Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Brasil – Polícia Federal e Polícia Judiciária da Guiné-Bissau assinam acordo de parceria no domínio da luta contra o crime organizado

Bissau – A Polícia Judiciária (PJ) da Guiné-Bissau e a Polícia Federal do Brasil assinaram recentemente um acordo de parceria no domínio da luta contra o crime organizado.



A informação consta no sítio da PJ guineense consultada pela ANG, segundo as quais o referido acordo foi  rubricado nas instalações da Polícia Federal do Brasil, entre os diretores da PJ da Guiné-Bissau Domingos Monteiro Correia e Andrei Rodrigues director da Polícia Federal do Brasil.

Informa que, o acordo marca um passo significativo no fortalecimento das capacidades de combate ao crime organizado em ambos os países. 

“Este acordo estabelece um quadro abrangente de colaboração, que inclui intercâmbio de informações, formação de agentes e a realização de operações conjuntas”, lê-se na mesma publicação.

Acrescenta que, a iniciativa tem como objectivo não apenas intensificar a luta contra o crime organizado, mas também potenciar as capacidades operacionais das duas instituições. 

A cerimónia de assinatura foi testemunhada pelos representantes da diplomacia da Guiné-Bissau em Brasília e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Bissau, que reconheceram a importância desta colaboração para o combate eficaz ao crime organizado.

Após a assinatura do acordo, o Diretor da Polícia Federal do Brasil, Andrei Rodrigues, enalteceu a importância da cooperação internacional.

Afirmou que “o combate ao crime organizado exige uma abordagem integrada e colaborativa, onde as fronteiras se tornam oportunidade para trabalhar em conjunto”.

O Diretor Nacional da PJ da Guiné-Bissau, Domingos Monteiro Correia, acompanhado pela Diretora Nacional Adjunta, Cornélia Vieira Té, e pela Inspectora Geral do Ministério da Justiça, Ussainatu Djaló, enfatizou que o acordo ora rubricado representa um marco na construção de uma parceria sólida, que permitirá enfrentar, de forma eficaz, as ameaças à segurança pública. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau


Guiné-Bissau - Director do Liceu Regional de Bafatá anuncia bolsas de estudo em Portugal para os nove melhores finalistas do 12.º ano

Bafatá - O Director do Liceu Regional Hoji Ya Enda de Bafatá revelou esta semana que a sua instituição conseguiu bolsas de estudo para Portugal que serão dadas aos nove melhores alunos do 12.º ano.



Guela Embaló deu estas promessas no sábado, dia 23 do corrente mês, na cerimónia de tomada de diploma de 318 alunos da décima quarta geração de finalistas do referido Liceu.

Aquele responsável afirmou na ocasião, que as bolsas foram garantidas pela Universidade de Porto (Portugal), isentas de pagamento de taxa de propinas por parte dos estudantes guineenses beneficiários.

Embaló considerou a cerimónia de um marco importante da vida dos finalistas, uma vez que durante os estudos enfrentaram desafios que puderam superar com persistência na base da harmonia e de ajuda mútua.

Este responsável recorda com  mágoa os tempos difíceis que passou como director daquele estabelecimento de ensino, sobretudo no que tem a ver com diversas reivindicações e que ameaçavam por em causa o ano lectivo que terminou.

Para o Director Regional da Educação de Bafatá, Mamadu Bori Balde que presidiu o acto reconheceu os esforços dos pais e encarregados de educação em investir nos estudos dos seus filhos, frisando que finalmente chegou o grande dia de chorar de alegria.

Recordou na ocasião que, formar no país pode ser uma porta para ingressar na vida profissional e não ficarem amarrados à espera de bolsas de estudo no exterior. In “Agência de Notícias da Guiné – Guiné-Bissau


segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Portugal - INESC TEC lidera primeiro Centro de Excelência português na área do Mar

“O nosso território dispõe de condições privilegiadas para o desenvolvimento da Economia Azul e, agora, vai poder contar com um Centro de Excelência, que ambiciona, através da investigação e da engenharia oceânica, alavancar todo este potencial”. As palavras são de José Manuel Mendonça e servem de cartão de apresentação ao INESCTEC.OCEAN, um projeto liderado pelo INESC TEC que, ao longo dos próximos seis anos, vai procurar promover o desenvolvimento de setores emergentes do Mar em Portugal.

