Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 25 de julho de 2015

Cabo Verde – Corsino Fortes

Morreu o nosso Poeta. Morreu Corsino Fortes. O poeta partiu esta sexta-feira, depois de uma luta contra o cancro.

Corsino Fortes escolheu morrer no Mindelo, cidade à qual regressou, na fase terminal da doença, a seu pedido, para que em São Vicente se despedisse da vida material, porque eterna e imortal será para sempre a sua obra.
Corsino António Fortes nasceu em São Vicente, em 1933. Licenciou-se em Direito, pela Universidade de Lisboa (1966), tendo integrado vários governos em Cabo Verde. Foi presidente da Associação dos Escritores Cabo-verdianos e presidente da Academia Cabo-verdiana de Letras, desde a sua fundação em 2013.

Publicou os primeiros poemas no Boletim dos Alunos do Liceu Gil Eanes, no Boletim de Cabo Verde e na revista Claridade. Com a publicação de Pão & Fonema em 1974 estabelece-se como uma das vozes mais válidas da poesia cabo-verdiana. A originalidade tanto formal como artística que patenteou logo no primeiro livro de poemas viria a ser confirmada em duas outras obras, Árvore & Tombor (1986) e Pedras de Sol & Substância (2001), que fecham a trilogia. Também em 2001 publica A Cabeça Calva de Deus que reúne os três livros anteriormente publicados. Numa entrevista concedida na altura, explicou assim a essência da sua trilogia poética: 


“Acaba por ser todo o projeto de independência do povo de Cabo Verde, em que Pão & Fonema representa, de facto, os símbolos daquilo que é fome, daquilo que é a realidade de Cabo Verde durante séculos, e, por outro lado, a exigência pela palavra, liberdade e cultura. Em Árvore & tambor já há a materialização do “pão”, no sentido dos instrumentos de produção do país e toda a comunicabilidade do arquipélago com África e o mundo. Pedras de sol & substância é a substancialização solar desta realidade. Há uma materialização de aspectos, não só de ordem literária, mas também de ordem pictórica e musical. É tudo aquilo que pode significar a identidade deste espaço, e dos que o habitam, dentro e fora do arquipélago.”


Corsino Fortes foi, em diversas ocasiões distinguido pela sua actividade político/diplomática, mas só recentemente recebeu uma das poucas distinções da sua já longa carreira poética: o prémio literário 40º Aniversário de Independência de Cabo Verde, no valor de 500 mil escudos.

De resto, Corsino Fortes preocupou-se mais com os valores imanentes da sua obra do que com qualquer falso brilho a que os prémios literários estão muitas vezes associados, como revelou numa entrevista concedida no ano passado ao Expresso das Ilhas:

Expresso das Ilhas – É um dos expoentes máximos da literatura cabo-verdiana, mas a sua obra raras vezes foi premiada. A que se deve este paradoxo?

Corsino Fortes – O fundamental para mim é nós reconhecermos os valores que temos em Cabo Verde. Somos um pequeno país e se aparece uma pessoa ou instituição interessada na divulgação da nossa literatura é necessário colaborar. Nos fóruns internacionais temos feito todos os possíveis para que também escritores cabo-verdianos sejam mais conhecidos. Fico satisfeito por ter sido convidado há uns anos como jurado do Prémio Camões e com a minha presença e com ajuda dos outros jurados consegui que o prémio viesse para Cabo Verde, tendo sido atribuído a Arménio Vieira [2009]. Rejubilo-me com isso”.

Aliás foi nesta entrevista que o poeta anunciou em primeira mão a publicação do livro Sinos de Silêncio, cujo lançamento aconteceu esta quarta-feira, 22 de Julho de 2015, na Biblioteca Nacional, na Praia, um dia depois de ter sido apresentado no Mindelo, em São Vicente. In “Expresso das Ilhas” – Cabo Verde

Sobre o Grande Prémio Literário Vida e Obra atribuído pela Academia Cabo-Verdiana de Letras este ano a Corsino Fortes poderá aceder ao texto publicado no “Baía da Lusofonia” aqui.

