Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Lusofonia - Nova associação empenhada em inovar na área de Recursos Humanos junto dos países lusófonos

A Associação Lusofonia Digital é já uma realidade. No último dia 31 de janeiro, decorreu uma Assembleia Geral que elegeu os primeiros órgãos sociais desta Associação para o período de 2024 a 2026. Esta nova entidade, que nasceu em maio de 2023, e conta hoje com interesse público e funciona no modelo “sem fins lucrativos”, pretende “promover o desenvolvimento da sociedade, economia e educação dos países de língua portuguesa, com incentivo à inovação e transformação digital”.


Durante esta iniciativa, foram aprovados os estatutos oficiais e eleitos os órgãos sociais da Associação, compostos por Pedro Martins, presidente, representante de Portugal; Pedro Ramos, vice-presidente, representante de Portugal; Berta Montalvão, diretora, representante de Timor-Leste; Sázia Sousa, diretora tesoureira, representante de Moçambique; Ricardina Andrade, diretora, representante de Cabo Verde. Na Mesa da Assembleia Geral, Kiesse Canito é presidente, representante de Angola; Abdel Camará é secretário, representante da Guiné-Bissau; e Neusa Sousa é secretária, representante de São Tomé e Príncipe. O Conselho Fiscal é composto por André Ricardi, presidente, representante do Brasil; Isabel Moço, vogal, representante de Portugal; e Dirceu Mtheus Jr., vogal, representante do Brasil.

“Estamos focados no “next level” do desenvolvimento social, económico e educacional da lusofonia na era digital. Somos globais, rejeitamos qualquer tipo de chauvinismo e não partilhamos qualquer tipo de crença ideológica ou religiosa. Somos independentes, não privilegiamos qualquer tipo de relacionamento com governos ou governantes, empresas ou empresários, partidos ou políticos, forças armadas ou militares, igrejas ou religiosos. Somos globais e DEI (diversidade, equidade e inclusão)!”, defenderam os responsáveis pela Associação.

Os órgãos sociais são compostos por oito nacionalidades lusófonas, os 76 fundadores e os atuais 160 associados são originários de 17 países, dos quais oito são lusófonos, e 60% das diretoras e 44% das curadoras são mulheres.

“A Associação Lusofonia Digital, que acaba de ser formalizada e na qual fomos eleitos como primeira Direção, tem um objetivo sem fronteiras de desenvolver e agregar a nossa extraordinária comunidade Lusófona em torno da construção de um novo mundo na Gestão das Pessoas, da Liderança e das Organizações num mundo completamente digital”, explicou Pedro Ramos, vice-presidente da entidade, que comentou, ainda, que o grupo de trabalho reúne “investigadores, professores, profissionais, líderes e gestores que, para além de reunirem e partilharem as melhores praticas, vão ajudar a construir o futuro”.

Lideranças de renome

Os órgãos sociais contam com nomes de destaque no cenário lusófono da gestão de pessoas e das organizações, como Pedro Ramos, vice-presidente, que é conhecido pelos seus pares com “um exemplo de aproximação entre os países lusófonos na área de gestão de pessoas”. Até ao final do ano passado, presidiu à Associação Portuguesa de Gestão das Pessoas (APG), cargo que deixou no início de 2024 para dedicar-se a novos projetos, como a empresa que lidera, a Keep Talent Portugal, uma organização focada na área de Recursos Humanos. Foi eleito recentemente para o Board da International Federation of Training and Development Organisations (IFTDO).

Toda esta movimentação tem rendido a Pedro Ramos distinções, como o prémio “Personalidade de Gestão de Pessoas no Mundo Lusófono” durante o “Fórum RH Cabo Verde”, realizado na Cidade da Praia, em 2021, um reconhecimento que “visa distinguir personalidades e entidades do espaço lusófono que contribuíram para a valorização da Gestão das Pessoas na Lusofonia”.

Outra distinção surgiu da Academia de Filosofia e Ciências Humanísticas Lucentina, com sede no Brasil, que atribuiu a Pedro Ramos uma “Moção de Honra ao Mérito” pelo trabalho desenvolvido em prol das conexões humanas, título outorgado por esta entidade que é signatária do Pacto Global das Nações Unidas. O diploma foi entregue durante a “54ª International People Conference”, evento anual organizado pela Associação Portuguesa de Gestão das Pessoas (APG), considerado o maior encontro de recursos humanos já realizado em Portugal, em outubro de 2023.

Pedro Ramos é membro do Conselho Estratégico da Associação Brasileira de Recursos Humanos e tem várias obras publicadas sobre liderança e gestão de pessoas. Conta com mais de 30 anos de carreira ao serviço da Gestão de Pessoas e vive em Lisboa, Portugal. Ígor Lopes – Brasil in “Mundo Lusíada”


terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Cabo Verde quer ser um centro de formação para a CPLP

O vice-primeiro-ministro de Cabo Verde, Olavo Correia, afirmou que o país tem a ambição de “ser um centro de formação para a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP)” a nível profissional, em várias áreas de qualificação.

“A partir de Cabo Verde queremos formar para o mercado interno, mas também para várias geografias mundiais”, referiu, à margem da assinatura de uma candidatura às Nações Unidas, de um projeto de formação conjunto com Portugal.

O projeto prevê um investimento de quatro milhões de euros nos próximos dois anos no setor da formação profissional, pretendendo chegar a cerca de 2000 pessoas em áreas como energias renováveis, economia digital, áreas sociais, turismo, metalomecânica, mecatrónica e construção civil.

“Este é um grande projeto, para um centro de excelência, voltado para a CPLP e para várias geografias mundiais. Assinámos também um acordo para nos candidatarmos às Nações Unidas, para podermos aceder a financiamentos globais, para formarmos jovens em Cabo Verde”, referiu.

O memorando de entendimento sobre o investimento em formação foi anunciado em dezembro e hoje os dois países assinaram uma candidatura ao programa acelerador global das Nações Unidas, a caminho da cimeira social a realizar em 2025.

“Queremos estar na crista da onda desta agenda de formação de recursos humanos” a nível internacional, disse Olavo Correia, para que os jovens qualificados possam competir com outros, num mundo globalizado.

