Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Macau - Sun Yat-sen “revisitado” no Museu de Macau

Cerca de 100 peças e colecções de imagens, documentos e relíquias históricas preenchem uma exposição patente até 12 de Outubro no Museu de Macau para assinalar o centenário da morte de Sun Yat-sen


O Museu de Macau inaugurou na sexta-feira uma exposição comemorativa do centenário da morte de Sun Yat-sen, primeiro presidente da China pós-imperial e considerado o “pai” da era moderna do país, por forma a prestar homenagem ao seu “espírito nobre” na “busca pela revitalização da nação”. Organizada em conjunto pelo Instituto Cultural de Macau IC), Departamento de Serviços Culturais e de Lazer de Hong Kong e Departamento de Cultura, Rádio, Televisão e Turismo de Zhongshan, a exposição “Da Cura de Doentes à Salvação de uma Nação – Dr. Sun Yat-sen em Guangdong, Hong Kong e Macau” está patente ao público até 12 de Outubro deste ano.

A exposição apresenta cerca de 100 peças/colecções de imagens históricas, documentos e valiosas relíquias históricas de Guangdong, Hong Kong e Macau, divididas em quatro secções: “O berço do pensamento sobre a salvação da nação”, “O berço da revolução”, “As regiões natais da família” e “Memoriais para o grande espírito”. Segundo o IC, a mostra destaca de “forma sistemática as ligações profundas do Dr. Sun Yat-sen e dos membros da sua família com Guangdong, Hong Kong e Macau, bem como o seu espírito lutador e indomável e a sua carreira revolucionária, revelando o processo do rejuvenescimento da nação chinesa na era moderna e a importância da reunificação nacional e do progresso”.

Com base no tema desta mostra, o Museu de Macau também irá lançar uma exposição online de realidade virtual, através da sua página electrónica.

No seu sítio, o Museu de Macau sublinha que Sun Yat-sen foi “um grande herói nacional, um grande patriota e um grande pioneiro da revolução democrática” da China, “determinado a salvar o seu país e o seu povo”. Guangdong, onde Sun nasceu e iniciou os estudos, Hong Kong, onde fez estudos secundários e cursou medicina, e Macau, onde começou a exercer medicina, “foram as bases principais para as suas actividades revolucionárias”, acentua o texto, acrescentando que “foi nestes locais que o Dr. Sun utilizou a prática médica como ‘forma de entrada ao mundo’”.

“A maioria das revoltas armadas que planeou foram organizadas e dirigidas a partir de Cantão e Hong Kong e, depois de fundada a República da China, foi para o Sul e estabeleceu governos revolucionários em Cantão em três ocasiões, para proteger a recém-nascida República e procurar a reunificação nacional”, refere ainda.

Recorde-se que a família de Sun Yat-Sen residiu até 1952 num edifício na Rua de Silva Mendes, que integra a lista de bens imóveis classificados como património cultural de Macau. Em 1958 a moradia foi transformada num espaço de exposição, que se mantém em funcionamento.

O Museu de Macau está aberto diariamente das 10:00 às 18:00 horas, encerrando à segunda-feira. A entrada é livre para os portadores do BIR de Macau e, às terça-feira e no dia 15 de cada mês, para o público em geral. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


sábado, 17 de dezembro de 2016

Macau – Farmácia de Sun Yat-sen reabriu 120 anos depois


Sun Yat-sen, que viria a ser o primeiro Presidente da China, chegou a Macau em 1892 para exercer medicina no Hospital Kiang Wu e um ano depois abriu a farmácia, onde além de assistir pacientes, principalmente os mais desfavorecidos, “começou a revolução na cabeça dele”, descreveu o presidente do Instituto Cultural (IC), Ung Vai Meng.

“Quando era jovem estudou em Hong Kong medicina ocidental, em 1892 foi trabalhar no Hospital Kiang Wu como voluntário, depois arranjou esta farmácia para continuar a tratar os doentes pobres, sem pagamento. Na mesma altura, começou a revolução na cabeça dele. Macau é um sítio onde se encontravam muitas ideias novas, por isso, esta casa é importantíssima, o Dr. Sun Yat-sen mudou a China inteira! É o início das actividades de revolução dele”, afirmou.

Com um pequeno espaço museológico com recibos, documentos, recortes de jornais e fotografias, na nova farmácia pode-se “ver como a casa era no original e, por outro lado, conhecer a relação entre Macau e o Dr. Sun Yat-sen”, explicou.

Entre a documentação estão réplicas de recibos de empréstimos do Hospital Kiang Wu. “Era pobre, era um jovem que tratava doentes, mas não tinha dinheiro, por isso pedia ao Hospital ‘Por favor, emprestem-me dinheiro para abrir uma farmácia’”, descreveu o presidente do IC, esclarecendo que, devido ao seu valor, os documentos originais estão com o hospital privado.

O número 80 da Rua das Estalagens encontra-se no coração do bazar chinês, numa das mais antigas zonas comerciais da cidade. O prédio estreito, de dois andares, faz parte de um tipo de estrutura típica, em que o rés-do-chão é uma loja e habitualmente os andares de cima são para habitação. Segundo Ung Vai Meng, chamam-se em chinês ‘Casas-bambu’, porque tendo apenas uma entrada à frente e uma pequena porta na traseira, o espaço pode ser atravessado por um pau de bambu.

“A casa é muito estreita e direitinha, é tão engraçada, mas há cada vez menos dessas casas em Macau”, comentou o presidente do IC. O imóvel foi comprado pelo Governo em 2011 por 36 milhões de patacas.

Por ter tido diversos usos e ter sofrido muitas modificações ao longo dos anos, telhado, paredes e fundações apresentavam graves danos. No entanto, após o restauro, há “muito material original, toda a pedra, por exemplo, os tijolos antigos”, explicou Ung Vai Meng. “As paredes, as janelas, o ambiente, é 100% original”, assegurou.

No entanto, do recheio da farmácia, que só terá funcionado por um ano, não sobrou nada. Desde que fechou, o espaço foi utilizado para diversos fins, entre eles, um “salão taoista” e uma loja de tecidos.

Foram encontrados também vestígios do que ali estava antes da chegada do ‘pai’ da China moderna: peças em cerâmica (também na exposição) produzidas para exportação – “se calhar iam para Portugal” –, e uma estrutura em granito, num nível abaixo das fundações originais, que terá sido o antigo cais da cidade. Hoje, o edifício encontra-se a uns bons dez minutos a pé do cais actual.

Em Macau há uma Casa Memorial Sun Yat-sen, que alberga documentos e que evoca e homenageia a passagem por Macau do mentor e impulsionador da revolução republicana chinesa que, em 1911, derrubou o regime da dinastia Qing.

Essa casa visa testemunhar a sua curta, mas considerada significativa, estadia em Macau no início do século XX quando, fugindo ao poder dos mandarins imperiais, tentava movimentar as forças que o apoiavam, a fim de implantar um novo regime na China, onde recebeu apoio de amigos à época ilustres e influentes figuras da vida social e política macaense, segundo uma descrição do monumento. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau