Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 16 de abril de 2025

Brasil - Reduz 70% da área queimada no primeiro trimestre de 2025

Do total das áreas queimadas, 78% são de vegetação nativa



Nos três primeiros meses de 2025, a extensão de todas as áreas atingidas por queimadas no país somou 912,9 mil hectares. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, quando foram registrados 2,1 milhões de hectares, houve uma redução de 70% no território nacional atingido pelo fogo.

Do total das áreas queimadas 78% são de vegetação nativa, sendo que 43% do que foi consumido pelo fogo eram de formação campestre.

Portanto, entre os estados brasileiros, Roraima foi o que mais queimou nesses três meses, somando 415,7 mil hectares. O Pará foi o segundo mais atingido, com 208,6 mil hectares queimados. E o Maranhão perdeu 123,8 mil hectares para o fogo, sendo o terceiro na lista. Entre as cidades, Pacaraima e Normandia, ambas em Roraima, foram as mais afetadas, com 121,5 mil e 119,1 mil hectares, respectivamente.

Segundo o pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) Felipe Martenexen, Roraima vivencia sua estação seca no início do ano, o que torna o estado particularmente vulnerável às queimadas nesse período. “Os dados do primeiro trimestre de 2025 refletem essa sazonalidade climática, com Roraima despontando como o principal foco de fogo no país”, explica

Desse modo, os números foram divulgados nesta quarta-feira (16) e são do Monitor do Fogo, uma ferramenta do MapBiomas que utiliza imagens de satélite para mapear cicatrizes de fogo em todo o país.

“A ocorrência do período de chuvas contribui para essa diminuição das queimadas. No entanto, o Cerrado se destacou com a maior área queimada no primeiro trimestre em comparação aos últimos anos, o que reforça a necessidade de estratégias específicas de prevenção e combate ao fogo de cada bioma”, alerta a pesquisadora do Mapbiomas Fogo, Vera Arruda.

Biomas

Entre janeiro e março de 2025, o Cerrado teve aumento de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior. Desse modo, foram 91,7 mil hectares queimados, ficando 106% acima da média histórica desde 2019.

Também cresceram em área atingida pelo fogo a Mata Atlântica e o Pampa. Em relação a 2024, as áreas queimadas aumentaram 7% e 1,4%, respectivamente. Enquanto a Mata Atlântica teve 18,8 mil hectares atingidos, o Pampa teve 6,6 mil hectares queimados.

Portanto, a Amazônia, apesar de ter registrado queda de 72% na área queimada em relação aos três primeiros meses de 2024, foi o bioma mais atingido em extensão no mesmo período de 2025. Foram 774 mil hectares queimados, representando 78% do total nacional.

“É importante entendermos que a estação seca de 2025, que se aproxima, possivelmente ainda será forte, o que pode reverter essa condição de redução” diz a diretora de Ciência do Ipam e coordenadora do Mapbiomas Fogo.

O Pantanal e a Caatinga também observaram redução nas suas áreas queimadas durante os três primeiros meses de 2025. Eles tiveram, respectivamente, 10,9 e 10 mil hectares atingidos pelo fogo, que representaram reduções de 86% e 8% em relação ao mesmo período de 2024.

Março

Além disso, no último mês do primeiro trimestre deste ano, o fogo alcançou 106,6 mil hectares do país. Sendo assim, o equivalente a 10% da área total queimada nos meses analisados. Na comparação com março de 2024, foram 674,9 mil hectares a menos queimados, o que representa redução de 86%.

Do total no mês, a Amazônia queimou 55,1 mil hectares; o Cerrado, 37,8 mil hectares, a Caatinga 2,2 mil hectares, Mata Atlântica, 9,2 mil hectares, o Pampa 1,5 mil hectares e o Pantanal, 561 hectares. Fabíola Sinimbú – Agência Brasil In “Boqnews”


sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Brasil - Degradação da Amazônia ameaça o clima global e a biodiversidade

O relatório internacional “Dez novas percepções sobre o Clima”, com a contribuição do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), destaca que a Amazônia está perdendo sua capacidade de regular o ciclo da água e remover carbono da atmosfera, o que pode ter impactos catastróficos em escala global.



A degradação da floresta, impulsionada por fatores como fogo, extração de madeira, expansão agrícola, construções e eventos climáticos extremos, reduzem a resiliência do bioma.

Perda de capacidade de remoção de carbono:

A Amazônia, que em 2022 acumulava 47,2 bilhões de toneladas de carbono em sua vegetação, já perdeu mais de 10,6 bilhões de toneladas devido à degradação. A diminuição da capacidade da floresta de absorver CO2 contribui para o aumento do aquecimento global. Estudos apontam que áreas de floresta impactadas pelo fogo de forma reiterada têm uma redução de até 68% na capacidade de conter dióxido de carbono (CO₂) na biomassa da vegetação. Queimadas únicas já reduzem em cerca de 50% o estoque de carbono nas áreas afetadas.

