Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 13 de março de 2025

Mulher vira tema de debate e viraliza

A data do 8 de março, Dia da Mulher, transcorria tranquila e, no calendário online se podia ler "que o objetivo central desse dia é convidar a sociedade a refletir sobre a condição feminina no mundo e a debater a questão da igualdade de direitos entre mulheres e homens... sem as diferenças biológicas entre os sexos sejam utilizadas como pretexto para diminuir o valor da mulher". Entretanto, esse voto piedoso, sacralizado pela própria ONU, que oficializou a data em 1975, tem uma origem de fundo político e constitui uma conquista social.

Como a data evoluiu e se integrou mesmo dentro das famílias, nas quais as esposas e mães costumam ser homenageadas por buquês de flores por seus maridos e filhos, já havendo mesmo uma incorporação da data pelo comércio, associações e entidades religiosas. Mas de onde veio essa iniciativa responsável pela criação do Dia Internacional da Mulher? Para evitar discussões de fundo político, o mais aconselhável é o de se recorrer ao jornal O Globo, no qual se publicou com fotos e destaque a origem e o significado da data.

Como essa data acabou gerando debates e viralizou nas redes sociais, a opção de se buscar qual teria sido a origem no O Globo parece ser a mais consensual. Nele se diz textualmente ser uma data marcada por reflexões sobre a luta por igualdade de gênero, conquistas sociais e desafios ainda enfrentados pelas mulheres em todo o mundo". Sua origem "está atrelada às reivindicações de trabalhadoras no século XX".

E a primeira comemoração do Dia da Mulher teria sido no dia 19 de março de 1911, quando "mais de um milhão de pessoas protestaram pelos direitos das mulheres na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça. Nos primeiros anos, esses Dias da Mulher estavam intimamente ligados aos movimentos operário e socialista. Em 1914, foi em 8 de março que as mulheres socialistas se reuniram em Berlim, em particular para exigir o direito ao voto. O acontecimento é considerado a primeira manifestação de fato do 8 de março".

A partir de 1970, o jornal destaca: "os movimentos feministas ocidentais aproveitaram essa data simbólica para fortalecer as reivindicações por direitos políticos e sociais iguais, pela legalização do aborto e pela igualdade no mercado de trabalho". Ao restringir aos "movimentos feministas ocidentais" a data e as reivindicações, ficou claro não ser mundial, porque nem todos os países permitem às mulheres fazerem tais reivindicações e outros sequer reconhecem o direito básico da igualdade social e política da mulher com os homens. É o caso dos países islâmicos.

E aqui já começamos a entrar num terreno sujeito a divergências mesmo no chamado mundo ocidental. Podemos falar mesmo em retrocesso dos direitos adquiridos pelas mulheres nos Estados Unidos, considerado até recentemente como o país padrão em termos de direitos civis, políticos e democráticos. Mesmo porque foi em Chicago, em 1908, que se comemorou o primeiro Woman 's Day, de acordo com o jornal mensal socialista The Socialist Woman, com a reunião das primeiras 1500 mulheres pioneiras.

No ano seguinte, no dia 28 de fevereiro, o Partido Socialista estadunidense tornou nacional a data comemorativa das mulheres. Mas um retrocesso veio com a Suprema Corte anulando, em 2022, foi a decisão no caso Roe versus Wade sustentando não haver mais um direito constitucional federal ao aborto, permitindo a muitos Estados restabelecerem a proibição ao aborto.

Era esse o quadro de comemoração do Dia da Mulher, quando o atualmente mais famoso pregador religioso, desta vez um católico, com milhões de seguidores na rede social Instagran, o frade carmelita Gilson pronunciou ao vivo algumas declarações mal recebidas por influenciadores apoiadores das mulheres e do movimento feminista. Para se ter uma ideia da penetração do frade Gilson no mundo católico, basta lembrar que reuniu mais um milhão de seguidores com suas transmissões ao vivo às quatro horas da manhã.

