Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Centro Intercultura Cidade – Lançamento do livro “A poética de Eduardo White”

Eduardo White por Giulia Spinuzza: (re)descobrir o poeta moçambicano que pescava sonhos

Eduardo White segundo ele próprio:

“Quem é o poeta Eduardo White?

Eu também gostava de conhecer esse senhor. De vez em quando ele está em mim e outras vezes não. Mas deve ser especialmente um homem com sonhos, projectos e que acreditou em alguns sonhos e não os materializou. Na verdade, os sonhos são sempre imaterializáveis. Aliás, numa frase posso dizer que eu sou um pescador de sonhos”. Centro Intercultura Cidade

(In entrevista ao jornal moçambicano “A Verdade”, divulgada em 2014)

Sobre Eduardo White aqui


quarta-feira, 15 de março de 2017

Escritor moçambicano Lucílio Manjate recebeu Prémio Literário Eduardo Costley-White

O escritor premiado, por seu lado, disse que dedicou o livro à mulher e aos dois filhos, e que este galardão, atribuído pela primeira vez, dedicou-o “a anónimos” que são os “heróis contra a guerra, os heróis contra a fome, os heróis contra o terrorismo, os heróis contra o analfabetismo, contra a incultura, contra a intolerância e o desamor, gente anónima que constrói, com humildade, na sua jornada diária, Moçambique, uma África e um mundo melhor”.

O escritor Mia Couto, que presidiu ao júri da primeira edição do Prémio Literário Eduardo Costley-White, realçou na passada segunda-feira, 13 de Março de 2017, na FLAD, o “cunho mais ousado” e a “inteligência” do romance “Rabhia”, de Lucílio Manjate, que o levou a arrecadar o galardão.

“Há aqui um cunho mais ousado, e o uso de uma inteligência neste livro, que faz de uma história aparentemente policial – a natureza da escrita sugere uma história policial -, mas o que ele faz é percorrer aquilo que são as entranhas de uma sociedade como é a moçambicana, mas que podia ser do mundo inteiro”, afirmou Mia Couto.

Referindo-se ao livro, na Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), durante a entrega do prémio, Mia Couto afirmou: “Há ali uma história que é profundamente humana, que é contada de uma maneira muito, muito original. A originalidade e aquilo que é uma escrita de caráter único, foi o que nos ajudou a distinguir” a obra.

Para o escritor, o grande destaque é esta obra apresentar “uma escrita de rutura, uma forma nova”.

Mia Couto afirmou que a “poesia é absolutamente dominante em Moçambique e a nova geração prossegue essa tradição, mas este livro é diferente”.

“Foi surpreendente, um jovem com esta qualidade, por via da prosa, já não falar dos temas que são constantes e mais saturados da literatura moçambicana”, declarou Mia Couto.

A professora catedrática Ana Oliveira, que fez parte do júri, em representação das Edições Esgotadas, que vão publicar “Rabhia”, referiu-se a Lucílio Manjate, de 32 anos, como “um poeta obcecado pela palavra ao detalhe” e disse que “Moçambique está todo refletido” nesta obra.

O escritor premiado, por seu lado, disse que dedicou o livro à mulher e aos dois filhos, e que este galardão, atribuído pela primeira vez, dedicou-o “a anónimos” que são os “heróis contra a guerra, os heróis contra a fome, os heróis contra o terrorismo, os heróis contra o analfabetismo, contra a incultura, contra a intolerância e o desamor, gente anónima que constrói, com humildade, na sua jornada diária, Moçambique, uma África e um mundo melhor”.

Além de Mia Couto, que presidiu, e Ana Oliveira, constituíram o júri José Riço Direitinho, Isabel Lucas e Clara Ferreira Alves. Na cerimónia de hoje, o filho mais velho do poeta Eduardo Costley-White, Sandro White, afirmou que a família irá preservar todo o seu espólio e tudo fazer para publicar os inéditos existentes. A FLAD organiza o prémio em parceria com a editora Edições Esgotadas, o vencedor recebe dez mil euros e vê o seu livro publicado.

“Além do aprofundamento da relação entre Portugal e os Estados Unidos, a FLAD aposta na cooperação com os países africanos de língua portuguesa. Este prémio vem mostrar esse empenho, em especial através da difusão da lusofonia, da língua portuguesa e da promoção de novos talentos literários”, disse hoje o presidente da FLAD, Vasco Rato, que realçou o facto de, na sua instituição, há 30 anos, ter optado pela inclusão do gentílico luso, numa clara alusão ao espaço da Língua Portuguesa.

