Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 13 de junho de 2022

Portugal - Estudo da Universidade de Coimbra aponta nova estratégia sustentável para reduzir a praga da mosca da azeitona

Um estudo da Universidade de Coimbra (UC), que avaliou a influência da paisagem na dinâmica da Bactrocera oleae (mosca da azeitona), sugere uma nova estratégia sustentável para reduzir uma das pragas da oliveira com maior expressão na Península Ibérica, assim como os custos económicos associados à perda de rendimento da cultura.

Conduzido por uma equipa de investigadores do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), neste estudo foi analisada a dinâmica populacional da Bactrocera oleae em diferentes usos do solo de uma paisagem típica de olival da região Centro de Portugal, na zona de Idanha-a-Nova.

O objetivo do estudo, explica Daniel Paredes, primeiro autor do artigo científico publicado no Journal of Pest Science, foi compreender qual «a influência da composição e estrutura da paisagem na dinâmica da praga, mais concretamente avaliar a possível utilização pela praga de zonas que não sejam olival e avaliar qual a influência desses diferentes usos do solo na abundância da praga no próprio olival. Resumidamente, perceber se a diversidade na paisagem em termos de uso do solo tem uma influência positiva, isto é, uma menor incidência da praga no olival, quando comparada com uma paisagem de olival contínuo».

Para tal, a equipa, coordenada por José Paulo Sousa, professor do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC, selecionou 79 pontos de amostragem, distribuídos pelos usos do solo mais comuns detetados na área de amostragem (uma área de 10km x 10Km). «Além de áreas de olival, foram amostradas áreas dominadas por matos autóctones (vegetação arbustiva), áreas de montado, pastagens, vinha e plantações de eucalipto e pinheiro-bravo», detalha Daniel Paredes.

Os investigadores concluíram que as paisagens mais diversificadas que rodeiam os olivais reduzem a abundância da mosca da azeitona. «Verificámos que, na realidade, a B. oleae serve-se de todos os tipos de uso do solo e que a dinâmica populacional foi muito semelhante à observada nos olivais, muito embora a sua abundância, como esperado, tenha sido sempre superior nos olivais. No entanto, esta maior incidência da praga no olival é tanto maior quanto mais simplificada for a paisagem. Em paisagens compostas principalmente por olivais (paisagens simplificadas), a abundância da praga por unidade de área do olival é muito maior do que em paisagens com uma maior diversidade de usos do solo em redor dos mesmos. A praga, ao utilizar estes outros usos do solo, sem causar dano, vai diminuir a sua incidência no olival com a consequente redução de danos», explica o investigador.

Tendo em conta que a dinâmica populacional de pragas fora da cultura focal (o olival) tem sido pouco estudada, a abordagem adotada neste estudo, segundo os autores, «é uma abordagem extremamente importante para compreender a dinâmica da paisagem e das pragas no contexto da paisagem, permitindo perceber quais são os tipos de uso do solo não focais que mais contribuem para uma melhor gestão da praga na área do olival».

Os resultados do estudo, afirma Daniel Paredes, mostram a «diversificação da paisagem como uma estratégia que pode permitir aos agricultores reduzir a abundância de B. oleae e os danos a ela associados nas suas explorações. As implicações destes resultados são de extrema importância para os olivicultores, uma vez que a diversificação da paisagem pode reduzir a probabilidade de ocorrência de “outbreaks” (surtos) de pragas e evitar os custos económicos associados à perda de rendimento da cultura ou à aplicação (por vezes, excessiva) de inseticidas para controlar as pragas».

Além disso, observa o investigador do Centro de Ecologia Funcional da FCTUC, esta investigação chama ainda a atenção para a «necessidade de haver um melhor planeamento do território (pelas autoridades locais/regionais), aquando da autorização para instalação de novas culturas (neste caso de olival), de forma a manter uma paisagem diversificada em termos de uso do solo». Em suma, face aos resultados obtidos neste estudo, «incentivamos os agricultores, técnicos e políticos a promoverem a diversificação da paisagem nos olivais», conclui.

Este estudo foi cofinanciado pelo Programa Operacional Regional do Centro no âmbito do projeto ReNATURE, pelo Programa de Investigação e Inovação Horizonte 2020 da União Europeia, ao abrigo do projeto ECOSTACK, e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) através do projeto OLIVESIM. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Brasil - Escolha a oliveira para proteger o planeta e a saúde

 


No dia 26 de novembro, os governos e instituições de todo o mundo fazem uma homenagem à oliveira com uma mensagem simples e clara: escolha a oliveira para proteger nosso planeta e nossa saúde.

Este tributo tem como objetivo destacar o papel da olivicultura no desenvolvimento econômico e social sustentável, mas também como uma arma fundamental na luta contra as alterações climáticas.

A oliveira, com as suas raízes no Mediterrâneo, é um símbolo universal de paz e harmonia. Crescendo em cinco continentes, as oliveiras fornecem empregos, segurança e recursos naturais para comunidades rurais em todo o mundo.

Como um agente contra o aquecimento global, as oliveiras têm um balanço de carbono positivo – retiram mais CO2 da atmosfera do que o emitido durante o processo de produção do azeite.