Frade Gilson citou o primeiro livro da Bíblia, o Gênesis, no qual se narra como Deus teria criado o primeiro homem e, a seguir, usou uma de suas costelas para criar a primeira mulher. Com base nisso, com base no texto considerado sagrado, consagrou o homem como chefe do casal e da família e a mulher como sua simples auxiliadora, na contramão dos movimentos femininos e feministas que militam pela igualdade entre homem e mulher.

Embora as frases do frade Gilson, consideradas conservadoras e reacionárias não tenham sido rechaçadas pelas mulheres presentes, provocaram contestações e críticas de intelectuais, professores e mesmo de católicos, assumindo em pouco tempo feições políticas com adesões em favor do frade pelas plataformas do ex-presidente Jair Bolsonaro e do deputado federal Nikolas Ferreira, logo viralizando pelas redes sociais bolsonaristas e mesmo evangélicas.

A jornalista Madeleine Lacsko, colaboradora do UOL e editora de Narrativas na plataforma do Antagonista, destoou com seu youtube por considerar as rezas a causa das críticas feitas ao frade Gilson, quando se esperava que usasse suas críticas e ironias em favor das mulheres livres e insubmissas, das quais é bem um exemplo.

Entre os críticos à interpretação bíblica das relações ditadas por Deus para o primeiro casal, de sujeição da mulher ao homem, destacou-se o youtuber Henry Bugalho, escritor, filósofo e tradutor. Para ele, não houve incorreção do frade Gilson que usou com precisão a narrativa bíblica. A falha ocorreu, segundo Bugalho, porque a Bíblia é uma coleção de livros escritos por diversos autores há muitos séculos e nem sempre se adaptam à evolução e à realidade social dos dias atuais. Nessas épocas passadas, a condição da mulher era de inferioridade e parecia normal ser assim considerada mesmo nos livros sagrados.

Daniel Gontijo, doutor em neurociências, professor de psicologia e pesquisador, tem a mesma posição de Henry Bugalho e considera que certas situações bíblicas, como as justificativas da escravidão com textos para senhores e para escravos adaptavam-se à realidade da época, deveriam ser adaptadas à nossa época. Mas tanto Bugalho como Gontijo reconhecem haver textos bíblicos mais recentes, como os escritos pelo apóstolo Paulo sobre a condição da mulher, cuja misoginia difere da própria doutrina de Cristo.

Ainda sobre mulheres, mas dentro da Igreja católica, começou na França uma greve inédita, ainda pequena, entre mulheres fiéis engajadas na vida paroquial para chamar a atenção sobre a importância do seu papel dentro da igreja. Elas denunciam a falta de reconhecimento do lugar das mulheres e por não terem participação nas tomadas de decisão em todos os níveis da Igreja. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro Sujo da Corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A Rebelião Romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.


sábado, 8 de março de 2025

Nações Unidas - Jurista brasileira diz que participação de mulheres na política não pode regredir

Ex-presidente da Comissão da ONU sobre Eliminação da Discriminação Contra Mulheres, Silvia Pimentel, declara “perplexidade” com narrativas sobre retorno da mulher a papel doméstico. Ela apresentou abordagens e conquistas do movimento feminista nas últimas décadas



No Dia Internacional da Mulher, a professora e jurista Silvia Pimentel faz um alerta sobre retrocessos que abalam o lugar da mulher no mundo, gerando um “ápice de preocupação”.

A feminista brasileira, que integrou e presidiu a Comissão das Nações Unidas sobre Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra Mulheres, Cedaw, disse estar perplexa com “estratégias comunicacionais” que apelam para um retorno da mulher ao seu “papel tradicional” de mãe e dona de casa.

Participação e poder na esfera política

Em entrevista para a ONU News, ela ressaltou como isso contrasta com décadas de lutas por maior presença e liderança das mulheres na vida pública.  

“A relevância de que nós, mulheres, fôssemos além do nosso papel de mães, donas de casa, que tivéssemos sim condições de ter participação e poder na esfera política da nação e do mundo. E dessa necessidade de encontrar espaços e inclusive permanência em espaços de poder fora dos nossos lares, o que não significava uma proposta de que deixássemos de ser mães, deixássemos de ter a nossa família”.