Resultado de uma candidatura bem-sucedida – coordenada pelo Professor Emérito da Universidade do Porto e antigo presidente do Conselho de Administração do INESC TEC – ao concurso Teaming for Excellence do programa Widening do Horizonte Europa, aquele que será o quinto Centro de Excelência português – o primeiro na área do Mar – terá como foco a investigação e desenvolvimento nas áreas das energias renováveis offshore, da monitorização do mar profundo, da avaliação de impacto ambiental das atividades humanas no mar ou da aquacultura offshore.

A criação de uma rede de infraestruturas tecnológicas onshore e offshore para desenvolver e testar tecnologia, a formação avançada de recursos humanos, e a aproximação da ciência ao mundo empresarial são outras apostas do projeto.

A nível nacional, o INESCTEC.OCEAN conta com o envolvimento da Fórum Oceano, Cluster do Mar Português, e da APDL – Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo. A estes parceiros junta-se a participação do Centro de I&D Norueguês SINTEF.OCEAN, o principal centro de investigação e desenvolvimento norueguês na área do Mar, que assumirá um papel de mentoria no processo de constituição do INESCTEC.OCEAN.

A decorrer entre 2025 e 2031, a atividade do Centro de Excelência focar-se-á em: promover avanços científicos; criar condições para uma maior cooperação entre academia, associações empresariais, incubadoras e aceleradores, entidades financiadoras e investidores; aproximar a indústria e a investigação, estimulando a inovação e a transferência de conhecimento; alavancar um conjunto de novas infraestruturas tecnológicas e readaptar outras existentes.

Investigação, formação, inovação e colaboração: o papel do INESCTEC.OCEAN

A criação do INESCTEC.OCEAN pretende dar resposta às necessidades científicas e tecnológicas de áreas emergentes, como as energias renováveis offshore, a monitorização e avaliação de impacto ambiental ou aquacultura. O novo Centro terá igualmente impacto em setores considerados tradicionais, como são as pescas ou a atividade portuária e logística.

Recorde-se que Portugal tem uma linha de costa de cerca de 2500 quilómetros e uma das maiores zonas económicas exclusivas do mundo – a quinta a nível europeu – que se estende por 1,7 milhões de quilómetros quadrados e que representa 95% do território nacional. O triângulo marítimo que se situa entre Portugal continental e os arquipélagos da Madeira e dos Açores constitui 48% de todas as águas marinhas adjacentes ao continente europeu.

“O objetivo é que o INESCTEC.OCEAN venha a ser uma referência internacional na área da engenharia oceânica, tirando partido da nossa localização face ao Oceano Atlântico, que é uma posição central. Para isso, prevemos não só a criação de quatro programas científicos, em colaboração com a indústria, dedicados a domínios de conhecimento, como são as Estruturas Marinhas, a Robótica Marinha, a Energia Oceânica e os Dados Oceânicos, mas também a participação ativa em mais de 50 projetos de cooperação com a indústria, de forma a respondermos às necessidades do mercado”, avança José Manuel Mendonça, responsável pela coordenação de alto nível da candidatura INESCTEC.OCEAN.

O Centro de Excelência vai também apostar na educação e na formação avançada de recursos humanos, ao financiar, por exemplo, bolsas de doutoramento em áreas relacionadas com engenharia oceânica.

A ligação à indústria não se fará apenas a partir de projetos colaborativos e da formação, mas também através da criação de um ecossistema que propicie a transferência de tecnologia, o surgimento de novos negócios e a atração de investimento. Assim, está prevista, entre outras, a criação de programas de afiliação à indústria, a realização de projetos piloto ou demonstrações com o envolvimento do SINTEF.OCEAN, o desenvolvimento e o licenciamento de soluções para PME e o apoio à criação de startups na área da engenharia oceânica.

Por fim, o INESCTEC.OCEAN vai criar uma rede de infraestruturas, em terra e offshore, para o desenvolvimento e teste de tecnologias, reajustando e equipando infraestruturas existentes e criando novos espaços de experimentação.

Segundo José Manuel Mendonça, “o objetivo é conseguir meios para colocar num outro nível as infraestruturas existentes, como é o caso do Hub Azul de Leixões I, do TEC4Sea, ou a plataforma de testes na Aguçadoura, Póvoa de Varzim”.

O caminho até 2031

Através das ações elencadas, o INESCTEC.OCEAN contribuirá para a atração de talento e a criação de emprego altamente qualificado, apoiará e responderá às necessidades da indústria, promovendo igualmente o surgimento de startups de base tecnológica, e disponibilizará informação de apoio à tomada de decisão acerca do uso sustentável do Mar e dos seus recursos. A previsão é que, em 2031, a atividade do projeto seja superior a 20 milhões de euros.