Olavo Correia classifica o setor como “uma verdadeira oportunidade para Cabo Verde, enquanto pequeno país do sul”.

“As ilhas, para avançarem, precisam de asas, têm de estar ligadas entre si e com o mundo”, concluiu.

A assinatura na cidade da Praia, contou com a presença da ministra do Trabalho portuguesa, Ana Mendes Godinho, que destacou a possibilidade de haver um encontro “entre as necessidades das empresas em Portugal” e “as prioridades de Cabo Verde” ao nível da formação.

“É um programa para que todos saiam a ganhar”, referiu. In “Mundo Lusíada” - Brasil com “Lusa”

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Timor-Leste - Problema da educação é a capacitação de recursos humanos, diz académico

O professor Domingos de Sousa, decano da Faculdade de Educação da Universidade Católica timorense, afirmou em entrevista à Lusa que o problema principal que Timor-Leste hoje enfrenta na educação é o de recursos humanos qualificados


“Acho que temos problemas muitos sérios na educação. O problema principal que hoje enfrentamos na educação é o de recursos humanos qualificados”, disse Domingos de Sousa.

A preocupação com a educação levou o professor Domingos de Sousa e outros académicos e antigos governantes a criarem um grupo de reflexão, há sete anos, para arranjar soluções e respostas para a questão, fundamental para o desenvolvimento de Timor-Leste. “A resposta é uma Escola Superior de Educação, que realmente foque a sua atenção na capacitação dos recursos humanos, que possam trabalhar, que compreendam e que possam transmitir aos estudantes as técnicas de conhecimento, dos conteúdos, das matérias. Isto é que é o essencial”, afirmou o professor.

Domingos de Sousa explicou que, na aquela escola, seria dado “grande ênfase à língua portuguesa, que é essencial”, e os alunos seriam formados durante cinco anos. “Porque até agora o Ministério da Educação baralha tudo”, lamentou o académico.

Questionado sobre se a proposta foi apresentada aos líderes políticos, Domingos de Sousa disse que sim, a todos. “Este projecto funcionou durante dois anos e já fizemos o trabalho de viabilidade, foi aprovado pelo Governo anterior. Eu creio que isto vai pegar. Já falei com o primeiro-ministro [Xanana Gusmão] sobre este aspecto. Estamos à espera que daqui a algum tempo se possa ver”, disse.

Para o professor universitário, o projecto está pronto e só falta aplicá-lo e construir as infraestruturas. “Sonhamos muito com isto. Até agora, nenhum Governo pensou nisto. Isto foi a sociedade civil. Até agora, a educação anda por aí em várias mãos. Queremos que a educação volte para nós”, pediu Domingos de Sousa.

Em Timor-Leste, com cerca de 1,3 milhões de habitantes há mais de 415 mil crianças e jovens a frequentar o ensino primário, secundário e técnico, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística timorense, referentes a 2022.

Questionado sobre a língua que deve ser utilizada na educação, o professor universitário disse que deve ser a portuguesa, considerando-a como “ferramenta essencial”. “Os alunos vão subindo no grau de ensino e vão enfrentar a ciência e precisam de uma língua estruturada para que possam responder. Neste caso, em Timor-Leste é a língua portuguesa, que faz parte da Constituição, e da identidade timorense”, salientou.

O professor defendeu também o ensino da língua portuguesa, porque em tétum é “muito difícil explicar a matéria”, mas salientou que há mais jovens timorenses a falar português.

“Não é difícil porque o próprio tétum foi buscar muitas palavras à língua portuguesa. O tétum é a base para aprenderem a língua portuguesa, que é fundamental para o acesso ao conhecimento”, explicou.

Questionado como o sector pode dar resposta a um dos países mais jovens do mundo, Domingos de Sousa defendeu a capacitação dos jovens com escolas vocacionais. “O Governo podia perfeitamente abrir mais escolas técnicas para ocupar os jovens e evitar que vão para fora, porque aqui há trabalho. Isso é que devia acontecer, a formação técnica dos jovens, porque sem opções de futuro emigram, mas o país precisa deles e tem de os formar”, salientou, acrescentando que os recursos humanos “não caem do céu”. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Brasil e Portugal estarão juntos no “maior evento de Recursos Humanos” da América Latina


A cidade de São Paulo vai receber a 49ª edição do Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas (CONARH), promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), que tem como objetivo “partilhar inovações e provocar reflexões sobre os temas mais atuais do universo de desenvolvimento humano”.

O evento, que vai reunir grandes nomes do cenário de recursos humanos e de gestão das pessoas no mundo lusófono, com destaque para Brasil e Portugal, terá lugar entre os dias 8 e 10 de agosto, nas instalações do São Paulo Expo.

Segundo os seus organizadores, o CONARH “é um congresso único, que reúne os temas mais atuais que permeiam as grandes transformações organizacionais, carreira, gestão de desempenho, novas ferramentas digitais e tudo o que impacta organizações e as pessoas”.

APG estará presente

Pedro Ramos, presidente da Associação Portuguesa de Gestão das Pessoas (APG) e membro do comité organizador do evento, sublinha que o CONARH é uma importante ferramenta de discussão de ideias no atual contexto empresarial e do mercado de trabalho.

“O CONARH é o grande congresso de RH/Gestão de Pessoas em Língua Portuguesa. A Associação Brasileira de Recursos Humanos cada ano tem superado o número de palestrantes e o número de participantes. Em 2022, mais de 33 mil pessoas estiveram em São Paulo e este ano esse número ainda vai ser mais alargado”, confirmou Pedro Ramos, que destacou ainda que a entidade que preside tem sido uma “parceira ativa do congresso”.

“Temos vários palestrantes de Portugal e dos outros países lusófonos presentes e, com o maior gosto, fazemos parte do Comité de Conteúdos. O melhor e mais inovador do Mundo da Gestão de Pessoas vai rumar a São Paulo no próximo mês de agosto e a APG estará presente com uma comitiva de peso”, finalizou Pedro Ramos, que é também CEO da KeepTalent Portugal.

