Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 13 de julho de 2023

Portugal - Universidade de Coimbra promove XI Congresso Nacional de Geologia

O Departamento de Ciências da Terra (DCT) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com a Sociedade Geológica de Portugal (SGP), vai dinamizar, de 16 a 20 de julho, o XI Congresso Nacional de Geologia (CNG).

 O evento, que vai decorrer no DCT e já tem três centenas de inscritos, pretende reunir a comunidade geocientífica nacional, promovendo a apresentação de trabalhos nas mais diversas áreas das Geociências, mas também tem como objetivo ser ponto de criação de sinergias e reforço de colaborações entre os diferentes protagonistas e instituições nacionais que conduzem a produção, divulgação e aplicação de conhecimento nesta área do saber.

Esta XI edição procura ainda destacar o papel das Geociências na concretização dos objetivos de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), contribuindo assim para a resolução de oito Desafios Globais Minerais e inovação tecnológica, designadamente “materiais e economia circular”; “riscos naturais e alterações climáticas”; “acesso e qualidade da água”; “descarbonização e fontes de energia”; “saúde e qualificação ambiental; “segurança e sustentabilidade urbana; e “geodiversidade e geoconservação”.

Nos cinco dias de Congresso irão decorrer 20 sessões científicas sobre os mais variados temas relacionados com as Geociências, que contam com a participação de diversos especialistas da área, 200 apresentações orais e 150 posters, e ainda saídas de campo, cursos e workshops.

Para mais detalhes e informações sobre o XI CNG pode aceder à página do evento. Universidade de Coimbra - Portugal

 

domingo, 30 de outubro de 2022

Moçambique - Floresta fóssil de Tete entre um dos 100 primeiros Geossitios mundiais


A floresta fóssil de Tete foi distinguida como um dos 100 primeiros Geossitios mundiais pela União Internacional para as Ciências Geológicas. Segundo o director do museu de geologia o reconhecimento coloca Moçambique na rota de atracão de mais turistas e investidores.

Trata-se da maior floresta fóssil de idade pérmica de África, ou seja, tem cerca de duzentos e cinquenta milhões de anos.

Descoberta na faixa entre os distritos de Cahora Bassa e Mágue, na Província de Tete, a floresta já faz parta dos 100 primeiros geossítios considerados patrimónios mundiais da humanidade através da União Internacional para as Ciências Geológicas.

Segundo o director do museu de geologia, o feito poderá contribuir para atracão de turistas e investidores. Moçambique é o país com mais registos de florestas fossilizadas do Pérmico e encontra-se entre as seis áreas com mais registos de troncos fossilizados, sendo as restantes África do Sul, Namíbia, Brasil, Antárctica e Zâmbia. In “O País” - Moçambique

 

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Internacional - Terremotos poderão ser previstos com cinco dias de antecedência

Previsão de terremotos

Uma equipa internacional de geólogos e geofísicos descobriu que, ante um terremoto iminente, os parâmetros das ondas gravitacionais internas, que oscilam nas camadas estratificadas da atmosfera, se alteram cinco dias antes de um evento sísmico.

Esses dados podem ajudar os especialistas a desenvolver métodos de previsão de terremotos no curto prazo, assim como hoje ocorre com as tempestades.

Atualmente, é possível prever desastres sísmicos que variam de dezenas de anos a meses - no entanto, ainda é impossível determinar o tempo exato do evento. Previsões de curto prazo mais precisas e confiáveis são necessárias para que as pessoas possam ser evacuadas da zona de impacto sísmico.

Em busca desse instrumento, os geólogos têm registrado várias anomalias e manifestações de processos geofísicos em regiões sismicamente ativas. A lista de precursores dos terremotos é atualizada constantemente e, quanto mais dados sobre os terremotos, maior é a precisão de uma previsão.

Ondas de gravidade internas

Em busca de novos precursores de terremotos, Vitalii Adushkin e seus colegas processaram dados de satélite extraídos de terremotos que ocorreram em três regiões sismicamente ativas: no Uzbequistão, em 26 de maio de 2013; no Quirguistão em 8 de janeiro de 2007; e no Cazaquistão em 28 de janeiro de 2013.