Até lá, o Centro de Excelência para o Mar – que ficará incubado no INESC TEC durante pelo menos quatro anos – conta com um financiamento superior a 30 milhões de euros: 15 milhões assegurados pelo Programa Horizonte Europa da União Europeia, e o restante montante pelo Governo Português, através da Fundação para a Ciência e Tecnologia e de fundos de diferentes origens.

“Foi um concurso muito competitivo e trata-se de uma candidatura muito distintiva, a nível europeu. Aliás, em Portugal só existem quatro Centros de Excelência atualmente, sendo que o INESCTEC.OCEAN foi o quinto a merecer aprovação – e é o primeiro nas engenharias e na área do Mar”, relembra José Manuel Mendonça.

Note-se que o INESC TEC tem vindo a desenvolver, ao longo dos últimos anos, múltiplos projetos na área do Mar, que atualmente representam cerca de 10% da atividade de investigação do Instituto. Nos últimos seis anos, esta angariação de financiamento de projetos de I&D com aplicação marinha e marítima passou de quatro milhões de euros/ano (2017) para mais de 13,3 milhões/ano (2022), contando com uma equipa superior a 70 investigadores.

O INESC TEC tem ainda a seu cargo a liderança de infraestruturas tecnológicas como o Hub Azul de Leixões I, a CEO – Companhia da Energia Oceânica e a TEC4Sea, da qual faz parte o navio de investigação Mar Profundo. Universidade do Porto - Portugal


Angola - Qualidade do ensino das línguas tem impacto na literatura

A qualidade do ensino das línguas, sobretudo, o português por ser a mais falada, tem impacto positivo na produção literária no país, afirmou, em Luanda, o escritor e poeta Ras Nguimba Ngola

Em declarações ao Jornal de Angola, disse que a literatura é uma arte que tem como instrumento primordial o uso da língua, por isso, o ensino da mesma é fundamental. O escritor explicou que a literatura socorre-se muito ao ensino e à educação.

Mas, se o ensino apresentar muitas debilidades, detalhou, então, as pessoas poucas domínios terão da língua falante. Resumiu que poucos escrevem e nem lêem nas línguas nacionais, razão pela qual, acredita ser um desafio grande das instituições académicas ligadas ao ensino das línguas em promover os idiomas locais, de maneira que os autores tenham domínio das mesmas.

Ras Nguimba Ngola contou que está a preparar uma nova obra literária, para o ano de 2025. O livro, argumentou, será no estilo prosa, cujo pano de fundo é a violência doméstica nos dois sentidos: do homem para com a mulher e vice-versa. “Estamos a preparar mais uma obra literária e esperamos apresentar no primeiro semestre do próximo ano”.

O também poeta apontou Jomo Fortunato, Lopito Feijóo, José Luís Mendonça, Trajanno Nankhova Trajanno (em memória), João Mayomona, Abreu Paxi, David Mestre, João Tala e Pepetela como referências na literatura.

Estes homens das letras, disse, foram as referências locais que o ajudaram a compreender melhor o texto poético, a forma da poesia. Quanto à observação que faz da literatura actualmente, Nguimba Ngola respondeu que, tem uma dinâmica boa. “Os escritores das gerações anteriores continuam na mesma dinâmica e a publicar, este fenómeno, continua a ficar cada vez mais visível, mas, temos ainda deficiência na questão da própria produção literária”, alertou. Armindo Canda – Angola in “Jornal de Angola”


Macau - Êxodo de portugueses leva a Região a encerrar mercado após 130 anos de história

A associação de vendedores de Macau disse à Lusa que o êxodo dos portugueses explica em parte a decisão de encerrar, em 16 de dezembro, o mercado de Coloane, inaugurado há 130 anos


O Instituto de Assuntos Municipais (IAM) da região semiautónoma chinesa sublinhou que o Mercado Municipal da aldeia de Coloane, no sul de Macau, estava vazio há cerca de um mês, depois dos dois últimos vendedores terem abdicado das bancas, uma vez que “o fluxo de pessoas (…) continuou a diminuir nos últimos anos”.

Num comunicado, o IAM justificou a falta de clientes com “o desenvolvimento de Coloane, as mudanças na estrutura populacional da antiga zona urbana de Coloane e as mudanças nos hábitos de consumo dos residentes”.

Em maio de 2023, quatro membros do Conselho Consultivo para os Assuntos Municipais apontaram a partida dos portugueses de Macau como uma das razões para o declínio do mercado de Coloane.