As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas pelo sítio:

https://www.conarh.org.br/

Recorde-se que a 48º edição deste evento contou com cerca de 200 palestras: 07 palestras magnas, 24 simultâneas e duas arenas de conhecimento: mais de 20h de conteúdo com especialistas nacionais e internacionais que multiplicaram conhecimento para mais de 20 mil pessoas. Paralelamente, houve uma feira de negócios – a EXPO ABRH, que teve um espaço com mais de 5 mil m² e contou com mais de 160 expositores, que apresentaram as novidades e tecnologias do segmento. In “Mundo Lusíada” - Brasil


 

quarta-feira, 16 de março de 2022

Macau - “Já não há mais docentes qualificados disponíveis na RAEM” para o Instituto Português do Oriente

Joaquim Coelho Ramos disse ao Jornal Tribuna de Macau que, nesta altura, a gestão de recursos humanos no IPOR “é muito complexa”, uma vez que muitos docentes estão a abandonar o território devido às restrições de viagem. O director cessante do IPOR adiantou que está a decorrer um concurso mas não se sabe se haverá candidatos. Ainda assim, tem esperança de que esta questão seja ultrapassada em conjunto com as autoridades. “O nosso objectivo último é, afinal, bastante transversal a toda a sociedade: contribuir para o desenvolvimento comunitário e para os esforços de formação contínua que a RAEM tem incentivado de forma constante e motivada”, sublinhou

A questão dos recursos humanos no Instituto Português do Oriente (IPOR) continua a ser “um problema grave”, sublinhou Joaquim Coelho Ramos ao Jornal Tribuna de Macau, apontando que não há forma de substituir os professores que estão a abandonar o território. “Muitos docentes estão a deixar Macau, uma vez que têm familiares que precisam de apoio em Portugal e as actuais condições de viagem tornam essa dinâmica muito difícil ou impossível – tínhamos docentes com ascendentes idosos que não iam a Portugal há três anos – e não há forma de os substituir”, afirmou o director cessante da instituição.

O corpo docente do IPOR é composto por professores de Portugal, do Interior da China e de Macau, “todos altamente qualificados e com um nível académico mínimo de mestrado (alguns com cursos complementares e a desenvolver estudos conducentes ao doutoramento), mas neste momento já não há mais docentes qualificados disponíveis na RAEM”, prosseguiu.

Joaquim Coelho Ramos adiantou ainda que está a decorrer um concurso, mas é incerto se haverá candidatos. “A gestão de recursos humanos é, nesta fase, muito complexa, até porque temos responsabilidades de carácter pedagógico a cumprir junto de instituições públicas, mas temos esperança de que, em conjunto com as autoridades, seja possível ultrapassar esta questão. O nosso objectivo último é, afinal, bastante transversal a toda a sociedade: contribuir para o desenvolvimento comunitário e para os esforços de formação contínua que a RAEM tem incentivado de forma constante e motivada”, acrescentou.

Sobre se há novos planos a serem pensados para 2022, nomeadamente noutras jurisdições, o director cessante do IPOR apontou que as indicações que há são de continuação de medidas de contingência muito fortes no âmbito do combate à covid-19: “Naturalmente que isso afecta o trabalho que o IPOR tem relativamente a outras instituições fora de Macau”.

Joaquim Coelho Ramos sublinhou depois que a instituição procura seguir “com muita atenção” as orientações apontadas anualmente nas Linhas de Acção Governativa do Executivo da RAEM, e que é sua “forte convicção” de que instituição tem oportunidade de contribuir para o crescimento e diversificação socioeconómica de Macau através do trabalho na área educativa, nomeadamente através da exportação de projectos de formação pedagógica e linguística para outros países, presencialmente ou à distância.

“Quando o IPOR organiza uma acção de formação, quer no Interior da China, quer noutros países da região, é claro que Macau vai sempre integrado no plano de trabalho, quer através da utilização de imagens icónicas, quer através do recurso a textos de autores locais, quer ainda divulgando iniciativas de carácter cultural próprias da RAEM, que despertam sempre muito interesse nos formandos – o que, indirectamente, acaba por ser um factor de atracção secundária para projectos de turismo dos nossos formandos, individualmente, em família ou em grupo”, explicou.

Assim, prosseguiu, apesar de a planificação feita para 2022 ser “ainda cautelosa” em termos de projectos externos, Joaquim Coelho Ramos está certo de que a evolução da pandemia a nível internacional e o aumento das taxas de vacinação “vão permitir uma normalização da vida a curto prazo, o que trará um ajustamento do nosso trabalho à nova realidade, em benefício de todos”.

2021 findou com 4000 formandos

Segundo o mesmo responsável, os dados relativos ao final de 2021 indicam que havia cerca de 4000 formandos nos diversos cursos oferecidos. Destes, cerca de 1500 frequentam o Curso Geral de Língua Portuguesa, tendo havido um ligeiro aumento em relação a 2020, de cerca de 15 formandos. Seguem-se as oficinas para crianças e jovens, com cerca de 140 inscritos no ano passado.

Joaquim Coelho Ramos deu ainda conta de que os cursos intensivos, que normalmente decorrem durante o Verão, tiveram também “uma procura interessante” em 2021, com mais de uma centena de inscritos. Os restantes alunos dividem-se entre cursos para fins específicos, cursos intensivos, e cursos de actualização científico-pedagógica para docentes.

Os números mostram ainda que houve um crescimento pela procura de exames de certificação disponibilizados pelo CAPLE/Universidade de Lisboa, de que o IPOR é centro de aplicação de teses, que passou de 314 exames aplicados em 2020 para 408 em 2021.