Ocorre que, cinco dias antes do desastre sísmico, nos três casos os parâmetros das ondas de gravidade internas mudaram - onda interna é a flutuação das massas de ar que, ao contrário das ondas sonoras, também possui um componente transversal, assim como ocorre com as ondas longitudinais.

Os dados mostraram que a temperatura da atmosfera intermediária (a camada da atmosfera da Terra que inclui a estratosfera e a mesosfera) varia ao longo do tempo de forma característica e que os comprimentos de onda das ondas de gravidade internas foram de 14,2 km na estratosfera e 18,9 km na mesosfera.

"Isso significa que processos ocorrem na litosfera da Terra, cujo desenvolvimento gera instabilidades convectivas na atmosfera mais baixa. Eles são a causa das ondas de gravidade internas em regiões sismicamente ativas. As ondas de gravidade interna, quando atingem a mesosfera, podem ser destruídas. Quando isso acontece, a energia dessas ondas se transforma em movimento térmico, o que afeta a temperatura," explica Sergey Popel, do Instituto de Pesquisas Espaciais, na Rússia.

Mais importante ainda para o desenvolvimento de um indicador, os pesquisadores constataram que o comprimento de onda começa a crescer de 4 a 5 dias antes do evento, atingindo seu valor máximo dois dias antes do terremoto, e depois diminuindo acentuadamente no dia anterior ao abalo sísmico.

Esses dados poderão agora ser usados para identificar ondas de gravidade internas em regiões sismicamente ativas e, eventualmente, para fazer previsões de curto prazo do momento do início dos eventos sísmicos futuros. In “Inovação Tecnológica” – Brasil

Bibliografia:
Artigo: Variations of the Parameters of Internal Gravity Waves in the Atmosphere of Central Asia before Earthquakes
Autores: Vitalii V. Adushkin, V. I. Nifadiev, B. B. Chen, S. I. Popel, G. A. Kogai, A. Yu. Dubinskii, P. G. Weidler
Revista: Doklady Earth Sciences
Vol.: 487, Issue 1, pp 841-845
DOI: 10.1134/S1028334X19070201

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Portugal - Há um mar de pedras em Macedo de Cavaleiros que é um fenómeno mundial

O “mar de pedras” que o escritor Miguel Torga usou para descrever Trás-os-Montes afinal tem pedras do mar verdadeiro encaixadas em terras de Macedo de Cavaleiros como em mais nenhum lugar do mundo



No Maciço de Morais é possível caminhar sobre um fundo oceânico e percorrer mais de 400 milhões de anos de história da Terra através de uma ”sanduíche” geológica com vestígios de um mar entre dois antigos continentes.

A singularidade deste lugar, associada às tradições e gente, garantiu a integração do concelho na rede mundial de geoparques da UNESCO, com o selo de Geoparque Terras de Cavaleiros atribuído há cinco anos, em setembro de 2014.

“Numa área de cerca de 700 quilómetros quadrados conseguimos ter a sequência completa de uma crusta oceânica e não há nenhuma parte do mundo onde uma área tão pequena tenha esta sequência completa”, vincou à Lusa, o geólogo João Alves.

Esta raridade atraiu o jovem geólogo de 25 anos de Vila Conde para Macedo de Cavaleiros e faz agora parte da equipa de oito técnicos que mostram e explicam as particularidades dos 42 geossítios existentes na zona.

A história que tem despertado o interesse da Geologia nacional e internacional remete para quando, muito antes dos dinossauros, houve o fecho de um oceano primitivo chamado Rheic e o micro continente Armórica e o continente Ibéria.

“A placa oceânica é mais densa, tem tendência a mergulhar, mas aqui há um processo excecional em que a placa oceânica é transportada para cima de um continente, depois segue-se um choque de continentes e encavalitam-se uns sobre os outros”, explicou.

A “sanduíche” geológica não é observável aos olhos dos leigos e, por isso, ao longo dos tempos a população de Morais chamou maldito ao monte onde nada do que plantavam medrava pois, sem saberem, estavam a cultivar o fundo do mar.

