Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Grokipedia contra Wikipedia

O alerta foi dado pelo governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, ao denunciar TikTok, versão norte-americana, de praticar censura em favor de Donald Trump. Newson recebeu denúncias de utilizadores de TikTok com dificuldades para postar vídeos sobre a morte do enfermeiro Alex Pretti pela polícia anti-imigração ICE.

O jornal suíço Le Temps publicou com destaque uma reportagem sobre acusações de censura e controle do TikTok, numa estranha e perigosa colusão de Silicon Valley com a Casa Branca. Além disso, o próprio uso da inteligência artificial poderia ser manipulado politicamente, pois o ChatGPT passou a utilizar nos EUA, como fonte de informação, a enciclopédia Grokipedia lançada por Elon Musk para concorrer com Wikipedia.

O risco é o controle da informação pela IA segundo a versão dos seguidores de Trump, dispensando mesmo a necessidade de censura. Não será ainda o controle total previsto por George Orwell, mas um 1984 regional. Outro perigo é o de uma enciclopédia desse tipo inventar e impor uma outra narrativa histórica, uma visão ideológica de Elon Musk.

Inicialmente serão os conservadores e fundamentalistas eleitores de Trump os utilizadores dessa enciclopédia, mas rapidamente suas interpretações serão difundidas em outros países, como o Brasil e nos países com movimentos de extrema-direita influentes e em expansão. Já existem mesmo predições de um fim para a neutra Wikipedia, não se podendo excluir a potência financeira e tecnológica do grupo chefiado por Elon Musk.

Dispondo desses meios de doutrinação e controle, cujos efeitos se farão sentir nas jovens gerações a longo termo, Trump, Musk e a extrema-direita fundamentalista poderão testá-los na preparação das eleições de novembro nos EUA.

Se nas eleições brasileiras de 2022, as redes sociais da extrema-direita despejavam fakes news, pode-se imaginar o impacto do uso da IA na propagação de mentiras e falsificações de notícias, com o apoio dos EUA, cujo presidente Trump quer controlar os países sul-americanos. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

CPLP – A sede da Organização acolheu lançamento do «Barometro da Lusofonia»

O lançamento da primeira edição do «Barometro da Lusofonia» decorreu a 28 de janeiro de 2026, no auditório da Sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Lisboa. O evento, que teve transmissão em direto no canal Youtube da organização, constituiu o primeiro acontecimento público do ciclo comemorativo dos 30 anos da CPLP.


Na intervenção de abertura, a Embaixadora Maria de Fátima Jardim, Secretária Executiva da CPLP, considerou que o «Barometro da Lusofonia» constitui um instrumento de grande valor estratégico e uma ferramenta que permite auscultar, de forma sistemática, prioridades, inquietações e expectativas.

Com os indicadores apresentados, fortalece-se a oportunidade de programar o progresso e a cooperação, realçou a Embaixadora Maria de Fátima Jardim, contribuindo para melhorar os debates e a ação multilateral concertada da CPLP.

O Representante Permanente do Brasil junto à CPLP, Embaixador Juliano Nascimento, sublinhou a qualidade do estudo, resultante de um processo que envolveu equipas nos Estados-Membros da CPLP, e ressaltou o valor inestimável do conteúdo que retrata pela primeira vez este tipo de perceções.

O coordenador do «Barometro da Lusofonia», professor António Lavareda, do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE), destacou que os dados confirmam que a CPLP dispõe de um ativo político e simbólico de grande relevância, com uma legitimidade social ampla e reconhecida pelas populações nacionais de contextos muito distintos.

O professor António Lavareda afirmou, também, que num enquadramento em que os países não partilham fronteiras, a língua portuguesa deixa de ser um instrumento funcional e converte-se num espaço simbólico de pertença.

O estudo revela, assim, a sua importância não só pela abrangência temática, mas por enunciar vínculos simbólicos, culturais e identitários, sendo que as informações sistematizadas deverão fomentar iniciativas de cooperação e intercâmbio nas dimensões económica, educacional, social, cultural e institucional.

