Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 5 de setembro de 2020

Portugal - Abutre-preto consolida restabelecimento no Alentejo com mais três crias este ano

O abutre-preto, a espécie de abutre mais ameaçada de Portugal, está a consolidar o seu restabelecimento no Alentejo, onde este ano nasceram e sobreviveram três crias que estão prestes a deixar os ninhos “com sucesso”.

Este ano, no Alentejo, “nidificaram 10 casais de abutre-preto”, na Herdade da Contenda, concelho de Moura, distrito de Beja, “tendo-se assim consolidado o restabelecimento” da espécie na região, refere a Liga para a Proteção da Natureza (LPN), num comunicado enviado à agência Lusa, a propósito do Dia Internacional dos Abutres, que se celebra no primeiro sábado de setembro.

“Este número representa atualmente cerca de um terço dos casais existentes em Portugal”, precisa a LPN, informando que três dos 10 casais que nidificaram no Alentejo conseguiram cada um criar com sucesso uma cria, “dando continuidade à recuperação desta ave no sul do país”.

Desde que a espécie voltou a reproduzir-se no Alentejo em 2015, após mais de 40 anos sem registo de reprodução da ave necrófaga a sul do rio Tejo, trata-se do “sexto ano consecutivo em que o abutre-preto cria com sucesso na Herdade da Contenda e mantém ou aumenta o respetivo número de casais nidificantes”, frisa a LPN.

“Tal tem sido possível, sobretudo, em consequência dos esforços de conservação” desenvolvidos pela LPN em colaboração com a empresa municipal Herdade da Contenda, “beneficiando da importante e adequada gestão deste território” propriedade da Câmara de Moura, é referido.

Entre os 10 casais de abutre-preto a nidificar este ano na herdade alentejano, segundo a monitorização acompanhada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), sete fizeram-nos em ninhos naturais construídos pela espécie e três em ninhos artificiais instalados no âmbito do projeto LIFE. para promoção do habitat do lince-ibérico e do abutre-preto no sudeste de Portugal.

Oito dos 10 casais conseguiram fazer a postura de um ovo, como é característico da espécie, num total de oito ovos, dos quais nasceram seis crias.

Destas, três não sobreviveram, uma delas devido a queda do ninho e as outras por causas desconhecidas, “provavelmente devido ao calor extremo durante o seu desenvolvimento”. As outras três, todos machos, já ultrapassaram os três meses de idade e estão “prestes a deixar os seus ninhos com sucesso”.

“Estes resultados, embora representem mais um passo no sentido da tão desejada e efetiva recuperação da espécie no Alentejo e em Portugal, revelam a necessidade de dar continuidade aos esforços de conservação dirigidos ao abutre-preto” para “aumentar a sobrevivência e sucesso na reprodução”, sublinha a LPN, salientando em particular a “necessidade de um acompanhamento mais próximo da reprodução e a intervenção em períodos críticos do desenvolvimento das crias, nomeadamente durante os picos de calor e de escassez de alimento”.

A LPN vinca que “os abutres são extremamente importantes para manter a sanidade dos ecossistemas”, mas estão “em risco de extinção em Portugal e sujeitos a diversas ameaças à sua sobrevivência, a maioria de origem humana”, com destaque para o envenenamento e a escassez de alimento.

Também a utilização do anti-inflamatório não esteroide diclofenac para o tratamento do gado “representa um enorme risco para estas aves necrófagas” em Portugal, “estando ainda, após vários anos, o Estado Português a avaliar a autorização do seu uso na pecuária”.

Nos últimos anos, a monitorização da reprodução e as medidas de conservação do abutre-preto no Alentejo foram realizadas no âmbito do projeto Orniturismo – Conservação, Proteção e Valorização do Património Ornitológico.