“A maioria dos residentes portugueses que iam fazer compras no mercado regressaram ao seu local de origem para viver, tendo o número de clientes habituais diminuído significativamente”, disseram os membros.

Um deles, o presidente da Associação de Auxílio Mútuo de Vendilhões de Macau, O Cheng Wong, disse à Lusa que o mercado costumava ser popular entre os portugueses que viviam na aldeia, mas que estes “foram partindo aos poucos”.

“Sem portugueses em Coloane, há menos residentes”, lamentou O Cheng Wong.

O dirigente admitiu que os turistas de Hong Kong e da China continental regressaram às ruas da antiga aldeia piscatória depois da pandemia, mas numa altura em que “já não havia nada para comprar” no mercado de Coloane.

O IAM garantiu que a decisão de encerrar o mercado foi tomada depois de analisar “a distribuição de pontos de abastecimento de alimentos frescos” na aldeia e de “ouvir as opiniões da comunidade de Coloane”.

“Há muito tempo, o IAM disse que queria renovar o mercado. Esteve em planeamento durante muitos anos, mas nada aconteceu”, lamentou O Cheng Wong.

O IAM, liderado por José Tavares, garantiu que está a levar a cabo um estudo para revitalizar o edifício, inaugurado em 1893.

O instituto prometeu consultar o público “através de diferentes canais”, antes de decidir qual será o uso a dar no futuro ao edifício, para “fazer uma boa utilização dos recursos públicos”.

Durante a pandemia, Macau viveu três anos de crise económica, que levaram à subida do desemprego, e a cidade foi ainda afetada pela política ‘zero covid’, que incluía a restrição das entradas e quarentenas que chegaram a ser de 28 dias.

Não há dados oficiais sobre o número de cidadãos portugueses que abandonaram o território durante a pandemia.

A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal em Macau apontava para mais de 100 mil portadores de passaporte português entre os residentes nas duas regiões semiautónomas chinesas de Macau e Hong Kong. In “Plataforma” - Macau com “Lusa”


Para marcar os 90 anos de Goiânia

Com 16 textos extremamente ricos em pesquisas, obra traça o percurso histórico da capital de Goiás  

           I

Uma profunda reflexão sobre a história de Goiânia é o que o leitor vai encontrar em Goiânia, 90 Anos (Coleção Goiás +300, Instituto Histórico e Geográfico de Goiás - IHGG), obra lançada em 2024 dentro do programa de comemoração dos 90 anos de existência da cidade e que reúne 16 textos apresentados durante simpósio realizado nos dias 18, 19 e 20 de outubro de 2023, nas dependências do IHGG, por historiadores, professores universitários, ativistas culturais e técnicos em planejamento. A primeira parte do livro aborda aspectos históricos, enquanto a segunda apresenta artigos que tratam de temas relacionados ao urbanismo e à arquitetura, ficando a terceira seção reservada à discussão de elementos culturais e estéticos.

No texto de apresentação, os organizadores do livro lembram que “Goiânia representou a imposição do espírito humano sobre a natureza agreste do cerrado, mas também é um exemplo do preço alto que pagamos por tamanha ousadia. Em busca da harmonia geométrica de ter uma cidade com praças circulares ou quadradas, ruas retas ou curvilíneas, árvores foram arrancadas; córregos, soterrados; morros, aplainados, e brejos drenados. O resultado, sem dúvida, é uma bela e imponente cidade”, lê-se no texto assinado por Eliezer Cardoso de Oliveira, Jales Guedes Coelho Mendonça, Nars Fayad Chaul e Nilson Jaime.

No artigo “Os 10 anos do livro A invenção de Goiânia: o outro lado da mudança e os rastros de genocídio cultural”, Jales Mendonça, promotor de Justiça, doutor em História e presidente do IHGG, autor da obra citada, lançada em 2013 pela Editora da Universidade Federal de Goiás (UFG), ao observar que, dez anos depois, as hipóteses lançadas ali foram todas reafirmadas, faz também uma rememoração das várias experiências de deslocamento de capitais ocorridas no mundo, entre as quais se destaca especialmente a construção da monumental São Petersburgo, na Rússia, pelo czar Pedro, o Grande (1672-1725). 