Nesta primeira edição, foi realizada uma pesquisa junto a 5400 pessoas em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.  O Barómetro da Lusofonia aborda temas como a identidade cultural, heranças históricas, indústrias criativas, desinformação, consumo de informação e media. Além disso, inclui dados sobre relações de trabalho, educação, sustentabilidade ambiental, minorias, migrações, governança e funcionamento das instituições democráticas.

O «Barometro da Lusofonia» conta com o apoio institucional da CPLP e é realizado pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE), sob coordenação do professor António Lavareda, com os principais objetivos de analisar e ampliar o conhecimento mútuo entre os países de língua portuguesa.

Além da CPLP, o «Barometro da Lusofonia» conta com apoio do Ministério da Cultura do Brasil, da Missão do Brasil junto à CPLP, da AULP, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), da Fundação Itaú, da FGV Conhecimento, da Fundação Joaquim Nabuco e da Universidade de Coimbra, entre outras instituições académicas e culturais. In Comunidade dos Países de Língua Portuguesa”



quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Portugal - Descoberta de investigadores da Universidade de Coimbra revela plantas com flor com cerca de 87 milhões de anos

Mário Miguel Mendes e Pedro Miguel Callapez, investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), descobriram novos frutos de angiospérmicas (plantas com flor) em flora do Cretácico Superior de Portugal. Os novos espécimes foram recolhidos em jazida fossilífera localizada junto da pequena localidade de Seadouro, concelho de Vagos, distrito de Aveiro.


«Os exemplares de Seadouro encontram-se muito bem preservados e embora não seja possível extrair muita informação acerca dos órgãos florais, além do gineceu, estes apresentam vestígios de possíveis filamentos estaminais e tépalas. Além disso, e mais importante, na área estigmática observam-se grãos de pólen do grupo Normapolles, permitindo incluir as novas angiospérmicas na ordem Fagales e atribuí-las, sem qualquer dúvida, ao género Endressianthus», explica Mário Miguel Mendes, investigador do Centro de Investigação da Terra e do Espaço da Universidade de Coimbra (CITEUC) e docente da Universidade Fernando Pessoa (Porto).

Os novos frutos estão a ser descritos como uma nova espécie do género Endressianthus, mas a sua posição ao nível da família continua a ser incerta. No entanto, os investigadores ressaltam que apresentam estreitas semelhanças com membros das Fagales atribuíveis à família Betulaceae, na qual se incluem importantes plantas de pomar como a aveleira-comum (Corylus avellana) e a aveleira-turca (Corylus colurna).

«Creio que os estudos de tomografia de raios-X por radiação de sincrotrão e a comparação com elementos da flora moderna irão permitir a obtenção de informações mais precisas e, talvez, alguma aproximação à família», considera o paleobotânico.

De acordo com os investigadores, a presença de frutos de angiospérmicas do género Endressianthus já havia sido reportada no Cretácico Superior de Portugal, concretamente, no Campaniano – Maastrichtiano de Mira e de Esgueira (Aveiro). Contudo, a espécie afasta-se das formas anteriormente descritas e foi identificada em flora do Coniaciano superior, exprimindo, explicitamente, que este grupo de angiospérmicas já se encontrava bem estabelecido nas floras do Cretácico Superior português há cerca de 87 milhões de anos.

A ocorrência de grãos de pólen do grupo Normapolles tem sido documentada em diversas associações esporo-polínicas da Europa, do Turoniano ao Eocénico. A morfologia destes grãos de pólen e a sua abundância nas palinofloras do Cretácico Superior aponta para a ocorrência de polinização anemófila nestas plantas, ou seja, polinização realizada por ação do vento.

