Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Sérvia - A peça portuguesa “Um Édipo – o drama ocultado” estreia-se no Teatro Nacional de Nis

A peça “Um Édipo – o drama ocultado”, de Armando Nascimento Rosa, estreia-se no sábado, no Teatro Nacional de Nis, sul da Sérvia, numa encenação do jovem ator e encenador Jug Djordjevic, revelou o dramaturgo à Lusa.

Armando Nascimento explicou que a estreia de “Um Édipo”, naquela cidade do sul da Sérvia, se deve sobretudo “ao labor de Tatiana [Manojlovic, a tradutora], porque de outra forma a peça não era conhecida naquele país”.

O dramaturgo nascido em Évora, em 1966, fala da tradutora Tatjana Manojlovic, uma estudiosa sérvia radicada em Portugal há vários anos, doutorada em literatura dramática portuguesa, “que traduziu o texto para servo-croata”, estando a obra editada no país desde 2011.

A área de interesse desta tradutora incide, sobretudo, em obras que dialoguem com o teatro antigo e os mitos gregos, acrescentou, sublinhando que a edição de “Um Édipo – o drama ocultado” na Sérvia foi igualmente acompanhada de peças de Hélia Correia e Augusto Sobral.

Sobre o encenador, o autor diz conhecê-lo apenas de algumas mensagens trocadas no Facebook.

“É um encenador muito jovem, que terminou a sua formação, também superior, em Artes Cénicas, na Universidade de Belgrado. Percebi que já tem experiência de encenação, que já foi distinguido, por outras encenações que fez” e que também tem trabalhado como ator, afirmou o dramaturgo.

“As únicas informações que tenho sobre esta produção tem sido das mensagens que temos trocado em inglês, através do Facebook”, referiu, mostrando-se, contudo, feliz pela estreia da peça naquela cidade sérvia.

Apesar de não ter a certeza de quem partiu a ideia de encenar a peça, Armando Nascimento Rosa está convencido de que a ideia terá partido do diretor artístico daquela sala de espetáculos, que o convidou para assistir à estreia.

Um Édipo – o drama ocultado” estreou-se em Portugal em 2003, no Teatro da Comuna, num projeto pontual com encenação de Miguel Loureiro.

A obra está também editada, desde 2006, nos Estados Unidos da América, com o título “An Oedipus – The untold story”. No mesmo ano, foi encenada no Queen Anne Court da Universidade de Greenwich, por Pippa Guard.

“É sinal de que são os textos que fazem a sua viagem própria”, já que sobe à cena pelo interesse que despertou nos criadores sérvios depois de a terem lido, disse o autor.

Um Édipo – o drama ocultado” parte da tragédia de Sófocles, atribuíndo, porém, o comportamendo de Édipo a um “crime sexual cometido por seu pai”.

Laio, o pai de Édipo, terá seduzido o jovem Crísipo, filho de Pélope e da ninfa Axíoque quando, depois de banido de Tebas por Zeto e Anfião, fugiu com Pélope. Na altura, ter-se-á enamorado de Crísipo e tê-lo-à raptado, fazendo com que este se suicidasse de vergonha.

Dr. Feelgood – em viagem para Belle Reve”, texto que obteve o Prémio Nacional de Teatro Bernardo Santareno, em 2011, é a outra peça de Armando Nascimento Rosa publicada em Belgrado, desde 2014, também com tradução de Tatjana Manojlovic.

O dramaturgo estará presente na estreia da obra, na cidade natal do imperador Constantino, com o apoio do Instituto Politécnico de Lisboa, em cuja Escola Superior de Teatro e Cinema (ESTC) leciona há 21 anos, e do Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC).

Armando Nascimento Rosa faz parte do CIAC, estrutura com sede na Universidade do Algarve, com parceria com a ESTC do IPL. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”


sábado, 16 de novembro de 2019

Portugal - Exposição "Branislav Mihajlovic - 20 Anos na LM Arte” em Sintra



A quem possa interessar…

…Estou a folhear catálogos e convites antigos, a explorar gavetas, à procura de fotos antigas de noites de abertura, a tentar lembrar-me de quem eu era há vinte anos.

Quando me perguntam como cheguei a Portugal, respondo muitas vezes, por acaso. Viemos para ficar 20 dias e ficámos uma vida. Mas a verdade é que eu estava à procura de um “acaso”. Podia ter acontecido na Holanda, na Grécia, ou em qualquer outro lugar mas um feliz acidente trouxe-me a Portugal. A mesma sorte colocou o Luís Madureira no meu caminho. Estava à procura de galerias e a oferecer os meus quadros a quem tivesse a amabilidade de folhear o meu portfólio quando o meu amigo e colega, Gustavo Fernandes, que era na altura o director artístico deste Espaço me convidou a expor. Estou-lhe grato por isso. Aqui conheci o Luís Madureira.

Nada indicava que a nossa colaboração viesse a durar tanto tempo, muito menos que nos tornássemos amigos. Somos diferentes nas línguas que falamos, na idade, origem, experiência de vida e a nossa relação não parecia duradoura. Ele era o senhor da velha guarda, sempre de fato e gravata e eu informal de cabelo comprido e brinco. Nunca pensei sobreviver da arte neste País e ele não tinha desejo e ambição de se tornar galerista. Contudo é óptimo profissional, respeitado pelos clientes e apreciado pelos artistas. Num negócio onde as carreiras aparecem e desaparecem de um dia para o outro e onde as galerias abrem e fecham de temporada para temporada, manter uma galeria bem-sucedida durante mais de vinte anos não é uma conquista pequena. Muito poucos conseguem. O laico pode pensar que isso é fácil, que não existe um grande segredo no negócio da arte, que bom gosto e uma dose de bom senso podem ser suficientes. Puro engano. Ser bom galerista exige integridade pessoal: honestidade, modéstia, lealdade. Estas são também as qualidades de uma pessoa que se deseja para um amigo.

Pesquisando não consigo chegar ao número exacto de exposições que fizemos juntos mas foram seguramente mais de dez individuais (algumas realizadas em espaços públicos e não na Galeria LM) e mais de vinte coletivas. Lembro-me de cada montagem, de cada inauguração, de todo o processo de preparação. Sempre foi divertido e empolgante. Foi feito com amizade.

Tenho muito gosto em dedicar esta exposição ao meu amigo, Luís Madureira.
                                                                                        Branislav Mihajlovic


Branislav Mihajlovic - Nascido em Belgrado, Sérvia no ano de 1961, Branislav começou a desenhar e pintar muito cedo e com cerca de quinze anos já tinha participado em exposições nacionais e internacionais. Finalizou os estudos da pintura na Escola Superior de Belas Artes, Universidade de Belgrado em 1986 e o mestrado da pintura em 1989 na mesma Escola. Após concluir os estudos empreendeu várias viagens. Acabou por ficar na Holanda dois anos, onde se tornou artista profissional. Realizou já mais de sessenta exposições individuais e inúmeras colectivas na Jugoslávia, Italia, Polónia, Holanda, Alemanha, Espanha e Portugal. Foi premiado em São Paulo, Nova Deli e Belgrado. Actualmente vive em Portugal. O seu trabalho figurativo reclama uma participação constante do espectador ao recuperar questões inerentes a condição humana, atraves de temáticas introspectivas ou misticas. Com uma linguagem pictórica forte pela expressividade, utiliza com frequência a técnica do "combine painting", através de diversos materiais exteriores ao âmbito convencional da pintura, como sejam pedras, madeira ou livros. “LM galeria de Arte Contemporânea”