Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 25 de maio de 2026

Voo directo Macau - Portugal acarreta “desafios significativos”

O Governo acredita que faz mais sentido “alavancar as redes internacionais” das operadoras aéreas que operam na RAEM, potenciando as rotas de curta distância para outros destinos da Ásia que ofereçam ligações de longa distância, no âmbito do lançamento de um voo directo entre Macau e Portugal. Para a Autoridade de Aviação Civil de Macau, as “rotas directas de longa distância apresentam desafios significativos”, segundo o último relatório anual de sugestões, queixas e objecções do organismo. O total de queixas submetidas à AACM caiu 19% face a 2024

No relatório anual sobre as sugestões, queixas e objecções que a Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM) recebeu ao longo de 2025, é indicado que duas submissões apontaram para a abertura de ligações directas entre a RAEM e Portugal. Em resposta às duas sugestões, o organismo refere que o “lançamento de rotas directas de longa distância apresenta desafios significativos”.

Segundo o documento consultado pelo Jornal Tribuna de Macau, a AACM comentou ser uma abordagem mais apropriada “alavancar as redes internacionais das operadoras actualmente em actividade em Macau para providenciar aos residentes e turistas serviços de transferência e de voos de ligação”.

O Governo defende que “de uma perspectiva comercial, as operadoras aéreas precisam de avaliar factores como a procura do mercado de passageiros e a relação custo-benefício”. Tendo em conta a escala actual da indústria de transporte aéreo de Macau, a AACM acredita que fará mais sentido oferecer voos com escala em locais como Banguecoque, Kuala Lumpur, Singapura, Taiwan e Interior da China, com serviços de despacho de bagagem de bilhete único incluídos.

Esta abordagem permite uma conexão entre as ligações de curta distância de Macau com rotas longas, no âmbito da qual a Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau (CAM) se encontra “activamente a colaborar com as operadoras para promover serviços de transferência e ligação”, no sentido de expandir a rede de destinos da RAEM, refere o relatório.

Recorde-se que o primeiro voo directo entre Pequim e Lisboa operado pela Beijing Capital Airlines está agendado para o dia 22 de Junho, segundo adiantou no último mês Tiago Brito, director do Turismo de Portugal na China, durante a Exposição Internacional de Turismo. A duração será de cerca de três meses, sendo que o voo terá uma frequência semanal. O voo de ida partirá na segunda-feira do Aeroporto de Pequim Daxing às 10:55, chegando a Lisboa às 17:15 (hora local). Já o voo de regresso sairá às 18:55 de Lisboa, com chegada a Pequim Daxing às 14:00 (hora local) do dia seguinte.

Mais recentemente, no encontro que o Chefe do Executivo manteve em Portugal com o Presidente da República, António José Seguro propôs que ambas as partes “reforcem a cooperação no sector turístico e estudem activamente a viabilidade da abertura de uma rota aérea directa entre os dois lados”.

Queixas à AACM decresceram 19%

No cômputo geral do ano passado, a AACM recebeu quatro sugestões, o mesmo número que em 2024, e 160 queixas, que representam uma descida homóloga de 18,75%. De um total de 164 casos, 158 estavam relacionados com as operadoras aéreas e disseram respeito sobretudo a actividades comerciais e serviços ao cliente. Estes incluíram 157 queixas e apenas uma sugestão, todas relativas à categoria de “transportes e logísticas”, representando uma quebra anual de 20,89%.

A AACM garante que já reencaminhou a sugestão e as queixas para as respectivas empresas, sendo que em algumas situações poderá solicitar às operadoras para dar uma resposta imediata aos queixosos.

Por outro lado, os seis restantes casos foram dirigidos aos processos operacionais da própria AACM, incluindo três queixas e três sugestões, o que corresponde ao dobro do total do ano anterior.