«Há, ainda, evidências paleobotânicas que sugerem que estas angiospérmicas eram comuns em ecossistemas áridos ou semiáridos do Cretácico Superior e, curiosamente, as novas angiospérmicas do Coniaciano superior português foram identificadas em associação com inúmeros fragmentos de frenelopsídeos atribuíveis a Frenelopsis oligostomata – indicadores de condições xeromórficas», conclui Mário Miguel Mendes.

Os trabalhos atualmente em curso estão a ser desenvolvidos em parceria com investigadores do National Museum Prague (República Checa) e receberam financiamento do CITEUC e da Czech Grant Agency. Universidade de Coimbra - Portugal


Macau – Vírus Nipah leva autoridades a reforçar avaliação médica nas fronteiras

Devido às infecções do vírus Nipah detectadas na Índia, as autoridades de Macau decidiram reforçar a vigilância médica nas fronteiras, apesar de não haver voos directos do território para aquele país. Sublinhando que estão a acompanhar a situação, os Serviços de Saúde indicaram que vão intensificar a avaliação e exames médicos nos postos fronteiriços “para quem tenha história de viagem e apresenta sintomas”


As autoridades da RAEM vão reforçar a vigilância nas fronteiras, devido ao vírus Nipah, na sequência de um alerta epidemiológico lançado pelas autoridades de saúde da Índia. O vírus, que foi identificado no estado de Bengala Ocidental, já resultou em pelo menos dois casos confirmados e levou à quarentena de 190 pessoas. Os Serviços de Saúde (SSM) afirmaram ontem estar a “acompanhar atentamente a situação” causada pela infecção do vírus no leste da Índia, apelando aos residentes para “evitarem deslocar-se àquela região”.

“Os indivíduos que se encontram no local devem tomar as devidas medidas preventivas e, em caso de aparecerem sintomas de gripe após o regresso a Macau, devem recorrer ao médico o mais rápido possível e informar sobre a história de viagem e de contacto”, sublinhou o organismo.

Apesar de não haver voos directos entre Macau e a Índia, “por uma questão de precaução, vai ser reforçada avaliação e exames médicos nos postos fronteiriços para quem tenha história de viagem e apresenta sintomas”, indicaram os SSM.

Também o Governo de Hong Kong anunciou um reforço dos controlos de saúde para os viajantes que chegam ao aeroporto vindos da Índia. Em comunicado, citado pela Lusa, o director do Serviço para a Protecção de Saúde, Edwin Tsui Lok Kin, confirmou o destacamento de equipas para o aeroporto.

O objectivo é “realizar o rastreio da temperatura dos viajantes nas portas de embarque relevantes, realizar avaliações médicas em viajantes sintomáticos e encaminhar casos suspeitos com potencial impacto na saúde pública para os hospitais para exame”, explicou o dirigente.

Apesar da medida, Edwin Tsui sublinhou que, até à data não foi registado em Hong Kong nenhum caso de infecção pelo vírus Nipah e que não existem voos directos entre o território e Calcutá, capital do estado indiano de Bengala Ocidental.

Por cá, os SSM referem que o Nipah é um vírus zoonótico que pode ser fatal. “Os morcegos frugívoros são os hospedeiros naturais do vírus Nipah, e este pode ser transmitido aos seres humanos através de alimentos contaminados (geralmente frutas ou produtos derivados de frutas) ou através de contacto com porcos infectados, ou directamente entre as pessoas”, sublinha.

A infecção pelo vírus Nipah causa desde sintomas assintomáticos até doenças respiratórias agudas e encefalite fatal, com uma taxa de mortalidade estimada entre 40% e 75%. Os primeiros sintomas são similares aos da gripe, e nos casos mais graves pode haver dificuldades respiratórias, tonturas, sonolência, confusão mental, entre outros. Geralmente, o período de incubação varia entre quatro e 14 dias, sendo o máximo de 45 dias.

