Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Brasil - Master vai acabar em pizza como Boi Gordo?

O golpe do Banco Master terminará em pizza e Daniel Bueno Vorcaro vai rir da nossa cara, enquanto estiver tomando seu uísque à beira-mar de um resort de renome, curtido só por milionários?

Ao seu lado, poderá estar gargalhando até do nosso Judiciário um de seus prováveis inspiradores, Paulo Roberto de Andrade, famoso por um golpe de mais de 2,5 bilhões, não em ministros, políticos e bancos mas em 34 mil pequenos investidores da classe média.

O professor Marcos Assi, no seu site e também na revista Exame, foi mais longe, e publicou os 6 golpes financeiros que enganaram milhares de investidores em todo mundo. Ficou faltando, por ser mais recente, o sétimo golpe, o do Banco Master, no qual existe uma diferença marcante: os maiores lesados não foram apenas pequenos e médios investidores, mas fundos de pensão, municípios, até Estados e empresas de capital aberto, com envolvimento direto ou indireto de políticos e até de importantes juristas, num total astronômico calculado em 10 bilhões de dólares.

E, nessa coletânea de golpes, há uma exceção saltando aos olhos - o trambiqueiro Paulo Roberto de Andrade, criador e gestor da pirâmide ou safadeza das Fazendas Reunidas Boi Gordo, nunca foi preso, depois de um habeas-corpus concedido pelo Supremo Tribunal de Justiça. Depois da programada delação, Daniel Vorcaro também sairá livre e poderá comemorar com seus amigos que viajavam no seu avião?

Mais de vinte anos depois da falência do Boi Gordo, a Justiça se arrasta na venda das fazendas tomadas de Andrade, cujo total serviria para indenizar parcialmente os investidores lesados. Quem conta com pessimismo é o advogado de muitos dos lesados, Aurélio de Almeida Paiva.

E, embora grande parte dos investidores tenham enviado seus investimentos em dólares para Miami, até hoje a Justiça brasileira, encarregada da falência, não pediu aos Estados Unidos o retorno total desses investimentos ao Brasil.

Diante do escândalo do Banco Master, me lembrei da falência das Fazendas Reunidas Boi Gordo e quis fazer um paralelo. Achei um resumo no site do agronegócio, o Notícias Agrícolas, e só no momento de copiar o link percebi ser texto meu publicado em 2009, no Correio do Brasil! Um texto de descrença e pessimismo na Justiça brasileira, bem evidente já no título: "Dono da Boi Gordo rico, feliz e livre".

O "empresário" Paulo Roberto de Andrade tinha sido processado por crime falimentar e condenado a três anos de prisão pela 13. Vara Criminal de São Paulo. Mas seu advogado entrou com um habeas corpus para Andrade aguardar em liberdade o fim do processo. E o ministro Og Fernandes, da Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça, concedeu a liminar alegando que o "TJ paulista não podia determinar a prisão, antes do trânsito em julgado da sentença".

Enfim, o Superior Tribunal de Justiça anulou a ação penal contra Paulo de Andrade e reconheceu a prescrição do processo, resumiu o jornal gaúcho Gazeta do Povo, na edição de 13 de agosto de 2009.

Mas acrescentou um parágrafo bem elucidativo: "É a pizza. Fazer o quê?, afirma o promotor de Justiça Eronides Aparecido Rodrigues dos Santos, da Vara de Falências de São Paulo. Lamento a anulação de um caso emblemático como esse. Houve um golpe, milhares de pessoas foram lesadas e não haverá responsabilização penal". Procurado por meio da assessoria de imprensa, o ministro Nilson Naves, responsável pela decisão do STJ, está ocupado e não tinha tempo para a atender".

Vai ser assim com Daniel Vorcaro? Quem viver verá! "A lei, ora a lei", dizia Getúlio Vargas. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é Jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

China - Clube de futebol com mais títulos foi dissolvido por excesso de endividamento

O Guangzhou FC, o clube de futebol com mais títulos na China, foi dissolvido devido ao excesso de endividamento, sofrendo o mesmo destino de dezenas de clubes do país, após anos de exuberância

Anteriormente conhecido como Guangzhou Evergrande, o clube não conseguiu cumprir os requisitos financeiros da Associação Chinesa de Futebol, necessários para competir na época de 2025.

“Devido aos pesados encargos financeiros resultantes de épocas anteriores, o clube não conseguiu pagar todas as dívidas dentro do prazo”, afirmou o Guangzhou, num comunicado. “Expressamos as nossas sinceras desculpas e agradecemos a compreensão e o perdão de todos os adeptos”, acrescentou.

