Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Angola - Encontro literário marca encerramento da “Semana da Língua Portuguesa” no Instituto Camões

Um encontro entre escritores e leitores assinalou o encerramento da “Semana da Língua Portuguesa” realizada de 5 a 9 do mês em curso, no Instituto Camões, em Luanda. O encontro, que juntou três escritores de diferentes gerações e os amantes de livro no mesmo espaço, ficou ainda marcado por uma roda de conversa aberta, venda e sessão de autógrafos, exibição de um monólogo teatral, e culminou com um pequeno concerto musical


José Luís Mendonça, Júlio de Almeida e Paula Agostinho são os escritores que brindaram o público com as suas obras literárias e mantiveram uma conversa aberta com os leitores, partilhando as suas experiências, visões e opiniões sobre o estado da literatura feita na língua portuguesa. Numa conversa livre e aberta, os autores falaram sobre os desafios que a literatura angolana enfrenta, a falta (ou pouco) de apoio e financiamento, o elevado custo na produção dos livros e o retorno que não é satisfatório, tendo em conta que a sociedade ainda tem um índice de leitores activos muito baixo.

Com a obra 30 Odes – pouco ou nada ortodoxas, José Luís Mendonça fez uma imersão à poesia da antiguidade, mergulhando nas técnicas de escrita dos antigos escribas gregos para trazer poesia genuína que exalta a beleza das coisas mais simples da vida. Na sua abordagem, durante a interacção com o público, o escritor, pesquisador cultural e docente universitário recomendou aos participantes a dedicarem mais tempo à leitura, a treinarem as suas capacidades de escrita criativa e saberem olhar para um texto com olhos críticos e analítico, não apenas de forma superficial. “Leiam, leiam quantas vezes for necessário, não se cansem.

Leiam um pouco de tudo e cultivem o hábito de reflectir, de analisar e questionar a obra. Quanto mais se lê mais facilmente a pessoa ganha capacidade para a escrita literária”, defendeu.

Júlio de Almeida, por sua vez, fez-se ao encontro com a obra Viver até ao Fim, uma autobiografia em que o autor discorre sobre as suas vivências e lembranças e através delas constrói várias histórias, misturando romance, drama e suspense. Com o público, o autor focou-se em partilhar a sua visão sobre os desafios do mercado literário angolano, apontando as evoluções e recuos, uma vez que a sua obra traz à tona memórias vividas há mais de 70 anos. Já Paula Agostinho, escritora portuguesa que experimenta o mercado literário angolano, trouxe ao encontro uma obra intitulada A Coruja e a Baleia.

Trata-se de um livro bilingue (português e inglês) de contos com cerca de 35 páginas, que reúne dezenas de contos e fábulas, em que a baleia e a coruja aparecem como as protagonistas. A obra foi lançada em Dezembro do ano passado, em Luanda, mas, no último fim-de-semana, foi apresentada a um público mais jovem que se mostrou interessado em explorar o livro e se familiarizar com a escrita da também fotógrafa e criadora portuguesa. “Embora seja um livro de contos, esta obra é destinada a todas as idades, porque traz contos e fábulas muito interessantes que podem ser explorados, quer por crianças, quanto por adultos”, disse a autora.

Reflexão sobre o papel da língua portuguesa Promovido pelo Centro Cultural Camões, a “Semana da Língua Portuguesa” foi uma iniciativa enquadrada na celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa (celebrado a 5 de Maio) com o objectivo de reflectir sobre o papel desta língua na união e no intercâmbio cultural entre os diferentes países que partilham o mesmo idioma.

No Camões, o certame ficou ainda marcado com a exibição de um monólogo teatral que retratou as complexidades da língua portuguesa e a sua abrangência linguística e cultural. A celebração envolveu um programa extenso e transversal que incluiu actividades artísticas, académicas e formativas à volta da língua portuguesa e das culturas que abrangem estas línguas. Bernardo Pires – Angola in “O País”


terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Angola - Paula Agostinho estreia-se na literatura com “A Coruja e a Baleia

A artista multidisciplinar angolana Paula Agostinho dá o primeiro passo no mundo da literatura com o livro “A Coruja e a Baleia”, livro ilustrado sobre amizade, aceitação e a força das histórias, a ser lançado amanhã, 17, às 17h30, no Camões – Centro Cultural Português, sob égide da editora Kacimbo


A obra, que vai ser ainda apresentada na Livraria Kiela, no dia 20, às 11 horas, assinala a incursão de Paula Agostinho na literatura, uma disciplina que a artista multidisciplinar ainda não tinha explorado.

Neste livro bilingue (português / inglês), o texto da autora e as ilustrações em aguarela da artista sul-africana Jansie Pienaar encontram-se para contar a amizade improvável entre uma coruja e uma baleia.

Através de diálogos sobre cantar, sentir e viver, as duas personagens falam-nos de aceitação, encantamento e da força das pequenas histórias que cada um carrega consigo. Como diz Oki, a baleia, ao seu amigo Bubo: “Tu não precisas de ser um grande cantor. Só precisas de ter uma estória para contar.” In “O País” - Angola