O azeite de oliva e azeitonas de mesa são uma fonte comprovada de nutrição e ingredientes essenciais na dieta mediterrânea. Oferecem uma grande variedade de aromas e sabores e realçam uma cozinha única que já desperta o interesse de chefs de renome em todo o mundo.

A capacidade de suas múltiplas propriedades saudáveis e nutricionais que contribuem na prevenção de algumas doenças, já amplamente reconhecida.

Para Rita Bassi, presidente da Associação Brasileira de Produtores, Importadores e Comerciantes de Azeite de Oliveira (OLIVA) “fazer parte das celebrações mundiais deste dia é muito importante para nós enquanto entidade no Brasil. Nosso trabalho é conscientizar a população sobre a importância do consumo do azeite e seus benefícios”.

“Para além dos benefícios do azeite à saúde é sempre importante referenciar o impacto positivo para o meio ambiente em termos de biodiversidade” acrescenta Bassi.

A oliveira

A origem da oliveira perde-se no tempo, coincidindo e confundindo-se com a expansão das civilizações mediterrânicas que durante séculos governaram o destino da humanidade e deixaram a sua marca na cultura ocidental.

Resistente à falta de água, entra em produção a partir do 4º ou 5º ano, após a plantação, e produz em média de 40 a 60 Kg de azeitonas anos, que representa cerca de 6 a 10 litros de azeite.

O azeite de oliva é o suco natural da azeitona. É predominantemente formado por triglicéridos, glicerol e ácidos graxos, na sua maioria insaturados. Predomina o ácido oleico (monoinsaturado) e em quantidades moderadas os ácidos linoleicos e linolênicos. Em pequenas quantidades estão presentes ácidos graxos saturados.

A outra fração do azeite é formada por componentes menores como são os tocoferóis (nomeadamente o α-tocoferol percursor da vitamina E), polifenóis, esteróis (β-sitosterol), hidrocarbonetos (esqualeno percursor da síntese de colesterol e β-caroteno percursor da vitamina A), outras vitaminas, pigmentos (clorofilas, carotenos), voláteis, etc.

O processo do azeite começa com a colheita da azeitona das oliveiras (as oliveiras têm preferência por um clima seco e quente, além de muita luminosidade. Podem viver centenas de anos – ou até milênios);

Após a colheita, as azeitonas são lavadas e vão para o processo de moagem. As azeitonas são trituradas, formando uma pasta oleosa, dando início à extração do azeite.

Em processos físicos, sem solventes ou o uso de conservantes. Nos processos mais antigos o azeite era feito em lagares com moinhos de pedra, atualmente existem processos mais modernos de se extrair o azeite como o método de centrifugação, que continua sendo um método de extração a frio.

Após este processo, o azeite é classificado:

– Azeite Extra virgem: Acidez ≤ 0,8

– Azeite Virgem: Acidez ≤ 2,0

– Azeite Tipo Único: Acidez: ≤ 1,0

Ainda, existem outros fatores que interferem nas características dos azeites, como por exemplo a variedade da oliveira; solo em que está plantada; irrigação; grau de maturação da azeitona e saúde da mesma; forma da colheita; transporte das azeitonas e seu armazenamento.

Benefícios à saúde

Diversos estudos realizados comprovam que consumir cerca de duas colheres de sopa diárias de azeite traz algumas vantagens ao corpo humano.

O controle de colesterol é um dos benefícios que o consumo do azeite proporciona. Por ser uma fonte gordura insaturada, o azeite de oliva é um forte aliado no combate a problemas cardiovasculares, já que, além de reduzir o nível de colesterol ruim, ele aumenta o colesterol bom (HDL), que ajuda a evitar o infarto do miocárdio.

Outra vantagem é a prevenção de diabetes, pois, além de reduzir o colesterol ruim, o azeite de oliva auxilia no controle do nível de glicose e triglicéridos no organismo, sendo um importante aliado na prevenção de diabetes. Contém, inclusive, outros elementos (como o ômega-3) que pode inibirem o crescimento de células cancerígenas e o ataque de radicais livres ao DNA, reduzindo possíveis mutações celulares.

Ele é também rico em vitaminas A, D, E e K, o que contribui para a prevenção de doenças e faz dele um poderoso antioxidante e analgésico, além de estar presente na dieta de quem deseja ficar mais forte de forma saudável, já que ele auxilia no ganho de massa muscular por possuir uma alta densidade energética, sendo também um importante aliado na perda de peso.

A Associação Brasileira de Produtores, Importadores e Comerciantes de Azeite de Oliveira – OLIVA foi fundada em 2001. Uma sociedade civil, sem fins lucrativos, de âmbito nacional, congregando produtores, importadores, distribuidores, comerciantes e entidades interessadas no desenvolvimento da categoria no Brasil.

Está associada ao COI – Conselho Oleícola Internacional, órgão subordinado à Organização das Nações Unidas – ONU. Fundado em 1956 e sediado em Madrid, na Espanha, está encarregado de gerir o Convênio Internacional de Azeite de Oliva, onde são formuladas as grandes linhas de ação destinadas à manutenção e desenvolvimento da oleicultura mundial, além de medidas normativas para preservar a autenticidade do produto. In “Mundo Lusíada” - Brasil