Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 23 de julho de 2024

Brasil - Fóssil de dinossauro de 230 milhões de anos encontrado após chuvas no Rio Grande do Sul

As chuvas intensas que causaram inundações históricas no sul do Brasil revelaram um fóssil de dinossauro de cerca de 230 milhões de anos “quase completo” e com “uma preservação muito boa”, afirmaram os cientistas.


O fóssil foi descoberto em Maio no município de São João do Polesine, no Rio Grande do Sul, num importante sítio paleontológico do Triássico. Este período entre 250 e 200 milhões de anos atrás é anterior ao Jurássico, que foi popularizado pela saga de Hollywood “Jurassic Park”.

Após quatro dias de escavações, uma equipa de paleontólogos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) conseguiu recuperar e transportar o bloco de rochas com o esqueleto fossilizado. De acordo com as primeiras observações, trata-se de um indivíduo com cerca de 2,5 metros de comprimento da família Herrerasauridae, predadores carnívoros que habitaram os actuais pampas da Argentina e do Brasil.

“Esse material é interessante porque, além de estar entre os dinossauros mais antigos do mundo, está quase completo e tem uma preservação muito boa. Então vai trazer-nos muita informação a respeito da anatomia desses dinossauros”, explicou à AFP Rodrigo Temp Müller, que liderou as escavações.

Segundo o especialista, este é possivelmente o segundo exemplar mais completo de um Herrerasauridae encontrado até agora. O primeiro foi descoberto em 2014 nesta mesma região e revelou-se uma espécie até então desconhecida, que recebeu o nome de Gnathovorax cabreirai.

Contudo, é necessário realizar testes para determinar se os fósseis correspondem a outro indivíduo desta espécie ou a uma nova, de acordo com Temp Müller.

O trabalho no laboratório para extrair os ossos e preservá-los pode levar “alguns meses”, visto que é um processo “bem minucioso, quase cirúrgico”.

“Cada partezinha que a gente possa vir a estragar vai ser uma informação que talvez jamais possamos recuperar”, acrescentou.

Uma vez retirados, os ossos serão objecto de análises de anatomia comparada e outros estudos. Os dados são processados com programas de computador que mostram o grau de parentesco do animal e outras informações que ajudarão a “entender um pouco mais da evolução do grupo”.

Posteriormente os resultados serão divulgados em publicações científicas.

O actual pampa gaúcho, na fronteira com o Uruguai e a Argentina, abriga centenas de sítios paleontológicos, visíveis sobretudo pelo seu solo avermelhado, que ajudam a compreender o remoto período Triássico. As intensas chuvas que atingiram esta região no centro do Rio Grande do Sul em Maio provocaram inundações históricas que deixaram mais de 180 mortos, milhares de desabrigados e danos materiais incalculáveis.

Desta vez as precipitações foram aliadas, mas também inimigas das descobertas destes fósseis de dinossauros. O excesso das chuvas de Maio “acelera muito esse processo erosivo nos sítios”, o que levou à descoberta do novo Herrerasauridae.

Mas este volume muito acima do tradicional “também destrói muito o material”, sobretudo as partes menores, caso não sejam resgatadas rapidamente, explica Temp Müller.

Por isso, equipas do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colónia (Cappa) da UFSM foram ao local para monitorizar os sítios em busca de fragmentos expostos, e trabalham arduamente nas escavações para recuperá-los. Além do esqueleto quase completo do dinossauro, outros fósseis também foram resgatados nos municípios de Faxinal do Soturno, Agudo, Dona Francisca e Paraíso do Sul nos últimos meses. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências internacionais”


quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Obra aborda a história da arquitetura do Brasil e Portugal através dos livros


Uma história da arquitetura portuguesa e brasileira através dos livros. Assim pode ser definido Livros, Leituras e Bibliotecas – História da Arquitetura e da Construção Luso-Brasileira, do professor Ricardo Rocha, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que a Editora da USP (Edusp) lança no dia 25 de agosto, quarta-feira, às 15 horas, em evento que será transmitido pelo canal da UFSM no Youtube.

Com 172 páginas, o livro de Ricardo Rocha traz análises sobre publicações datadas dos séculos 18, 19 e 20, que dão ao leitor uma boa ideia do desenvolvimento das técnicas de arquitetura e construção em Portugal e no Brasil. No capítulo 1, por exemplo, Rocha faz comentários sobre o livro Regras de Desenho para Delineação das Plantas, Perfis e Perspectivas Pertencentes à Arquitetura Militar e Civil, publicado em 1793 pelo capitão Antônio José Moreira (1751-1794) para uso na Real Academia de Fortificação, Artilharia e Desenho de Lisboa.

Um manual de desenho, essa obra se insere no que era classificado na época como “textos de natureza não literária e sim doutrinária e ou científica” e que tiveram sentido em virtude da intencionalidade do autor – o protocolo de leitura -, como escreve Rocha. “No início do livro, Moreira assinala, por exemplo, a tensão entre teoria e prática ao dizer que ‘é verdade que o desenho se adquire mais com o uso do que por meio de longas e fastidiosas descrições; mas também se não deve negar que os preceitos e regras para riscar qualquer planta explicados somente de viva voz, são esquecidos com facilidade e se não houver livros”, comenta o autor. “O que aponta para uma prática, semelhante a que os arquitetos ainda hoje chamam de ateliê, em que se aprende melhor desenhando do que estudando a teoria. Por sua vez, a tradição oral (ou extensivamente aquela dos manuscritos), em toda sua vitalidade (re)criativa, teria um caráter normativo inferior ao documento publicado, pelo menos entre o ambiente de formação dos engenheiros luso-brasileiros e na opinião de Moreira.”