Já em relação aos cursos online, notou-se também uma tendência de crescimento, concretamente nos cursos individuais ou direccionados a grupos muito pequenos. Em 2020 esta modalidade teve uma procura de cerca de 980 horas, número que em 2021 subiu para mais de 1200 horas lectivas. Em regime exclusivamente online, em tutorias individuais personalizadas, houve 23 alunos. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Macau - Joaquim Coelho Ramos faz o balanço de três anos à frente do Instituto Português do Oriente em entrevista ao jornal Ponto Final

Joaquim Coelho Ramos está de partida do Instituto Português do Oriente (IPOR). Não já, apenas em Fevereiro do próximo ano, mas, em jeito de balanço, falou ao Ponto Final. O académico fala em resultados positivos em tempos muito complicados, muito por culpa da pandemia de Covid-19 que, entre várias coisas, lhe tirou a possibilidade de trazer professores para Macau. Falta de recursos humanos é, de facto, um problema para o IPOR. Ao mesmo tempo, o ainda director da instituição acedeu a comentar as mais recentes polémicas surgidas na imprensa lusa relacionadas com a norma de português europeu e a norma de português do Brasil. “Sofro com uma certa mágoa e com uma certa tristeza que o preconceito linguístico continue a vigorar”, desabafou ao nosso jornal


Recebeu-nos no seu gabinete e mostrou-se muito à vontade para o podermos fotografar por diversos espaços do Instituto Português do Oriente (IPOR). Joaquim Coelho Ramos, um beirão cidadão do mundo, tem sido o director da entidade nos últimos três anos e vai levar Macau no coração, “porque é impossível não levar Macau no coração”. Falou ao Ponto Final daquilo que foi feito no seu mandato e o que ficou por fazer. Sem desculpas, é directo em todas as respostas e assume que vai colocar no seu relatório final que os colaboradores do IPOR terão de ver as suas condições de trabalhos, em especial os seus salários, revistos em alta, “por uma questão de justiça”.

Que balanço faz destes três anos à frente do IPOR?

O balanço é positivo relativamente àquilo que no contexto de direcção me tinha proposto fazer. Penso que foram alcançados os objectivos, pelo menos a grande maioria. Inclusivamente foi possível esbater as consequências que a pandemia trouxe e que podiam ter sido obstáculos sérios aos objectivos principais. Quais eram eles? Em primeiro lugar, alargar um pouco o escopo da intervenção do IPOR, sobretudo na área do ensino do português para fins específicos. Ou seja, era importante para nós trabalharmos mais a área do português jurídico, do português económico. Enfim, essas áreas mais voltadas para o mercado e isso foi conseguido. Alargar também a relação que o IPOR mantinha com outras entidades de Macau, quer entidades de matriz portuguesa, quer outras entidades. Não nos limitámos ao relacionamento com as entidades de matriz portuguesa, mas tentámos aumentar esta integração, este diálogo com as entidades locais, sobretudo de carácter associativo e fundacional. Um outro elemento que, enfim, surgiu um pouco acelerado por causa da pandemia teve que ver com a transformação ou, se quisermos, com o aumento de competências dos agentes do IPOR na área digital. Portanto, neste contexto, trabalhámos a criação de duas plataformas que chamamos plataformas de leitura, que na verdade são plataformas de desenvolvimento do conhecimento da língua portuguesa. Uma é para o Governo de Macau e outra, em articulação com o Instituto Camões, para a rede internacional que está ainda a ser desenvolvida. Foi possível também dotar os nossos docentes de acções de formação complementares e regulares na área das competências digitais. Concretizámos algumas relações pendentes, nomeadamente com o Centro Internacional de Línguas de Sichuan para a formação de médicos e pessoal de saúde.

Está satisfeito com os resultados alcançados?

Para nós é muito importante que a experiência acumulada, por exemplo pelos nossos professores, seja passada ou pelo menos conste em livro ou na Internet para que outros que tenham os mesmos problemas tenham ali soluções, sem inventarem. É igualmente importante consolidar a visão de Macau como plataforma de excelência que é muito falada no contexto do Fórum Macau. Para nós era importante ajudar a concretizar esse ponto. E como é que o fazemos? Enviamos professores para dar formação na Austrália, no Vietname, no interior da China, enfim, onde nos peçam. Enviamos especialistas consoante aquilo que nos seja pedido. Conseguimos no primeiro ano, e depois conseguimos fazer isso por via digital. Conseguimos abrir o Centro de Língua Portuguesa em Chengdu. Ainda não tivemos oportunidade de lá ir cortar a fita, mas está a funcionar. Houve a efectivação de alguns processos que tinham sido protocolados.

Disse que queria continuar o bom trabalho de João Laurentino Neves, mas que queria internacionalizar e apostar na investigação.

Essencialmente tem a ver com uma área que me parecia muito importante na altura e que continua a parecer. Tudo o que lhe vou dizer está limitado ao contexto pandémico. A ideia é, justamente, operacionalizar os conhecimentos e a experiência adquirida, transferindo-os para pessoas que têm os mesmos problemas, mas que não têm um guião para lidar com eles. Exemplos concretos. A língua portuguesa e as suas diferenças com as línguas maternas com as quais trabalhamos: mandarim, cantonês, etc. Como se podem ultrapassar problemas que surjam. Como é que se ensinam artigos definidos a pessoas que nem sequer têm esse conceito na mente. Como é que se ensina a operacionalizar o conjuntivo para este tipo de alunos. Não é da mesma maneira que se ensina para alunos espanhóis ou norte-americanos. Que estratégias é que nós encontrámos que funcionaram ou não. Que estratégias outras pessoas encontraram em Chengdu ou no Vietname, e depois tentarmos aprender uns com os outros para não perdermos tempo. Era esta visão científico-pragmática que me interessava trazer, aproveitando a experiência do IPOR e penso que foi conseguido. Uma outra dimensão que para mim é muito importante, e que penso que se tem conseguido, passa pela proximidade entre o Instituto Politécnico de Macau (IPM), a Universidade de Macau (UM) e o IPOR, trabalhando com docentes dessas instituições. Já o fizemos. Para nós é muito importante trazer as novidades da academia para o terreno.

O laboratório de língua do IPOR em que pé é que está?

Está concluído e é utilizado sempre que os professores entendem que deve utilizado. É uma mais valia tecnológica que permite direccionar ensino a problemas específicos de aluno A, B ou C. Que permite gravar o feedback dos alunos em determinados contextos e depois analisá-lo para fazer pedagogia direccionada. É um recurso completamente activo que pode ser usado e tem sido usado.

Está satisfeito com os materiais didácticos que foram produzidos estes três anos?