Os surtos do vírus Nipah, para o qual ainda não existe vacina ou cura aprovadas, ocorrem quase anualmente no Bangladesh e no estado indiano vizinho de Bengala Ocidental, ocasionalmente, noutros países do sul e sudeste da Ásia. A Índia registou os primeiros surtos em humanos em Bengala Ocidental, em 2001 e 2007, quando foram registadas pelo menos 50 mortes. O surto mais recente, em Julho de 2015, resultou em duas mortes no estado de Kerala, no sul do país.

OMS acredita que Índia conseguirá travar surto

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera “baixo” o risco de expansão na Índia do vírus Nipah, um agente patogénico altamente letal para o qual não existe vacina ou tratamento antiviral específico, após a confirmação de dois casos no estado de Bengala Ocidental e a declaração de alerta epidemiológico pelas autoridades indianas. “A Índia tem capacidade para conter estes surtos, como foi comprovado em casos passados”, disse um porta-voz da agência da ONU em resposta à EFE, assegurando que a OMS tem estado em contacto com as autoridades de saúde indianas para realizar uma avaliação de risco e fornecer apoio técnico. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


Portugal - Investigadora do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde recebe prémio para estudar cancro cerebral pediátrico

Financiamento atribuído por fundo do Canadá vai permitir que Bárbara Soares Ferreira estagie durante um ano num centro de investigação daquele país

A estudante Bárbara Soares Ferreira, a desenvolver atualmente o seu trabalho de doutoramento no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), foi recentemente distinguida com o «Prémio de Viagem em Biologia Celular 2026» atribuído pelo Fundo Jacobo & Estela Klip do Hospital for Sick Children (SickKids), uma instituição de referência mundial na investigação em saúde pediátrica. O financiamento de cerca de 9000 euros permitirá à jovem cientista realizar um estágio de um ano num centro de investigação no Canadá, onde vai prosseguir o trabalho inovador que tem desenvolvido na área do cancro cerebral pediátrico.

O projeto de Bárbara está atualmente a ser desenvolvido no grupo «Cancer Signalling & Metabolism» do i3S, sob a supervisão do investigador Jorge Lima, e foca-se nos gliomas pediátricos de baixo grau, os tumores cerebrais mais frequentes em crianças. O objetivo, sublinha, “é poder contribuir para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais eficazes e duradouras, com impacto direto na melhoria do tratamento e da qualidade de vida de crianças com tumores cerebrais de baixo grau”.

Os gliomas pediátricos de baixo grau “têm elevadas taxas de sobrevivência, mas muitos doentes – em particular aqueles cujos tumores não podem ser totalmente removidos por cirurgia – apresentam progressão da doença e efeitos secundários a longo prazo associados aos tratamentos”. Em alguns casos, nota Bárbara Ferreira, as terapias-alvo têm conseguido melhorar os resultados clínicos, mas “a resistência ao tratamento e o reaparecimento do tumor continuam a representar desafios clínicos significativos”.

De acordo com a investigadora do i3S, este estudo tem como objetivo “compreender de que forma o microambiente tumoral, constituído pelas células cerebrais e do sistema imunitário envolventes, contribui para a resistência terapêutica e para o crescimento recorrente do tumor”.

Para esse fim, Bárbara Ferreira irá utilizar tecnologias avançadas de biologia espacial e organoides tumorais derivados de doentes, co-cultivados com células cerebrais e imunitárias, para analisar as interações celulares que influenciam a resposta às terapias-alvo.

É então este trabalho de investigação que a jovem investigadora vai ter a oportunidade de desenvolver no laboratório da investigadora Cynthia Hawkins, neuropatologista e cientista principal no Centro de Investigação em Tumores Cerebrais Arthur and Sonia Labatt, sediado no SickKids. Durante o estágio no Canadá, Bárbara vai “desenvolver estes sistemas de co-cultura e receber formação especializada em análise de sequenciação de RNA de célula única e transcriptómica espacial, técnicas de vanguarda na investigação biomédica”.

