta de explorar espaços urbanos, acho este desafio particularmente interessante porque questiona como o design pode criar momentos de curiosidade num espaço que é fundamentalmente transitório. Cada artista irá abordar isto de forma diferente, mas penso que é isso que torna o Art In Transit uma plataforma tão interessante”, acrescenta.

Ao seleccionar obras de arte para novas estações, a LTA realiza um concurso público para artistas singapurenses ou residentes permanentes de Singapura submeterem os portfólios e currículos. Estas submissões são analisadas pelos curadores designados, com a supervisão do Painel de Revisão de Arte (ARP) e da LTA.

Para as estações já existentes, o ARP e a LTA seleccionam os artistas com base no seu historial e capacidade de executar projectos de escala e natureza semelhantes. Os artistas são então convidados a apresentar propostas conceptuais.

O embaixador itinerante de Singapura Tommy Koh lidera o ARP para novas estações, enquanto o premiado arquitecto Mok Wei Wei preside ao ARP para estações já existentes. Outros membros do ARP incluem artistas, educadores de arte e arquitectos.

“O processo foi concebido para atrair um grupo diversificado de artistas consagrados e emergentes para participar no programa AIT”, afirma o porta-voz da LTA.

Koh afirma que existem três considerações principais na curadoria das obras de arte para as estações do ano. “Em primeiro lugar, a obra de arte deve ser inspiradora e acessível ao público que utiliza os transportes públicos. Em segundo lugar, deve ter em conta a localização da estação e a história do local ou do bairro. Em terceiro lugar, a obra de arte deve ser segura e tecnicamente viável”.

E acrescenta: “Entendemos que uma estação de MRT não é uma galeria de arte. Por isso, seleccionámos obras de arte que ressoam com o passageiro que utiliza os transportes públicos. Mantivemos diálogos extensos com alguns dos curadores e artistas para obter os melhores resultados”.

Mesmo com a contínua expansão da rede MRT – e, com ela, da colecção exibida pelo AIT – Koh tem grandes expectativas para o que o programa pode alcançar. “A minha grande ambição para Singapura é ter as estações de MRT mais bonitas do mundo.” In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências internacionais”


Contos repassados de lirismo

Novo livro do jornalista e escritor Hugo Almeida traz textos que fixam perplexidades do ser humano diante do mistério da vida  

                                                                      

                                                            I

Quinze narrativas que deixam no ar um enigma. É o que o leitor irá encontrar em A vizinha das sete cordas (São Paulo, Editora Sinete, 2026), de Hugo Almeida, que traz ainda um percuciente prefácio da escritora mineira Eltânia André, radicada em Lisboa, e textos de apresentação da poeta Lara Vaz-Tostes e do escritor e editor Whisner Fraga. São contos repassados de lirismo, que não trazem reflexões de um ensaísta, mas de um ficcionista-poeta, que procura fixar a solidão do homem e da mulher modernos, seus sonhos e perplexidades diante do mistério da vida.

Foram escritos ao longo dos últimos dez anos e construídos com uma arquitetura narrativa marcada pela concisão e pela força imagética que já estavam presentes em obras anteriores do autor, como Mil corações solitários (São Paulo, Editora Scipione, 1988) e Vale das ameixas (São Paulo, Editora Sinete, 2024), romances, e Certos casais (São Paulo, Editora Laranja Original, 2021), contos.

Tudo isso dotado deuma rara qualidade que reside na força temática, emocional e imagética e se traduz nos cortes, nas frases breves e precisas”, como observa Eltânia André no prefácio “Por quem as cordas vibram”, destacando também a conexão do contista “com obras e autores, tanto nos diálogos intertextuais e nas epígrafes que representam um nexo temático, quanto nas dedicatórias, que se convertem em homenagem e reconhecimento afetivo àqueles que cruzaram sua trajetória literária, acadêmica e existencial como inesgotáveis referências”.

Dos quinze textos, divididos em três partes – “Dentro de casa”, com cinco contos, “Fora de casa”, com sete, e “Além – tributo a três eternos”, com três –, já haviam sido publicados três: “O canto do sonho” em Nove, novena: variações (São Paulo, Olho d´água, 2016), coletânea organizada pelo autor em homenagem a  Nove, novena (1966), narrativas, do escritor pernambucano Osman Lins (1924-1978); “O canto de Clarice” em Feliz aniversário, Clarice (São Paulo, Autêntica Editora, 2020), coletânea organizada pelo autor em homenagem ao centenário da romancista, contista e ensaísta ucraniana-brasileira Clarice Lispector (1920-1977) e aos 60 anos de seu Laços de família (1960), contos, obra que foi incluída no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), do Ministério da Cultura, de 2021, para o ensino médio;  e “O casal do farol”, que saiu na antologia Quando não estávamos distraídos (São Paulo, Editora Sinete, 2023). Trata-se do décimo sétimo livro do autor e o quinto de contos.

 

                                                   II

No texto que abre o livro, “Nas nuvens”, o que se lê é a dúvida de um casal a caminho da senectude diante da iminência de trocar o conforto de uma velha e ampla casa térrea por um apartamento num dos andares mais altos de um prédio recém-construído, provavelmente insuflados pelo medo de serem assaltados quando abrissem o portão da garagem. Com humor e escrita elegante, Hugo Almeida reproduz com fidelidade o que, nesses momentos, passa pelas mentes de todo casal diante da iminência de mudar de vida:

“Comprar é mais fácil e rápido do que vender. Dezenas de interessados visitaram a nossa casa. Ofertas reais, duas. Inaceitáveis. Carro velho no meio, um bocado em dólar (por que não trocavam no banco?), cota de clube. Cash, mané, pouco, ou quase nada. Só faltavam oferecer vale-transporte e vale-refeição. Trinta anos de sacrifícios a troco de quê?”

Como se vê pelo trecho acima, o contista se vale do material de suas memórias para percorrer o labirinto da alma, mesmo nos pequenos acontecimentos da vida, e desencavar lembranças de momentos pelos quais talvez tenha passado ou tema vir a passar, acompanhado ou não. São “memórias” que, na verdade, perpassam o crivo do autor em que fatos íntimos se misturam com os fatos vividos por ele ou terceiros. Nesse caso, o memorialista parece buscar e recuperar o tempo perdido, que inclui pessoas e fatos que lhe povoam as lembranças. Ou, como diz Eltânia André no prefácio, “o autor realiza, num claro viés ontológico, a sondagem das vidas rotineiras envoltas num cotidiano de névoas, impulsos e contradições, retratando situações e sentimentos, confidências, medos e apreensões, sonhos e pesadelos”.

É o que se vê no conto “Duas estrelas”, que consta da segunda parte da obra, em que se conhece um episódio em que um casal e seu filho pequeno conseguem sair da rotina para passar uns dias confortáveis num hotel simples sem fazer nada, graças a um dinheirinho que o pai obtivera fazendo uma fezinha no jogo do bicho. Ou, provavelmente, em algo ainda mais irregular. Por isso, o desenlace é surpreendente porque, afinal, como conclui o contista, “a vida é peregrinação”.

 

                                                           III

Já no conto que dá título ao livro, Mira, uma professora que anda às voltas com pesquisas para a sua pós-graduação, vê a sua vida transformada ao passar a conviver com uma vizinha, Elvira, que, prestativa, cuida de seu animal de estimação e de seu apartamento, quando ela viaja, e acaba por lhe ensinar que sons e cores também ajudam a organizar a vida. Mas o que a vizinha apronta no fim surpreende Mira e os leitores.

No último texto da terceira parte, “O poeta e a estrela da manhã”, em que há uma epígrafe em homenagem ao poeta Manuel Bandeira (1886-1968), lê-se o testemunho de uma aluna de nome Soraya que vai à casa do professor Manuel, um solteirão que também é poeta. Interessada em escrever sobre o professor-poeta, sua vida e obra, ela acaba por conhecer a mãe dele, dona Francelina, conhecida como Dona Santinha, uma velhinha quase encarquilhada, que fala francês e gosta de citar Baudelaire, Valéry, Rimbaud e Mallarmé. O desfecho não se conta aqui para que o leitor não perca o prazer da surpresa, mas se adianta um pouco do que o professor-poeta disse à aluna-entrevistadora:

“A vida é um milagre. Cada pássaro é um milagre. Tudo é milagre. Ouvi um dia que sou mais antigo do que o som. Não me incomodo, caminho para o fim, hoje sou quase um silêncio. Na minha vida de poeta os meus contatos têm sido sempre com gente moça, o que talvez explique por que eu venha envelhecendo devagar. Vi que você sabe de uma coisa importante: escrever não é um martelo de ferreiro, não é um cântico de certezas. Para mim, como dizia um poeta francês, o Mallarmé, escrever poesia é fazer música com a dor”. 

