Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Brasil - Monumentos contam a história do 7 de Setembro em São Paulo


Foi às margens do riacho Ipiranga, há 199 anos, em um 7 de setembro como hoje, que Dom Pedro I (1789-1834) declarou a independência do Brasil em relação a Portugal. O Brasil então se torna uma monarquia e Dom Pedro I passa a ser imperador.

Esse “grito” de independência, proclamado por Dom Pedro I na região do Ipiranga, onde hoje se encontra o Parque Independência, na capital paulista, foi retratado de forma idealizada na imensa pintura Independência ou Morte, de Pedro Américo, que faz parte do acervo do Museu Paulista, mais conhecido como o Museu do Ipiranga.

Ilustrada em diversos livros didáticos, a famosa pintura ajudou a criar o mito de que a Independência do país ocorreu de forma isolada, num único dia, com Dom Pedro I empunhando sua espada e gritando “Independência ou Morte” em cima de um cavalo, espada ao céu, cercado de soldados. Mas isso não ocorreu de forma tão rápida ou imediata como se imaginava.

“A independência é um processo que começa em São Paulo e termina na Bahia. Com o Rio de Janeiro negociando pelo meio do caminho. O Rio até então era a corte, a sede do país”, explicou Paulo Garcez Marins, curador do Museu Paulista, em entrevista à Agência Brasil.

Dom Pedro I estava em Santos, a caminho de São Paulo. E passou pela região do Ipiranga, que era o meio da travessia para o centro da capital. E foi ali que a declaração de separação foi anunciada. “Ele estava vindo de Santos. Estava fazendo uma viagem por São Paulo para tentar conseguir apoio político. Ele estava fazendo uma viagem para apaziguar os ânimos”, disse Natália Godinho da Silva, historiadora que trabalha no Núcleo de Formação e Desenvolvimento de Públicos do Museu da Cidade, em São Paulo.

O Museu Paulista, também conhecido como Museu do Ipiranga, está fechado desde 2013 e aguarda verba para as obras de restauração e modernização.

Apaziguar os ânimos porque o Brasil, naquele momento, vivia uma crise, cheia de conflitos e revoltas. “É claro que, perto das independências latino-americanas, a brasileira fica bem discreta. Mas a gente tem uma ideia de que não houve guerra pela independência. E isso não é verdade. Bahia, Pará, Maranhão: tivemos diversas províncias que se rebelaram contra Portugal. Ainda que a gente não tenha tido uma guerra unificada, de modo geral, também não fomos tão pacíficos”, explicou.

A história da independência brasileira não é simples de ser explicada e não se encerra nos livros ou na pintura de Pedro Américo. Mas o entendimento sobre esse episódio pode ser ampliado quando se visitam alguns pontos turísticos das cidades de São Paulo, do Rio de Janeiro ou de Salvador. Todas essas cidades guardam objetos e memórias relativos a esse acontecimento histórico.

“Cada período da história, cada período da vida da sociedade, interpreta o passado a partir de suas perguntas. A gente nunca vai conseguir saber como o passado foi exatamente. O que conseguimos é criar, interpretar uma versão sobre o passado a partir dos restos que chegaram dele, como objetos, documentos escritos, lugares, paisagens, prédios”, contou Marins.

Em São Paulo, onde a independência foi declarada, diversos museus e monumentos ajudam a contar essa história e a entender que esse acontecimento foi um processo e não se encerrou no momento do grito.

“A independência foi disputada por três cidades: São Paulo, onde foi declarada; Rio de Janeiro, onde ela foi construída, já que os acordos eram feitos na capital; e Salvador, que foi o lugar que terminou a guerra de independência do Brasil quando os portugueses foram expulsos e vencidos no dia 2 de julho de 1823, quase dez meses depois da declaração do grito do Ipiranga em 1822”, explicou Marins.

Nessa matéria, vamos explorar os lugares de São Paulo que nos ajudam a compreender um pouco mais sobre esse episódio da história brasileira.

Parque da Independência, no Ipiranga

“O melhor lugar para se pensar sobre esse evento é o Parque da Independência, ali no Ipiranga, que tem o edifício monumento, que é o famoso Museu Paulista [Museu do Ipiranga], que foi a primeira construção em celebração à independência. E ainda temos o Monumento à Independência, feito em 1922, para comemoração do centenário”, disse a historiadora Natália Godinho.

O Museu Paulista foi o primeiro edifício-monumento à independência criado nessa região como marco histórico. Depois vieram o Jardim Francês, o Monumento à Independência numa escultura em bronze e granito instalada próxima ao córrego do Ipiranga, a Cripta Imperial e o próprio parque.

A ideia era que essa região, onde o parque está instalado, se transformasse em uma grande celebração nacional, um “altar da Pátria”, como definiu Marins.