Estou satisfeito com os materiais didácticos produzidos, mas não estou satisfeito com a celeridade com que esperava que eles tivessem sido produzidos e não foram. Mas mais uma vez, a pandemia de Covid-19 é a grande culpada. Nós estamos neste momento a ultimar dois manuais de língua portuguesa, de nível inicial e de nível intermédio/avançado. Esperávamos que estivessem prontos no final deste ano, mas não podemos exigir o impossível aos nossos profissionais. A verdade é que os nossos professores tiveram que fazer um esforço de adequação a novas competências digitais, quando estão a fazer uma coisa não podem fazer a outra, e os manuais vão ser adiados para o princípio do próximo ano. Não é grave, embora isso não tenha correspondido à nossa calendarização. Estou ainda satisfeito com a transformação dos materiais existentes para o formato digital que tem uma metodologia completamente diferente e que foram disponibilizados gratuitamente na página do IPOR para o mundo inteiro. Nós temos notícia da utilização desses materiais nos EUA, no Chile, na Rússia, portanto estamos satisfeitos com o alcance que o IPOR está a ter por via do seu trabalho científico-pedagógico.

Como está o ensino do português na China? Ainda existe um interesse efectivo na língua portuguesa?

O feedback que tenho é que o interesse mantém-se e está em crescendo. O que é que isto quer dizer? Quer dizer que há cada vez mais universidades a quererem ensinar a língua portuguesa. Sim. Mas também quer dizer que este interesse não é um ramo de flores para efeitos político-diplomáticos. É uma realidade no terreno porque as instituições estão a fazer investimento na formação de professores. Se fosse apenas um exercício de retórica, não havia esta dedicação com recursos materiais para a formação de professores, mas não só, também tradutores no interior da China. O interesse é real e agora compete-nos não só dar resposta a esse interesse como ajudar a dar resposta a esse interesse.

Pode dar-me números de alunos que directa ou indirectamente estão ligados ao IPOR?

Tenho os números do último ano civil. O IPOR teve cerca de 4800 alunos nos diversos cursos que disponibiliza, quer internamente, quer externamente, sendo que o maior crescimento se verificou na procura de cursos para infância e juventude, que duplicou. Estamos com 170, mais ou menos. Não temos mais porque não temos capacidade de resposta. Precisava de trazer professores do exterior. Temos professores de Portugal, do interior da China e de Macau. Os docentes recrutados no interior da China e em Macau fizeram mestrado ou uma parte da sua formação em Portugal, ou na Universidade do Porto ou na Universidade Católica. Ainda assim, precisava de mais professores e não estou a conseguir trazer de Portugal pelas razões que todos conhecemos. Não temos capacidade de resposta neste momento, mas continuamos a ter procura.

A tendência para este ano, apesar de o ano ainda não ter terminado, é de crescimento, portanto.

Vai ser ela por ela, com uma eventual queda no curso geral porque muitos alunos que nos procuram são alunos do interior da China e, por isso, houve algumas desistências devido às dificuldades de mobilidade. Um aluno que se inscreve para um ano lectivo e que, passados três meses, vê que tem de estar uma semana ou mais sem poder vir, acaba por desistir. Esta limitação à mobilidade causada pela pandemia tem levado a algumas desistências, mas a tendência é de estabilidade.

Como está a questão dos associados? No passado saíram alguns importantes. Entrou alguém?

Há negociações para a entrada de novos associados. Não posso dizer os nomes, mas há negociações com entidades de Macau para se juntarem à estrutura associativa. Vamos ver se isso, de facto, se concretiza, pois temos de ver a disponibilidade para entrarem como associados implica entrarem com alguma verba, portanto em ano de pandemia, as pessoas querem pensar bem. Seja como for, a nível de associados há negociações em desenvolvimento e é provável que cheguem a bom termo, pois as conversações indicam isso. Vamos ver. Sou muito pragmático. Quando assinarmos o acordo vai acontecer.

E a situação da Livraria Portuguesa? É para manter o contrato nos actuais moldes?

A livraria teve a concessão estendida até 2023 por causa da pandemia, mas essa é uma competência que pertence à assembleia-geral, não é da direcção. O assunto deve ser objecto de análise em finais de 2022.

Como é que estão as contas do IPOR?

As contas do IPOR estão positivas. O IPOR é uma entidade sem fins lucrativos e não pode ter lucros, mas também não tem perdas. As contas estão equilibradas. Tem sido possível fazer investimentos, nomeadamente na infra-estrutura. Nesse aspecto não há preocupação. Tem sido possível cativar apoios e parcerias plurianuais para podermos ter bases para criar planos de prazo. Isso tem tido, mesmo em época de pandemia, algum sucesso. Um deles foi o processo plurianual, com a duração de quatro anos, com a SJM, que já é conhecida, e outra foi uma parceria com a Galaxy Foundation que é muito recente, cuja decisão tem dois meses. Em princípio vamos ter uma parceria de três anos, sobretudo na área cultural, entre o IPOR e a Galaxy Foundation. Na área institucional, acabámos de fechar um acordo muito importante com a Fundação Rui Cunha que permite disponibilizar as competências linguísticas do IPOR aos trabalhos da fundação e as competências técnico-jurídicas ao nível de economia e linguagens muito específicas ao IPOR, para além da cooperação cultural.

Fora a Covid-19, qual ou quais foram os grandes desafios destes três anos?

Recursos humanos. É muito importante valorizar os recursos humanos do IPOR. É importante termos a noção de que estamos a trabalhar com profissionais altamente qualificados, com um nível de diferenciação atípico. Muitas entidades de Macau nos procuram por causa dessa especificidade dos nossos recursos humanos e, portanto, é preciso que esses recursos saiam valorizados a todos os níveis.

É possível, portanto, que os professores do IPOR sejam aliciados pelas melhores condições do IPM ou da UM?

É possível e é um facto. É uma realidade com a qual temos de lidar dia-a-dia. Foi feito um esforço nestes anos para melhoria das condições a esse nível. Houve aumentos que, não sendo concorrenciais, aconteceram. Foram negociados plurianualmente, que andam entre os 2,5% e os 3%. Foi criado um fundo de pensões que também configura um aumento real, embora ele possa ser levantado apenas em determinadas circunstâncias, por exemplo quando os professores saiam definitivamente de Macau ou quando atingem os 65 anos ou em caso de extrema necessidade, mas, na verdade, o dinheiro fica guardado nesse fundo e é deles. Temos ainda pago cursos aos professores que entendem ter cursos com atribuição de grau académico ou sem atribuição de grau académico. Se alguém quiser fazer um mestrado, o IPOR participa com um apoio, não muito grande, mas o possível no pagamento de propinas. Temos feito um esforço, mas temos que trabalhar mais nisso. Vou colocar, e digo-lhe sem hesitação, esta questão no meu relatório final, por uma questão de justiça. Estamos a trabalhar com gente altamente qualificada que sabe muito bem aquilo que faz e que tem de ser muito motivada.