CE-CPLP – Entrevista a Salimo Abdula












“Países como a Guiné Equatorial terão benefícios em abrir-se ao mundo. Foi o penúltimo país que visitámos e surpreendeu-nos. Podem colocar-se várias questões, mas se os cidadãos têm uma qualidade de vida melhor que grande parte dos países africanos, estamos a discutir o mais importante?”

Os constrangimentos são muitos, mas o presidente da Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) não tem dúvidas: o caminho é maior integração. Em Lisboa para uma conferência de empresas exportadoras organizada no final de Junho, Salimo Abdula pediu liberdade de circulação de pessoas e capitais.

Foto: Bruno Simões

Jornal de Negócios - É difícil identificar a actividade da confederação. Somos nós que andamos distraídos ou têm sido pouco activos?

As duas coisas. Aquela CPLP com base na língua e na cultura fazia sentido até ao momento, mas se não criássemos alguma consistência, iria desmoronar-se.

N - O objectivo da confederação é ser o braço económico da CPLP?

Os empresários apelaram a outra postura, uma solução para a imagem desgastada da CPLP. Um dos nossos grandes objectivos é que haja livre circulação de bens, capitais e serviços. Não faz sentido chamar-lhe comunidade, quando não podemos circular dentro de casa. Se estiver numa casa, mas tiver de ficar no seu quarto, não se considera parte da família. A língua representa cerca de 17% dos custos das empresas, mas só tem efeito económico se for potenciado pela livre circulação. Queremos também criar a marca CPLP para identificar produtos da comunidade.

N - Em alguns casos a marca nacional não é mais forte? Estou a pensar no Brasil.

Tem toda a razão, mas se começamos com os problemas não temos soluções. O nosso lema é: “se queres ir rápido, vai sozinho; se queres ir longe, vamos juntos.” É um sonho. Mas temos de começar por algum lado. Temos de eliminar tabus.

N - Que tabus?

O factor de colonizados e colonizadores [existiu] sempre... Mas passaram 40 anos. É muito tempo. Não podemos fazer das gerações vindouras reféns. Temos de ser pragmáticos. A CPLP está estrategicamente colocada: nove países, quatro continentes. Podemos oferecer lazer de qualidade, grande produção de alimentos e dentro de duas décadas representaremos 25% do “oil and gas”. Portugal teria mais a ganhar com urna inserção pragmática na CPLP. Está a gerir a sua actualidade, hipotecando o seu futuro. O presente se calhar é a União Europeia, mas no futuro terá mais benefícios em juntar-se à causa da CPLP.

N - Para um empresário português que queira Investir em alguns países da CPLP, a aplicação da lei ainda é um problema?

Sim, tem de ser melhorado. Há dificuldades, mas também grandes oportunidades. Primeiro temos de abrir e depois gerir a abertura. Sou moçambicano e vejo dificuldades para um empresário sul-africano operar em Moçambique. Acha aquilo muito corrupto. Mas não é! O problema é a cultura de negócios, que é totalmente diferente. Um português vai entender muito mais rápido.

N - Não sei se isso é um elogio...

É um elogio porque nos entendemos.

N - Como se compatibilizam regimes tão diferentes como a Guiné Equatorial ou até Angola com países como Portugal ou Brasil?

Dei o exemplo de uma casa para falar de comunidade. Nem todos os irmãos são iguais. Uns são doutores, outros são pedreiros, outros são marginais. Mas pertencemos à mesma família e temos de conviver. Não nos vamos intrometer na soberania de cada país, vamos buscar sinergias positivas. Países como a Guiné Equatorial terão benefícios em abrir-se ao mundo. Foi o penúltimo país que visitámos e surpreendeu-nos. Podem colocar-se várias questões, mas se os cidadãos têm uma qualidade de vida melhor que grande parte dos países africanos, estamos a discutir o mais importante?

N - Muitas vezes o investimento angolano em Portugal é muito criticado. Isso incomoda-o?

Bem-haja Angola por investirem Portugal e não noutro país. Portugal tem dificuldades, precisa de criar emprego e estes países irmãos podem ser uma solução. Nuno Aguiar – Portugal in “Jornal de Negócios”


Perfil – A face empresarial da CPLP
Natural de Moçambique, Salimo Abdula é um empresário que começou este ano a cumprir o mandato de quatro anos à frente da Confederação Empresarial da CPLP. Foi eleito por unanimidade dos nove países. Abdula é ainda presidente da Mesa da Assembleia Geral da Confederação das Associações de Económicas de Moçambique, presidente do Conselho de Administração da lntelec Holdings. S.A. e presidente de Conselho de Administração da Vodacom Moçambique.

Moçambique – Exportações de açúcar

As exportações de açúcar na campanha de 2015/16 poderão registar um crescimento na ordem de 19%, atingindo um nível de 305.688 toneladas métricas, com os rendimentos de exportação a diminuir até menos de 110 milhões de dólares norte-americanos.

Os principais mercados de exportação continuam a ser a União Europeia, os Estados Unidos e os mercados regionais.

Segundo dados a serem aflorados hoje, no distrito da Manhiça, província de Maputo, durante um encontro para debater os desafios da Indústria do Açúcar, tanto que a queda das receitas de exportação deste produto resulta da redução de preços no mercado internacional.

De acordo com os mesmos dados, a indústria açucareira continua a dar precedência ao mercado nacional alargando a distribuição em todo o país através de uma rede de 17 depósitos de vendas.

Estes armazéns permitem uma projecção em todas as províncias, garantindo a disponibilidade do açúcar em todo o país, independentemente da distância em relação às fábricas.

O sistema de distribuição promove a participação local na troca de valor através de relações comerciais com os grossistas locais. A activação da procura é apoiada por campanhas de comercialização e publicidade.

Referem os mesmos dados que a indústria açucareira produziu 422.622 toneladas métricas de açúcar durante a campanha de 2014/15, um aumento de 11% em relação ao ano anterior. Na mesma altura foram distribuídos no mercado nacional 141.434 toneladas métricas e o restante foi exportado.

Refira-se que o sector açucareiro sofreu um grande revés durante o último conflito armado, tendo quase todas as fábricas sido destruídas e os campos de cana abandonados, fazendo com que o país dependesse em cerca de 100 por cento da importação dos países vizinhos, com destaque para África do Sul, Suazilândia e Zimbabwe.

Foi neste contexto que, com o financiamento de instituições financeiras internacionais, investiu-se num projecto de relançamento da indústria, tendo em conta o seu papel estratégico não só para as exportações, como também para a criação de postos de trabalho.

Os investimentos privados realizados em quatro das seis fábricas, nomeadamente nas açucareiras de Marromeu, Mafambisse, Xinavane e Maragra totalizam 800 milhões de dólares

No ano da cessação do conflito armado, quando a produção de açúcar em Moçambique era de apenas 13.000 toneladas métricas, resultantes de uma área plantada de cana sacarina de 3941 hectares, representando escassos postos de trabalho, tanto directos como indirectos.

Neste momento o sector açucareiro emprega mais de 35.000 trabalhadores entre permanentes e sazonais. São empregos que ocorrem em áreas rurais e menos desenvolvidas.