Em outras palavras: como observa Whisner Fraga na contracapa, estes contos “reforçam que toda a vida é travessia e, nas sombras das veredas, pulsa um lampejo de espanto, fé e humanidade”. Enfim, o que se pode acrescentar é que, nestes contos, constata-se também a saudável influência de Osman Lins, cuja obra serviu como tema para a tese de doutoramento do autor, que, por sua vez, segue a rigorosa inovação estética e formal empreendida pelo escritor pernambucano.

 

                                                           IV

Mineiro radicado em São Paulo desde 1984, Hugo Almeida (1952), jornalista formado em 1976 pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), obteve o doutoramento em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP), em 2005. Fez sua estreia em 1975 com Globo da morte, contos. Dez anos depois, publicou o segundo livro de contos, Em teu seio Liberdade (São Paulo, EMW Editores).  Com o romance Mil corações solitários conquistou o Prêmio Nestlé de 1988 e o Prêmio Cidade de Belo Horizonte de 1987, este com o título de Carta de navegação, obra que chegou em 2025 em sua quarta edição, pela Editora Sinete, de São Paulo, e alcança agora, em 2026, a quinta edição pela mesma editora.

As outras saíram pela Editora Scipione, em 1991 e 1994. Desta vez, a obra traz prefácio do escritor e crítico Álvaro Cardoso Gomes, professor titular da USP, mantém o posfácio do escritor mineiro Ronaldo Cagiano, radicado em Portugal, além de incluir ensaio de Lara Vaz-Tostes, resenhas do livro já publicadas na imprensa e comentários de leitores.

Filho de engenheiro e professora, ele baiano, ela mineira, Hugo Almeida nasceu em Nanuque, em Minas Gerais, mas deixou a cidade natal antes de completar dois meses. Passou a maior parte da infância em Jequié, na Bahia, cidade banhada pelo rio de Contas, que aparece em Viagem à lua de canoa (São Paulo, Nankin Editorial, 2009), reedição de Mais rápido do que a luz (São Paulo, Editora FTD, 1988), livro selecionado pelo Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), do Ministério da Educação, em 2011.

Depois, viveu um ano em Alagoinhas, também na Bahia, e, aos 9 anos, mudou-se com a família para Belo Horizonte, onde morou 22 anos. Sempre trabalhou como jornalista profissional, com longa carreira na redação do jornal O Estado de S. Paulo.

É autor também de A voz dos sinos – o sagrado, a mulher e o amor na obra de Osman Lins (São Paulo, Editora Sinete, 2024), seu décimo sexto livro e o primeiro de estudos literários. Também publicou a novela juvenil Porto Seguro, outra história (São Paulo, Nankin Editorial, 2005), os livros infantis Todo mundo é diferente (São Paulo, Lê Editora, 1996), Pare, olhe, siga: boa viagem (São Paulo, Editora Ícone, 2000) e Que dia será o dia? (São Paulo, Nankin Editorial, 2007), além da novela Meu nome é Fogo (Belo Horizonte, Editora Dimensão, 2009) e Menino anjo capeta beija-flor (Ananindeua-PA, Edições 1/4, 2019). É autor ainda de Cinquenta metros para esquecer, contos (São Paulo, Didática Paulista, 1996) e de Minha estreia no crime – Estação 111 (São Paulo, Lê Editora, 1997), romance inspirado no massacre do Carandiru, ocorrido a 2 de outubro de 1992, em São Paulo.

É um dos participantes da antologia Quando não estávamos distraídos (São Paulo, Editora Sinete, 2023). Organizou e prefaciou Osman Lins: o sopro na argila (2004), ensaios; e com Rosângela Felício dos Santos organizou Quero falar de sonhos (São Paulo, Hucitec Editora, 2014), reunião de artigos do autor de Avalovara. Adelto Gonçalves - Brasil

Mantém o site https://hugoalmeidaescritor.com.br 

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A vizinha das sete cordas, contos, de Hugo Almeida. São Paulo: Editora Sinete, 1ª edição, 152 páginas, R$ 60,00, 2026. Site: www.editorasinete.com.br E-mail: editorasinete@gmail.com