Para chegar ao parque foi criada a Avenida Independência, hoje chamada de Dom Pedro I, que conecta a Avenida do Estado ao Parque. “Com isso, o Ipiranga vai se tornar uma espécie de eixo monumental que se assemelha ao eixo principal da cidade de Paris”, disse o curador do Museu Paulista.

Museu Paulista

Antes do parque e de todas essas construções, a primeira tentativa havia sido marcar o lugar onde o grito foi dado com uma pedra. Mas essa pedra se perdeu e o local exato dessa declaração de Dom Pedro I nunca foi conhecido. “Esse marco não existe mais, mas já mostra que nas décadas posteriores à declaração da Independência já havia uma preocupação em marcar aquele lugar como o berço simbólico da nação porque ali aconteceu a declaração de ruptura formal entre o Brasil e Portugal”, disse Marins.

Mas a ideia de marcar o lugar para criar um memorial em homenagem a essa história não foi abandonada. E foi assim que surgiu, no Ipiranga, um primeiro monumento, um memorial, que mais tarde viria a se transformar no Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga.

“Esse é o primeiro monumento à independência propriamente dito que vai ser terminado em 1890, ainda sem ter um uso determinado”, disse Garcez, acrescentando que esse monumento foi encomendado pela família real, assim como a pintura Independência ou Morte, de Pedro Américo. Apesar disso, ela nunca pisou no local.

Quando a pintura e o prédio foram então finalizados, ocorreu a proclamação da República no Brasil, em 1889. “E isso vai mudar um pouco o destino daquele prédio, que era feito para ser um memorial da independência e da própria família imperial brasileira e de São Paulo como lugar de berço da nação. As autoridades republicanas, sem tirar essas finalidades do prédio, vão transformá-lo sobretudo em um museu de história natural”, destacou Garcez.

Com isso, somente em 1917, quando se iniciam os preparativos para o primeiro centenário da Independência, é que a finalidade do museu volta a mudar. “Então, se antes era um museu majoritariamente de história natural, a partir de 1917 ele vai começar a ser um museu principalmente de história nacional, que naquele momento era compreendida como a história de São Paulo”, explicou Garcez.

Em 2013, esse museu foi fechado para restauração e ampliação. E será novamente reaberto ao público no próximo ano, quando se completa o bicentenário da independência.

“Nos últimos 30 anos, o perfil das nossas correções foram mudando muito. Até então, o museu era sobretudo uma instituição que guardava ou recolhia objetos provenientes da elite de São Paulo. Desde a década de 90, temos ampliado o objeto da instituição para outros temas e segmentos sociais. As nossas correções foram também documentando populações afro-brasileiras, indígenas, imigrantes, mulheres e crianças”, disse Garcez.

Para a reabertura, o museu está preparando uma exposição que pretende trabalhar a memória da Independência do Brasil, apresentando como ela foi lembrada em diversas situações, como na celebração dos seus 50 anos (em 1872), no centenário (em 1922), nos seus 150 anos (em 1972) e com o bicentenário, que será celebrada no próximo ano.

Monumento à Independência

Feito em granito e bronze, o Monumento à Independência foi inaugurado em 1923 e, até então, era considerado o maior conjunto escultórico do Brasil. A obra é do escultor italiano Ettore Ximenes, que venceu um concurso público para a criação de um monumento em homenagem a esse evento histórico.


O monumento recebe muitas críticas porque não parece retratar a história dessa ruptura entre Brasil e Portugal. Algumas reclamações se referem ao fato de que ele teria sido pré-fabricado e já estaria pronto antes de o escultor ter vencido o concurso.

“Talvez, em algum momento, ele tenha sido oferecido para alguma cidade europeia, que não aceitou e, quando o artista vê a oportunidade desse concurso, ele faz pequenas adaptações na obra. A única referência que tinha ao Brasil nesse monumento é o alto relevo do Pedro Américo”, disse Natália.

Com as críticas, Ximenes fez novas adaptações à obra. “Daí ele constrói dois conjuntos, um de cada lado, do monumento. De um lado, ele coloca a Inconfidência Mineira. E, do outro, ele coloca a Revolução Pernambucana de 1817, como movimentos precursores da Independência o que, hoje em dia, pela historiografia, é super questionável já que a Inconfidência Mineira não necessariamente estava buscando uma independência”, explicou.

As críticas ao monumento não param por aí. “O auge disso é que ele coloca a figura de um índio para representar o que seria o Brasil. Mas esse índio quase não tem destaque. E, além disso, esse índio é norte-americano. Não é um índio brasileiro. E, obviamente, não tem nenhuma figura negra e não tem nenhuma mulher. O que também é bem questionável. Ele poderia ter retratado alguma coisa da [Imperatriz] Leopoldina ou da Maria Quitéria, que foi uma mulher que lutou pela independência da Bahia”, contou Natália.