No segundo capítulo, Rocha analisa o Guia do Engenheiro na Construção das Pontes de Pedra, publicado em 1844, de autoria de Luís da Silva Mousinho de Albuquerque. À semelhança do livro das Regras de Moreira, esse Guia é também um manual, mas se trata de uma publicação avançada, dirigida a profissionais, e não a estudantes. Preparada em Paris e publicada pela Academia Real das Ciências de Lisboa, é dividida em três partes. “A primeira parte trata dos elementos que compõem as pontes de pedra – arcos, abóbadas, embocaduras, avenidas etc. – seu traçado, espessura e forma. A segunda parte comenta os materiais empregados na construção das pontes de pedra – argamassas, madeiras etc. –, bem como outros temas relacionados, como a dragagem, as ensecadeiras e os fundamentos (fundações). A terceira parte traz as demonstrações geométricas – construção da elipse, da parábola, dos arcos tricêntricos, policêntricos – e questões como a teoria das abóbadas, a resistência das pedras ao esmagamento e fratura etc.”

Em A Nossa Casa por Morales de Los Rios Filho – terceiro capítulo do livro -, Rocha recolhe anotações sobre o livro A Nossa Casa: Apontamentos sobre o Bom Gosto na Construção das Casas Simples, do arquiteto português Raul Lino (1879-1974), feitas pelo arquiteto brasileiro Adolfo Morales de los Rios Filho (1887-1973), formado pela Escola Nacional de Belas Artes, atual Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, em 1914. “Para Raul Lino, em passagem marcada por Rios Filho, ‘o caráter essencial das fachadas duma residência reside nas suas proporções gerais e estas só podem ser determinadas depois de haver uma planta definitiva’. Outras passagens sobre a questão, marcadas no exemplar de A Nossa Casa de Rios Filho, espalham-se pelo livro. Na página 26, a palavra ‘proporção’, anotada na margem, remete ao trecho sublinhado sobre o tema, que retorna na página 28. Na página 30, em nota, uma marcação/sublinhado relaciona o problema das proporções com o do fingimento: ‘se tem copiado pormenores arquitetônicos isoladamente, adaptando-os tais como se encontram nas edificações originais. Dá-se, porém, o caso de que o que nos encanta nas antigas casas não são somente os pequenos pormenores separáveis, é acima de tudo o conjunto das proporções’”, escreve Rocha.

O quarto capítulo, intitulado Alcides Rocha Miranda, Leitor Ideal de Lúcio Costa: Sobre Arquitetura, reproduz análises do arquiteto carioca Alcides Miranda (1909-2001) a respeito do livro Sobre Arquitetura, publicado em 1962, a reunião mais completa de textos e projetos de Lúcio Costa até o aparecimento, 30 anos depois, da sua autobiografia. Segundo Rocha, esse livro traça o perfil de personagens importantes no panorama da cultura brasileira, no que se refere à tentativa de construção de um país desenvolvido por meio do modernismo arquitetônico e artístico. Destaque para a figura do arquiteto Alberto Xavier, que teve a iniciativa publicar os textos de Lúcio Costa, famoso pela aversão à publicação de seus próprios trabalhos. Para Rocha, o livro é, “sem sombra de dúvidas, não só personagem fundamental na trama da arquitetura moderna brasileira, mas um registro sofisticado dessa mesma trama e que a transcende de certo modo, enquanto objeto estético em si mesmo”.

Por fim, o quinto capítulo, Sobre Bibliotecas, trata dos volumes sobre arquitetura e construção da Casa Anunciada dos Condes de Rio Maior, uma das melhores coleções de livros privadas de Portugal, que foi dispersa depois da Revolução de Abril de 1974, e das bibliotecas de dois colecionadores brasileiros, o engenheiro Zake Tacla (1918-2009) e o arquiteto Gerson Pompeu Pinheiro (1910-1978). Claudia Costa – Brasil in “Mundo Lusíada” com “Jornal USP”

O livro será lançado no dia 25 de agosto, quarta-feira, às 15 horas, em evento que será transmitido pelo canal da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) no Youtube.


 

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Cabo Verde - Universidade de Cabo Verde recebe doação de livros de universidade brasileira

 


Cidade da Praia – A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) recebeu uma doação de livros por parte da Universidade Federal de Santa Maria, do Estado do Rio Grande do Sul, no Brasil, informou a universidade pública cabo-verdiana em seu sítio na internet.

Este acto, revelou a mesma fonte, foi permitida pela colaboração e pela “benevolência” da Direcção Nacional de Educação (DNE), que beneficiou inicialmente desta doação, através da fase II do seu projecto “Escola de Todas”, em parceria com o Brasil, e que, em seguida, decidiu encaminhar os livros para a Uni-CV.

“Trata-se de um conjunto de 17 livros da área de Educação Especial, que poderão contribuir para a qualidade da formação de professores na área de Educação Especial na Uni-CV”, lê-se no comunicado.

Citada na comunicação, a Directora Nacional da Educação, Eleonora Sousa, realçou que a DNE achou por bem doar parte dos mesmos à Uni-CV por entender ser uma mais-valia para esta área de intervenção.

Entre os livros mencionados, encontra-se obras sobre diversas temáticas da área de Educação Especial, como Atendimento Educacional Especializado, Educação a Distância, Estratégias Pedagógicas Inclusivas, Formação de Professores, entre outros.

A Universidade de Cabo Verde agradeceu, ainda na mesma nota, a Universidade Federal de Santa Maria e a Direcção Nacional de Educação de Cabo Verde pela “generosidade” e pela atenção, garantindo que será feito bom uso dos livros em questão, para participar da missão de ensino e aprendizagem da nossa instituição. In “Inforpress” – Cabo Verde