“A FLAD jamais se limitou a aprofundar a relação bilateral entre Portugal e os Estados Unidos, com efeito o reforço das relações de Portugal com África constitui, desde sempre, um pilar estruturante da nossa atuação”, disse Vasco Rato.

Segundo o responsável, “difundir a língua portuguesa e exaltar os autores que a utilizam para criar, foi um dos grandes objetivos que pautaram o lançamento deste prémio”.

Sobre a obra vencedora qualificou-a como “excecional”, destacando que “expressa exemplarmente a criatividade dos escritores africanos e a sua riqueza artística, que encontramos nesta casa comum, que é a nossa língua”.

Um total de 34 escritores de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe candidatou-se à primeira edição do Prémio Literário Eduardo Costley-White, que promove novos talentos africanos de língua portuguesa. In “FLAD” com “Lusa”

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Moçambique – A palavra

A palavra renova-se no poema.
Ganha cor,
ganha corpo,
ganha mensagem.

A palavra no poema não é estática,
pois, inteira e nua se assume
no perfeito,
no perpétuo movimento
da incógnita que a adoça.

A palavra madura é espectáculo.
Canta.
Vive.
E respira. Para tudo isso
basta
uma mão inteligente que a trabalhe,
lhe dê a dimensão do necessário
e do sentido
e lhe amaine sobre o dorso
o animal que nela dorme destemido.

A palavra é ave
migratória,
é cabo de enxada,
é fuzil, é torno de operário,
a palavra é ferida que sangra,
é navalha que mata,
é sonho que se dissipa,
visão de vidente.

A palavra é assim tantas vezes
dia claro
sinal de paisagem
e por isso é que à palavra se dá,
inteiramente,
um bom poeta
com os seus sonhos,
com os seus fantasmas,
com os seus medos
e as suas coragens,
porque é na palavra que muitas vezes está,
perdido ou escondido,
o outro homem que no poeta reside.

Eduardo White - Moçambique

domingo, 24 de agosto de 2014

Moçambique – Recordando Eduardo White

Condoída e profundamente combalida, a Associação dos Escritores Moçambicanos comunica a morte prematura de um dos maiores talentos da Literatura Moçambicana: Eduardo Luís de Menezes Costley-White.

Eduardo White, fundador da Revista Charrua, destacado membro da agremiação, encontrou a morte na madrugada de hoje, 24 de Agosto de 2014, no Hospital Central de Maputo.

O perecimento de Eduardo White, membro fundador da AEMO, representa uma perda irreparável para a Associação dos Escritores, deixando um vazio incomensurável na literatura moçambicana.

Eduardo White sempre se impôs como um poeta impar desde os primórdios da sua infância literária. Poeta notável e respeitado pela sua invulgar criatividade no seio dos amantes da literatura moçambicana, dos PALOP e da CPLP, onde foi agraciado com vários prémios.

Como legado à literatura, Eduardo White deixa uma vasta obra, tendo a sua poesia merecido destaque internacional, encontrando-se um poema seu exposto no museu Val-du-Marne em Paris desde 1989.

Com o livro O Libreto da Miséria, White venceu, em 2012, o Prémio BCI de Literatura. Eduardo Luís de Menezes Costley-White nasceu em Quelimane, a 21 de Novembro de 1963.

Obras de Eduardo White:

  •  Amar sobre o Índico (1984)
  •  Homoíne (1987)
  •  “País de Mim (1990); Prémio Gazeta revista Tempo
  •  Poemas da Ciência de Voar e da Engenharia de Ser Ave (1992); Prémio Nacional de Poesia
  • Os Materiais de Amor Seguido de O Desafio à Tristeza (1996)
  • Janela para Oriente (1999)
  • Dormir com Deus e um Navio na Língua (2001); bilingue português/inglês; Prémio Consagração Rui de Noronha (Editora Labirinto)
  •  As Falas do Escorpião (novela; 2002)
  • O Homem a Sombra e a Flor e Algumas Cartas do Interior (2004)
  • O Manual das Mãos (2004); Grande Prémio de Literatura José Craveirinha, Prémio TVZine para Literatura
  • Até Amanhã Coração (2007)
  • Dos Limões Amarelos do Falo, às Laranjas Vermelhas da Vulva (2009); Prémio Corres da Escrita
  • Nudos (2011), Antologia da sua obra poética
  • O Libreto da Miséria (2010-2012)
  • A Mecânica Lunar e A Escrita Desassossegada (2012)

Eduardo White faleceu quando estava a agendar o lançamento do seu último livro, BOM DIA, DIA, pela editora portuguesa Edições Esgotadas.


Maputo, 24 de Agosto de 2014 AEMO - Moçambique