Cripta

No interior desse novo Monumento à Independência foi criada a Cripta Imperial. O primeiro corpo a ser guardado nessa cripta é o da Imperatriz Leopoldina, a primeira esposa de Dom Pedro I, que estava enterrada no Rio de Janeiro. “É importante falar que ela teve um papel político na independência muito importante. Ela articulou muito bem todo esse cenário da independência: ela estava no Rio de Janeiro fazendo política e aconselhando o próprio Dom Pedro”, explicou Natália.

Em 1972, chegam ao Brasil os restos mortais de Dom Pedro I, vindos de Portugal. Dez anos depois, chegam os restos mortais da Imperatriz Amélia, a segunda esposa de Dom Pedro I. “Eles trouxeram o corpo dela para ficar ao lado de Dom Pedro mais para atender a sua demanda, que queria ficar enterrada ao lado dele, mas não porque ela tenha participado do processo [de Independência]”, disse Natália.

Neste momento, por causa da pandemia de covid-19, a cripta está fechada ao público.


Quadro Independência ou Morte

Encomendado pela família imperial, o quadro Independência ou Morte é parte do acervo do Museu Paulista. A pintura é de Pedro Américo e foi inaugurada em 1888, em Florença, momento em que foi apresentada a Dom Pedro II, filho de Dom Pedro I.

“O quadro Independência ou Morte é uma visão idealizada do momento do grito. O pintor Pedro Américo deixou um texto dizendo isso, que a realidade inspira, mas não escraviza o pintor. Ou seja, ele coletou informações sobre o lugar, sobre como era a cena, as pessoas que estavam naquele momento, mas ele criou uma cena idealizada, uma cena de como um momento fundamental para a história do Brasil deveria ser lembrado”, diz Garcez.

Na tela, Dom Pedro I é retratado montado em um cavalo, mas hoje se sabe que, na verdade, ele estava montado em uma mula, que era o transporte utilizado para subir a Serra do Mar. Isso, no entanto, destaca Garcez, não foi um erro cometido pelo pintor, mas uma tentativa de transformar o episódio em algo memorável, uma característica da pintura histórica praticada na época.

“O compromisso dos pintores de história não era com a visão realista de como aconteceu o episódio, mas sempre de como ele deve ser lembrado”, disse.

Para a reabertura do museu, no ano que vem, o curador pretende fazer um evento para discutir, com o público, detalhes sobre a criação dessa tela, informações sobre a técnica e os modelos utilizados e a composição da cena.

Casa do Grito

A Casa do Grito recebeu esse nome porque teria sido retratada na tela de Pedro Américo. Mas não há qualquer documento que comprove que ela estava erguida quando Dom Pedro I teria declarado a independência do Brasil.

“Não temos nenhuma referência de que Dom Pedro tenha passado por ela ou de que ela existisse na época em que Dom Pedro passou por ali. A primeira documentação que temos da Casa do Grito é de 1844, ou seja, mais de 20 anos depois que Dom Pedro passou por ali. Inclusive Dom Pedro já tinha até morrido quando tivemos essa primeira documentação”, explicou Natália.

Até por volta de 1920, a Casa do Grito era uma residência. Mais tarde ela foi comprada pelo Poder Público e transformada no Museu do Tropeiro.

“Esse nome, Casa do Grito, reforça a ideia de que ali teria sido a casa do grito, que aquela casa seria a mesma do quadro ou o que a gente escuta muito, que Dom Pedro teria dormido ali para seguir viagem. Mas nada disso é verdade. A gente não tem nenhuma documentação que possa comprovar tudo isso. O que a gente sabe é que, provavelmente, ele não passou por ali”, disse a historiadora.

A Casa do Grito tem grande relevância turística porque é um dos últimos exemplares da cidade de São Paulo de uma construção de pau a pique.

Solar da Marquesa

O Solar da Marquesa, no centro da capital, não tem qualquer relação com o cenário da Independência. Mas foi ali que viveu uma das amantes mais conhecidas de Dom Pedro I: a Marquesa de Santos. E eles se conheceram nessa viagem que Dom Pedro I fazia entre Santos e São Paulo, quando ele declarou a independência. Após conhecê-lo, ela se muda para o Rio de Janeiro, onde ficava a Corte.

Quando a primeira esposa de Dom Pedro I morre, há uma grande comoção na corte e o imperador do Brasil, sem uma situação favorável, decide abandonar a Marquesa, após sete anos juntos.

