Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 25 de abril de 2022

Lusofonia - Património do século XX está ameaçado, avisa presidente dos arquitetos lusófonos

O presidente do Conselho Internacional dos Arquitetos de Língua Portuguesa (CIALP), Rui Leão, alertou que o património construído no século XX nos países lusófonos “está em grande risco de vir a desaparecer em massa.

“Em Portugal menos, mas nos outros países – incluindo em Macau – o património está muito mal protegido, porque não existe enquadramento suficiente, estudo contínuo e força política também”, disse à Lusa o arquiteto radicado em Macau.

“Já tem desaparecido património muito bom” em Angola, lamentou o presidente do CIALP, e também em Moçambique e Cabo Verde há a “tentação” de demolir edifícios do século XX “porque dá jeito em termos políticos ter mais dois ou três andares”.

Rui Leão lembrou ainda o caso do Palácio Gustavo Capanema, “das peças mais essenciais do património do século XX brasileiro”, que foi colocado pelo governo numa lista de imóveis a serem leiloados.

Em fevereiro, um tribunal do Rio de Janeiro deu razão ao Ministério Público Federal e proibiu o governo de aceitar qualquer proposta de compra do palácio, “o que poderia levar a alterações indesejadas”.

O Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vai discutir na primeira semana de maio uma proposta do CIALP para estabelecer uma listagem de “património notável” do século 20, revelou Rui Leão.

Há dois anos que um grupo de trabalho do CIALP tem vindo a discutir os critérios para cada país, disse o arquiteto.

Apesar da listagem não ter um caráter vinculativo, se for adotada pela CPLP, “vai-nos permitir trabalhar mais a fundo, aí já com equipa de pesquisa e universidades associadas”, acrescentou Rui Leão.

O presidente do CIALP diz ter esperança de que a Comissão do Património Cultural da CPLP, criada em 2017, possa ser um “interlocutor” na proteção do património arquitetónico lusófono.

O património do século 20 será o tema de uma das duas mesas redondas que o CIALP vai coorganizar em Luanda, entre 3 e 5 de maio, no âmbito da terceira edição da Capital da Cultura da CPLP.

A iniciativa, que irá celebrar o dia mundial da língua portuguesa, 5 de maio, vai decorrer na capital de Angola, que exerce atualmente a presidência rotativa da CPLP.

O CIALP tem como membros as ordens ou organismos profissionais de arquitetos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Goa, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

A organização não-governamental representa “mais de 230 mil arquitetos”, o que corresponde “a 18% dos arquitetos mundiais”, disse à Lusa em julho Rui Leão.

O CIALP, fundado em 1991, é uma associação de direito privado sem fins lucrativos, com sede em Lisboa, é parceiro institucional da União Internacional dos Arquitetos (UIA) e observador consultivo da CPLP. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

 

sexta-feira, 9 de julho de 2021

Internacional - Arquitetos lusófonos representam 18% do setor mundial

Os arquitetos lusófonos representam 18% do total de profissionais mundiais, uma percentagem “significativa”, disse esta semana à Lusa Rui Leão, presidente do Conselho Internacional dos Arquitetos de Língua Portuguesa (CIALP), que assinala este ano 30 anos de existência


A organização não-governamental (ONG) é formada pelos membros das ordens profissionais de arquitetura dos países e territórios lusófonos, que “representam uma população de mais de 230 mil arquitetos”, o que corresponde “a 18% dos arquitetos mundiais”, afirmou Rui Leão.

O presidente do CIALP recordou que a ONG, criada em 1991, e de que fazem parte Brasil, Portugal, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Goa e Macau, “precede a criação da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa]”, fundada em 1996, defendendo a importância da associação para promover “a cultura partilhada” nestes territórios.

“A arquitetura, a comida e a língua são coisas que estão na raiz do nosso encontro”, afirmou. “O que nos liga é muito forte, tem a ver com uma maneira de estar e de entender o mundo, que é muito própria, e que ultrapassa todas as dimensões do colonial e do pós-colonial, porque de facto o que partilhamos é incomensurável”, defendeu.

“É uma expressão cultural que atravessa todos estes espaços, independentemente do que nos separa”, acrescentou.

Segundo Leão, que preside ao CIALP desde 2016, a organização tem promovido a troca de experiências entre os seus membros, a exemplo de “um programa de voluntariado com o Governo de Brasília, há quatro anos, de gestão urbana nas favelas”, que permitiu que “arquitetos africanos, portugueses e de Macau pudessem trabalhar diretamente com as comunidades nas 10 favelas principais” da capital brasileira.

“Uma aprendizagem enorme de um lado e de outro do Atlântico”, considerou Leão, que gostaria de “continuar a explorar” este tipo de abordagem também em África.

“O Brasil é muito inovador nessa área de reconversão das favelas e de aplicação do microfinanciamento e da autoconstrução, e isso são respostas que se aplicam completamente nas cidades de Angola, Cabo Verde, Moçambique e Guiné-Bissau”, defendeu o arquiteto, que vive em Macau.

Para assinalar o 30.º aniversário, a ONG organiza este ano uma série de quatro seminários na ‘web’ sobre o “património lusófono”, que arrancou hoje com uma palestra sobre o património arquitetónico português em África, com a participação do arquiteto angolano Francisco José Miguel e do moçambicano Luís Lage, além de Victor Leonel, vice-presidente do CIALP e presidente da União Africana dos Arquitetos.

A série, que se prolonga até dezembro, inclui ainda palestras sobre o património lusófono na Ásia, “com destaque para Goa e Macau”, Brasil e Portugal, em datas ainda a agendar, disse Rui Leão, sublinhando que, apesar de haver muitos estudos de arquitetos portugueses sobre o património arquitetónico colonial, é importante ouvir os profissionais nos países em que este se encontra.

“Alguns de nós têm voz há 500 anos e outros só ganharam voz há 40”, depois do 25 de abril, disse, defendendo que “é importante haver interpretações que partam de Angola, Moçambique” e de outros países membros sobre a herança patrimonial portuguesa.

No âmbito das comemorações dos 30 anos, o CIALP inaugura ainda, em 18 de julho, a vídeo-exposição “Diálogos Emergentes”, um filme que mostra o trabalho de 11 arquitetos de Macau, Goa, São Tomé, Guiné-Bissau, Moçambique, Cabo Verde, Brasil e Portugal, na área da habitação.

O filme, realizado em parceria com a Dinâmia’CET-IUL (Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território do Iscte), com o apoio do instituto Camões, “vai permitir mostrar a enorme diversidade que existe, nestes países, na forma de construir e de fazer cidade”, mostrando ao mesmo tempo muita coisa que os une, disse Rui Leão.

O CIALP, associação de direito privado sem fins lucrativos, com sede em Lisboa, é constituído pelas associações profissionais de arquitetos dos países e territórios de língua portuguesa, sendo parceiro institucional da União Internacional dos Arquitetos (UIA) e observador consultivo da CPLP. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo