Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Reino Unido - Ceramista portuguesa conquista prémio artístico no País de Gales

A ceramista portuguesa Natália Dias ganhou este ano pela segunda vez uma medalha de ouro do festival Ceredigion National Eisteddfod no País de Gales com uma série de cabeças de mulheres inspiradas nas mitologias grega e celta


A Medalha de Ouro para a categoria de Design e Artes Decorativas [Gold Medal for Craft and Design] inclui um prémio monetário de 5000 libras [6000 euros), mas é o reconhecimento da obra que a artista de 44 anos mais valoriza.

Com origens que remontam a 1861, o National Eisteddfod é um dos maiores festivais culturais europeus, atraindo cerca de 160000 visitantes ao longo de uma semana de concertos, debates, exposições e outras manifestações tradicionais dedicados à língua e tradições galesas.

“Penso que só duas ou três pessoas ganharam duas vezes o prémio desde que o festival existe. É muito significativo porque no País de Gales é um prémio muito importante e é extremamente relevante para a validação do meu trabalho”, disse a artista à Agência Lusa.

As peças, explicou, remetem para “guerreiras que representam o espírito feminino e são inspiradas na mitologia grega, celta ou irlandesa, as lendas e magia que estão muito presentes na história do País de Gales”.

Nesta série identifica também a própria herança socio-cultural da arte sacra que observava nas igrejas que frequentava com a família em Portugal.

“Não sou católica praticante, mas esta espiritualidade esteve sempre presente na minha vida. As figuras são quase como aquelas que se vêem em igrejas portuguesas, mas com significado mais pagão, celta, mitológico”, afirmou.

Uma das peças da série que se destacam é intitulada “Blodeuwedd”, uma representação de uma figura mítica criada a partir de flores encontrada no Mabinogi, um manuscrito medieval que reúne várias lendas galesas.

Em homenagem, Natália Dias criou uma cabeça de cerâmica finalizada com vidrado verde e coroada por uma crista de folhas e flores, decoração na qual usou o estilo que caracterizam o trabalho do compatriota Raphael Bordallo Pinheiro (1846-1905), técnica desenvolvida pelo francês Bernard Palissy (1509-1590).

“Esse estilo das terrinas e pratos de Bordallo Pinheiro sempre me inspirou”, confiou à Lusa, estilo bastante vistoso e requintado, que contrasta com a tendência moderna para uma cerâmica “mais minimalista”.

Esta série de cabeças feitas em 2019 e 2020 foram criadas numa altura em que se falava muito de protestos ambientais e da ativista sueca Greta Thurnberg, contou.

No passado, a portuguesa fez peças com metamorfoses de órgãos humanos em plantas ou com referências a catástrofes naturais, como derrames de crude, um reflexo das próprias observações e emoções e do interesse omnipresente na natureza.

“O mais visceral do trabalho vem de Portugal e o mais natural, de plantas e do verde, da mitologia e histórias, vem do País de Gales”, resumiu a artista baseada em Cardiff.

Natural do Funchal, na Madeira, Natália Dias cresceu em Almeirim e inicialmente trabalhou como ‘chef’ de cozinha, mas deixou para trás esta carreira para estudar restauro de arte e património, ainda em Portugal.

Em 2001, decidiu aprofundar os estudos na universidade de Portsmouth, no sul de Inglaterra, onde teve o primeiro contacto com a cerâmica, a qual a fez mudar novamente de direção e tornar-se artista.

Depois de uma passagem pela Irlanda, estabeleceu-se no País de Gales, onde completou uma licenciatura, e com os trabalhos de curso ganhou a primeira medalha de ouro do National Eisteddfod, em 2010.

Em 2007 ganhou o primeiro prémio Design4Science, que abriu a uma exposição na Suécia, em 2014 foi-lhe atribuída uma bolsa Creative Wales Award pelo fundo de apoio à cultura Arts Council of Wales.

Atualmente faz parte do coletivo Fireworks Clay studios juntamente com outros 15 ceramistas britânicos e internacionais, com os quais partilha as instalações, equipamento e a organização do espaço.

Em Portugal, já participou duas vezes na Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro, mas gostaria de reforçar os laços com o país, tendo como projeto abrir um estúdio em Arcos de Valdevez, perto do Parque Nacional da Peneda Gerês, que compara à paisagem galesa. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


sábado, 2 de novembro de 2019

Madeira - 4º Encontro GelAvista



O 4º Encontro GelAvista promove discussão acerca da poluição por plásticos nos ecossistemas marinhos. Irá realizar-se nos próximos dias 23 e 24 de Novembro na Câmara Municipal do Funchal, na Madeira, com a colaboração da Estação de Biologia Marinha do Funchal.