Depois disso, já em 1834, ela volta a morar em São Paulo, no local hoje chamado de Solar da Marquesa. Nesse ano, Dom Pedro já havia falecido. Ele nunca pisou nesse local. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “EBC”






 

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Portugal - Sintra, Porto e Alcobaça incluídos em relatório mundial de monumentos em perigo do ICOMOS


A paisagem cultural de Sintra, o centro histórico do Porto e o Mosteiro de Alcobaça foram incluídos no mais recente Relatório Mundial sobre Monumentos e Sítios em Perigo, publicado em 2020, pelo conselho internacional dedicado ao património.

A construção de um hotel de cinco estrelas na zona da Gandarinha, em Sintra, a instalação de outro hotel em espaços pertencentes ao Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça e projetos na área da restauração da estação de São Bento, no Porto, são casos citados, que sustentam os alertas de risco, baseados sobretudo na falta de observação das diretrizes da Convenção do Património Mundial.

Os dados sobre Portugal constam do “Relatório do Património Mundial em Risco 2016-2019”, do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS, na sigla em inglês), que aborda a situação em 23 países.

O documento é publicado regularmente há vinte anos, com o objetivo de chamar a atenção para os monumentos e paisagens culturais em perigo por causas naturais e humanas.

Neste mais recente relatório, com base em informação das representações dos comités científicos nacionais do ICOMOS, de especialistas individuais e do programa europeu Europa Nostra, são descritos casos de monumentos em perigo em países como Albânia, Alemanha, Austrália, Áustria, Bulgária, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Índia, Kosovo, México, Nepal, Países Baixos, Peru, República Checa, Romênia, Turquia.

No caso de Portugal, o relatório conclui que as ameaças ao Património Mundial se devem à “falta de aplicação de legislação nacional e de recomendações internacionais”, e à “falta de observação das diretrizes da Convenção do Património Mundial”.

São citados os casos da construção de um hotel de cinco estrelas na zona da Gandarinha, em Sintra, o hotel de luxo em instalação no Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, projetos de conversão em curso na área da restauração na estação de São Bento, na zona histórica do Porto, “antes de serem submetidos às autoridades competentes, e outros submetidos e aprovados pelas autoridades locais sem terem em conta as recomendações internacionais”.

“As entidades responsáveis – gerentes, autarquias, administração regional e central – deveriam respeitar mais as recomendações para assegurar a proteção do patrimônio”, aponta o documento do ICOMOS, acrescentando que a análise apresentada “não é exaustiva, e é baseada em dados dos projetos arquitetónicos e observações no local”.

A organização adverte, por isso, para a “necessidade de uma avaliação mais detalhada do estado de conservação dos monumentos e sítios”.

“Se, a curto prazo, não forem tomadas medidas de emergência, o mesmo tipo de intervenções arbitrárias irá continuar, com um esperado aumento de efeitos negativos”, alerta.

Os três bens patrimoniais em causa estão inscritos na Lista do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

O relatório chama ainda a atenção, no período entre 2016 e 2019, para situações noutros países, como a alteração de fachadas históricas em edifícios nos Países Baixos, as ameaças aos conjuntos de arte gótica em Bombaim, na Índia, e a alteração de interiores de catedrais e abandono de antigas sinagogas em Berlim, na Alemanha.

No documento, publicado em 2020, o presidente do ICOMOS, Toshiyuki Kono, faz já um alerta sobre o potencial destrutivo do vírus da covid-19: “Estamos todos a lidar com um desastre sem precedentes. Os impactos desta pandemia podem durar muito tempo, porque afetam todas as atividades. Para identificar como a pandemia pode afetar o patrimônio cultural e a sua conservação, pusemos em marcha um inquérito em larga escala”, anuncia, que mobiliza a organização e as suas secções.

O ICOMOS, organização não governamental fundada em 1965, com sede em Paris, França, funciona como órgão consultivo para o Património Cultural Mundial na UNESCO, desde 1972.

Tem como missão internacional, a conservação do património cultural – monumentos, conjuntos e sítios – nas suas dimensões tangíveis e intangíveis.

O ICOMOS (International Council of Monuments and Sites) é responsável pela “Carta de Veneza” (Carta Internacional para a Conservação e Restauro de Monumentos), criada em 1964, e várias outras recomendações neste domínio do patrimônio cultural, promovendo a sua divulgação, a adoção e a aplicação de convenções e textos normativos.

O conselho de administração do ICOMOS – Portugal, secção portuguesa, é presidido pela arquiteta Soraya Genin. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


 

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Alemanha - Português revela em livro monumentos de Lenine



O português Carlos Gomes, que começou o projeto “Lenin is still around” em 2014, lançou um livro na Alemanha que assinala os 150 anos do nascimento do líder comunista russo. A obra foi editada pela ‘Verlag 8. Mai’ que, além de livros, também publica o jornal diário Junge Welt (Jovem Mundo, em tradução literal). Em 2016 Carlos Gomes lançou uma série de 12 artigos sobre monumentos de Lenine neste jornal e, agora, no âmbito do 150.º aniversário do dirigente, a 22 de abril, propôs a ideia do livro, que foi bem acolhida.

Lenin lebt. Seine Denkmäler in Deutschland” (“Lenine vive. Os seus últimos monumentos na Alemanha”) é o nome da obra, lançada em março, onde o leitor encontra “informação em primeira mão acerca de todos os monumentos a Lenine, que ainda existem no país, e fotografias a cores e em grande formato de todos eles”, revelou o autor Carlos Gomes em declarações à agência Lusa.

“É a investigação mais completa sobre este tema jamais feita na Alemanha. Em relação a alguns dos monumentos, muita da informação é inédita, fruto de uma pesquisa e um trabalho de campo de seis anos”, revelou o professor português, a viver em Berlim desde 2013.

Carlos Gomes, que confessa ter admirado sempre Lenine “como símbolo da luta pela igualdade e justiça social”, começou o projeto “Lenin is still around” (Lenine ainda está por aí) “um pouco por acaso”, em 2014.

“Deparei-me com uma estátua de Lenine abandonada numa antiga área militar, em Brandemburgo, e comecei a procurar mais monumentos. Fui descobrindo que ainda havia muitos, mas que o inventário existente era muito incompleto. Isso motivou-me a começar um projeto de investigação e a criar a página de internet com o mesmo nome para ir publicando os resultados”, explicou à Lusa.

Já reuniu 25 monumentos dedicados exclusivamente a Lenine, encontrados em 19 localidades do leste da Alemanha.

“Lenine não é um símbolo cómodo para os partidos políticos tradicionais, por isso a tendência nas últimas décadas foi ir desaparecendo nos espaços públicos. Mas procurando com um pouco de atenção, acabamos por nos deparar com Lenine em todos os lados”, contou, exemplificando.

“Na Faculdade de Direito da Universidade Humboldt de Berlim, há um vitral gigante dedicado a Lenine e, até no interior do Parlamento alemão, ele aparece desenhado num quadro. Não pode ser retirado, pois foi um presente da Rússia no âmbito da nova decoração do edifício que ficou parcialmente a cargo dos países das forças aliadas da II Guerra Mundial”, descreveu.

O português admite que não vai parar de investigar, já que o “inventário de monumentos a Lenine nunca é definitivo”.

“Ainda hoje há políticos a tentar retirar monumentos de espaços públicos, mas ao mesmo tempo há associações históricas e grupos políticos a querer, por sua vez, erguer ou recolocar novas (ou velhas) figuras de Lenine em diferentes cidades alemãs, não só no Leste, como também no Oeste”, partilhou.

“Em março estava prevista a inauguração de uma estátua de bronze de Lenine em Gelsenkirchen. A inauguração teve de ser adiada devido à atual pandemia, mas deverá acontecer em breve”, continuou.

Carlos Gomes garante que “vai continua com o projeto”, disponível em alemão e em inglês, acompanhando e documentando as “novidades polémicas que são sempre abundantes e muito interessantes em relação a este tema”.

Vladimir Ilyich Ulyanov, conhecido como Lenine, nasceu a 22 de abril de 1870, em Uljanowsk, na Rússia, e morreu aos 54 anos, nos arredores de Moscovo. Foi um ideólogo comunista, líder da Revolução Russa e um dos fundadores da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

O livro “Lenin lebt. Seine Denkmäler in Deutschland” está disponível nas livrarias e ‘online’. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”


segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Quénia - Mar ameaça herança de Vasco da Gama

O mar que Vasco da Gama venceu na épica viagem de descoberta do caminho marítimo até à Índia ameaça agora os vestígios da sua passagem por terras africanas



Na costa sul do Quénia, monumentos como o Forte Jesus de Mombaça e o padrão de Melinde sentem os efeitos do tempo agravados pela erosão marítima e as dificuldades de financiamento vão adiando as necessárias intervenções.

“As fundações do Forte Jesus foram construídas em rocha coralífera, mas o mar vai escavando a base e vão ficando degradadas”, explica Raphael Igombo, responsável do departamento educativo do National Museums of Kenya (Museus Nacionais do Quénia, NMK na sigla inglesa) em Mombaça, mostrando o desgaste sofrido pelo pesado maciço que sustenta o Forte Jesus há mais de 500 anos.

As paredes de coral suportam as muralhas do histórico forte, construído em 1593 pelos portugueses e classificado como património mundial pela UNESCO desde 2011.

“As condições climáticas estão a afetar o forte que sofre os efeitos das ondas a embater na muralha, da água salgada e da humidade. O mar está mesmo ao lado da muralha”, aponta o mesmo responsável.