Para a especialista, foi justamente essa participação feminina que gerou grandes transformações nos arcabouços do direito penal, civil e trabalhista, eliminando dispositivos que efetivamente discriminavam as mulheres no Brasil.

Desinformação e reforço de estereótipos

Ela afirmou que o ambiente digital está cada vez mais repleto de desinformação e notícias falsas que reforçam estereótipos e simbologias de mulheres fechadas em casa, unicamente dedicadas à maternidade.

Mãe de quatro filhos, Silvia afirmou que a maioria das feministas da sua geração é muito dedicada à família, mas que isso não impede a “abertura do estar no mundo”.

“Eu entendo que é fundamental que a nossa escolha de família não significa a amputação do nosso direito de seres políticos, conhecendo e participando das grandes decisões políticas do mundo”.

Lutas interconectadas

A professora de Direito, que participou ativamente da elaboração da Constituição brasileira de 1988 e da revisão do Código Civil, relembrou características fundamentais do movimento feminista.

“Nós, mulheres feministas temos a marca de trabalhar o nosso feminismo de direitos das mulheres interconectados com os direitos de todas as populações que têm sido oprimidas e que estão, nos nossos Estados modernos e contemporâneos, ainda sendo maltratadas por discriminações, estereótipos e preconceitos estruturais”.

Ela afirmou que, nesse sentido, a luta pelos direitos das mulheres se soma com aquela contra o racismo, com o movimento em favor das pessoas Lgbtqia+ e com a procura pela igualdade de classes.

A especialista destacou que Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra Mulheres, de 1979, é a “Carta Magna” da emancipação feminina.

A partir dela, foram realizadas grandes conferências regionais e globais, que revelaram as situações que fazem com que as mulheres sejam “subalternizadas” em termos de direitos.

Conquistas baseadas em realidades concretas

Silvia Pimentel conclui que esse esforço de décadas tornou possível a passagem de um “sujeito abstrato”, como mencionado na Declaração Universal dos Direitos Humanos, para as “realidades concretas” das vivências das populações oprimidas.

Ela avalia que de 1979 para cá houve uma notável ampliação de legislações igualitárias, políticas públicas e direitos concretos das mulheres.

Por outro lado, a jurista disse que “respira fundo” ao observar um movimento de afastamento da democracia em várias partes do mundo, preocupada com o que isso pode representar para os direitos das mulheres, duramente conquistados. ONU News – Nações Unidas


domingo, 3 de março de 2024

Fundação Calouste Gulbenkian - “Sempre mais alto”: a criatividade de Maria Lamas

Assinalando o Dia Internacional da Mulher realiza-se este colóquio onde investigadores mostram as áreas em que Maria Lamas atuou ao longo da sua vida


No dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a Fundação Calouste Gulbenkian realiza o colóquio Sempre mais alto: a criatividade de Maria Lamas, evento associado à exposição As mulheres de Maria Lamas, dedicada à sua obra fotográfica. Esta exposição tem a curadoria de Jorge Calado e mostra, pela primeira vez em Portugal, um conjunto de fotografias que Maria Lamas realizou para o seu livro As mulheres do meu país (1948-1950).

Nas palavras de Jorge Calado, “Maria Lamas (1893–1983), jornalista e escritora, pedagoga e investigadora, tradutora e fotógrafa, lutadora pelos direitos humanos e cívicos em tempos de ditadura, foi porventura a mais notável mulher portuguesa no século XX. Enquanto perdura uma certa memória da sua afirmação e ação políticas durante o Estado Novo (anos 1930–1960, que a levou à prisão em 1949, 1950–1951 e 1953) e do seu exílio em Paris (1962–1969), a sua obra literária e jornalística está praticamente esquecida. Muito poucos dos seus livros – mais de uma vintena de obras entre poesia, ficção, literatura infantil, antropologia social, tradução – se encontram disponíveis no mercado.”

Com um título composto pelo mote do ex-libris de Maria Lamas – Sempre mais alto –, este colóquio conta com a contribuição de diversos investigadores/as em algumas das áreas em que Maria Lamas atuou ao longo da sua vida.