No dia 23 de novembro, durante a tarde, serão apresentados os resultados mais recentes do programa de ciência cidadã que tem por objetivo colmatar o conhecimento limitado que existe em Portugal sobre os organismos gelatinosos. À semelhança dos anos anteriores, e tendo em conta que o GelAvista pretende nas suas ações de divulgação contribuir para o aumento da literacia dos oceanos, o 4º Encontro, numa iniciativa apoiada pela Embaixada do Canadá em Portugal, terá como convidado especial o Dr. Peter Ross (Vancouver Aquarium) conceituado investigador na área da poluição dos ecossistemas marinhos por plásticos. No dia 24 de Novembro, pela manhã, convidam-se todos os interessados a participar num passeio na promenade de Orla Marítima do Funchal, até à praia Formosa. Instituto Português do Mar e da Atmosfera - Portugal

O 4º Encontro GelAvista tem entrada livre. Para fins logísticos pede-se apenas que confirme a sua presença para: plancton@ipma.pt


terça-feira, 24 de outubro de 2017

Madeira - A Quinta dos Jardins do Imperador da Áustria vai reabrir



O Governo da Madeira vai reabrir ao público em janeiro do próximo ano, mediante entradas pagas, a Quinta dos Jardins do Imperador, implantada na freguesia do Monte, no Funchal, que estava abandonada e foi afetada pelos incêndios de agosto de 2016.

A secretária regional do Ambiente e Recursos Naturais, Susana Prada, visitou na passada semana as obras de recuperação da Quinta que estão a cargo do Instituto de Florestas e Conservação da Natureza (IFCN). “As espécies invasoras tomaram conta do jardim e o Governo Regional decidiu intervir no sentido de limpar e enriquecer as coleções, nomeadamente com rosas”, disse a secretária regional, acrescentando que o executivo pretende “dinamizar o espaço” e “torná-lo visitável à população”. “Nós vamos abrir o Jardim a partir do início do próximo ano”, revelou, com um preço de entrada “simbólico”.

Uma quinta cheia de histórias

A Quinta situa-se no Sítio do Pico, na freguesia do Monte, no concelho do Funchal e compreende um edifício com capela, lago, parque e jardins e uma torre denominada Malakof, referência do património edificado madeirense. É conhecida como Quinta dos Jardins do Imperador numa alusão ao Imperador Carlos de Áustria, último Imperador da Áustria-Hungria que ali viveu com a sua família, exilado entre 1921 e 1922, acabando por ali falecer.

Foi mandada construir por James Gordon no sítio do Pico, freguesia do Monte. É também conhecida por Quinta Cossart, em virtude de nela ter vivido Leland Cossart, cidadão britânico. A quinta foi ainda residência de outras figuras ilustres como, por exemplo a artista plástica madeirense Lourdes de Castro.

Na emblemática torre Malakof foi instalada uma cafetaria para dar apoio aos visitantes. “Esta torre de inegável beleza, não só pela sua configuração arquitectónica mas, também, pelo facto de permitir apreciar a romântica paisagem do Monte, encontra-se perto de um jardim com o mesmo nome, constituído por uma pequena fonte e, ao seu redor, uma vasta área composta por rosas das mais variadas cores”, lê-se no site na internet da Câmara o Funchal.

A casa, rodeada por um imenso jardim formalmente organizado com alegretes contornados a buxo, matas e pomares, foi mandada construir no segundo quartel do século XIX por James Webster Gordon, nascido em Londres, “e está cheia de histórias e de História”. Em 1851 o novo proprietário, irmão de James Gordon, melhorou a propriedade. Murou-a e construiu o jardim e a torre Malakoff. A torre é uma elegante construção de planta circular de onde se avista uma soberba panorâmica. Tal como o Jardim, é homenagem aos heróis da vitória de Sbastopol, castelo recapturado pelas tropas anglo-franceses, em 1855, durante a guerra da Crimeia.

A quinta mudou frequentemente de proprietário, o último foi o banqueiro Rocha Machado, que a adquiriu em 1899 e tornou-a conhecida em todo o mundo. Em 1901 os reis de Portugal, D. Carlos e D. Amélia, foram ali homenageados com um “Garden Party” e, a 21 de Outubro de 1922, os aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral foram à quinta almoçar com os seus proprietários.

Luís Rocha Machado, filho do banqueiro com o mesmo nome, ofereceu a casa para residência temporária do Imperador da Áustria, em 1921. Passou mais tarde por herança às filhas de Luiz Rocha Machado, tendo uma delas, D. Helena Rocha Machado e Couto residido na Quinta entre 1956 e 1975, altura em que a cedeu à pintora madeirense Lurdes de Castro. O imóvel foi vendido ao governo na década de 80 do séc. XX.

O Governo Regional vai instalar na Quinta o Museu do Romantismo e uma cafetaria de apoio aos visitantes. In “Mundo Português” - Portugal