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Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em terras d´el-rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os vira-latas da madrugada (José Olympio Editora, 1981; Letra Selvagem, 2015) e O reino, a colônia e o poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Londres, Robbin Laird, editor, 2024), lançado na Inglaterra e Estados Unidos.  E-mail: marilizadelto@uol.com.br

 



domingo, 9 de agosto de 2026

Reino Unido - Publicou poesia ou prosa? O Grande Prémio de Literatura Portuguesa na Diáspora é para si

O jornal “As Notícias”, com sede no Reino Unido, lançou o Grande Prémio de Literatura Portuguesa na Diáspora, uma iniciativa com inscrições gratuitas e de âmbito internacional destinada a “reconhecer, valorizar e promover a criação literária de autores portugueses residentes fora de Portugal”, em duas categorias: Prosa e Poesia


De acordo com os seus organizadores, “com periodicidade anual, o prémio pretende afirmar-se como uma referência cultural da diáspora portuguesa, distinguindo obras de elevada qualidade escritas em língua portuguesa e incentivando a produção literária das comunidades portuguesas espalhadas pelos cinco continentes”, tendo como objetivo ainda “valorizar a ligação à língua e à cultura portuguesas através da escrita”.

A iniciativa destina-se a cidadãos com nacionalidade portuguesa residentes atualmente no estrangeiro, com idade mínima de 18 anos.

As obras a concurso devem ter sido publicadas entre 5 de maio de 2024 e 6 de setembro de 2026, não podem estar vinculadas a outros concursos nem terem sido já premiadas noutras oportunidades. Não são elegíveis autores residentes em Portugal, ainda que tenham sido emigrantes no passado. O encerramento das candidaturas acontece dia 6 de setembro 2026.

Serão atribuídos prémios pecuniários para os vencedores em cada categoria, no valor de 500 libras. Os trabalhos serão avaliados por um júri composto por personalidades de reconhecido mérito no panorama literário e cultural português.

“Mais do que um concurso literário, o projeto pretende dar visibilidade a autores que, muitas vezes longe dos grandes circuitos editoriais, contribuem de forma significativa para a riqueza e diversidade da literatura em português”, disseram os responsáveis.

A primeira edição culminará com a cerimónia de entrega dos prémios em Thetford, na Inglaterra, dia 6 de novembro de 2026, integrada nas celebrações do 20.º aniversário do jornal As Notícias, quando “deverão estar presentes os concorrentes ou se fazerem representar”.

“Ao longo de décadas de emigração, milhões de portugueses construíram histórias de vida que fazem parte da memória coletiva do país. O Grande Prémio de Literatura Portuguesa na Diáspora nasce precisamente para preservar esse património humano, cultural e histórico, incentivando a escrita como veículo de memória, identidade e aproximação entre Portugal e as suas comunidades no estrangeiro”, afirmaram esses mesmos responsáveis pelo jornal localizado no Reino Unido, que sublinharam que, numa primeira fase, o projeto conta com a colaboração de vários órgãos de comunicação social da diáspora portuguesa, entre os quais o Bom Dia além do apoio da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas (DGACCP).

O regulamento pode ser consultado aqui.

As candidaturas devem ser feitas online aqui. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo




A baronesa do Forte Coimbra

Minha filha, Letícia, questionou-me o porquê de somente ela ter sido registrada com um dos sobrenomes da família de seu pai, o Portocarrero. É mesmo belo esse Portocarrero de origem espanhola, ligado às regiões de Castela e da Estremadura. Significa algo como “porto”: passagem e “carrero”: carreiro, caminho de carros. As rodas das carroças sulcando as antigas estradas ibéricas.


Em Mato Grosso do Sul, Portocarrero lembra um episódio da Guerra do Paraguai (1864-1870), o maior conflito armado da América Latina. O Paraguai se opôs à Tríplice Aliança, formada por Brasil, Argentina e Uruguai, num confronto mortífero, de dor e destruição. Combates, fome, doenças. Países esgotados espiritual e financeiramente. Esse foi o saldo da cruenta guerra.

O tenente-coronel Hermenegildo de Albuquerque Portocarrero (1818-1893) foi enviado para inspecionar o Forte Coimbra, localizado às margens do rio Paraguai, município de Corumbá. Esse forte foi construído em 1775, no período colonial, pelos portugueses, para proteger a fronteira oeste e controlar a navegação. Todo branco, imponente, cercado por grossas muralhas, onde pousam garças e tuiuiús. Dos mirantes avista-se a paisagem pantaneira. As ilhas de camalotes com flores roxas que descem o rio. É patrimônio histórico e destino turístico.