Depois de ter sido adquirido pelo promotor imobiliário Evergrande em 2010, o clube iniciou uma onda de gastos na China que fez manchetes em todo o mundo.

Ajudado por jogadores como o internacional brasileiro Paulinho e treinadores de elite como o italiano Marcello Lippi e o antigo treinador da seleção portuguesa Luiz Felipe Scolari, o Guangzhou conquistou oito títulos da Superliga chinesa, prova máxima do futebol na China, entre 2011 e 2019. A equipa triunfou também na Liga dos Campeões da Ásia em 2013 e 2015.

No entanto, em 2021, a Evergrande registou dívidas superiores a 300 mil milhões de dólares (288 mil milhões de euros) e, como os principais jogadores deixaram o clube devido a problemas financeiros, foi despromovido ao segundo escalão da China em 2022.

Também o Cangzhou Mighty Lions, clube da Superliga chinesa, anunciou a sua dissolução, tal como o Hunan Billows, clube do terceiro escalão.

Poucas épocas depois de Alex Teixeira, Hulk, Carlos Tévez ou Ricardo Goular terem rumado à China, em contratações avaliadas em dezenas de milhões de euros e beneficiando de salários sem precedentes, vários clubes da liga chinesa faliram ou têm pagamentos em atraso.

Em 2021, após se sagrar campeão, o Jiangsu Suning anunciou o encerramento das operações, após o grupo Suning, especializado em retalho de eletrodomésticos, ter deixado de financiar o clube.

Os clubes chineses nunca foram sustentáveis, mas as grandes empresas do país, desde o ramo imobiliário à gestão portuária, suportaram durante muitos anos o orçamento das equipas, coincidindo com o desejo do Governo chinês de converter o país numa potência futebolística.

Em 2016, por exemplo, o argentino Carlos Tévez tornou-se o futebolista mais bem pago do mundo, ao assinar um contrato de 80 milhões de euros em dois anos pelos chineses do Shanghai Shenhua.

No entanto, os excessos mereceram o reparo das autoridades, que impuseram um teto salarial de três milhões de euros e passaram a taxar a 100% as contratações de futebolistas estrangeiros acima de 5,5 milhões de euros. “Só com visão a longo prazo, mantendo uma situação financeira saudável e investindo nos jovens, com paciência, é que os clubes podem construir um futuro sólido”, declarou a Associação Chinesa de Futebol num comunicado, acrescentando que 49 equipas foram consideradas financeiramente prontas para competir nos três diferentes escalões da liga em 2025. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Internacional - Falência da Hanjin shipping ameaça com o caos

Navios arrestados nos portos, outros impedidos de atracar, cargas nos contentores sem poderem ser movimentadas. O anúncio da falência da Hanjin Shipping deixou os carregadores e as demais companhias à beira de um ataque de nervos.

A ideia era proteger a companhia dos credores para permitir encontrar uma solução para a companhia, mas o anúncio da bancarrota iminente fez disparar os alarmes e voltou-se contra a Hanjin Shipping e os seus parceiros de negócios.

Um pouco de todo o mundo chegam notícias de portos e terminais que recusam e receber e operar os navios da companhia sul-coreana, por não terem já garantias de cobrar a factura correspondente aos serviços prestados.

O Hanjin Rome, atracado em Singapura, foi já o primeiro navio da companhia a ser arrestado, presume-se que para garantir créditos, e é de recear que outros casos se sucedam noutros portos.

A situação, já de si grave, complica-se pelo facto de a Hanjin integrar a aliança CKYHE. Fruto da partilha de capacidade entre os membros da aliança, há seguramente contentores da Cosco, K Line, Yang Ming e Evergreen a bordo dos navios da Hanjin Shipping que enfrentam a borrasca.

A estes haverá que juntar ainda os casos das parcerias da Hanjin com outros operadores. A CMA CGM, por exemplo, informou hoje mesmo o mercado da cessação imediata dos acordos que mantinha em cinco serviços. Os contentores da Hanjin a bordo dos navios da CMA CGM serão descarregados no destino previsto, já os contentores da CMA CGM em navios da Hanjin serão de imediato (?) descarregados e transferidos.

As autoridades judiciais sul-coreanas estão entretanto a fazer as diligências necessárias para tentar garantir a liberdade de movimentos aos navios da Hanjin Shipping. E a Hyundai Merchant Marine (HMM) estará a reforçar a oferta de capacidade em algumas linhas, tentando assim compensar a falha dos navios da Hanjin. Mesmo se a HMM é de outra aliança.

Apanhados no meio desta tempestade perfeita, os carregadores desesperam pelas suas cargas e, também há relatos disso, estão cada vez mais dispostos a pagar o que for preciso para libertar os seus contentores. In “Transporte & Negócios” - Portugal