Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Europa - Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores de Coimbra lidera projeto europeu de defesa com Inteligência Artificial para combater ameaças híbridas

O Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores de Coimbra (INESCC), uma unidade de I&D associada à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), lidera o projeto SHIELD-EU, uma iniciativa de investigação que pretende desenvolver tecnologias de Inteligência Artificial para reforçar a capacidade de resposta a ameaças híbridas, como ciberataques, campanhas de desinformação e outras formas de interferência digital.


Coordenado por Jorge Sá Silva, docente do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da FCTUC e investigador do INESCC, o projeto visa desenvolver uma arquitetura de defesa inovadora baseada em Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial na Borda (Edge AI) e modelos cognitivos, emocionais e comportamentais, com o objetivo de reforçar a resiliência perante ameaças associadas à guerra híbrida.

Os conflitos atuais combinam frequentemente ciberataques, campanhas de desinformação, manipulação psicológica e outras formas de interferência digital, colocando novos desafios à segurança e à capacidade de resposta das organizações e das infraestruturas críticas. Neste contexto, o SHIELD-EU pretende desenvolver soluções tecnológicas centradas no ser humano, capazes de apoiar a tomada de decisão, melhorar a consciência situacional e aumentar a capacidade de resposta em ambientes complexos e de elevada pressão.

Uma das principais linhas de investigação do projeto passa pela utilização de tecnologias de Edge AI, que permitem processar informação crítica localmente, de forma mais rápida, segura e autónoma, reduzindo a dependência de infraestruturas centralizadas e aumentando a robustez operacional.

“O SHIELD-EU pretende colocar o conhecimento científico desenvolvido no INESCC e na FCTUC ao serviço da construção de infraestruturas digitais europeias mais resilientes e seguras, mantendo sempre o ser humano no centro do desenvolvimento tecnológico", destaca Jorge Sá Silva, coordenador do projeto.

O projeto SHIELD-EU é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), no âmbito do concurso DEFESA + CIÊNCIA: Projetos Exploratórios 2025.

O projeto conta com a colaboração da Força Aérea Portuguesa, que contribuirá para a validação das soluções desenvolvidas em cenários operacionais, aproximando a investigação científica das necessidades concretas do setor da defesa. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 25 de julho de 2022

Portugal - Cientistas da Universidade de Coimbra desenvolvem modelo de carregamento inteligente de frotas de autocarros elétricos

Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu um modelo inteligente que permite otimizar o carregamento de frotas de autocarros elétricos em 30 a 40%, diminuindo custos de operação e aumentando o ciclo de vida das baterias.

O estudo, que já se encontra publicado na revista Energy, foi realizado no Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores de Coimbra (INESC Coimbra) da Universidade de Coimbra e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).


Os autores do modelo, Jônatas Augusto Manzolli, João Pedro Trovão e Carlos Henggeler Antunes, explicam que a descarbonização dos transportes públicos é essencial para o aumento da eficiência energética, mitigação das mudanças climáticas e redução da poluição urbana. No entanto, «ainda há desafios a vencer para possibilitar a adoção em massa destes veículos nas cidades, nomeadamente limitações ao nível de infraestrutura e operacionais. Atualmente, a rede elétrica não está preparada para uma eletrificação total dos transportes públicos. Por isso, é necessário encontrar soluções que ultrapassem estes obstáculos».

O modelo desenvolvido pelos três investigadores do INESC Coimbra propõe uma abordagem mista considerando a venda de energia à rede através da tecnologia V2G (do inglês vehicle to grid) e a degradação das baterias.

O que distingue este modelo é justamente o facto de ter em conta a degradação das baterias, salientam Carlos Henggeler Antunes e João Pedro Trovão, também docentes da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC) e do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), respetivamente: «a principal novidade do modelo é incluir uma estrutura de envelhecimento da bateria para avaliar os custos de degradação, o que permite aumentar o ciclo de vida das baterias, que atualmente ainda são dispendiosas», exemplificando que «nem todos os veículos precisam estar totalmente carregados para operar diariamente. Este aspeto é relevante, pois reduz o custo total de carregamento e desempenha um papel na melhoria do ciclo de vida das baterias».

Para avaliar a eficácia do modelo desenvolvido, os investigadores realizaram um estudo de caso utilizando dados reais da frota de miniautocarros elétricos que circulam na cidade de Coimbra, conhecidos por “pantufinhas”. Foram efetuadas várias análises para se compreender como é que o modelo operaria de forma ótima na gestão da frota.

Os resultados obtidos mostram que, «comparando o pior cenário possível – por exemplo, carregando a frota no horário em que a energia é mais cara, carregando todos os autocarros ao mesmo tempo, ou seja, sem nenhum tipo de coordenação –  com o modelo desenvolvido, conseguiu-se uma melhoria de entre 30 a 40%, uma percentagem muito elevada, evidenciando que, se o carregamento for coordenado, a redução de custos é muito significativa», realça Jônatas Augusto Manzolli, primeiro autor do artigo científico e estudante do programa de doutoramento em Sistemas Sustentáveis de Energia na UC.

A equipa realizou também testes de análise de sensibilidade para avaliar as possibilidades de comercialização de energia com a rede elétrica, tendo verificado que atualmente não seria vantajoso, mas num futuro próximo poderá ser economicamente rentável. Os investigadores explicam que o sistema avalia as «possibilidades de transações de energia com a rede considerando cenários de preço de substituição de bateria e variações de preço de energia elétrica. Observando a degradação da bateria e a venda de energia, o nosso estudo indica que, em 2030, os custos de operação podem ser 38% menores. Por isso, a abordagem apresentada neste trabalho fornece uma ferramenta que pode ser utilizada pelos operadores de transportes públicos para auxiliar na tomada de decisão relativa à eletrificação de frotas de autocarros».

A próxima fase da investigação vai centrar-se em desenvolver uma versão mais detalhada do modelo de otimização, permitindo uma previsão em minutos, para dar resposta, por exemplo, quando acontece um acidente e obriga a uma reorganização de toda a frota e do seu carregamento. Intitulado “Electric Bus Coordinated Charging Strategy Considering V2G And Battery Degradation”. Universidade de Coimbra - Portugal