O governo queniano está a promover a construção de um muro de contenção para atenuar o impacto das ondas e os efeitos da erosão (tal como fizeram anteriormente os portugueses com uma muralha exterior, hoje praticamente desaparecida), mas a obra, que arrancou há cerca de dois anos, tarda em chegar ao fim.

“A construção tem sido faseada, não só por causa da água, mas porque dependemos das verbas disponíveis”, disse Raphael Igombo, estimando que a ensecadeira (uma proteção para conter a água) possa ser concluída até ao final deste ano, se os fundos “forem libertados”.

O muro artificial onde o governo queniano investiu cerca de 500 milhões de xelins (4,3 milhões de euros), está colocado a seis metros da muralha e vai ajudar a travar a força das ondas, protegendo o forte “por mais 500 anos, antes de ser construída outra parede”, espera Raphel Igombo.


“As pessoas de Mombaça valorizam este património. Consideram-no seu e estão orgulhosos do potencial turístico e económico do forte. Podem não conhecer toda a história, mas sabem que os seus antepassados interagiram com os portugueses nalguma altura e valorizam isso porque faz tudo parte da construção do Quénia”, refere o especialista.

Também o governo português afirma estar empenhado na valorização deste património depois de ter empreendido um processo de aproximação entre os dois países e retomar a representação diplomática no Quénia, após um interregno de alguns anos como destaca a encarregada de negócios no país, Luísa Fragoso.

“Prosseguimos uma tradição de parceria que tem dado bons frutos e que pretendemos renovar conjuntamente, oferecendo o nosso know-how na área da recuperação e da preservação do património e reconhecendo o trabalho que o governo queniano tem desenvolvido nos edifícios históricos, como o Forte Jesus em Mombaça, onde realizou obras importantes para a sua preservação estrutural, no início deste ano”, destacou a diplomata.

Luísa Fragoso acrescentou que prosseguem os contactos para “definir novos programas de cooperação que vão ao encontro do interesse mútuo de perpetuar a história” que une os dois países.

O forte Jesus, que mudou nove vezes de mãos entre os séculos XVII e XIX, espelha a diversidade de Mombaça nos vestígios dos diferentes povos que por ali passaram : as ruínas da antiga capela portuguesa estão lado a lado com a casa dos árabes omani e os seus vários edifícios revelam os usos distintos que a fortaleza foi tendo, incluindo prisão, até chegar aos dias de hoje como atração turística.

O monumento perpetua na pedra os cem anos de presença portuguesa em Mombaça, lembrando as escaramuças com os árabes e outros povos que competiam pelo domínio da cidade, um importante entreposto comercial na rota das especiarias e comércio de escravos.

Ali chegaram a viver 400 soldados, adianta Raphael Igombo, salientando que o forte era um local “estratégico” que permitia avistar “cada navio que passasse por Mombaça”.

A epopeia da memória continua em Melinde, 100 quilómetros a norte, no local onde Vasco da Gama encontrou refúgio depois de uma receção hostil em Mombaça.

O pilar que o navegador português mandou construir para celebrar a amizade com o rei muçulmano de Melinde, ergue-se branco, solitário e vigilante, sobre um rochedo de coral, testemunho da passagem dos milhares de navios carregados de especiarias que despertavam a cobiça dos navegadores portugueses.

Hoje assiste ao corrupio dos turistas que costumam abundar junto deste monumento, um dos mais emblemáticos do Quénia.

Jimbi Katana, investigador do NMK, aponta para uma fenda que avança no maciço coralífero denunciando os efeitos da erosão e os estragos do mar sobre um dos monumentos mais antigos dos portugueses na África austral, construído ainda antes do Forte Jesus, em 1498.

“O mar está a subir e quando as ondas estão altas chega até aqui. Este é o risco que enfrentamos. Temos de garantir que esta área fica a salvo das marés e das correntes”, indica o responsável do NMK.

A base de coral onde está implantado o padrão revela a ameaça da subida dos mares que as pequenas estruturas de pedra que tentam atenuar a força das ondas não conseguem travar.

“As fundações estão a ser minadas pelas correntes. Parte da rocha onde nos encontramos colapsou e estamos a ver como podemos encontrar soluções para que o pilar não seja varrido pelo oceano”, diz Jimbi Katana, acrescentando que também é preciso financiamento.

A reabilitação envolve “a estabilização da rocha”, atravessada por um túnel, substituindo as vigas já oxidadas e desgastadas e a construção de um quebra-mar para minimizar o impacto das ondas, um projeto estimado em mais de 50 milhões de xelins (cerca de 500 mil euros).

“Queremos preservar este monumento que é uma paragem obrigatória em Melinde. É uma herança partilhada entre portugueses e quenianos”, destaca Jimbi Katana.

