Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 25 de setembro de 2018

Angola - Porto do Lobito recebe segundo carregamento de minério em seis meses

A utilização dos Caminhos de Ferro de Benguela (CFB) para escoar minérios oriundos da República Democrática do Congo (RDCongo) foi retomada pela segunda vez em seis meses, com a chegada de novo carregamento no sábado ao porto do Lobito



Segundo notícia da imprensa local, um comboio dos CFB chegou àquele porto da província angolana de Benguela com 28 vagões, que transportaram 1200 toneladas de minério de cobre provenientes da região mineira de Kisenge, província de Katanga (RDCongo), e tem como destino a Bélgica.

O minério pertence à empresa Access World e está armazenado no Porto Comercial do Lobito a aguardar pela chegada, nos próximos dias, de um navio para que possa ser embarcado.

A mercadoria foi embarcada no Luau (no leste da província do Moxico e cidade junto à fronteira com a província congolesa democrática do Katanga), no âmbito do projecto de revitalização do Corredor de Desenvolvimento do Lobito.

Trata-se do segundo carregamento de minério oriundo da RDCongo transportado pelos CFB este ano, depois de, a 05 de março deste ano, a companhia ferroviária ter trazido para o Lobito 1000 toneladas de manganês, instaladas em 25 carruagens com 50 contentores, com destino à Índia.

Na ocasião, o ato foi marcado por forte emoção para destacar a concretização do reinício das operações internacionais do CFB, mais de 30 anos depois, tendo em vista os países encravados como a Zâmbia e a República Democrática do Congo, visando dar um novo impulso à economia angolana.

No sábado, ao intervir na cerimónia simbólica de recepção do minério na "estação zero" dos CFB, o presidente do Conselho de Administração do Porto do Lobito, Agostinho Estêvão Felizardo, não adiantou o valor que a empresa poderá embolsar com a operação, salientando que a unidade portuária tem condições para operações desta envergadura.

"O Porto do Lobito está mais preocupado em mostrar à comunidade internacional que estas operações de embarque de minério já são possíveis", disse o gestor, salientando que a chegada de mais uma carga está em linha com o compromisso do Executivo de redinamizar o Corredor de Desenvolvimento Económico do Lobito, através do CFB e do Porto.

Por sua vez, Luís Lopes Teixeira, presidente do Conselho de Administração dos CFB, também se escusou a falar sobre os custos operacionais, mas adiantou que a viagem de comboio durou 36 horas, partindo do Luau, província do Moxico, ponto de ligação com os comboios da RDCongo.

Nem Agostinho Estêvão Felizardo nem Luís Lopes Teixeira indicaram se as operações de transporte são para continuar ou se há mais contratos para escoar quaisquer outros minérios oriundos da RDCongo ou da Zâmbia. In “Novo Jornal” – Angola com “Lusa”

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Angola - Minério de ferro volta a ser exportado

Angola regressa à condição de exportador de minério de ferro com o terminal mineraleiro do Porto do Namibe a ser o palco do início do carregamento das primeiras 70 mil toneladas com destino à China, esperando-se que o segundo carregamento aconteça já nas próximas semanas



Depois de anos a fio sem exportar esta matéria-prima, as primeiras 70 mil toneladas de minério de ferro, extraídas nos depósitos activos na Huíla, no sul de Angola, deixam o Porto do Namibe dentro de alguns dias, numa cerimónia onde deverá estar o Presidente da República, João Lourenço, para atestar a importância do momento para Angola.

O destino das cargas iniciais, que se os planos iniciais tivessem sido cumpridos, teriam tido início em Janeiro, são as regiões industriais chinesas, cujas siderurgias passam a contar com o ferro angolano para a sua laboração.

O navio cargueiro, com pavilhão liberiano, Trina Oldendorff, com 225 metros de comprimento e capacidade de carga de 73 mil toneladas, deverá chegar ao porto do Namibe, para carregar 70 mil toneladas de minério de ferro.

O plano do Governo angolano passa por normalizar os carregamentos de minério de ferro, com a plena exploração dos depósitos da Huíla, com destaque para Kassinga, e criar condições para, pelo menos, segundo disse ao Novo Jornal Online fonte ligada ao sector, dois carregamentos desta dimensão, cerca de 70 mil toneladas, por mês, durante os próximos anos.

Mas, para isso, como soube o Novo Jornal Online, a infra-estrutura portuária do Namibe carece de ser apetrechada com equipamentos novos, como, por exemplo, para pesar a carga transferida para os navios, obtendo maior precisão sobre as cargas efectuadas.

O peso da carga, para efeitos do negócio do frete do cargueiro, será, assim, e na ausência dos modernos equipamentos que apetrecham os grandes portos mundiais, a diferença entre o peso do navio à chegada e depois de carregado, subtraído o combustível e o lastro.

Este método deverá ainda ser utilizado no segundo carregamento, que se prevê para as próximas semanas - o Trina Oldendorff vai estar atracado para carregamento cerca de 10 dias -, mas, no futuro, o Porto do Namibe deverá passar a dispor de equipamento adequado.

Outra questão a afinar no futuro é a questão da segurança no momento de atracar e zarpar dos navios porque a pouca distância encontra-se um pipeline da Sonangol e é ali que funciona o principal terminal de combustíveis e lubrificantes da petrolífera nacional no sul de Angola.

Um passado pesado

A exploração e o terminal mineraleiro do Saco Mar, construído em 1967, permitiram que o Porto do Namibe assistisse à saída de mais de 40 milhões de toneladas de minério de ferro para alimentar as indústrias siderúrgicas da Europa e da Ásia até 1975, ano em que foi interrompido o processo, logo depois da independência do país.

A construção deste terminal, com 525 metros e um calado de 19 metros, foi decidida exclusivamente por causa da exportação desta matéria-prima vinda das minas de Cassinga/Jamba, província da Huila e, durante os oito anos que funcionou, foi o de 1973, que melhor registo conseguiu, com 6,2 milhões de toneladas exportadas.

De acordo com o projecto, que deverá ser implementado por fases, cuja gestão é da responsabilidade da Ferrangol, no qual foram investidos, de acordo com o que foi divulgado há cerca de três anos, mais de 100 milhões de dólares para "relançar a extracção de minério de ferro" nas áreas de Kassinga Norte (Jamba) e Kassinga Sul (Tchamulete),onde se estima que existam mais de 35 milhões de toneladas de minério de ferro.

Importante fonte de receita

Nas imediações da cidade de Moçâmedes, soube ainda o Novo Jornal Online, já se encontram mais de 150 mil toneladas de minério de ferro oriundas da Huíla a aguardar.

A exploração foi concessionada pela Ferrangol e esta ser operada pela empresa Portandum, do Grupo Boavida, que investiu mais de 100 milhões neste projecto.

A informação divulgada, aquando do lançamento desta actividade mineira e a exportação começou a ser preparada, estimava que o país tem condições para atingir uma produção anual ligeiramente acima das 1,8 milhões de toneladas, totalmente para exportação.

Com os actuais preços nos mercados internacionais a rondarem os 65 dólares norte-americanos por tonelada, e se se confirmar a exportação anual nestes valores - as 1,8 milhões de toneladas -, o país pode vir a encaixar à volta de 100 milhões USD.

Mas estes valores tendem a aumentar, de acordo com as previsões, porque, nos próximos três anos prevê-se que se ultrapassem as oito milhões de toneladas, com a entrada em funcionamento da 2ª e 3ª fase, Cateruca e Tchamutete, ambas na Huíla.

Posteriormente, existe ainda a ideia de alimentar as siderurgias nacionais com a matéria-prima oriunda da Huíla, que chegará ao Porto do Namibe através dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes.

O ferro é um metal essencial em diversas actividades mas tem o principal papel enquanto constituintes das ligas de aço, na indústria automóvel e na construção civil. Ricardo Bordalo – Angola in “Novo Jornal”

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Moçambique – Aposta no transporte ferroviário de magnetite

O comboio de transporte de magnetite que está a ser ensaiado na linha férrea de Ressano Garcia, desde o dia 1 de Abril, está a reduzir a quantidade de camiões que demandam, diariamente, o Porto de Maputo, transportando este minério a granel.

Trata-se de uma longa composição, composta por 75 vagões de 60 toneladas cada, transportando um total de 4.500 toneladas de magnetite por viagem. Neste momento, circulam, naquela linha, cinco comboios por semana, estando o aumento da frequência dependente da melhoria das condições operacionais da linha de Ressano Garcia e do Porto de Maputo.

O recurso à via ferroviária para o transporte deste minério surge como resultado dos esforços do Governo, visando conferir maior competitividade e eficiência ao Corredor de Maputo.

De acordo com o ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita, numa visita recente efectuada ao local onde é manuseado o minério, no Porto de Maputo, “o transporte via ferroviária, não só está a contribuir para o descongestionamento da Estrada Nacional Número Quatro (EN4), mas também a conferir melhorias na cadeia logística, em geral”.

Conforme explicou Carlos Mesquita, o transporte ferroviário concorre para a redução dos custos operacionais, quando comparado com o sistema rodoviário, que era predominantemente usado para o transporte de magnetite.

A introdução deste comboio, que liga a África do Sul ao Porto de Maputo, através da linha de Ressano Garcia, permitiu, até ao momento, a redução de pelo menos 140 camiões por dia, e 700 por semana, que trafegavam na EN4, num só sentido.

Assim, espera-se que até o final do ano a mobilidade na EN4 e o congestionamento de camiões no acesso ao Porto de Maputo conheçam melhorias significativas.

Para o ministro dos Transportes e Comunicações, esta medida enquadra-se no âmbito da visão integrada entre o sistema ferroviário e o manuseamento portuário que o Governo tem vindo a promover.

“Temos estado a trabalhar para que os investimentos que estão a ser feitos no Porto de Maputo sejam acompanhados por medidas profundas de melhoria de desempenho da linha de Ressano Garcia para atender, de forma harmonizada, ao crescimento da demanda, sendo a introdução deste comboio um passo importante”, referiu Carlos Mesquita.

A reconquista das cargas tradicionalmente ferroviárias, actualmente transportadas com recurso ao sistema rodoviário, afigura-se como de capital importância para a economia do País, assim como na melhoria da mobilidade ao longo da EN4, para além de contribuir para a melhoria da receita cobrada pela empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), através da maior utilização da linha de Ressano Garcia.

A EN4 registava um movimento desusado de camiões, provenientes da África do Sul, transportando minérios a granel, carga tradicionalmente ferroviária, o que, para além de causar constrangimentos à mobilidade, torna as operações mais caras e incrementa o consumo de combustíveis.

Neste sentido, espera-se que até o final do ano o Porto de Maputo passe a receber cerca de quatro milhões de toneladas de magnetite através da linha de Ressano Garcia, facto que vai reverter a actual tendência, em que maior parte da carga manuseada é transportada via rodoviária.

Refira-se que o Porto de Maputo tornou-se ainda mais competitivo nos mercados regionais e internacionais, com a recente conclusão da dragagem do canal de acesso, que passou de 11 para 14 metros de profundidade, permitindo o acesso àquela infra-estrutura de navios de porte até 120 mil toneladas. Iniciada no terceiro trimestre de 2015, a dragagem do canal de acesso ao Porto de Maputo custou 84,1 milhões de dólares norte-americanos e enquadra-se numa estratégia que irá permitir que o Porto atinja a meta estabelecida de manusear 40 milhões de toneladas até 2020.

Por outro lado, para conferir maior capacidade à Linha de Ressano Garcia, está prestes a iniciar a implementação de um pacote de cerca de USD 120 milhões na aquisição de equipamento rolante e melhoria da linha férrea. No concreto prevê-se, ainda este ano, a instalação dum sistema centralizado de comando de circulações, o aumento da extensão dos cruzamentos de 1000 para 1500 metros, reforço de 3 pontes e substituição de alguns carris e travessas de betão. Em função da evolução da demanda, está prevista a aquisição de 3 locomotivas de 3000 HP e 100 vagões, para a melhoria de tracção nesta linha, de capital importância para o Corredor de Maputo. In “Olá Moçambique” - Moçambique