Bárbara Ferreira é licenciada em Bioquímica pela U.Porto e mestre em Medicina e Oncologia Molecular pela Faculdade de Medicina da U.Porto (FMUP), estando atualmente a frequentar o Programa de Doutoramento do Centro Académico de Medicina de Lisboa. Enquanto investigadora no i3S, já viu o seu trabalho reconhecido por instituições como a Fundação «la Caixa» ou a Liga Portuguesa Contra o Cancro. Universidade do Porto - Portugal


Indonésia - Fé e diversão criam polémica no mundo islâmico

Uma música, um palco e um vestido sensual foram suficientes para acender um debate nacional sobre os limites entre a fé e a diversão.


Em Banyuwangi, (Java Oriental), foi montado um palco para celebrar Isra’ Mi’raj, uma das noites mais sagradas do Islão, que comemora a viagem do Profeta Maomé de Meca à Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, e a sua ascensão ao céu. O local era destinado a sermões e orações.

No dia 16 de Janeiro, o que se seguiu aos sermões e orações foi algo completamente diferente: uma cantora de dangdut, de vestido justo, subiu ao palco, com as ancas a balançar ao ritmo animado da dança moderna no dialecto Osing, e um homem juntou-se para dançar e dar-lhe gorjeta.

Alguém filmou tudo. Em poucas horas, o vídeo espalhou-se pelas redes sociais, incomodando muitas pessoas.

O Isra’ Mi’raj é solene, enquanto as apresentações de dangdut prosperam na proximidade física e na interacção com o público. Para os críticos, os dois mundos colidiram.

Os organizadores insistiram que não houve desrespeito. Muhammad Hadiyanto, chefe da comissão local, disse que, antes do início da música, o programa religioso terminara e os clérigos tinham saído. A apresentação, segundo o próprio, apenas tinha como objectivo entreter os membros da comissão durante a limpeza.

O pedido de desculpas pouco fez para aplacar a indignação. Os líderes religiosos consideraram-no uma falha moral.

“Este incidente é profundamente lamentável”, disse Sunandi Zubaidi, vice-presidente do Conselho de Ulemás da Indonésia (MUI) de Banyuwangi. “A nobreza da dakwah (pregação islâmica) foi manchada por acções que não reflectem os valores islâmicos.”

Alertou que os acontecimentos sagrados não devem ser misturados com actos que conduzam à imoralidade, incluindo a exposição da aurat (partes íntimas do corpo segundo o Islão), a dança erótica e o ikhtilat (mistura entre homens e mulheres). Advertiu mesmo que tais acções podem constituir blasfémia.

O parlamento fez eco da preocupação. O deputado Singgih Januratmoko disse que a questão atinge o cerne da forma como a sociedade protege a santidade da religião. “A alegação de que o entretenimento ocorreu após o evento principal não resolve a questão por si só”, frisou, defendendo que, “do ponto de vista religioso, o cenário, os símbolos e o contexto são indissociáveis”.

A polícia disse que não foi cometido qualquer crime, mas confirmou-se que o espectáculo não constava na licença do evento.

Os organizadores devem compreender a natureza de um evento e garantir que as apresentações estão alinhadas com o seu conceito e público. Para ocasiões religiosas, isto pode significar seleccionar estilos de “música religiosa”, como conjuntos de percussão, cantores com vestes modestas ou canções religiosas, observou Said.

“Quando um vídeo se torna viral, as pessoas só vêem o que acontece no palco. Não vêem a preparação nos bastidores – a coordenação, os briefings, os avisos. No entanto, a reacção do público é muitas vezes: ‘Porque é que o dangdut é assim?’”, acrescentou.

O dangdut, um dos géneros musicais mais populares da Indonésia, é construído sobre ritmos hipnóticos, semelhantes aos da tabla, e mistura percussão indiana, melodias malaias e frases árabes. Surgiu na década de 1930 e ganhou destaque na década de 1950, durante a campanha cultural anti-ocidental do Presidente Sukarno, que restringiu os filmes de Hollywood, mas permitiu o cinema hindi. Na década de 1960, começaram a aparecer cantores locais, embora o género se tenha mantido intimamente ligado às aldeias e classes sociais mais baixas.