Para além das duas sugestões relativas às ligações aéreas entre Macau e Portugal, três dos casos referiram-se às actividades de aeronaves não-tripuladas. No documento, a AACM frisa que as operadoras podem operar na área costeira por trás do Centro de Ciência de Macau, desde que respeitem as regras de segurança e tenham recebido a devida autorização das autoridades, à semelhança das actividades realizadas em áreas residenciais O organismo salienta que a maior parte das actividades que envolvem naves não-tripuladas decorrem à noite ou em eventos de larga escala.

Por fim, o último caso teve a ver com o serviço de teste de proficiência em inglês designado pela AACM, acerca do qual o organismo garante que irá cooperar com a entidade responsável pelo mesmo para rever e melhorar a metodologia do exame. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sábado, 6 de dezembro de 2025

Macau - Governo cauteloso quanto à criação de voo directo entre a RAEM e Lisboa

A eventual abertura de uma nova rota directa aérea Macau-Lisboa depende das considerações comerciais por parte das companhias aéreas, afirmou a Autoridade de Aviação Civil de Macau, em resposta à proposta de um deputado sobre a respectiva ligação aérea. O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, reconhece que o lançamento da referida rota ajuda a demonstrar o papel de Macau como plataforma sino-lusófona


O deputado Ip Sio Kai defendeu a criação de uma ligação aérea directa entre Macau e Lisboa, mas o Governo respondeu com cautela, sublinhando a necessidade de viabilidade comercial da rota para as companhias aéreas.

“Fala-se tanto na plataforma sino-lusófona, mas ainda não existe uma única rota aérea directa para Lisboa”, afirmou o deputado Ip Sio Kai durante um debate sobre as Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2026 na área dos Transportes e Obras Públicas. “Esta rota é extremamente importante, porque voar para Lisboa é, na prática, voar para a Europa, além de poder servir como ponto de escala para o Brasil. Se tivéssemos esta ligação, seria muito útil para nós enquanto plataforma sino-lusófona”, sustentou Ip.

Em resposta a Ip Sio Kai na Assembleia Legislativa, o presidente da Autoridade de Aviação Civil, Pun Wa Kin, afirmou que o Governo “atribui grande importância” ao desenvolvimento da aviação, “em particular ao seu papel na promoção da diversificação económica”.

“No entanto, nas operações comerciais, as companhias aéreas consideram frequentemente a procura do mercado, os custos operacionais, os benefícios a longo prazo e a competitividade da rota, antes de decidirem lançar novos voos”, declarou Pun Wa Kin, a quem o titular do Governo para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, tinha entregado a prerrogativa de responder ao deputado.

Quando Ip sugeriu que o Governo poderia subsidiar a rota, Pun Wa Kin respondeu que esse apoio “envolve políticas sectoriais diferentes” e que “o Governo da RAEM precisa de analisar a questão de forma abrangente, sob todos os aspectos”.

Na sessão plenária de ontem, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, ao finalizar a parte de perguntas e respostas com o deputado Ip Sio Kai, admitiu, entretanto, benefício da criação da rota aérea directa entre Macau e Lisboa, o que ajudaria a destacar o papel de Macau como plataforma entre a China e Portugal.

“Vou levar as opiniões pertinentes à reunião de assuntos governamentais para discutir com os departamentos relevantes sobre a eventual implementação deste projecto”, disse.

Ip Sio Kai é, para além de deputado à Assembleia Legislativa de Macau, também vice-diretor da sucursal em Macau do Banco da China. Ip não é o primeiro deputado a propor ao Governo a criação de novas rotas aéreas que conectem a região à Europa. Em 2023, quando foi aprovada na generalidade a lei da Aviação Civil, também o deputado José Pereira Coutinho quis saber quais os planos das autoridades neste sentido.

A TAP efectuou ligações duas vezes por semana entre Lisboa e Macau na década de 1990, no entanto, a ligação seria suspensa em 31 de Outubro de 1998, com a companhia a acumular prejuízos na ordem dos 200 milhões de patacas. Catarina Chan – Macau in “Ponto Final” com “Lusa”