Isso ocorre porque, como explicou o geólogo, as rochas oceânicas “possuem muito ferro e níquel, que é um inibidor de crescimento, e as plantas sofrem de raquitismo”.

Era numa daquelas fragas que a “Tia” Maria Luísa e o povo de Lagoa ia lavar as mantas da azeitona e as tripas do porco (para o fumeiro).

Aprendeu a cozer pão muito cedo, mas só depois da criação do Geoparque ganhou fama internacional como a “padeira de Lagoa” que recebe e põe visitantes a amassar para o forno a lenha, que cheira também a calços, roscas ou bolas sovadas.

A “tia” Maria Luísa é um “tesouro” deste território, guardiã de saberes e memórias que partilha com as visitas.

Vende tudo o que coze no forno e com “as migalhinhas” já comprou “um sofá, um armário embutido e outras coisas”.

“Entendo-me muito bem com os estrangeiros. É como a cantiga: não fales, faz-me sinais”, partilha com a Lusa do alto dos 80 anos de boa disposição.

Esta atividade dá-lhe “vida” e o que lhe interessa é “o contacto com as pessoas”.

Nunca imaginou a geração da acarinhada padeira o que as terras em volta guardam e a que os geólogos chamam “Umbigo do Mundo”.

O papel do Geoparque é sobretudo trabalhar para as pessoas e com as pessoas, como indicou a coordenadora, Antónia Morais, salientando que faz parte dos parâmetros de reavaliação a que estão sujeitos por parte da UNESCO de quatro em quatro anos, a primeira, com aprovação, realizada há um ano.

A responsável enumerou as iniciativas que estão em curso como a marca “geofood” que incentiva os restaurantes a incluírem nas ementas produtos locais comprados a produtores do território.

Por todo o concelho há sinalética e são promovidas tertúlias ou passeios pedestres pelos 24 percursos que totalizam 190 quilómetros de trilhos sinalizados e homologados.

Os alunos até ao oitavo ano das escolas do concelho aprendem o que é o Geoparque na disciplina “a nossa terra” e têm uma sala de aula a céu aberto onde podem observar o que estudam.

Ainda assim, esta realidade “foi uma novidade” para a família Ratão, de Sintra, que a Lusa encontrou a visitar a exposição “O Livro da Terra”, com exibição de rochas e minerais.

O pai António é “um apreciador” e já sabia que “esta zona é muito rica”, mas só nesta passagem soube do geoparque.

“As pessoas conhecem é a praia do Azibo”, na opinião do filho Hugo, que se refere a um dos locais mais reconhecidos desta zona e que faz parte do Geoparque.

A coordenadora Antónia Morais reclama “discriminação positiva” com dinheiro para criarem infraestruturas de melhoramento dos acessos e fruição aos geossítios.

A responsável acredita que o estatuto começa a contribuir para fixar jovens como Luís Filipe Costa, de 33 anos, que tem, desde há cinco anos, um negócio, em Podence, a aldeia dos Caretos candidatos a Património da Humanidade.

Começou por fazer máscaras de lata e couro para os caretos, passou para miniaturas, ímanes, porta-chaves, até ao fato completo dos mascarados que vende a 800 euros.

A aceitação e procura têm sido tantas que abriu uma oficina/loja na aldeia e a namorada, a enfermeira Sofia Pombares, começou a ajudar.

Luís Filipe já ganha tanto “em dois ou três meses” de verão como “em oito ou nove meses a dar formação” com lojas de artesanato de Lisboa e do Porto a aumentarem as encomendas.

O casal proporciona também experiências programadas a turistas e é aí que se evidencia a parceria com o Geoparque, na época baixa do turismo, com atividades como “pastor por uma manhã” ou apanha da castanha, a preços entre 10 e 30 euros por pessoa.

“Ainda há muito trabalho a fazer na divulgação”, como reconheceu Benjamim Rodrigues, presidente do município que é responsável pelo geoparque e que está “à procura de parceiros”, entre agentes turísticos e a imprensa, para elaborar pacotes turísticos e fazê-los chegar aos operadores. In “Sapo24” – Portugal com “Lusa”