Na década de 1970, o indonésio Rhoma Irama, o “Rei do Dangdut”, electrificou o dangdut com guitarras e influências do rock, inspiradas em bandas como os Deep Purple, levando o género para além das comunidades rurais. Renomeou o seu grupo, Soneta, como “A Voz do Muçulmano”, fundindo o dangdut com temas islâmicos, introduziu a separação de géneros em palco e substituiu elementos do rock por desempenhos com temática religiosa.

Os primeiros concertos foram recebidos com hostilidade, com pedras e sandálias atiradas para o palco. Inicialmente, a MUI (Municipal Indonesia University) declarou haram – proibido pela lei islâmica – cantar versículos do Alcorão, mas posteriormente endossou o trabalho da lenda do dangdut.

Tal como outras formas de arte musical indonésia, como o jaipongan e campursari, o dangdut tem incorporado cada vez mais letras com conotação sexual e danças sensuais, movimentos que testam limites na maior nação de maioria muçulmana do mundo.

“Esta arte existe porque há um público para ela. A questão não é o gosto, mas o local. Num evento religioso, diria que este tipo de desempenho é altamente inapropriado, indecente e impróprio” concluiu o etnomusicólogo Endo Suanda. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”


terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Cabo Verde - Programa "Skodji Digital" vai ligar jovens ao mercado global de trabalho

Cidade da Praia - O Governo lançou o programa “Skodji Digital”, uma iniciativa que visa criar oportunidades de emprego e rendimento na economia digital à escala global, para a juventude cabo-verdiana no país e na diáspora.


Segundo o executivo, o Skodji Digital irá proporcionar formação estruturada em competências digitais alinhadas com a procura do mercado global, acesso orientado a plataformas internacionais de emprego digital e trabalho independente.

Oferece ainda activação de carreiras em sectores digitais emergentes, bem como percursos para o empreendedorismo digital e criação de micro-iniciativas empresariais.

Numa primeira fase, o programa, que será totalmente gratuito, pretende preparar 1050 jovens, para competir no mercado de trabalho global, incluindo os que não estão a trabalhar e mulheres cabo-verdianas, a partir dos 18 anos.

Ao presidir ao acto de lançamento, o secretário de Estado da Economia Digital, Pedro Lopes, sublinhou que o Governo tem colocado o digital como uma “bandeira de desenvolvimento” do país.

“Não podemos falar na economia digital sem capacitar as pessoas e essa deve ser a base. Nós queremos construir exactamente com quem está no terreno”, afirmou o governante, destacando o envolvimento de associações juvenis e da diáspora no processo.

Pedro Lopes lembrou que a economia digital movimenta anualmente mais de 560 mil milhões de dólares, com projecções de crescimento até aos 1,8 biliões de dólares, defendendo que Cabo Verde deve aproveitar esta transformação para contornar as limitações do mercado interno.

“Nós queremos que os jovens possam continuar em Cabo Verde, mas trabalhar para mercados internacionais. Que o desejo de continuar na terra onde somos felizes não nos encolha enquanto indivíduos, e também que não tenham de encolher ou limitar apenas o salário à nossa realidade”, afirmou.

As candidaturas ao programa já estão abertas e vão estar disponíveis até 25 de Fevereiro, através da plataforma Cabo Verde Digital, sendo que a fase de formação, com carácter intensivo, terá uma duração variável entre dois a seis meses.

A Fase 1 do Skodji Digital é financiada pelo Banco Mundial, através do Projecto Digital Cabo Verde, e é implementada pelo Ministério da Economia Digital, com apoio técnico de um consórcio de parceiros nacionais e internacionais. In “Inforpress” – Cabo Verde