Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Portugal - Estudo do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde abre caminho para atrasar o envelhecimento do sistema imunitário

Cientistas identificaram proteínas essenciais para preservar a função do timo e a produção de células T


Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto descobriu um mecanismo fundamental que ajuda o timo, um órgão central do sistema imunitário, a manter-se funcional ao longo da vida. Os resultados, publicados na prestigiada revista Cell Death & Differentiation, ajudam a explicar por que é que o sistema imunitário enfraquece com a idade e poderão contribuir para novas estratégias terapêuticas destinadas a promover um envelhecimento mais saudável.

O timo é um pequeno órgão localizado acima do coração que desempenha uma função essencial: é nele que se formam e se “treinam” as células T, um dos principais pilares das defesas do organismo contra infeções e cancro. Apesar da sua importância, o timo começa a perder tamanho e atividade logo após a adolescência. “Sabemos há muito tempo que o timo perde capacidade com a idade, diminuindo a resposta a vacinas e a nossa resistência contra infeções e cancro. No entanto, ainda não compreendemos os mecanismos que ajudam este órgão a manter-se funcional. Este estudo identifica peças-chave desse processo”, explica Nuno Alves, coordenador do trabalho.

A equipa descobriu que existem duas proteínas (ZFP36L1 e ZFP36L2) fundamentais para preservar o funcionamento das células que sustentam a estrutura do timo e permitem a formação adequada das células T. A equipa demonstrou também que os níveis destas proteínas diminuem naturalmente com a idade, reforçando a ideia de que podem estar envolvidas no processo de envelhecimento do sistema imunitário. Os cientistas acreditam que estas descobertas poderão abrir caminho a novas estratégias terapêuticas para atrasar ou contrariar a perda de função do timo.

“O objetivo não é apenas compreender como envelhece o sistema imunitário, mas também encontrar formas de o manter mais competente durante mais tempo. Se conseguirmos preservar a função do timo, poderemos contribuir para melhorar a resposta do organismo às infeções, às vacinas e até a algumas terapias contra o cancro”, sublinha Nuno Alves.

Para chegar a esta conclusão, os investigadores utilizaram modelos animais e ferramentas genéticas avançadas. Quando as duas proteínas foram removidas, o timo envelheceu precocemente, perdeu capacidade para produzir células T e deixou de assegurar um funcionamento adequado do sistema imunitário. “Observámos que, sem estas proteínas, o timo começa a apresentar, muito cedo, características normalmente associadas ao envelhecimento. Isso sugere que desempenham um papel essencial na preservação da função deste órgão ao longo da vida”, afirma o investigador.

Para a equipa do i3S, o trabalho representa um passo importante na compreensão dos processos biológicos que influenciam a saúde ao longo do envelhecimento: “Durante muitos anos, o timo foi visto como um órgão importante apenas na infância. Sabe-se agora que indivíduos com um timo mais funcional podem estar mais protegidos contra doenças e responder melhor a terapias inovadoras, incluindo imunoterapias contra o cancro. Por isso, quanto melhor compreendermos o seu funcionamento, mais perto estaremos de desenvolver estratégias que ajudem a envelhecer melhor com um sistema imunitário mais forte”, conclui o investigador. Universidade do Porto - Portugal


quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Portugal - Descobertos nas salinas estimuladores do sistema imunitário

A salmoura tem compostos que beneficiam o sistema imunitário. A descoberta é de uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) e abre as portas à utilização desta água das salinas pela indústria alimentar e farmacêutica. Para além do sal, o aproveitamento da salmoura pode dar um importante impulso à sobrevivência das salinas nacionais



“Para além dos sais, a salmoura é rica em outros compostos, nomeadamente fibras, que têm potencial atividade imunoestimuladora”, aponta Cláudia Nunes, investigadora do CICECO-Instituto de Materiais de Aveiro. Este é um dos resultados do trabalho que tem sido desenvolvido nos últimos anos em colaboração com Manuel A. Coimbra, investigador do Laboratório Associado para a Química Verde (LAQV)/Química Orgânica, Produtos Naturais e Agroalimentares (QOPNA), também da UA.

“Os compostos com esta propriedade podem ser usados em diferentes produtos alimentares como ingredientes ou como suplementos alimentares, potenciando a nossa resposta imune, podendo também ser utilizados pela indústria farmacêutica”, explica a coordenadora do trabalho que utilizou salmoura da Marinha de Santiago da Fonte da Academia de Aveiro.



Facilmente extraídos da salmoura – a água saturada de sal da qual, por evaporação, surgem os cristais de cloreto de sódio– os compostos podem ser retirados por uma simples filtração e evaporação da água.

Para além dos benefícios para as indústrias alimentares e farmacêuticas e, naturalmente, para os consumidores, a comercialização destes compostos imunoestimuladores, descreve Cláudia Nunes, “poderia ser uma forma de ajudar a reativação da atividade de produção de sal através de um outro produto, a água da salmoura, que podia ser rentabilizado”.

Neste momento, os investigadores estão a preparar a candidatura a um projeto com uma empresa Portuguesa produtora de sal para o desenvolvimento de novos produtos com base nestes compostos.

Envolvidos na investigação, para além de Cláudia Nunes e de Manuel A. Coimbra, estiveram os estudantes do mestrado em Bioquímica Ana Rocha, Pedro Quitério e Sónia Ferreira. O trabalho contou ainda com a colaboração dos investigadores Manuel Vilanova e Alexandra Correia da Unidade de Investigação i3S do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto. “Universidade de Aveiro” - Portugal