O seminário a decorrer nas instalações da Açucareira de Xinavane será dirigido pelo ministro da Indústria e Comércio, Max Tonela, contando com a participação de quadros superiores da Illovo Sugar Ltd, Grupo Tereos SA e Tongaat Hulett Sugar Ltd, multinacionais que são accionistas das açucareiras da Maragra, Marromeu, Mafambisse e Xinavane congregados na Associação dos Produtores de Açucar de Moçambique (APAMO) e DNA – Distribuidora Nacional de Açúcar, bem como dos respectivos directores-gerais. In “Jornal de Notícias” - Moçambique

Brasil - Comércio exterior: um balanço

SÃO PAULO – Até há pouco tempo, quando se tinha de pedir maiores esforços do governo para ajudar na inserção do Brasil no comércio internacional, costumava-se argumentar que uma economia considerada a sétima maior do mundo em Produto Interno Bruto (PIB) não podia se contentar com uma participação de pouco mais de 1% em tudo o que se vende e compra no planeta. Pois bem, a partir de 2016, esse argumento terá de ser revisto porque, provavelmente, essa participação será inferior a 1%, o que é lamentável porque, em 2011, esse índice chegou a 1,41%.

Segundo dados da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), as exportações deverão fechar 2015 com queda de 15% em relação a 2014, alcançando US$ 191,3 bilhões, enquanto as importações deverão cair 20%, somando US$ 183,2 bilhões. Prevê-se, portanto, um superávit de US$ 8 bilhões contra um déficit de US$ 3,9 bilhões em 2014, o que, a princípio, seria motivo de comemoração, mas é preciso ver que esse saldo favorável não será gerado pelo crescimento das vendas externas.

A situação só não é pior porque o agronegócio brasileiro vai bem. Basta ver que os dez principais produtos de exportação são commodities. Só o 11º produto é manufaturado (aviões), ou seja, um produto de maior valor agregado, que estimula a cadeia produtiva e gera empregos. Hoje, China, Estados Unidos, Países Baixos, Alemanha e Rússia representam 53% das exportações do Brasil, importando principalmente soja, carnes, café, produtos florestais e fumo.

Só que desde o começo do ano os preços das commodities só fazem cair porque muitos dos principais compradores estão crescendo menos e reduzindo as importações. Com os preços das commodities em queda, o baixo crescimento do Brasil e da América Latina só tende a se prolongar indefinidamente. Como o País não cresce, também não importa bens de capital nem bens intermediários para a produção. E isso resulta no sucateamento do seu parque industrial.

A esperança é que a melhoria da taxa de câmbio ajude nas vendas de manufaturados, principalmente para os Estados Unidos. Aliás, a previsão da AEB é que as exportações de manufaturados tenham um aumento de 5,94% até o final do ano, como resultado da política de reaproximação com os Estados Unidos iniciada em janeiro com o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, depois de mais de doze anos de desconfianças e retaliações veladas de parte a parte. Só resta esperar. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.




sexta-feira, 24 de julho de 2015

Bolívia - A um passo de ter acesso ao Atlântico pelo Porto de Paranaguá

Um grupo de técnicos da Bolívia viajará para Brasília em agosto para afinar detalhes do acesso que o país terá ao porto atlântico de Paranaguá, combinado pelos governos há 25 anos, informaram fontes parlamentares.

O acesso ao porto de Paranaguá estava previsto em um tratado assinado por Brasil e Bolívia em agosto de 1990, mas por razões que “ninguém pode explicar” o governo brasileiro demorou 15 anos para enviá-lo à Câmara dos Deputados, disse o senador Roberto Requião (PMDB-PR).

O acordo permaneceu engavetado durante uma década e foi finalmente aprovado em junho, quando passou ao Senado, que “só precisou de 15 dias” para ratificá-lo, explicou Requião.

Como foi estipulado há 25 anos, a Bolívia poderá ter acesso a um “depósito franco” no porto de Paranaguá, no Paraná, considerado um dos maiores terminais de grãos da América Latina.

Através desse depósito, a Bolívia poderá realizar operações de importação e exportação e obterá uma saída direta ao oceano Atlântico que permitirá diversificar seu comércio.

Missão técnica

Segundo Requião, os detalhes logísticos serão discutidos pela missão técnica boliviana que viajará para Brasília em agosto para discutir o assunto com autoridades da Secretaria de Portos e do Ministério de Transporte.