Era o princípio da guerra. Ao anoitecer do dia 26 de dezembro de 1864, surgiu a poderosa esquadra do coronel paraguaio, Vicente Bárrios: 11 navios de guerra, 29 peças de artilharia, 3200 homens. No forte, a guarnição brasileira possuía dois canhões, 250 pessoas, entre elas, 115 soldados e civis, 70 mulheres, crianças e 10 indígenas guaicurus. Portocarrero assume a defesa. Quando recebeu um ultimato para render o forte, recusou-se a capitular e declarou que resistiria “até o último cartucho”. Seguiram-se dois dias de intenso bombardeio. Foi nesse momento que se levantou a liderança de sua esposa, a uruguaiana Ludovina Portocarrero (1825-1912). Ludovina organizou parte das mulheres para fabricarem buchas de munição com pedaços de suas saias. Algumas cozinhavam. Outras escalavam na escuridão da noite as íngremes barrancas para buscar água em latas. Outras ainda prestavam assistência aos feridos. Nenhuma gritava. Nenhuma chorava. Mantinham, firmes, o moral dos soldados. Entre as heroínas, a maioria anônimas, destacaram-se duas mulheres do povo, as negras Aninha Cangalha e Maria Fuzil.

Ludovina, cheia de fé (e a fé move os obstáculos), retirou a faixa de comandante do uniforme do marido e a colocou aos pés da imagem de Nossa Senhora do Carmo, padroeira do forte. Confiou simbolicamente o governo daquelas vidas a algo sobrenatural, extraordinário. Depois, deu ordem ao soldado músico, o Verdeixas, para subir no ponto mais alto da muralha e mostrar a imagem. O gesto abalou a sensibilidade religiosa dos paraguaios. Todos aplaudiam, deliravam, bradavam vivas. Uma verdadeira comoção. Enquanto isso, a população de Corumbá, em pânico, fugia pelas matas. Muitos foram massacrados. Portocarrero ordena a retirada durante a noite, numa embarcação chamada “Amambaí”. Ninguém ficou para trás. O barco não fez barulho, não soltou faíscas, não bateu remos nas pedras. Envolto na bruma, sumiu na correnteza do rio.

Anos mais tarde, Ludovina e Portocarrero receberam das mãos de Dom Pedro II os títulos de Barão e Baronesa do Forte Coimbra. Era 1889, final melancólico do império. Ludovina ficou viúva aos 68 anos. Perdeu oito de seus 15 filhos. Mergulhou em sua digna velhice. Faleceu aos 87 anos, no Rio de Janeiro.

Descendente direta do casal foi Tônia Carrero (1922-2018), Maria Antonieta Portocarrero Thedim, a sedutora atriz, filha do neto, general Hermenegildo Portocarrero e de Dona Zilda. A estrela de tantos filmes, peças teatrais e novelas. Mais de seis décadas de dedicação à dramaturgia. Morreu de hidrocefalia, aos 95 anos, cercada por filho e netos. Seu brilho permanece. Era azul, divino, de diva.

Por que coloquei o sobrenome Portocarrero em você, filha? Tornei-a LP, Letícia Portocarrero, como era ela, Ludovina Portocarrero. O anagrama LP bordado no linho do enxoval que se encontra até hoje no Forte Coimbra. Uma coincidência? Um chamado? Uma sugestão? Um augúrio? Um legado? Não sei, mas desejo que você tenha a mesma coragem dela para enfrentar as guerras. Raquel Naveira – Brasil in “saojoaodel-rei.blogspot”

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Raquel Naveira (1957), nascida em Campo Grande, formada em Direito pela Universidade Católica Dom Bosco (1976), em sua cidade natal, é mestre em Comunicação e Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2001), de São Paulo. Graduou-se em Língua e Literatura Francesa pela Universidade de Nancy (1981), da França, e em Letras pela Universidade Católica Dom Bosco (1994), onde deu aulas de Literaturas Brasileira, Latina e Portuguesa por 19 anos e aposentou-se.

Residiu no Rio de Janeiro, onde lecionou na Universidade Santa Úrsula e, em São Bernardo do Campo-SP, na Faculdade Anchieta. Deu também aulas na pós-graduação da Universidade Nove de Julho (Uninove), de Comunicação Aplicada na Faculdade de Tecnologia em Hotelaria, Gastronomia e Turismo (Hotec) e na pós-graduação da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo.