Veio de Praga, em 2018, para o extremo Oriente. Foi difícil a adaptação?

Não. Foi até relativamente fácil por várias razões. Primeiramente, encontrei pessoas que abriram os braços logo no dia um e fizeram-no em vários contextos. No contexto profissional com a UM, com o IPM, nomeadamente com o Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa (CPCLP). Num contexto mais académico, foi muito fácil estabelecer pontes com ex-alunos da Universidade de Coimbra, nos quais também me incluo. Ex-alunos da Universidade do Porto, enfim, nos quais também me incluo, embora noutro curso. Estas relações que chamaria emocionais servem também para a proximidade entre as pessoas. Na dimensão associativa, as relações com entidades como a Fundação Oriente ou a Casa de Portugal foram muito boas.

E o apoio do Consulado?

O apoio do Consulado está para além da simples relação institucional. Gostava mesmo de referir que a equipa do Consulado, que está completamente sobrecarregada de trabalho, nunca recusou nada que permitisse o bom ou melhor funcionamento do IPOR. E depois ainda há a própria pessoa do nosso cônsul-geral que tem uma sensibilidade muito especial para a área cultural e para área da língua, e isso fez a diferença. Não há outra maneira de o colocar. A forma como ele participou em tomadas de decisão em situações que eram muito importantes para o IPOR ou a forma como ele facilitou contactos importantes para concretizar coisas como melhoramentos de infra-estruturas, a forma como ele se coloca pessoalmente à disposição para, por exemplo, fazer eventos na residência consular, que não deixa de ser a sua própria residência. Nunca essa porta esteve fechada e muito do sucesso que o IPOR tem, deve-se à excelente cooperação e à total abertura que este consulado lhe tem disponibilizado. Só tenho palavras de elogio e penso que isso tem de ser público.

Leva Macau no coração?

Levo porque é impossível não levar Macau no coração. Para já, por ser um ponto de encontro de culturas. Isso para alguém que tem um prazer especial em trabalhar com aspectos linguísticos e aspectos pluriculturais, é muito importante. Depois, porque cria desafios que são únicos. Alguns deles provenientes, de facto, desta multiculturalidade. Tudo isto gera um entusiasmo de trabalho que é muito importante.

Ficaria mais tempo?

Ficaria, claro. Até porque alguns projectos, por causa da pandemia, ficaram ou atrasados ou suspensos. Vou ter saudades de ver as placas escritas em chinês e português. Saudades de comer comida de rua. Vou ter saudades de ir à missa na Igreja de Santo Agostinho. Sou católico, e sou católico como sou director do IPOR, praticante. Vou ter saudades de me perder nos becos e ruelas de Macau. E saudades de ir às vossas exposições de fotografia.

Ainda assim, era suposto já ter ido embora e só vai em Fevereiro.

É verdade. Portanto, já estou aqui a ter um bónus [risos]. Gostava de ter trabalhado mais na área editorial ou em áreas que já discuti recentemente com a nova cônsul-geral de Portugal em Cantão [Ana Menezes Cordeiro] como é o caso da fotografia, arte digital, indústrias criativas. Acho que há muito para fazer na área da arquitectura. Gostaria de ter trabalhado mais nessa área, confesso. Há grandes nomes da arquitectura em Macau.

Quando se fala ou se pensa no IPOR o foco vai logo para a língua. Essa faceta cultural vê-se pouco ou não?

Não acredito num ensino de língua portuguesa sem uma forte componente cultural, porque a língua não é uma coisa que caia do céu aos trambolhões. A língua não é um fenómeno paraquedista. Nós falamos a língua que falamos porque as condições de contexto e condições culturais nos indicaram uma determinada evolução a partir das línguas anteriores. Nós somos o que somos também por forte influência cultural e isso determina a forma como falamos a língua. Não é por acaso que o português é uma língua pluricêntrica, com uma centralidade na Europa, com uma centralidade no Brasil, com centralidades que se discutem e são analisadas em vários países de África.

Tem sido, se calhar vezes de mais, trazido a lume a polémica entre o português de Portugal e o português do Brasil. Recentemente, alguma imprensa portuguesa até escreveu “brasileiro” referindo-se à língua falada naquele país da América do Sul. O que lhe apraz dizer sobre isto?

Apraz-me dizer muita coisa, mas por decoro não o posso fazer. Apraz-me publicamente dizer que sofro com uma certa mágoa e com uma certa tristeza que o preconceito linguístico continue a vigorar. Que a visão, o conhecimento que penso seria um exemplo até de patriotismo no contexto português, que seria procurar saber mais sobre a sua própria língua, não motive os portugueses. Entristece-me que algumas pessoas continuem a olhar para o português europeu e para o português do Brasil, para não falar noutras variantes, como se fossem duas línguas diferentes. Na verdade, o português é uma língua, mas quando li, nomeadamente num órgão de comunicação social um texto sobre essa ideia do “brasileiro” e os nossos filhos já estão a falar “brasileiro”, fiquei muito chocado como linguista, para além de ter ficado triste enquanto português. E fiquei muito chocado porque, a verdade é que se eu for de Lisboa para a minha região, Beira Alta, tenho uma marca que se chamava dialectalmente de alto-duriense beirão, tenho um S apical. Assobio quando digo S. Há regiões onde se diz testo e noutras se diz tampa. E poderia estar aqui a dar vários exemplos. Não preciso de inventar problemas entre a norma portuguesa europeia e a norma portuguesa do Brasil. Basta-me andar 50 quilómetros dentro de Portugal para, se eu quiser, arranjar falsos problemas. É natural que use palavras que o meu vizinho não use para exprimir as mesmas coisas. Isto são questões tão falsas. Há, por exemplo, palavras e expressões da norma portuguesa do Brasil que são do português europeu arcaico. Não há forma de aferir se em Portugal se falava com a oralidade que nós hoje identificamos no português do Brasil. Não temos cassetes da época, mas temos um razoável grau de segurança para dizer que talvez algumas vogais fossem mais abertas do que são hoje. Existe uma boa possibilidade de que o português europeu e o português do Brasil tenham âncoras mesmo a nível da forma como se fala que são perfeitamente comuns. Isto é tudo um problema artificial e é um problema de xenofonia. Não acredito que haja uma xenofobia generalizada, mas há, de facto, problemas de xenofobia. Quando tentamos criar problemas artificiais entre o português do Brasil, o português europeu ou o português seja de onde for, que não estão linguisticamente sustentadas, isso é uma expressão xenófoba, não tem outro nome. As pessoas vêem na língua muros que não existem cientificamente.