E destaca que, igualmente no Brasil, ocorreram pelo menos três vezes esse fenômeno: a mudança da sede administrativa de Salvador para o Rio de Janeiro e do Rio de Janeiro para Brasília e, em Minas Gerais, de Ouro Preto para Belo Horizonte, depois da Proclamação da República em 1889. Em Goiás, a movimentação começou na década de 1920 e, em 18 de maio de 1933, saía um decreto do interventor Pedro Ludovico Teixeira (1891-1979) fixando a cidade de Campinas como futuro local da nova capital. 

É de se lembrar que o médico Pedro Ludovico, com a chamada Revolução de 30, movimento que afastou temporariamente do poder as elites paulistas e mineiras, assumiu a liderança da Marcha para o Oeste, política pública engendrada pelo governo de Getúlio Vargas (1882-1954) durante o Estado Novo (1937-1945) para aumentar a densidade demográfica e o desenvolvimento das regiões Centro-Oeste e Norte do País.


                  II

Obviamente, a mudança da capital para Goiânia só ocorreu depois de muitas discussões e pressões políticas, especialmente por parte daqueles que se sentiam prejudicados com a saída da capital da tradicional Cidade de Goiás, a antiga Vila Boa. A região do antigo arraial de Campinas, fundado em 1816, assentado em terreno plano junto ao rio Meia Ponte e habitado por agricultores e criadores de gado, era conhecida por Campanha dos Dourados e seu desbravamento deu-se, a rigor, a partir da construção de uma capela entre os anos de 1813 e 1814, conforme se lê no texto “Campinas, a Igreja e Goiânia”, de autoria de Antônio César Caldas Pinheiro, doutor em Documentação pela Universidade de Salamanca, Espanha, e diretor do Instituto de Pesquisas e Estudos Históricos Brasil Central (IPEHBC/PUC-Goiás). Hoje, Campinas é um bairro de Goiânia bastante movimentado por abrigar grande concentração de estabelecimentos comerciais.

A história pregressa de Goiânia pode ser muito bem acompanhada também no texto “Goiânia: os impactos de sua criação em Campinas”, de Itaney F. Campos, desembargador do Tribunal de Justiça de Goiás e membro do IHGG e da Academia Goiana de Letras (AGL), em que se lê que, no começo do século XIX, Campinas seria um vilarejo composto de apenas 20 ou 30 casas, “plantado na solidão das planícies da região central da Província de Goiás”. 

Já no texto “Goiânia, entre o racionalismo da técnica e o pragmatismo da política”, de Eliézer Cardoso de Oliveira, doutor em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB) e professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG)-campus Anápolis, o leitor vai descobrir a razão da escolha do nome de Goiânia para a nova capital, nascido a partir de um concurso promovido por um jornal local em 1933. O nome Goiânia foi menos votado que Crisópolis, Heliópolis e Petrônia, mas acabou por ser escolhido por decisão pessoal do interventor Pedro Ludovico. 

Aliás, neste artigo, o autor observa também que a escolha do local foi outra imposição do interventor, depois de uma disputa com a cúpula religiosa que defendia a escolha de Bonfim, localidade próxima e que hoje constitui o município de Silvânia, nome adotado em 1943. 

    

                  III

Na seção “Arquitetura e Urbanismo”, um artigo que se destaca é “Goiânia, cidade bem-nascida: convivência com a capital desde a infância” no qual Narcisa Abreu Cordeiro, arquiteta e urbanista e sócia do IHGG, observa que na Goiânia dos primeiros tempos, além dos edifícios administrativos, começaram a surgir as chamadas casas populares, enquanto as famílias com maior poder aquisitivo construíam residências com características art déco, hoje em boa parte já demolidas. “Com o advento da chegada da estrada de ferro e a construção de Brasília, Goiânia foi saindo do patamar do ecletismo para o modernismo, com influência de Le Corbusier (1887-1965) e outros mestres internacionais”, acrescenta. 

No artigo “Marcos da arquitetura em Goiânia (1930-1980)”, Eurípedes Afonso da Silva Neto e Lenora de Castro Barbo, ambos doutores em Arquitetura e Urbanismo pela UnB, explicam que a art déco está presente em edifícios como o Palácio das Esmeraldas, sede do governo, na residência de Pedro Ludovico e em mais 20 edifícios e monumentos públicos, tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2023, tendo como relator o historiador goiano Paulo Bertran (1948-2005). Mas lembram que há outros estilos de construção que marcam as diferentes épocas vividas pela cidade. 