Impacto no ciclo da água:

A Amazônia regula 16% da água do planeta. A degradação da floresta afeta sua capacidade de influenciar os padrões de chuva na América do Sul por meio da evapotranspiração, prejudicando o clima regional. A fumaça das queimadas, por sua vez, pode reduzir a umidade liberada pela floresta, impactando os “rios voadores” que levam umidade para outras regiões.

Risco de colapso e savanização:

A continuidade da destruição da Amazônia pode levar a um ponto sem retorno, transformando-a em uma savana empobrecida. A perda de resiliência da floresta a torna mais vulnerável à seca, que se intensifica com o aquecimento global. Pesquisadores observam que, em vez de se transformar em uma savana, a floresta amazônica está se tornando uma floresta secundária, mais pobre e com menos estoque de carbono. As espécies florestais, mais sensíveis, são as mais afetadas pelo fogo, com risco de extinção local.

Ameaças à biodiversidade:

A Floresta Amazônica abriga uma diversidade única de espécies, e a perda de resiliência coloca em risco essa rica biodiversidade. O empobrecimento da floresta causado pelo fogo compromete serviços ecossistêmicos cruciais, como a regulação da chuva, o sequestro de carbono e a polinização.

Fatores de degradação e urgência de ação

Os principais fatores que contribuem para a perda de resiliência da Amazônia incluem a extração de madeira, queimadas, a proximidade a atividades humanas e secas. A combinação de extração de madeira e queimadas causa estresse na floresta, diminuindo sua capacidade de recuperação. As áreas mais próximas a estradas e assentamentos humanos são mais vulneráveis.

A realidade no Brasil é de um enfraquecimento das leis ambientais e da fiscalização, favorecendo a exploração ilegal de terras e o agronegócio predatório. O desmatamento, combinado com o fogo, torna-se um processo irreversível.

Medidas necessárias

O relatório e outras pesquisas apontam para a urgência de ações para proteger a Amazônia. É fundamental:

  • Fortalecer leis ambientais para combater a degradação em todos os países da Amazônia.
  • Continuar financiando programas de monitoramento e rastreamento de commodities.
  • Apoiar povos indígenas e comunidades locais no desenvolvimento de uma economia sustentável.
  • Priorizar a proteção da Amazônia com medidas robustas de preservação.
  • Promover uma economia que valorize os serviços ecossistêmicos da floresta, incentivando cadeias produtivas sustentáveis.
  • Limitar o desmatamento e as emissões de gases de efeito estufa.

Apesar da gravidade da situação, ainda há tempo para reverter a tendência de degradação da Amazônia. A colaboração internacional é essencial, pois o colapso da Amazônia afetaria não apenas o Brasil, mas o mundo todo.

A pergunta não é apenas quão perto estamos do colapso, mas o que estamos dispostos a fazer para evitá-lo. InEcoDebate” - Brasil


domingo, 7 de novembro de 2021

Brasil - Emissões na Amazónia serão maiores devido aos incêndios

Os incêndios ocorridos na Amazónia brasileira nos últimos 15 anos aumentariam em 21% a quantidade de gases de efeito estufa gerados pela desflorestação, segundo um estudo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazónia (IPAM).

O problema, aponta a organização brasileira, que apresentou esta sexta-feira o estudo na 26.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26), é que as emissões causadas pelos incêndios não são contabilizadas no país sul-americano.

Segundo os investigadores, os protocolos que existem atualmente consideram a floresta amazónica tão saudável como era há 500 anos.

Isso porque os estudos levam em consideração apenas as emissões imediatas causadas pelo fogo, mas não os gases emitidos posteriormente.

“A realidade é que as florestas queimadas agora emitem mais carbono do que absorvem de gases de efeito estufa, principalmente por causa dos incêndios e das mudanças climáticas”, disse a diretora de Ciência do IPAM e uma das autoras do estudo, Ane Alencar.

De acordo com o estudo, entre 1990 e 2020 os incêndios naquela que é considerada a maior floresta tropical do planeta geraram 1298 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) – incluindo combustão e decomposição – o equivalente ao emitido anualmente pelo Japão.

O fogo é o principal fator de degradação florestal na Amazónia brasileira.

Os incêndios consomem matéria orgânica depositada no solo, como folhas mortas, galhos e troncos, e compromete as árvores, e mesmo aquelas que permanecem de pé entram num processo gradual de declínio e eventual morte.

Isso acontece porque, quando o fogo penetra na floresta, avança lentamente e mantém as temperaturas baixas, destruindo o seu solo.

Portanto, áreas florestais degradadas contêm 25% menos carbono do que áreas preservadas e podem ser fonte de gases de efeito estufa nos próximos 10 anos.

Especialistas destacam que a metodologia em execução no Brasil não considera as emissões de incêndios não associadas à desflorestação, por não ser obrigatória, o que tem impacto na forma como devem ser apresentados os inventários nacionais à Organização das Nações Unidas (ONU).

Desde 1985, pelo menos 215000 quilómetros quadrados de vegetação nativa na Amazónia brasileira foram queimados pelo menos uma vez. Mais de metade desta área foi devastada pelo fogo várias vezes. In “Green Savers Sapo” – Portugal com “Lusa”