Portugal apoia as intenções quenianas garante Luísa Fragoso, que visitou o local este ano. “A cooperação na área do património não deixará de ter em conta os projetos definidos pelas autoridades quenianas para o investimento na revitalização dos monumentos e das áreas envolventes”, salientou.

Portugal está "disponível" para ajudar a preservar monumentos no Quénia

A reabilitação e conservação manutenção dos monumentos ligados à história portuguesa no Quénia compete ao governo queniano, mas Portugal está “disponível” para colaborar, segundo a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação.

Património histórico, como Forte Jesus em Mombaça ou o padrão de Vasco da Gama e a igreja portuguesa de Melinde enfrentam diversos riscos, desde a erosão provocada pelo mar ao desgaste da passagem do tempo, mas a sua conservação está fortemente condicionada pelas dificuldades de financiamento.

Reconhecendo que estes são “três importantíssimos exemplos de património português em África”, Teresa Ribeiro assinalou que Portugal “está disponível para colaborar”, mas sublinhou que a recuperação do património e responsabilidades quanto à conservação desse património pertencem inteiramente ao Quénia.

“Nós [Portugal] ajudaremos sem nenhuma hesitação, mas o património está no Quénia, pertence ao Quénia e deve ser devidamente zelado pelo Quénia, ainda que possa mobilizar apoios internacionais e ainda que Portugal tenha um especial apreço pela conservação desse património e esteja disponível para ajudar à sua manutenção nas melhores condições”, afirmou a governante.

Teresa Ribeiro adiantou que Portugal está disponível para apoiar o Quénia sobretudo na elaboração dos estudos técnicos, para os quais conta também com o apoio da Fundação Gulbenkian “que tem dado um contributo inestimável na identificação do património e realização de estudos técnicos com vista à sua recuperação”.

Atualmente, o Quénia tem em curso intervenções no Forte Jesus, em Mombaça, monumento classificado pela UNESCO como património mundial e datado do século XVI e pretende avançar com a construção de um quebra-mar para atenuar os efeitos da ondulação sobre o padrão de Vasco da Gama, construído em 1498, em Melinde. In “Sapo 24” - Portugal

segunda-feira, 5 de março de 2018

Portugal – Património com 200 anos para suster as invasões francesas passa a monumento nacional

Fortes e estradas militares com 200 anos para travar tropas francesas passam a monumento nacional



Os fortes e estradas militares construídos há 200 anos para defender Lisboa das invasões francesas foram classificados como monumento nacional, informou a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC).

Fonte oficial da DGPC confirmou que a proposta de classificação foi aprovada na reunião de 21 de fevereiro do conselho diretivo da DGPC para assegurar a salvaguarda deste património associado às chamadas ‘Linhas de Torres Vedras’, no distrito de Lisboa.

A candidatura integrou 128 estruturas militares, como fortes e estradas militares, da primeira e segunda linhas defensivas, mas só 114 foram classificados, tendo 15 ficado de fora por se encontrarem degradados ou destruídos.

Além da classificação como património nacional, vai ser criada uma zona especial de proteção em volta de cada uma das estruturas.

Há sete anos que Associação para o Desenvolvimento Turístico e Patrimonial das Linhas de Torres, que integra as câmaras de Arruda dos Vinhos, Loures, Mafra, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira, no distrito de Lisboa, pedia a inclusão do património no inventário do património nacional.

“As Linhas de Torres são um sistema defensivo – muito bem-sucedido – de dimensão e impacto histórico invulgar, nacional e internacionalmente” refere o parecer da Secção do património Arquitetónico e Arqueológico da DGPC, a que a agência Lusa teve acesso.

Segundo os especialistas, “sintetizam a capacidade estratégica de Wellington e os saberes militares de origem inglesa, portuguesa, mas, também, francesa do fim do século XVIII e do início do século XIX”.

As Linhas de Torres foram construídas sob a orientação do general inglês Wellington, comandante das tropas luso-britânicas no período das invasões francesas, para defender Lisboa das forças napoleónicas entre 1807 e 1814.

Em 2010, ano em que se comemoraram os 200 anos da construção das linhas defensivas, foram inauguradas obras de recuperação a que foram sujeitas e Centros de Interpretação, um investimento estimado em cerca de seis milhões de euros.

Em 2014, a empreitada de desmatação, recuperação e reabilitação dos fortes venceu o prémio Europa Nostra, na categoria “Conservação”.

Nesse ano, a Assembleia da República instituiu o dia 20 de outubro como o Dia Nacional das Linhas de Torres.

As Linhas de Torres recebem por ano cerca de 10 mil visitantes.

As invasões francesas foram incursões militares de tropas francesas sobre o território português levadas a cabo, nos anos de 1807-1808, 1809 e 1810-1811, sob a direcção, respectivamente, dos marechais Junot, Soult e Massena.

A razão imediata das invasões relacionou-se com a recusa portuguesa em aderir ao Bloqueio Continental decretado por Napoleão em relação à Inglaterra, no ano de 1806. Para agravar a situação, em Agosto do ano seguinte, França apresentou um ultimato ao governo português: ou este declarava guerra à Inglaterra até dia 1 de Setembro ou as fronteiras nacionais seriam cruzadas pelos soldados franceses. Na medida em que a aliança anglo-lusa não foi quebrada, a ameaça foi cumprida em meados de Novembro.

O poderio militar gaulês aconselhou a que não fosse oferecida oposição de maior aos invasores. No entanto, a família real e a corte acharam por bem embarcar e instalar-se no Brasil de modo a evitar o seu aprisionamento e a manter a independência nacional.

Batalha nas Invasões Francesas

A resistência armada à ocupação ganhou fulgor após a chegada de um contingente militar inglês liderado por Sir Artur Wellesley (doravante conhecido como Lord Wellington), que infligiu duas derrotas aos inimigos nas batalhas de Roliça e Vimeiro. A conjugação de esforços entre portugueses e ingleses permitiu também obrigar Soult e os seus homens a abandonarem o País, em 1809.

Nesse mesmo ano começaram os preparativos para suster a nova invasão que se adivinhava. Neste contexto, foram levantadas à volta de Lisboa três linhas de defesa fortificadas (as linhas de Torres).

Ainda antes de as atingirem, em 1810, os franceses perderam a batalha do Buçaco. O exército napoleónico foi depois obrigado a suster o seu avanço ante as Linhas de Torres, acabando por se retirar na Primavera de 1811.

Portugal sofreu grandes danos materiais causados pela luta armada e pelos saques franceses, bem como pela táctica de terra queimada que ingleses e portugueses recorreram com o objectivo de evitar maiores proveitos aos invasores.

No plano económico, a agricultura e, em particular, a criação de gado ressentiram-se a ponto de a subsistência alimentar não ter sido assegurada nos anos que seguiram a 1811.

Do mesmo modo, diminui a produção industrial, acarretando a redução de remessas para as colónias.

Por outro lado, a impossibilidade de continuar a fazer-se a redistribuição dos produtos brasileiros através do território português obrigou, em 1808, à abertura dos portos brasileiros à navegação estrangeira. In “Mundo Português” - Portugal

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Paderne

Hoje, dia 10 de Junho de 2013, comemora-se o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, sendo a cidade de Elvas a eleita para os actos solenes que registam o dia.
 
Normalmente nesta época, muitos portugueses rumam a sul para passarem alguns dias no Algarve e quando chegam ao final da auto-estrada e viram à esquerda para Faro, encontram ao seu lado direito umas ruínas, imperceptível para a maior parte dos portugueses, que são as ruínas do castelo de Paderne que no fundo espelham a realidade a que chegou Portugal e por duas razões, retractam a ignorância de uma população e o desinteresse pela riqueza cultural nacional.
 
Segundo alguns historiadores o castelo de Paderne está representado no escudo português da bandeira nacional, sendo uma das sete fortalezas algarvias conquistadas por Afonso III, sendo as outras Albufeira, Aljezur, Cacela, Castro Marim, Estombar e Sagres.
 
A história deste castelo remonta ao séc. XII quando os Almóadas criaram uma linha defensiva para suster o avanço cristão que vinha do norte. A construção foi em taipa, característico deste povo muçulmano e controlava a antiga estrada romana que atravessava a ribeira de Quarteira.
 
D. Sancho I conquistou este castelo em 1189 com o sacrifício de vidas que lutaram com bravura para a consolidação do território português. Foi uma conquista efémera, pois só durou dois anos, tendo regressado ao domínio português apenas em 1248 por Afonso III, que conquistou Faro em 1249, terminando com a ocupação muçulmana do Algarve.
 
Infelizmente, a democracia portuguesa preocupa-se muito pouco com a sua identidade histórica e com a preservação dos seus monumentos, embora este castelo tenha já tido o início de recuperação neste século, praticamente tudo ficou por fazer e a estrutura em taipa do que resta do lado norte, este e oeste, qualquer dia desaparecerá.
 
Há que reconhecer que os principais monumentos nacionais, os mais procurados pelos turistas estrangeiros que nos visitam e onde Portugal consegue obter melhores receitas, foram recuperados durante a ditadura, embora por vezes sem grandes preocupações de manter a traça original, mas sim de embelezar para agradar o visitante. Baía da Lusofonia
 

 
Vista observada da Via do Infante (A22)