Vale apontar, na última parte do livro, o texto “Goiânia, 90 anos”, em que Nasr Fayad Chaul, doutor em História Social pela Universidade de São Paulo USP) e professor titular aposentado da UFG, diz que “os principais prédios públicos simbolizavam o Uno Estado Novista, as principais ruas canalizavam seu destino para o centro do poder”. E chama a atenção para um teatro de art nouveau cravado no meio do Planalto Central, observando que, arquitetonicamente, Goiânia foi “o símbolo do moderno e do urbano em solo rural”.  

Diz mais: “Projetada para pouco mais de 50 mil habitantes, (Goiânia) não pensou em ter milhões de pessoas a sua volta, multiplicando casas, vilas, prédios e pressões urbanas”.  E a define em linguagem metafórica: “Com 90 anos, já é avó de seus problemas, sem controle de seus meninos de rua, sem dar palmatória desejada nas mãos de sua violência aterradora, sem resolver suas crises de menopausa de toda ordem. Apenas senhora de suas lições pelos caminhos de Goiás”.

Enfim, como reconhecem os organizadores da obra ao final do texto de apresentação, “a cidade ainda tem problemas que não foram resolvidos, já que continua violenta e socialmente desigual”. Mas, com seus modernos e gigantescos edifícios e com uma população superior a 1,4 milhão de habitantes, segue deslumbrante rumo aos 100 anos. 

Ainda na última seção, é de se destacar o texto em que Nilson Jaime, engenheiro agrônomo e doutor em Agronomia pela UFG e sócio do IHGG, traça o perfil de Bernardo Élis (1915-1997), o único goiano a obter assento na Academia Brasileira de Letras (ABL).  No texto “O cronista e historiador Bernardo Élis: arquétipo de um cidadão geral que adotou a erma Goiânia”, Jaime lembra que, no livro Goiás em sol maior (1985), o escritor conseguiu sintetizar, em 16 páginas, os principais acontecimentos que redundaram na criação daquela que tornar-se-ia a décima mais populosa cidade brasileira (IBGE, 2022).

         IV

Diante do pouco espaço que permite uma recensão e na impossibilidade de se citar os demais textos que compõem esta obra, diga-se que todos são de esmerada feitura e apurada pesquisa e que, com certeza, muito auxiliarão nas reflexões críticas que se possam fazer daqui para frente, lembrando-se que, em 2033, a propósito da celebração do centenário de Goiânia, haverá ainda a oportunidade de se aprofundar a discussão sobre o passado e o futuro desta metrópole que, com Brasília, marcou o avanço do Brasil rumo ao Oeste.  

É de se lembrar ainda que, iniciada no dia 1° de fevereiro de 2022, a Coleção Goiás +300 prevê a publicação, até 2026, de mais 18 livros, contidos em seis boxes, sobre a historiografia dos seguintes temas: História – Geografia – Memória e Patrimônio (Box 1); Cronistas e Viajantes – Literatura – Povos Originários (Box 2); Povos Afrodiaspóricos – Música – Mulheres (Box 3); Brasília – Agricultura – Direito e Justiça (Box 4); Economia – Direitos Humanos – Goiânia (Box 5); e Os primeiros arraiais – Sustentabilidade – Educação (Box 6). As obras estão sujeitas a um Conselho Editorial, formado por 30 doutores e mestres, de diversas instituições culturais e científicas. Adelto Gonçalves - Brasil

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Goiânia, 90 Anos, de Eliézer Cardoso de Oliveira, Jales Guedes Coelho Mendonça, Nasr Fayad Chaul e Nilson Jaime (organizadores). Goiânia, Edições Goiás +300, Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG), 336 páginas, 2024. Site: https://ihgg.org E-mail: ihgg@ihgg.org

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Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003; São Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´el-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015) e O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Londres, Robbin Lard, editor, 2024), lançado na Inglaterra. E-mail: marilizadelto@uol.com.br


domingo, 24 de novembro de 2024

Cabo Verde - Lançamento do Livro “Filhas da Violência” aborda a violência intrafamiliar no país

O Salão Beijing, no Palácio da Presidência da República, será palco do lançamento do livro “Filhas da Violência”, da autoria de Miriam Medina, no próximo dia 25 de novembro, às 17h

A obra, que traz relatos de vítimas de violência intrafamiliar, será apresentada por Vital Moeda, Magistrado do Ministério Público e Ricardo Andrade, Diretor Nacional das Aldeias Infantis SOS.

O lançamento acontece no Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, assinalado a 25 de novembro, reforçando a importância de debater o impacto da violência doméstica no contexto cabo-verdiano.

O evento é promovido pela Comissão Nacional para os Direitos Humanos e a Cidadania (CNDHC), em parceria com a autora. In “A Nação” – Cabo Verde