Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 10 de novembro de 2024

França - Santa Casa de Paris lança campanha de solidariedade

A Santa Casa da Misericórdia de Paris (SCMP) lançou este mês a primeira campanha de solidariedade franco-portuguesa para angariar fundos para ajudar o crescente número de pedidos de ajuda de pessoas desfavorecidas na França


“Desde há 30 anos que a Santa Casa da Misericórdia de Paris está a praticar a solidariedade principalmente para a nossa comunidade e para as pessoas lusófonas também, e cada vez tem mais necessidade de verbas para ajudar. Por isso, pensou-se numa outra maneira de angariar fundos”, disse à Lusa Ilda Nunes, provedora da SCMP.
A iniciativa, que ocorre de 01 a 30 de novembro, tem como objetivo mobilizar associações e empresas para angariar fundos para o trabalho que a SCMP desenvolve diariamente em todo o território francês.
“Este é o primeiro ano, mas contamos que todos os anos, no mês de novembro, haverá a mesma campanha, porque, infelizmente, gostaria que só fosse este ano, isso queria dizer que a partir do próximo ano não haveria mais pobreza”, disse Ilda Nunes, acrescentando que “cada vez mais pessoas têm dificuldades”.
Por essa razão, o trabalho da SCMP tem aumentado e a provedora tem esperança que ao longo do mês se angariem “alguns fundos que podem ser úteis”, como os donativos que já receberam, nomeadamente do Banco BCP.
Segundo Ilda Nunes, a escolha do mês de novembro centra-se em torno de 11 de novembro, feriado em França e dia de São Martinho, que “com a espada partilhou a sua capa e deu metade a um mendigo”, num pequeno ato que mudou a vida de quem necessitava.
“Muitas associações organizam eventos nesse dia, nomeadamente os Magustos, e pensou-se que talvez as pessoas, sensíveis às dificuldades dos nossos compatriotas, pudessem ajudar a SCMP a ajudá-los, ou seja, revertendo uma quantia que eles decidissem dos lucros dos seus eventos”, afirmou.
Este ano a campanha é apadrinhada pelo embaixador de Portugal em França, José Augusto Duarte, e pela escritora Lídia Jorge, autora do livro Misericórdia, cuja versão traduzida para francês foi vencedora do Prémio Médicis.
“O nosso objetivo é ajudar, mas para isso temos que ter meios para o fazer”, afirmou Ilda Nunes, referindo que essa ajuda “é feita antes de mais aos portugueses, numa estrutura que foi criada à imagem da primeira Misericórdia em 1498 em Lisboa”, mas também aos lusófonos e a qualquer “pessoa de outra nacionalidade, de outra cor, de outra religião”. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”




quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

França – Aumentam pedidos de ajuda entre a Comunidade portuguesa


Ilda Nunes é desde setembro a nova Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Paris, num momento em que os pedidos de ajuda “aumentaram imenso”, apesar de ainda haver “uma certa vergonha” na Comunidade portuguesa em pedir apoio.

“Os pedidos aumentaram imenso, muito. […] Há pessoas que estavam com contrato de duração determinada e ficaram sem trabalho e mesmo que tenham subsídio de desemprego é muito curto. E muitas pessoas que trabalham sem declarar e, a partir do momento em que não há trabalho, acabou-se. Não têm rendimentos”, afirmou Ilda Nunes, Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Paris, em entrevista à Lusa.

A Provedora não gosta de falar em números, mas arriscou um “aumento entre 25 a 30%” dos pedidos de ajuda “em tempo normal” entre a Comunidade portuguesa em França.

Ilda Nunes chegou a França aos 15 anos e é atualmente professora de francês, sendo uma figura ativa na Comunidade portuguesa na região parisiense. Em 2011 tornou-se Secretária-geral da Santa Casa da Misericórdia e, este ano, foi eleita a nova Provedora da instituição. “É uma bela causa, porque vejo a Misericórdia como uma instituição que se preocupa com os outros. A Misericórdia é equivalente a partilha, solidariedade e empatia com as pessoas que sofrem”, indicou a Provedora eleita no mesmo ano em que a organização de apoio à Comunidade portuguesa comemorou 25 anos.

Para além da ajuda alimentar a cerca de 1000 famílias na região parisiense, a Santa Casa da Misericórdia de Paris dá apoio social, jurídico e psicológico à Comunidade portuguesa, com um número de emergência que está ativo 24 horas.

Os pedidos chegam com “receio”, mas os membros da organização respondem sem preconceitos. “Qualquer pessoa seja ela de que origem for, seja ela emigrante ou não, é evidente que é difícil. E os Portugueses tiveram sempre também esse receio de dizer que precisavam”, notou Ilda Nunes.

E sublinhou: “Sobretudo (…), com uma certa vergonha de não terem sido tão bem sucedidos como outros e aí, é a nós, membros da Santa Casa, de pôr as pessoas à vontade e de mostrar que nós não estamos a fazer nada de especial”.

A instituição possui ainda dois jazigos em Enghien-les-Bains, na região parisiense, onde sepulta cidadãos portugueses sem família. No Natal, a Santa Casa da Misericórdia apoia também os reclusos de origem portuguesa em França enviando-lhes um cheque de 50 euros.

Ilda Nunes lamentou que os Consulados tenham perdido ao longo dos anos o papel de apoio aos mais necessitados. “Nós temos uma boa relação com o Consulado e trabalhamos em parceria. Se houvesse um serviço social, como já houve, muitos dossiers que nos chegam à Santa Casa seriam resolvidos pelos assistentes sociais do Consulado. Infelizmente, foram acabando, pouco a pouco”, frisou.

Para levar a cabo esta obra social, a instituição apoia-se nas quotas pagas pelos cerca de 400 membros e nos donativos dos benfeitores, muitos deles empresários portugueses em França.

O aumento dos pedidos de ajuda este ano, foi seguido pelo aumento das contribuições dos benfeitores. “Há sempre pessoas muito atentas às dificuldades dos outros e está a acontecer muito isso este ano, com as pessoas a pensarem mais em solidariedade. As pessoas estão-se a mobilizar e estamos a ter bons retornos”, disse Ilda Nunes.

Mas não é suficiente. Com necessidades constantes, a Provedora apelou aos emigrantes portugueses em França que possam ajudar para aderirem à instituição. “O apelo que faria é que as pessoas aderissem à Santa Casa, a quota é de 25 euros e isso permite que essas verbas possam ser usadas para comprar alimentos quando já não houver”, concluiu. Catarina Falcão – França in “LusoJornal”