Coisas sem sentido, portanto.

Não faz sentido rigorosamente nenhum. A língua não é uma fisga para a gente atirar uma pedrinha à canela por qualquer motivo que trazemos na cabeça. Isto é uma coisa séria. Não podemos andar a inventar guerrinhas onde elas não existem. Devíamos ter muito mais que fazer, muito mais prazer em conhecer a nossa própria língua e em saber que se me apetecer dizer bala em português europeu, vou dizer “bala” e vai haver muita gente que vai entender. E se eu disser rebuçado no Brasil vai haver muita gente que vai entender. E se me apetecer dizer em Portugal “trem” vai haver muita gente que vai entender o que estou a dizer, e se me apetecer dizer comboio no Brasil também vai haver muita gente que vai entender. Tenho a plena noção do que é a minha língua e tenho a plena noção que uma palavra tem cinco ou seis sinónimos e posso escolher aquele que muito bem me apetecer. Isso nada tem a ver com influências de A ou de B. Sou linguista, conheço suficientemente mal a minha língua para admitir que tenho de estudar muito mais sobre ela e tenho de ter mais prazer em conhecer melhor a minha língua. E isso é que deveria estar na cabeça de todos nós, portugueses. Há xenófobos em Portugal, há xenófobos no Brasil. Não pode haver instrumentalização de uma coisa como é a língua para justificar a nossa xenofobia. Temos de parar de procurar desculpas, para começarmos a procurar soluções.

O que vai fazer a seguir?

Ainda não sei. Vou para Lisboa e espero ter isso clarificado agora em Dezembro. A minha vida recente tem sido no Camões, por isso gostava de continuar ligado à instituição. Acabei de ter um filho. Passar alguns anos em Portugal seria simpático, mas a minha mulher é checa e portanto. Não sei. Seria útil, mesmo profissionalmente, ficar uma temporada por Lisboa até porque já não estou em Portugal desde 2005 para saber o que é este Portugal e o que é que se tem feito. O que é que se tem feito ao nível da língua. Quais são os novos talentos culturais que podemos mandar para o mundo. O que nasceu do desafio da pandemia que seja internacionalizável. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”


sábado, 6 de março de 2021

Timor-Leste - Embaixador de Portugal e Presidente do Parlamento Nacional discutem desenvolvimento de recursos humanos


Díli – O Presidente do Parlamento Nacional, Aniceto Guterres, disse que o seu encontro com o Embaixador de Portugal em Timor-Leste, José Pedro Machado Vieira, teve como objetivo falar sobre a cooperação entre o Parlamento timorense e a Assembleia da República Portuguesa, nomeadamente no desenvolvimento de recursos humanos.

Aniceto Guterres reconheceu que Timor-Leste tem como grande desafio o desenvolvimento dos recursos humanos em todas as áreas, incluindo a capacitação dos funcionários e deputados do Parlamento Nacional.

“Alargámos a cooperação entre os dois parlamentos, designadamente na área dos recursos humanos do Parlamento Nacional timorense e temos a possibilidade de oferecer bolsas de estudo aos funcionários e aos técnicos parlamentares”, disse o Presidente do Parlamento Nacional, após a reunião com o diplomata português, no Parlamento Nacional.

“A reunião de trabalho entre o Embaixador de Portugal e o Presidente do Parlamento Nacional consistiu em discutir oportunidades e possibilidades de apoio da Cooperação Portuguesa ao Parlamento timorense. Portugal tem sido um país amigo de Timor-Leste, com diversos projetos de cooperação, que, em nome do povo e do Parlamento Nacional, quero aqui agradecer”, referiu.

Também o Embaixador de Portugal, José Pedro Machado Vieira, disse que este país capacitará os funcionários do Parlamento Nacional nas áreas da língua portuguesa, das finanças públicas, entre outras.

“Encontrei-me com o Presidente do Parlamento Nacional para falarmos sobre a cooperação entre os dois países, sobretudo a de longa data entre o Parlamento Nacional e a Assembleia da República Portuguesa, mas também sobre os pontos de colaboração”, concluiu. Domingos Freitas – Timor-Leste in “Tatoli”

 


 

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Timor-Leste – Assina acordo de projeto de desenvolvimento de recursos humanos com o Japão



DÍLI – Os governos de Timor-Leste (TL) e do Japão assinaram o terceiro acordo relativo ao projeto nipónico de bolsas de estudo para desenvolvimento dos recursos humanos.

O acordo celebrado teve as assinaturas da Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação Adaljiza Magno e do Embaixador do Japão em Díli, Kinefuchi Masami. Foi igualmente assinado o acordo sobre o Fundo Gratuito para este projeto Japan Development Scolarship (JDS, sigla em inglês) com o Representante da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), Goto Ko.

O diplomata nipónico Kinefuchi Masami disse que o projeto JDS tem como objetivo convidar jovens funcionários públicos timorenses a estudarem no Japão para que possam adquirir novos conhecimentos e competências específicas sobre a política de planeamento. A intenção do programa é os beneficiários poderem mais tarde aplicar tudo aquilo que aprenderam no seu local de trabalho.

“Os bolseiros vão frequentar universidades de pós-graduação, durante dois anos, no Japão. Espero que possam obter o diploma de mestrado no final do curso. Oito estudantes do primeiro grupo já se deslocaram ao Japão nos últimos dois anos. Estão atualmente a estudar neste país”, afirmou Kinefuchi Masami, no âmbito da assinatura do acordo, que decorreu na Praia dos Coqueiros, em Díli.