Na parte da manhã o destaque será dado à dimensão da obra fotográfica, com abordagens que incluem igualmente um testemunho contemporâneo da prática fotográfica e a evocação de uma artista que, como Maria Lamas, foi vítima da perseguição do Estado Novo. Da parte da tarde, as comunicações incidirão sobre as dimensões jornalísticas, literárias e das lutas em prol dos direitos cívicos e das mulheres, em que Maria Lamas se envolveu ao longo da sua vida.

Depois do colóquio será projectado o filme Mulheres do meu país (2020), realizado por Raquel Freire e uma conversa com a realizadora e a responsável pela montagem do filme. Fundação Calouste Gulbenkian - Portugal




segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Macau - Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau celebra Dia Internacional da Mulher com exposição no feminino

A data celebra-se no dia 8 de Março, mas a ARTM inaugura a mostra dois dias antes, num domingo. Com curadoria de Lúcia Lemos, 20 obras de 12 artistas vão procurar celebrar a arte no feminino. Exposição fica patente nas casas amarelas do projecto “Hold On to Hope Project”, em Ka-Hó, até dia 1 de Abril


O Dia Internacional da Mulher comemora-se sempre a 8 de Março. Nesse sentido, a Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM) vai apresentar, no próximo dia 6 de Março, pelas 15h, a mostra de arte “Nós Somos Inspiração” apenas com obras de artistas femininas, anunciou a entidade em nota de imprensa.

Trata-se de uma amostra colectiva de 20 obras, maioritariamente de pintura, mas também joalharia. “A força poética das composições visuais das formas concretas e abstratas, resulta sobretudo das cores utilizadas que nos faz lembrar a longa história do movimento das mulheres”, escreve a ARTM na mesma nota.

A exposição tem a curadoria de Lúcia Lemos, proprietária da Creative Macau. As obras em exposição “imprimem carácter e voz de cada mulher artista” e revelam trabalhos de Ada Zhang,  Alice Kok, Ann Chan, Anna Lo, Catarina Cottineli da Costa, Chen Xiaofeng, Chiang Wai Lan, Cristina Mio, Cristina Vinhas, Fan in Kuan, Mel Cheong e Peggy Yim. “A ARTM e a criatividade feminina motivou a organização a convidar doze artistas de Macau e juntos celebrarem a conquista da mulher do século XXI”, escreveu a curadora no manifesto da exposição.

Lúcia Lemos junta-se à ARTM numa altura em que estreitaram os laços com a associação. “A Lúcia está a dar um workshop a cinco de nós, na ARTM, para nos ajudar a entender como se fazem exposições de arte. O curso começou no início de Fevereiro e é composto de quatro aulas. Tem sido muito gratificante”, referiu Andreia Bento, da instituição.

A promotora da Creative Macau referiu ainda no seu texto sobre a mostra que “as artes criativas influenciam grandemente os outros por transmitirem mensagens sociais e inspirarem o mundo ao seu redor”, ao mesmo tempo que, fora das artes, mas no feminino, lembra como a irmã católica Juliana Devoy “mobilizou a sociedade de Macau até morrer em 2020. “Lembrámos a Irmã Juliana Devoy, nascida no Nebrasca. Uma das mulheres mais notáveis de Macau que dedicou a sua vida aos outros como missionária na Ásia. Fundou em Macau um Centro Comunitário em 1990 para ajudar jovens mães necessitadas e com a sua luta e acção sensibilizou a sociedade e as autoridades locais sobre a violência doméstica. Esta Missionária contribuiu para a alteração da lei de violência doméstica que depois de revista e modificada passou a ser considerada crime público. Ao ser implementada, foi aplicada num caso horrendo surgido em 2018”, referiu a curadora, que se mostrou honrada por ter sido convidada para apoiar a iniciativa.

