Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 29 de maio de 2022

A ceifeira









Vamos aprender português, cantando

 

A ceifeira

 

Ela canta, pobre ceifeira,

julgando-se feliz talvez;

Canta, com a sua voz, cheia

de alegre e anónima viuvez

 

Ondula como um canto de ave

no ar limpo como um limiar,

e há curvas no enredo suave

desse som que ela tem para cantar.

 

Ouvi-la alegra e entristece,

na sua voz há o campo e a lida,

e canta como se ela tivesse

mais razões para cantar que a vida.

 

Ah, canta, canta sem razão!

O que em mim sente está pensando.

Derrama no meu coração

a tua incerta voz ondeando!

 

Pensa tu, sendo eu!

Ter a tua alegre inconsciência,

e a consciência disso! Ó céu!

Ó campo! Ó canção! A ciência

 

Pesa tanto e a vida é tão breve!

Entrai por mim dentro! Tornai

minha alma a vossa sombra leve!

E depois, levando-me, passai!

 

Ela canta, pobre ceifeira,

Julgando-se feliz talvez;

Canta, com a sua voz, cheia

de alegre e anónima viuvez

 

Nuno Barroso – Portugal

Dora Maria – Portugal

Os Almonda – Portugal

 

Composição:

(Letra) Fernando Pessoa – Portugal

(Música) Nuno Barroso – Portugal


 

Vamos recordar, cantando

A visita

sábado, 12 de abril de 2014

A visita











Vamos aprender português, cantando


Vou lhe fazer uma visita
mas não fique assim, aflita
que eu não sou de reparar

Não precisa de banquete
nem preocupe com enfeite
não me vá empetecar

E os velhos discos de bolero
tô levando pois eu quero
lhe ensinar como dançar

E dizer-lhe ao pé do ouvido
com um tom meio atrevido:
"dois pra lá e dois pra cá"

Vou lhe fazer outra visita
pra lhe ver, assim, bonita
ir correndo ao portão

Decorou o tal bolero?
Vem cantando em tom sincero
sequestrando minha atenção

A radiola está no jeito
lhe aproximo do meu peito
repetindo a tentação

"São dois pra lá e dois pra cá"
você vai ver no que dá
"São dois pra lá e dois pra cá"
você vai ver no que dá

Olha pra junto dos meus pés
 você consegue reparar
 no tempo de nós dois
 e ver que assim como se dança
 o passo é feito de esperança
 espero amar depois

Lúcio Souza (Silva) – Brasil