O diplomata referiu ainda que o segundo grupo, composto também por oito estudantes timorenses, está, neste momento, a aguardar o sinal para então arrancar com destino ao Japão, logo que houver menos restrições face à crise sanitária provocada pela covid-19.

“Serão selecionados oito estudantes timorenses para participarem em cursos universitários no Japão a ter lugar no próximo ano. Este programa é uma oportunidade para os líderes jovens timorenses interagirem com outros líderes oriundos de países asiáticos”, afirmou.

Kinefuchi Masami recordou também que, dos dois mil estudantes timorenses que receberam o convite para frequentarem uma bolsa no Japão, 100 já obtiveram os respetivos diplomas, enquanto os restantes ainda aguardam.

“O nosso único programa que assenta na atribuição de bolsas de estudo visa apoiar a Faculdade de Engenharia da UNTL. A Academia de Defesa Nacional do Japão recebe anualmente estudantes timorenses”, referiu.

O Governo do Japão prevê, em cada ano, alocar um orçamento no valor de 1,5 milhões de dólares americanos destinado aos oito bolseiros.

A ministra Adaljiza Magno disse, por seu turno, que a bolsa se destina apenas aos funcionários públicos que vão frequentar o curso de mestrado.

“Eles vão estudar em diferentes áreas no Japão. A seleção dos candidatos será levada a cabo pelo INAP. Espero que os timorenses que participam neste programa possam criar um ambiente amigável e saudável de estreita cooperação durante os seus estudos no Japão. A intenção é promover uma boa relação entre Timor-Leste e o Japão”, afirmou.

Já o Diretor-Geral do Instituto Nacional de Administração Pública (INAP), Agostinho Letencio de Deus, afirmou que o INAP e a JICA procederam já aos preparativos para determinarem os vários critérios para apurar os candidatos a bolsas de estudo.

Recorde-se que o Executivo japonês mantém o seu apoio a Timor-Leste há 20 anos através de projetos de construção de grande escala, como o porto, estradas, pontes, entre outros. Implementou também 150 projetos de menor escala que beneficiaram diretamente o povo timorense. Nelia Fernandes – Timor-Leste in “Tatoli”



segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Venezuela - Camões Instituto da Cooperação e da Língua continua a investir em recursos humanos e financeiros

O Camões – Instituto da Cooperação e da Língua disponibilizará quase meio milhão de euros para o ensino do português na Venezuela, onde a procura está a crescer entre luso-descendentes, mas também no ensino superior, básico e secundário.

O anúncio foi feito pelo presidente do Camões, por Luís Faro Ramos, em Caracas, depois de uma visita de quatro dias à Venezuela, onde foram assinados novos acordos de cooperação com a Universidade de Los Andes, o Instituto Português de Cultura e o Centro Português.

“A finalidade principal da minha vinda a este país foi assinar um protocolo de cooperação entre o Camões e a universidade de Los Andes, em Mérida. gostava de salientar a esse propósito que é a primeira vez que o Camões tem cooperação com uma universidade, neste caso estabelecimento do ensino superior, na região ocidental da Venezuela, na região andina”, disse.

Em declarações à Agência Lusa, Luís Faro Ramos, explicou que foi a segunda vez que visitou a Venezuela e que o Camões está “a alargar a presença” no país.

“Com o protocolo que assinei em Mérida e estes outros dois protocolos (Instituto Português de Cultura e Centro Português), o investimento do Camões na Venezuela, no próximo ano, rondará o meio milhão de euros (…) O Camões continua a investir recursos humanos e financeiros na Venezuela e tem tentado e conseguido até aumentar um pouco esse investimento”, disse.

Por outro lado, sublinhou ter constatado “com muito agrado que o ensino da nossa língua na Venezuela está a crescer no ensino superior mas também no ensino básico e secundário”.

No ano passado (2018) a Venezuela admitiu, pela primeira vez, que a língua portuguesa fosse ensinada no curriculum público. tínhamos umas centenas de estudantes e este ano temos cerca de 2500 que estudam português como língua estrangeira sobretudo venezuelanos, se juntarmos os que estudam português como língua de herança que são sobretudo os luso-descendentes, temos quase 4000 alunos”, precisou.

Segundo Luís Faro Ramos, estes alunos são apoiados por mais de 60 docentes, em 20 escolas.

“É fantástico o crescimento do interesse pela nossa língua, e nós no Camões tentamos sempre corresponder, com a nossa oferta, à procura. Obviamente que isso é um desafio, mas é um bom desafio, ao qual esperamos poder continuar a poder corresponder”, frisou.

Por outro lado, destacou o “papel notável” feito pela coordenação do ensino da Língua Portuguesa na Venezuela, a Embaixada e o consulado-geral de Portugal em Valência.

“Temos aqui uma estrutura pronta, apta a enfrentar os desafios do presente e do futuro também”, disse.

Nesse sentido, precisou que o Camões tem tido “solicitações crescentes sobretudo por parte das associações de portugueses e das escolas para o envio de material, manuais e livros” que levou a que fosse feito um investimento de mais de 70 mil euros em compêndios que foram distribuídos por todo o país.

O presidente do Camões referiu ainda que, durante a visita ao país, recebeu com “grande alegria” a notícia de que a Unesco adotou o dia 05 de maio como Dia Mundial da Língua Portuguesa.

“É uma grande alegria, um reconhecimento do trabalho fantástico da nossa equipa na Unesco, mas é também o reconhecimento de um trabalho conjunto de todos os países de língua portuguesa. isto nunca teria sido possível se não houvesse uma vontade unânime por parte dos países da CPLP em dar à língua portuguesa uma dimensão qualitativamente diferente”, disse.

Segundo Luís Faro Ramos, “a partir do próximo ano, há mais responsabilidade, mas as razões para comemorar pela primeira vez o Dia Mundial da Língua Portuguesa, são grandes”.

“Este interesse que eu vejo por parte das autoridades e dos estudantes venezuelanos pela nossa língua, é um reflexo, da importância que tem no mundo, o português língua global, pluricêntrica, hoje já falada por mais de 270 milhões de pessoas, e que no fim do século, será falada por ventura até por mais de 500 milhões de pessoas”, concluiu. In “Lux 24” - Luxemburgo