A LPN e a Herdade da Contenda são dois dos parceiros do projeto, que visa conservar, proteger e valorizar o património ornitológico da região transfronteiriça Alentejo-Andaluzia com a finalidade de desenvolver e consolidar modelos de atividades turísticas sustentáveis que possam contribuir para o reforço da economia das duas regiões. In “Mundo Português” – Portugal com “Lusa”

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Portugal - O regresso do abutre-preto

A tarde de um dia de Verão pode revelar-se abrasadora. Especialmente no Parque Natural do Tejo Internacional, conhecido pelas temperaturas elevadas, muitas vezes superiores a 40ºC nos meses mais quentes do ano. Esta cria de abutre-preto conta com a sombra que a progenitora lhe proporciona para se proteger dos raios de sol. É uma das várias crias que nos últimos anos nasceram nesta região raiana, assinalando o regresso do abutre-preto a Portugal enquanto ave nidificante



Apesar de ter sido sempre avistado nos céus portugueses, mesmo quando a população nidificante desapareceu do território, o abutre-preto sofreu um enorme declínio na Península Ibérica, e deixou de nidificar em Portugal durante as últimas décadas do século XX.

O guião agora é outro. A sua espectacular recuperação permitiu que, de escassas centenas de casais nidificantes no início da década de 1970, existam hoje cerca de três mil casais na Península Ibérica, de acordo com a Sociedade Espanhola de Ornitologia e informação disponível em Portugal. Consequentemente, desde o final do século XX, casais de abutre-preto começaram a nidificar em território português, tendo os primeiros casos de sucesso de nidificação ocorrido em 2010.



Carlos Pacheco, biólogo que tem acompanhado a nidificação da espécie em Portugal desde o seu regresso, refere que actualmente existem 24 casais nidificantes de abutre-preto no país, a grande maioria dos quais no Parque Natural do Tejo Internacional e na região raiana do Baixo Alentejo, existindo ainda um casal que desde há alguns anos nidifica no Parque Natural do Douro Internacional.

Segundo Carlos Pacheco, a disponibilização de cadáveres em campos de alimentação de aves necrófagas, a recuperação de espécies silvestres que servem de alimento ao abutre-preto (como o veado e o javali), a manutenção de gado em regime extensivo, o abandono rural e consequente diminuição da perturbação humana, a redução da perseguição directa com recurso a venenos e as acções de ordenamento e conservação da natureza foram decisivos para a notável recuperação do abutre-preto. É igualmente garantido que, sem o enorme aumento do número de casais em Espanha, o seu regresso a Portugal teria sido certamente adiado. In “National Geographic” - Portugal

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Portugal – Abutre-preto está a nidificar no Douro Internacional

O abutre-preto, considerado "criticamente em perigo", está a nidificar "pela primeira vez" no território protegido do Douro Internacional, disse à agência Lusa um estudioso daquela que é tida como a maior ave de rapina da Europa.

“[A nidificação] é uma novidade”, saudou o biólogo José Pereira, assinalando que a norte do rio Douro havia registos de avistamentos, mas não de nidificação, do abutre-preto (Aegypius monachus) - ave necrófaga com uma envergadura de asas que poderá chegar até aos três metros de comprimento.

José Pereira disse que “os últimos avistamentos abutre-preto no Douro Superior ocorreram na década de 70 do século passado.

Recentemente, um casal da espécie abutre-preto fixou-se no Douro e Internacional e, agora, “tem vindo a procriar, havendo mesmo um novo registo de um juvenil em condições de voo", indicou o investigador.

A este facto não será estranho o facto de a Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, sediada no Planalto Mirandês, ter vindo a desenvolver e a gerir campos de alimentação de abrutes em áreas como a Zona de Proteção Especial dos Rios Sabor e Maçãs e em toda sua extensão do Parque Natural do Douro Internacional, no âmbito do projeto "Life Rupis".

"De momento, estão ser reativados cerca de uma dezena destes alimentadores nestas áreas protegidas, com o objetivo de aumentar o número de espécie de aves necrófagas".

Os técnicos da Palombar fazem uma monitorização constante destes campos de alimentadores, garantindo que há meia dúzia de abutres-pretos que são avistados de "forma regular".

Este tipo de ave de rapina faz os seus ninhos em cima e árvores de grande porte, ao contrário dos seus familiares como o abutre do Egito ou a águia de Bonelli, que preferem as escarpas de terrenos muito acidentados e com grande declive.

Para os cientistas, o território do Douro Internacional é considerado um dos maiores santuários da Europa de aves rupícola e necrófagas, onde nidificam para além de outras, a águia de Bonelli, abutre do Egito, milhafre real, cegonha preta ou mocho de orelhas. In “Sapo24” - Portugal