A Bolívia reivindica do Chile uma saída ao Pacífico, perdida em uma guerra no século XIX e entrou com uma ação na Corte Internacional de Haia em 2013.

Os prazos para que o país andino possa aproveitar a saída ao Atlântico oferecida pelo Brasil “agora dependerá da Bolívia”, disse Requião, que sustentou que o governo brasileiro tem plena disposição para agilizar os trâmites burocráticos necessários.

Um dos aspectos que serão negociados em agosto trata das dimensões do espaço que será cedido ao “depósito franco” para a Bolívia, e sobre os custos dessas instalações. In “Gazeta do Povo” - Brasil

Portugal – A viola braguesa

Certificação da viola braguesa deu mais um passo com o registo da marca e do logotipo. Próxima etapa é a elaboração do caderno de especificações. Tudo em nome da qualidade e autenticidade.

Foi dado mais um passo no processo de certificação da viola braguesa que já tem um logotipo e marca registada em nome do município de Braga.

O logotipo foi ontem apresentado pela entidade promotora, a Câmara Municipal de Braga, e pela entidade certificadora a Associação de Desenvolvimento Regional do Minho (Adere-Minho) conferindo uma ‘imagem de marca’ a este produto e marcando “uma fase crucial do trabalho conducente à certificação da viola braguesa” como realçou o vereador do Património, Miguel Bandeira.


A próxima etapa da certificação é a elaboração do caderno de especificações.

A directora-geral da Adere-Minho, Teresa Costa, avançou ontem que a equipa que vai fazer o levantamento de onde existem produtores, o seu número e onde existiram historicamente avança para o terreno no próximo mês.

Feito o caderno de especificações, segue o pedido de indicação geográfica e o último passo será a constituição da comissão de acompanhamento para a certificação.

Em relação à marca, já registada, Teresa Costa explicou que ela serve para “proteger o nome e o próprio produto”.

Para o vereador do Património, “é inequívoco que a viola braguesa reporta a Braga”, até porque grande parte da indústria que a produz está confinada a Braga.

Presente na apresentação do logotipo da viola braguesa, também o presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio circunscreve a viola braguesa ao território de Braga onde se concentra um vasto número de produtores de referência deste instrumento.


O edil bracarense desafiou mesmo a estudar, no futuro, “o impacto económico” desta indústria.

Ricardo Rio afirmou que “é prioridade do executivo a valorização do vastíssimo património que Braga tem para oferecer em primeiro aos bracarenses e a todos os que nos visitam” explicou a opção pelo cavaquinho e pela viola braguesa, acreditando que o processo de certificação desta última “trará vantagens consideráveis no sentido, não só de garantir a preservação do instrumento, mas também que a sua produção é feita com padrões de qualidade”. In “Correio do Minho” - Portugal

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Brasil – UNILAB completou cinco anos










“Essa integração com outros países possibilita-me qualificar e depois contribuir com o meu país, onde não teria oportunidade de estudar em um curso de Humanas, pois lá a realidade econômica e social é diferente”. Beto Infandé, estudante guineense

“Estou realizando um grande sonho da minha vida, que é-me formar. Eu sou o primeiro da minha família a ter ensino superior e espero que meus irmãos me tenham como exemplo”. Walef Santos, estudante brasileiro do município de Acarape-Ceará

Foi reunindo em sua vocação institucional os desafios da internacionalização e da interiorização do ensino superior que a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, a Unilab, foi criada em 20 de julho de 2010, por meio da Lei Federal nº 12.289. Beto e Walef são exemplos dos mais de 3500 estudantes que a Unilab já reuniu nesses cinco anos de existência.

