Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Portugal - Estudo da Universidade de Coimbra revela que polinizadores garantem mais de 2 mil milhões de euros anuais à agricultura portuguesa

Um estudo pioneiro da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) revela, pela primeira vez, o valor económico dos polinizadores para a agricultura em Portugal: mais de 2 mil milhões de euros em 2023, dos quais cerca de metade (1,1 mil milhões de euros) são diretamente atribuíveis à ação dos insetos polinizadores, como abelhas selvagens, moscas-das-flores e outros insetos.


O estudo, publicado na revista Regional Environmental Change, foi desenvolvido por investigadores do FLOWer Lab que integra o Centre for Functional Ecology: Science for People & Planet   do Departamento de Ciências da Vida: Catarina Siopa, Hugo Gaspar, Helena Castro, João Loureiro e Sílvia Castro.

Os investigadores revelam que 54% das culturas agrícolas produzidas em Portugal dependem diretamente dos polinizadores. Catarina Siopa, primeira autora do estudo, explica que «o valor económico calculado tem origem não só nas culturas altamente dependentes da polinização como também nas culturas com menor grau de dependência, mas de grande importância económica. As culturas mais beneficiadas pela polinização incluem maçã, framboesa, pera, abacate, tomate industrial, mirtilo, amêndoa, kiwi, laranja e morango».

Os polinizadores não influenciam apenas a quantidade produzida, mas também a qualidade nutricional, o tempo de prateleira e a capacidade de conservação dos produtos agrícolas, gerando benefícios múltiplos, muitos deles ainda difíceis de quantificar. Embora a área agrícola total em Portugal tenha diminuído 49% desde 1980, a área dedicada a culturas dependentes de polinizadores aumentou 36% na última década, refletindo a expansão de culturas mais rentáveis e que dependem da polinização, como frutas frescas, frutos secos e hortícolas.

A nova investigação alerta para as ameaças crescentes aos polinizadores, incluindo a intensificação agrícola, a simplificação da paisagem, as alterações climáticas e a urbanização, que podem comprometer a sustentabilidade da produção agrícola e gerar défices de polinização.

«Os polinizadores são um verdadeiro pilar da economia agrícola nacional. Sem eles, muitas das culturas mais valiosas em Portugal deixariam de ser economicamente viáveis», afirma a docente e investigadora Sílvia Castro, autora do estudo.

Os resultados apresentados fornecem uma base científica sólida para o desenvolvimento de políticas agrícolas e ambientais, reforçando a necessidade de integrar medidas de conservação de polinizadores na gestão agrícola, nos programas de apoio ao setor, e nos planos de ordenamento do território, assegurando a resiliência e sustentabilidade da agricultura em Portugal. Universidade de Coimbra - Portugal


terça-feira, 8 de outubro de 2024

Portugal - Investigador da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto calcula valor monetário de envelhecer com saúde

Estudo mostra que ser saudável depois dos 65 anos constitui um “ganho financeiro”. O Dia Internacional do Idoso comemorou-se no passado dia 1 de outubro


Historicamente, o crescimento económico tem sido atribuído à população em idade ativa, esquecendo sistematicamente os mais velhos, que são encarados, erradamente, como um fardo e prejudicando a aposta no envelhecimento saudável das populações.

Os países estão preocupados com o aumento da despesa que poderá advir do envelhecimento da população. Mas, longe de darem apenas despesa, as pessoas idosas podem gerar ganhos económicos consideráveis em atividades que estão “fora do mercado” e que habitualmente não são medidas em “preços” ou não são remuneradas. Num trabalho publicado na revista científica Social Science & Medicine, e no âmbito do trabalho desenvolvido através do European Observatory on Health Systems and Policies, João Vasco Santos, professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), propõe um novo método que permite estimar o valor monetário de envelhecer com saúde.

De acordo com a análise realizada, que utilizou o Reino Unido como caso de estudo, a diferença entre estar de “boa saúde” ou de “má saúde” pode representar cerca de 19% do Produto Interno Bruto (PIB) per capita entre os 65 e os 74 anos e 27% do PIB per capita na população entre os 75 e 84 anos.

Este estudo indica que as pessoas que envelhecem de forma saudável representam um ganho financeiro que pode ser traduzido em euros ou em qualquer outra moeda. Para isso, há que contabilizar o tempo que estas pessoas passam em atividades como arrumar a casa, cozinhar, tratar das compras, levar as crianças à escola, prestar cuidados a um familiar ou fazer voluntariado, por exemplo.

“Envelhecer com saúde pode gerar um valor económico”

Como sublinha João Vasco Santos, estas atividades, embora essenciais para a sociedade, “permanecem invisíveis nas avaliações económicas convencionais”, não sendo compensadas financeiramente, apesar de apresentarem valor económico”.

“Envelhecer com saúde pode gerar um valor económico que não é observável se utilizarmos medidas tradicionais. O nosso método quantifica o valor monetário da saúde nos mais velhos e pode ser utilizado como argumento para investir no envelhecimento saudável”, afirma.

Historicamente, o crescimento económico tem sido atribuído à população em idade ativa, esquecendo sistematicamente os mais velhos, que são encarados, erradamente, como um fardo e prejudicando a aposta no envelhecimento saudável das populações.

“Pelo contrário, sabemos que investir na saúde destas pessoas pode ser uma decisão política e económica estratégica. No entanto, o investimento no envelhecimento saudável deve ser visto sob outro prisma, tentando manter uma boa saúde em vez de apenas recuperar da doença”, considera o professor da FMUP.

Além de professor e investigador, João Vasco Santos é investigador do CINTESIS@RISE, médico de saúde pública na ULS Santo António, e Presidente da EUPHA Public Health Economics. Assina também o estudo Jonathan Cylus, do responsável do hub de Londres do European Observatory on Health Systems and Policies e economista da saúde do Barcelona Office for Health Systems Financing da Organização Mundial da Saúde. Universidade do Porto - Portugal