Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta José Mário Branco. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta José Mário Branco. Mostrar todas as mensagens

domingo, 22 de setembro de 2024

Mariazinha










Vamos aprender português, cantando

 

Mariazinha

 

Mariazinha

deita os olhos p'ró mar

pela tardinha

quando a noite espreitar

e no verde das águas sem fundo

já se perde da esp'rança do mundo

a afundar

a afundar

 

Mariazinha

deita os olhos p'ró mar

tão pequenina

sem saber que pensar

vê a roda do mundo girando

e os navios ao longe passando

sem parar

sem parar

 

Mariazinha

deita os olhos p'ró mar

tão quietinha

a chorar, a chorar

uma fonte de sangue no peito

uma sombra na boca e um trejeito

no olhar

sem parar

 

Mariazinha

deita os olhos p'ró mar

tão caladinha

a chamar, a chamar

vai p'ró fundo da noite tão fria

numa barca de rendas vazia

a afundar

sem parar

 

Mariazinha

com rendas de algas tapada

tão quietinha

no fundo do mar pousada

 

JP Simões – Portugal

Composição:

José Mário Branco - Portugal 


domingo, 4 de julho de 2021

Eu vim de longe


 






Vamos aprender português, cantando

 

Eu vim de longe

 

Quando o avião aqui chegou

quando o mês de Maio começou

eu olhei para ti

então eu entendi

foi um sonho mau que já passou

foi um mau bocado que acabou

 

Tinha esta viola numa mão

uma flor vermelha na outra mão

tinha um grande amor

marcado pela dor

e quando a fronteira me abraçou

foi esta bagagem que encontrou

 

Eu vim de longe

de muito longe

o que eu andei pra aqui chegar

eu vou pra longe

pra muito longe

onde nos vamos encontrar

com o que temos pra nos dar

 

E então olhei à minha volta

vi tanta esperança andar à solta

que não hesitei

e os hinos que cantei

foram frutos do meu coração

feitos de alegria e de paixão

 

Eu vim de longe

de muito longe

o que eu andei pra aqui chegar

eu vou pra longe

pra muito longe

onde nos vamos encontrar

com o que temos pra nos dar

 

Quando a nossa festa se estragou

e o mês de Novembro se vingou

eu olhei pra ti

e então eu entendi

foi um sonho lindo que acabou

houve aqui alguém que se enganou

 

Tinha esta viola numa mão

coisas começadas noutra mão

tinha um grande amor

marcado pela dor

e quando a espingarda se virou

foi pra esta força que apontou

 

Eu vim de longe

de muito longe

o que eu andei pra aqui chegar

eu vou pra longe

pra muito longe

onde nos vamos encontrar

com o que temos pra nos dar

 

Eu vim de longe

de muito longe

o que eu andei pra aqui chegar

eu vou pra longe

pra muito longe

onde nos vamos encontrar

com o que temos pra nos dar

 

Brigada 14 de Janeiro – Portugal

 

Composição:

José Mário Branco - Portugal


domingo, 16 de outubro de 2016

Eu vim de longe














Vamos aprender português, cantando


Quando o avião aqui chegou
Quando o mês de maio começou
Eu olhei para ti
Então eu entendi
Foi um sonho mau que já passou
Foi um mau bocado que acabou

Tinha esta viola numa mão
Uma flor vermelha na outra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a fronteira me abraçou
Foi esta bagagem que encontrou

Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei pra aqui chegar
Eu vou pra longe
Pra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos pra nos dar

E então olhei à minha volta
Vi tanta esperança andar à solta
Que não hesitei
E os hinos que cantei
Foram frutos do meu coração
Feitos de alegria e de paixão

Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei pra aqui chegar
Eu vou pra longe
Pra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos pra nos dar

Quando a nossa festa se estragou
E o mês de Novembro se vingou
Eu olhei pra ti
E então eu entendi
Foi um sonho lindo que acabou
Houve aqui alguém que se enganou

Tinha esta viola numa mão
Coisas começadas noutra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a espingarda se virou
Foi pra esta força que apontou

Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei pra aqui chegar
Eu vou pra longe
Pra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos pra nos dar

E então olhei à minha volta
Vi tanta mentira andar à solta
Que me perguntei
Se os hinos que cantei
Eram só promessas e ilusões
Que nunca passaram de canções

Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei pra aqui chegar
Eu vou pra longe
Pra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos pra nos dar

Quando finalmente eu quis saber
Se ainda vale a pena tanto crer
Eu olhei para ti
Então eu entendi
É um sonho lindo para viver
Quando toda a gente assim quiser

Tenho esta viola numa mão
Tenho a minha vida noutra mão
Tenho um grande amor
Marcado pela dor
E sempre que Abril aqui passar
Dou-lhe este farnel para o ajudar

Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei pra aqui chegar
Eu vou pra longe
Pra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos pra nos dar

E agora eu olho à minha volta
Vejo tanta raiva andar à solta
Que já não hesito
E os hinos que repito
São a parte que eu posso prever
Do que a minha gente vai fazer

Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei pra aqui chegar
Eu vou pra longe
Pra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos pra nos dar

Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei pra aqui chegar
Eu vou pra longe
Pra muito longe
Onde nos vamos encontrar

Eu vim de longe
Eu vou pra longe
Eu vim de longe
Eu vou pra longe
Eu vim de longe
Eu vou pra longe
Eu vim de longe
Eu vou pra longe

José Mário Branco - Portugal


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Queixa

Queixa das almas jovens censuradas

Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade

Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência

Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro

Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo

Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro

Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco

Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura

Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante

Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino

Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte

Natália Correia - Portugal