Juntar países africanos (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe) e Timor-Leste com municípios do interior do Ceará e da Bahia nem de longe tem sido uma tarefa fácil. A tão bonita e inspiradora integração presente na lei vem se concretizando aos poucos, em um espaço de desafios, conquistas, conflitos, incompletudes e superações. Se o ambiente acadêmico, por si só, já é campo de múltiplos olhares e conflitos de ideias, a internacionalização na perspectiva de cooperação Sul-Sul e a interiorização no Nordeste do Brasil tornam ainda mais complexa e singular a experiência da Unilab.

Entre a lei de criação, em 2010, e o início das atividades letivas, em 25 de maio de 2011, foram muitos os trabalhos de organização administrativa e acadêmica. A Aula Magna no Campus da Liberdade, em Redenção/CE, acontecia no Dia da África, data alusiva à fundação da Organização da Unidade Africana (OUA). Além disso, 2011 consagrou-se como o Ano Internacional dos Afrodescendentes, pela Resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas. Não por acaso foi também em 20 de julho de 2010 que foi instituído o Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288). Unilab chega aos cinco anos com 2625 estudantes na graduação e 873 na pós-graduação Entre estudos e missões de prospecção aos países parceiros realizados pela comissão de implantação, foram identificadas inicialmente para atuação prioritária as áreas de agricultura, saúde coletiva, educação básica, gestão pública, tecnologias e desenvolvimento sustentável. Essas áreas foram as bases que deram origem aos primeiros cursos de graduação da Unilab.

Em cinco anos, já são 14 cursos: Administração Pública, Agronomia, Antropologia, Bacharelado em Humanidades, Ciências Biológicas, Enfermagem, Engenharia de Energias, Física, História, Letras-Língua Portuguesa, Matemática, Pedagogia, Química e Sociologia. Em novembro de 2014, a Unilab realizou sua primeira colação de grau, com o curso de Bacharelado em Humanidades. Atualmente, a graduação reúne 2625 estudantes em campus nos municípios de Redenção e Acarape, no Ceará, e em São Francisco do Conde, na Bahia. Na pós-graduação, são 873 estudantes distribuídos em quatro cursos de especialização, oferecidos na modalidade a distância, e em dois programas de mestrado: Mestrado Acadêmico em Sociobiodiversidade e Tecnologias Sustentáveis (Masts) e Mestrado em Humanidades, este último com início previsto para o segundo semestre de 2015.


Através dos cursos a distância, a Unilab está presente em 68 cidades, sendo 55 no Ceará e 13 na Bahia. O desafio de construir conhecimento no contexto da integração A Unilab conta hoje com 48 grupos de pesquisa cadastrados e certificados na base de dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-graduação realiza a gestão de 3 bolsas de pesquisa: o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica e Tecnológica (Bict/Funcap) e o Ciência sem Fronteiras. Cada uma dessas iniciativas tem por objetivo comum fomentar o desenvolvimento do pensamento crítico e a produção científica de docentes e discentes no contexto da integração, com vistas ao fortalecimento do eixo pesquisa na instituição. Ações de extensão, arte e cultura buscam diálogo entre a Unilab e seu entorno.

Na extensão, há dezenas de projetos que envolvem o diálogo entre a academia e a comunidade externa. O edital mais recente do Programa de Bolsas de Extensão, Arte e Cultura (Pibeac) contemplou 49 projetos de caráter educativo, científico, tecnológico, cultural, esportivo e artístico, contribuindo para a formação cidadã e apoiando a articulação Universidade-Sociedade. Na arte e cultura, um dos grandes destaques foi a aprovação do Plano de Cultura da Unilab no edital nacional “Mais Cultura nas Universidades”. A Unilab ficou em 10º lugar no ranking nacional e em 2º lugar entre as instituições contempladas da região Nordeste, sendo a única selecionada do estado do Ceará. O recurso de R$ 1.118.490,38 contemplará 20 projetos que serão desenvolvidos nas regiões do Maciço do Baturité, no Ceará, e do Recôncavo Baiano, na Bahia. UNILAB - Brasil