“Nós Somos Inspiração”, organizada por Augusto Nogueira e Andreia Bento, é a nona exposição promovida pela ARTM desde que o projecto “Hold On to Hope” abriu nas casas da antiga leprosaria de Ka-Hó. Fica patente até dia 1 de Abril. A galeria está aberta à segunda, terça e sexta-feira, das 10h30 às 17h e ao sábado e domingo, das 10h30 às 18h30. “Apelo para que venham ver a exposição e darem uma força às artistas, às mulheres. Algumas das artistas tem quadros especiais. Vamos festejar e juntar as mulheres”, referiu ao Ponto Final Andreia Bento. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”


segunda-feira, 8 de março de 2021

Portugal e Brasil unem-se em homenagem a mulheres militares em missões de paz

Brasília – Os Governos de Portugal e do Brasil assinalam hoje, conjuntamente, o Dia Internacional da Mulher através de uma homenagem a militares envolvidas em operações de manutenção de paz pelo mundo.

Num vídeo difundido hoje nas redes sociais, e com os testemunhos de oito militares portuguesas e brasileiras, os ministérios da Defesa de ambos os países destacam o trabalho feminino feito em missões internacionais e o seu contributo para a paz global.

“No Dia Internacional da Mulher, Portugal dá testemunho de elevado valor que atribui à presença das mulheres nas Forças Armadas, e ao seu contributo único para a paz internacional. Parabéns”, destacou o ministro da Defesa Nacional de Portugal, João Gomes Cravinho, citado no vídeo de homenagem.

Já o seu homólogo brasileiro, Fernando Azevedo e Silva, aproveitou a efeméride para exaltar a “dedicação e o profissionalismo” com que as militares das Forças Armadas do Brasil “servem a Nação, e que é motivo de orgulho” para o país sul-americano.

Sobre as suas experiências em cenários internacionais, a capitão-de-fragata Carla Araújo, com 24 anos de carreira na Marinha do Brasil, destacou a missão de paz que realizou na Republica Centro-Africana e frisou que, por muitas vezes, “sentiu que não era capaz”, mas que a confiança nos “seus talentos, intuição e capacidade” foram fundamentais.

“Este meu sonho, eu nunca achei que fosse capaz de fazer isto, mas hoje sou muito grata. Fui atrás do que eu acreditava, contei com as pessoas que eu amava e sou muito mais feliz”, contou Carla Araújo.

Já a tenente-coronel Ivana Mara, do Exército brasileiro e com passagem pela missão de paz no Haiti, espera que sejam fortalecidas oportunidades “para homens e mulheres, de maneira igual”, no ramo militar.

“Vejo que muitas portas estão a ser abertas para nós, mulheres. Muitas estão a assumir funções de comando, pela sua dedicação, pela sua capacidade. Vejo hoje que o homem e a mulher, independente do número, acabam por se complementar, com novas ideias, com diferentes visões. Acho que aí está o golo, o sucesso da organização”, sustentou, por sua vez, a major brasileira Luanda Bastos, com missões no Congo e no Sudão.

Do lado lusitano, a major Susana Marques, da Força Aérea Portuguesa e que realizou missão de paz na Colômbia, declarou que ao longo da sua carreira sempre se sentiu reconhecida e aconselhou todas as mulheres que se queiram tornar militares “que o façam sem medos”, garantindo que o empenho e respeito concedidos ao serviço militar serão retribuídos “na mesma proporção”.

“Sinto que abri muitas portas às gerações vindouras, a jovens determinadas, como eu, que poderão ter uma profissão e uma carreira nas Forças Armadas”, advogou a capitão-tenente portuguesa Reys Santos, frisando que nos seus 23 anos de carreira na Marinha descobriu o “verdadeiro sentido da expressão família naval”, onde encontrou “um elevado espírito de camaradagem”, que permitiu levar as missões a bom porto.

O total de militares portugueses em forças nacionais destacadas em missões internacionais de manutenção de paz é de 560, sendo que 25 são mulheres. O contingente nacional na Missão de Treino da União Europeia na República Centro-Africana (EUTM RCA) é composto por 57 militares, dos quais quatro são mulheres: três portuguesas e uma brasileira, segundo dados da Embaixada de Portugal em Brasília.

Já na Missão Multidimensional Integrada de Estabilização das Nações Unidas na República Centro-Africana (Minusca) estão presentes 191 militares, sendo que seis são mulheres. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”