Ministrou palestras e cursos em escolas e em várias instituições culturais como Casa das Rosas, Casa Guilherme de Almeida e Casa Mário de Andrade, em São Paulo. Na Academia Paulista de Letras, participou do Ciclo de Memória da Literatura, discorrendo sobre o trabalho das romancistas Maria de Lourdes Teixeira (1907-1989) e Stella Carr (1932-2008).

É autora de mais de 40 títulos de poesia, crônicas, ensaios e romances, entre eles: Abadia, poemas (Editora Imago,1996), e Casa de Tecla, poemas, obra indicada ao Prêmio Jabuti de Poesia, pela Câmara Brasileira do Livro. Escreveu o livro infanto-juvenil Pele de Jambo (1996) e o de ensaios Fiandeira (1992).

Publicou os romanceiros Guerra entre irmãos (1993), poemas inspirados na Guerra do Paraguai (1864-1870), e Caraguatá (1996), inspirados na Guerra do Contestado (1912-1916), conflito armado entre os Estados de Santa Catarina e Paraná, a partir de luta entre posseiros e pequenos proprietários pela posse de um território, livro que inspirou o filme de curta-metragem Cobrindo o Céu de Sombra, monólogo com a atriz Christiane Tricerri.

É autora também de: Via Sacra (1989); Fonte Luminosa (1990); Nunca-Te-Vi (1991); Sob os Cedros do Senhor (1994); Canção dos Mistérios (1994); Mulher Samaritana (1996); Maria Madalena (1996); O Arado e a Estrela (1997); Rute e a Sogra Noemi (1997); Intimidades Transvistas (1997); e Senhora (1999), que recebeu o prêmio Jorge de Lima-Brasil 500 anos, concedido pela Academia Carioca de Letras e pela União Brasileira de Escritores (UBE), seção do Rio de Janeiro, em 2000.

Publicou ainda: Stella Maia e Outros Poemas (2001); Xilogravuras (2001); Maria Egipcíaca (2002); Casa e Castelo (2002); Tecelã de Tramasensaios sobre interdisciplinaridade (2005); Portão de Ferro (2006); Literatura e Drogase outros ensaios (2007); Guto e os Bichinhos (2012); Sangue Português (2012); Álbuns de Lusitânia (2012); e Jardim Fechadouma antologia poética (2016), livro comemorativo dos seus 30 anos de carreira literária, entre outros.

Em 2002, lançou o CD Fiandeiras do Pantanal, em que declama seus poemas, acompanhada por craviola e pela voz da cantora Tetê Espíndola. Fiandeira foi indicado como leitura obrigatória do vestibular da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Este livro e mais Jardim Fechado: uma antologia poética foram eleitos como os representativos de Mato Grosso do Sul pelo portal G1.

Nos últimos tempos, lançou Leque Aberto (2020), Romanceiro de Cabeza de Vaca: o andarilho das Américas (2020) e Manacá (2021), crônicas em que mescla em prosa poética tradição e modernidade. Em 2022, publicou No Mundo Encantado de Luciana, infanto-juvenil e, em 2023, Mundo Guaranifragmentos de uma alma da fronteira, obra de memória que está entre a crônica, a novela e o romance e obteve o Prêmio João do Rio, da UBE, do Rio de Janeiro, narrativa que traz à tona o universo da fronteira entre o Brasil e o Paraguai, em que recupera suas vivências com a herança indígena ainda extremante forte na cidade de Bela Vista, na fronteira com o Paraguai, à beira do rio Apa.

Em 2024, lançou Ponto de Fuga & Outros Poemas (São Paulo, Inmensa Editorial), coletânea de poemas originalmente publicados em dez de seus livros, que reúne também peças inéditas, os chamados poemas “vegetais”, gênero que, aliás, já estava presente em obras anteriores.

Pertence à Academia Sul-mato-grossense de Letras, à Academia Cristã de Letras, de São Paulo, à Academia de Letras do Brasil, de Brasília, à Academia de Ciências de Lisboa e ao PEN Clube do Brasil. Escreve para várias revistas e jornais como Correio do Estado-MS, Jornal de Letras-RJ, Linguagem Viva-SP, Jornal da ANE-DF e O Trem-MG, entre outros. Adelto Gonçalves - Brasil