Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Portugal – Lançamento de “Os papéis do Leste”, de Mário Pinto de Andrade

Em 1971, o intelectual e homem político angolano Mário Pinto de Andrade foi convidado pelos seus companheiros do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) a visitar uma das frentes onde o movimento conduzia operações militares contra o exército colonial português.


Em junho deste mesmo ano, deslocou-se para a 3.ª Região Político-Militar do MPLA, na fronteira entre Zâmbia e Angola, parte daquela que era conhecida como a Frente Leste. Ao longo dos meses que passou na frente, para além das suas funções de “colaborador para fins de informação política e social”, realizou uma investigação aprofundada para compreender a realidade das populações da região e o impacto da guerra de libertação na sua sociedade.

Este livro recolhe os documentos produzidos por Mário Pinto de Andrade durante e em consequência desta experiência. Guardados durante décadas no seu arquivo, estão agora à disposição de todos aqueles que se interessam pela história de Angola e da sua luta de libertação.

O lançamento realiza-se no domingo, 05 de julho, pelas 19 horas, na Casa do Comum, na rua Rosa Araújo, 285, ao Bairro Alto na cidade de Lisboa.

Intervêm os organizadores do livro, Elisa Scaraggi e Nelson Pestana, em diálogo com Leopoldina Fekayamãle, da BUALA. In “Casa do Comum” - Portugal


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Portugal – Lançamento do livro de poesia ““Chuva de Jasmim” da palestiniana Shahd Wadi

“Chuva de Jasmim” é o título do livro de poesia da palestiniana Shahd Wadi, que a Caminho agora edita. A sessão de lançamento decorrerá, com a presença da autora, no dia 27 de fevereiro, às 18h30, na Casa do Comum, em Lisboa. O livro será apresentado por Judite Canha Fernandes, autora do prefácio, e contará com a participação de Alexandra Lucas Coelho



“Rasgam as entranhas do meu corpo palestiniano frases e palavras em português, um idioma que ainda vou aprendendo. Resisto com toda a força, só algumas conseguem escapar. Aperto os lábios diante da impossibilidade de falar do meu corpo que não é, do seu lugar que é nunca. Não digo a nenhuma alma que não distingo o «cá» do «lá». Nem que as línguas e os desejos acontecem em mim em simultâneo.

Não consigo, não consigo, não consigo soletrar o nome árabe de quem morreu ontem em Gaza, nem no dia seguinte. Fecho a boca perante o caminho da história da minha família que foi expulsa da sua terra após a catástrofe palestiniana Nakba, em 1948. Coloco a mão à frente da minha voz para evitar um erro de português, enquanto conto uma piada ou até um sonho de liberdade, mesmo se toda a liberdade. Não declamo nada. Aguento um golpe atrás de outro de um verso que me quis abandonar. Mantenho o silêncio.

Hoje trago comigo este livro porque o meu corpo desiste e está finalmente poema.

A bandeira, a dança, a buganvília e o anjo juntam-se para desentupir a caneta de todas as minhas línguas falhadas, obscenas e belas. Sem consentimento, o meu fogo e as minhas papoilas soltam-se e eu liberto os meus rabiscos para que o «erro» se torne um verso, o povo um pássaro, o exílio um regresso e eu uma fronteira. Escrevo um poema, um livro de poemas, para que haja Chuva de Jasmim.” Shahd Wadi

«Este será o primeiro livro palestiniano da poesia portuguesa. Ou vice-versa? Shahd Wadi fez de Portugal a sua morada — até que ir para casa seja possível. Enquanto a Palestina estiver ocupada, o mundo é a Palestina.» Alexandra Lucas Coelho

Sobre a autora: Shahd Wadi é palestiniana, entre outras possibilidades, mas a liberdade é sobretudo palestiniana. Procurou as suas resistências ao escrever a primeira dissertação de doutoramento em Estudos Feministas do país, pela Universidade de Coimbra, que serviu de base ao livro Corpos na Trouxa: histórias-artísticas-de-vida de mulheres palestinianas no exílio (Almedina, 2017).

Entre as publicações mais recentes, é coautora nas antologias Volta Para Tua Terra: Não Há Abril Sem Imigrantes (Urutau, 2024) e Ask the Night for a Dream: Palestinian Writing from the Diaspora (Palestine Writes, 2024). Exerce a sua liberdade no que faz, viajando entre escrita, curadoria, investigação, tradução, desempenho e consultorias artísticas. Foi nomeada recentemente Escritora Universal Galega de 2025. Na sua escrita e investigação aborda a ocupação israelita da Palestina e considera as artes um testemunho de vidas. Também da sua. In “Revista Bica” - Portugal